Cita√ß√Ķes sobre Inf√Ęmia

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Frases sobre inf√Ęmia, poemas sobre inf√Ęmia e outras cita√ß√Ķes sobre inf√Ęmia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Mais umas poucas D√ļzias de Homens Ricos

N√£o: plantai batatas, √≥ gera√ß√£o de vapor e de p√≥ de pedra, macadamizai estradas, fazeis caminhos de ferro, constru√≠ passarolas de √ćcaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, ma√ßuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu t√£o diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-p√£es, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considera√ß√Ķes deste mundo a equa√ß√Ķes de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a esp√©cie humana? Que h√° mais umas poucas d√ļzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas pol√≠ticos, aos moralistas, se j√° calcularam o n√ļmero de indiv√≠duos que √© for√ßoso condenar a mis√©ria, ao trabalho desproporcionado, √† desmoraliza√ß√£o, √† inf√Ęmia, √† ignor√Ęncia crapulosa, √† desgra√ßa invenc√≠vel, √† pen√ļria absoluta, para produzir um rico? – Que lho digam no Parlamento ingl√™s, onde, depois de tantas comiss√Ķes de inqu√©rito, j√° devia andar or√ßado o n√ļmero de almas que √© preciso vender ao diabo, n√ļmero de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemit√©rio para fazer um tecel√£o rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico,

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Técnicas de Narrador

Os que me conheceram aos quatro anos dizem que era pálido e ensimesmado e que só falava para contar disparates, mas os meus relatos eram em grande parte episódios simples da vida diária, que eu tornava mais atraentes com pormenores fantásticos para que os adultos me prestassem atenção. A minha melhor fonte de inspiração eram as conversas que os mais velhos mantinham diante de mim, porque pensavam que não as entendia, ou as que cifravam de propósito para que não as entendesse. E, de facto, acontecia o contrário: absorvia-as como uma esponja, desmontava-as em peças, alterava-as para escamotear a origem, e quando as contava aos mesmos que as tinham contado ficavam perplexos pelas coincidências entre o que eu dizia e o que eles pensavam.

Às vezes não sabia o que fazer com a minha consciência e procurava dissimular com um rápido pestanejar. Tanto era assim que algum racionalista da família decidiu que eu fosse observado por um médico da vista, que atribuiu o meu pestanejar a uma infecção das amígdalas e me receitou um xarope de rábano iodado que me fez muito bem para aliviar os adultos. A avó, por seu lado, chegou à conclusão providencial de que o neto era adivinho.

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De Um e de Dois, de Todos

Sou o espectador o actor e o autor
Sou a mulher o marido e o filho
E o primeiro amor e o derradeiro amor
E o furtivo transeunte e o amor confundido

E de novo a mulher seu leito e seu vestido
E seus braços partilhados e o trabalho do homem
E seu prazer em flecha e a fêmea ondulação
Simples e dupla a carne nunca se exila

Pois onde começa um corpo ganho eu forma e
[consciência
E mesmo quando na morte um corpo se desfaz
Eu repouso em seu cadinho desposo o seu
[tormento
Sua inf√Ęmia me honra o cora√ß√£o e a vida.

Tradução de António Ramos Rosa

A Portugalite

Entre as afec√ß√Ķes de boca dos portugueses que nem a pasta medicinal Couto pode curar, nenhuma h√° t√£o generalizada e galopante como a Portugalite. A Portugalite √© uma inflama√ß√£o nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. √Č altamente contagiosa (transmite-se pela saliva) e at√© hoje n√£o se descobriu cura.

A Portugalite √© contra√≠da por cada portugu√™s logo que entra em contacto com Portugal. √Č uma doen√ßa n√£o tanto ven√©rea como venal. Para compreend√™-la √© necess√°rio estudar a rela√ß√£o de cada portugu√™s com Portugal. Esta rela√ß√£o √© semelhante a uma outra que j√° √© cl√°ssica na literatura. Suponhamos ent√£o que Portugal √© fundamentalmente uma meretriz, mas que cada portugu√™s est√° apaixonado por ela. Est√° sempre a dizer mal dela, o que √© compreens√≠vel porque ela trata-o extremamente mal. Chega at√© a julgar que a odeia, porque n√£o acha uma √ļnica raz√£o para am√°-la. Contudo, existem cinco sinais ‚ÄĒ t√≠picos de qualquer grande e arrastada paix√£o ‚ÄĒ que demonstram que os portugueses, contra a vontade e contra a l√≥gica, continuam apaixonados por ela, por muito afectadas que sejam as ¬ębocas¬Ľ que mandam.

Em primeiro lugar, estão sempre a falar dela. Como cada português é um amante atraiçoado e desgraçado pela mesma mulher,

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Sejamos Alegres

Denuncio nossa fraqueza, denuncio o horror alucinante de morrer ‚ÄĒ e respondo a toda essa inf√Ęmia com ‚ÄĒ exatamente isto que vai agora ficar escrito ‚ÄĒ e respondo a toda essa inf√Ęmia com a alegria. Pur√≠ssima e lev√≠ssima alegria. A minha √ļnica salva√ß√£o √© a alegria. Uma alegria atonal dentro do it essencial. N√£o faz sentido? Pois tem que fazer. Porque √© cruel demais saber que a vida √© √ļnica e que n√£o temos como garantia sen√£o a f√© em trevas ‚ÄĒ porque √© cruel demais, ent√£o respondo com a pureza de uma alegria indom√°vel. Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem n√£o tiver medo de ficar alegre e experimentar uma s√≥ vez sequer a alegria doida e profunda ter√° o melhor de nossa verdade. Eu estou ‚ÄĒ apesar de tudo oh apesar de tudo ‚ÄĒ estou sendo alegre neste instante-j√° que passa se eu n√£o fix√°-lo com palavras. Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: ent√£o eu amo. Como resposta. Amor impessoal, amor it, √© alegria: mesmo o amor que n√£o d√° certo, mesmo o amor que termina. E a minha pr√≥pria morte e a dos que amamos tem que ser alegre, n√£o sei ainda como,

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Aberração

Na velhice autom√°tica e na inf√Ęncia,
(Hoje, ontem, amanh√£ e em qualquer era)
Minha hibridez √© a s√ļmula sincera
Das defectividades da Subst√Ęncia.

Criando na alma a estesia abstrusa da √Ęnsia,
Como Belerofonte com a Quimera
Mato o ideal; cresto o sonho; achato a esfera
E acho odor de cad√°ver na fragr√Ęncia!

Chamo-me Aberração. Minha alma é um misto
De anomalias l√ļgubres. Existo
Como o cancro, a exigir que os s√£os enfermem…

Te√ßo a inf√Ęmia; urdo o crime; engendro o iodo
E nas mudanças do Universo todo
Deixo inscrita a memória do meu gérmen!

Ninguém se pode Encarar a si Próprio até ao Fundo

Ningu√©m pode com isto, ningu√©m pode encarar-se a si pr√≥prio e ver-se at√© ao fundo. A tua meticulosidade √© de ferro, a tua meticulosidade est√° de tal maneira entranhada no teu ser que sem ela n√£o existes. Pois at√© a tua meticulosidade se h√°-de dissolver! E tu sem o h√°bito n√£o existes, nem tu sem o dever, nem tu sem a consci√™ncia. Sem estas palavras a vida n√£o existe para ti, e sem escr√ļpulos que te resta? O que a√≠ est√° √© temeroso, seres estranhos, seres que, se d√£o mais um passo, nem eu nem tu podemos encarar com eles. Andam aqui interesses – e outra coisa. Com mil palavras diversas e ign√≥beis, mil bocas que te empurram para a inf√Ęmia – outra coisa. Tens de confess√°-lo. N√£o √© a consci√™ncia – n√£o √© o remorso – n√£o √© o medo. √Č uma coisa inexplic√°vel e imensa, profunda e imensa, que assiste a este espect√°culo sem dizer palavra – e espera… √Čs imundo, √©s a vida.

A Imortalidade

Ser imortal √© coisa sem import√Ęncia. Excepto o homem, todas as criaturas o s√£o, porque ignoram a morte. O divino, o terr√≠vel, o incompreens√≠vel, √© considerar-se imortal. J√° notei que, embora desagrade √†s religi√Ķes, essa convic√ß√£o √© rar√≠ssima. Israelitas, crist√£os e mu√ßulmanos professam a imortalidade, mas a venera√ß√£o que dedicam ao primeiro s√©culo prova que apenas cr√™em nele, e destinam todos os outros, em n√ļmero infinito, para o premiar ou para o castigar.

Mais razo√°vel me parece o c√≠rculo descrito por certas religi√Ķes do Indost√£o. Nesse c√≠rculo, que n√£o tem princ√≠pio nem fim, cada vida √© uma consequ√™ncia da anterior e engendra a seguinte, mas nenhuma determina o conjunto… Doutrinada por um exerc√≠cio de s√©culos, a rep√ļblica dos homens imortais tinha conseguido a perfei√ß√£o da toler√Ęncia e quase do desd√©m. Sabia que num prazo infinito ocorrem a qualquer homem todas as coisas. Pelas suas passadas ou futuras virtudes, qualquer homem √© credor de toda a bondade, mas tamb√©m de toda a trai√ß√£o pelas suas inf√Ęmias do passado ou do futuro. Assim como nos jogos de azar as cifras pares e √≠mpares permitem o equil√≠brio, assim tamb√©m se anulam e se corrigem o engenho e a estupidez.

(…) Ningu√©m √© algu√©m,

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Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macamb√ļzio, fatalista e son√Ęmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de mis√©rias, sem uma rebeli√£o, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem j√° com as orelhas √© capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, n√£o se lembrando nem donde vem, nem onde est√°, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e √© bom, e guarda ainda na noite da sua inconsci√™ncia como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em sil√™ncio escuro de lagoa morta. [.]

Uma burguesia, c√≠vica e politicamente corrupta at√© √† medula, n√£o descriminando j√° o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem car√°cter, havendo homens que, honrados na vida √≠ntima, descambam na vida p√ļblica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a inf√Ęmia, da mentira a falsifica√ß√£o, da viol√™ncia ao roubo, donde provem que na pol√≠tica portuguesa sucedam, entre a indiferen√ßa geral, esc√Ęndalos monstruosos, absolutamente inveros√≠meis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfreg√£o de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdica√ß√£o un√Ęnime do Pa√≠s.

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Considera como maior inf√Ęmia preferir a vida √† honra
e por amor àquela, perder a razão de viver.

A Inevitabilidade das Revolu√ß√Ķes

As revolu√ß√Ķes n√£o s√£o factos que se aplaudam ou que se condenem. Havia nisso o mesmo absurdo que em aplaudir ou condenar as evolu√ß√Ķes do Sol. S√£o factos fatais. T√™m de vir. De cada vez que v√™m √© sinal de que o homem vai alcan√ßar mais uma liberdade, mais um direito, mais uma felicidade. Decerto que os horrores da revolu√ß√£o s√£o medonhos, decerto que tudo o que √© vital nas sociedades, a fam√≠lia, o trabalho, a educa√ß√£o, sofrem dolorosamente com a passagem dessa trovoada humana. Mas as mis√©rias que se sofrem com as opress√Ķes, com os maus reg√≠mens, com as tiranias, s√£o maiores ainda. As mulheres assassinadas no estado de prenhez e esmagadas com pedras, quando foi da revolu√ß√£o de 93, √© uma coisa horr√≠vel; mas as mulheres, as crian√ßas, os velhos morrendo de frio e de fome, aos milhares nas ruas, nos Invernos de 80 a 86, por culpa do Estado, e dos tributos e das finan√ßas perdidas, e da fome e da morte da agricultura, √© pior ainda. As desgra√ßas das revolu√ß√Ķes s√£o dolorosas fatalidades, as desgra√ßas dos maus governos s√£o dolorosas inf√Ęmias.

Nunca Conheci quem Tivesse Levado Porrada

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos t√™m sido campe√Ķes em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a ang√ļstia das pequenas coisas rid√≠culas,
Eu que verifico que n√£o tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi sen√£o princ√≠pe –

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Um artista √© pior que uma mulher – e um artista escandalizado na sua vaidade de colorista e estilista √© capaz das maiores inf√Ęmias.

Maridos: deveis abster-vos de contar √† esposa as inf√Ęmias que vos fizeram as que a precederam. N√£o conv√©m sugerir-lhe ideias.

A Lusit√Ęnia

A terra mais ocidental de todas √© a Lusit√Ęnia. E porque se chama Ocidente aquela parte do mundo? Porventura porque vivem ali menos, ou morrem mais os homens? N√£o; sen√£o porque ali v√£o morrer, ali acabam, ali se sepultam e se escondem todas as luzes do firmamento. Sai no Oriente o Sol com o dia coroado de raios, como Rei e fonte da Luz: sai a Lua e as Estrelas com a noite, como tochas acesas e cintilantes contra a escuridade das trevas, sobem por sua ordem ao Z√©nite, d√£o volta ao globo do mundo resplandecendo sempre e alumiando terras e mares; mas em chegando aos Horizontes da Lusit√Ęnia, ali se afogam os raios, ali se sepultam os resplendores, ali desaparece e perece toda aquela pompa de luzes.
E se isto sucede aos lumes celestes e imortais; que nos lastimamos, Senhores, de ler os mesmos exemplos nas nossas Histórias? Que foi um Afonso de Albuquerque no Oriente? Que foi um Duarte Pacheco? Que foi um D. João de Castro? Que foi um Nuno da Cunha, e tantos outros Heróis famosos, senão uns Astros e Planetas lucidíssimos, que assim como alumiaram com estupendo resplendor aquele glorioso século, assim escurecerão todos os passados?

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Livre!

Livre! Ser livre da materia escrava,
Arrancar os grilh√Ķes que nos flagelam
E livre, penetrar nos Dons que selam
A alma e lhe emprestam toda a etérea lava.

Livre da humana, da terrestre bava
Dos cora√ß√Ķes daninhos que regelam
Quando os nossos sentidos se rebelam
Contra a Inf√Ęmia bifronte que deprava.

Livre! bem livre para andar mais puro,
Mais junto à Natureza e mais seguro
Do seu amor, de todas as justiças.

Livre! para sentir a Natureza,
Para gozar, na universal Grandeza,
Fecundas e arcangélicas preguiças.