Passagens sobre J贸ias

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Ningu茅m consegue aventurar-se na poesia coleccionando objectos – est谩tuas, estatuetas, j贸ias, devem ser j贸ias vivas, olhos de leoas maternas, insuport谩veis coisas que nos contemplam, morre-se de ser assim contemplado.

Chuva De Ouro

A Rainha desceu do Capit贸lio
Agora mesmo — vede-lhe o rega莽o…
Como tem flores, como traz o bra莽o
Farto de j贸ias, como pisa o s贸lio

Triunfantemente, numa un莽茫o, num 贸leo
Mais santo e doce que essa luz do espa莽o…
E como desce com bravura de a莽o…
Pois se a Rainha, como um rico esp贸lio,

O seu brioso cora莽茫o foi dando
Aos pobrezinhos, que inda est茫o gozando
B锚n莽茫os mais puras qu’os clar玫es diurnos,

Por certo que h谩 de vir descendo a escada
Do Capit贸lio da virtude — olhada
Pelos Albergues infantis, noturnos!

A Senhora de Brabante

Tem um leque de plumas gloriosas,
na sua m茫o macia e cintilante,
de an茅is de pedras finas preciosas
a Senhora Duquesa de Brabante.

Numa cadeira de espaldar dourado,
Escuta os galanteios dos bar玫es.
鈥 脡 noite: e, sob o azul morno e calado,
concebem os jasmins e os cora莽玫es.

Recorda o senhor Bispo ac莽玫es passadas.
Falam damas de j贸ias e cetins.
Tratam bar玫es de festas e ca莽adas
脿 moda goda: 鈥 aos toques dos clarins!

Mas a Duquesa 茅 triste. 鈥 Oculta m谩goa
vela seu rosto de um solene v茅u.
鈥 Ao luar, sobre os tanques chora a 谩gua…
鈥 Cantando, os rouxin贸is lembram o c茅u…

Dizem as lendas que Sat茫 vestido
de uma armadura feita de um brilhante,
ousou falar do seu amor florido
脿 Senhora Duquesa de Brabante.

Dizem que o ouviram ao luar nas 谩guas,
mais louro do que o sol, marm贸reo, e lindo,
tirar de uma viola estranhas m谩goas,
pelas noites que os cravos v锚m abrindo…

Dizem mais que na seda das varetas
do seu leque ducal de mil matizes…

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Querer amizade 茅 um grande erro. Amizade 茅 uma j贸ia gratuita, como as j贸ias oferecidas pela arte ou pela vida.

O Azar

Com peso tal, n茫o me ajeito;
D谩-me, S铆sifo, vigor!
Embora eu tenha valor,
A Arte 茅 larga e o Tempo Estreito.

Longe dos mortos lembrados,
A um obscuro cemit茅rio,
Minh’alma , tambor fun茅reo,
Vai rufar trechos magoados.

鈥 H谩 muitas j贸ias ocultas
Na terra fria, sepulturas
Onde n茫o chega o alvi茫o;

Muita flor exala a medo
Seus perfumes no degredo
Da profunda solid茫o

Tradu莽茫o de Delfim Guimar茫es

A diferen莽a entre as recorda莽玫es falsas e as verdadeiras 茅 a mesma que existe entre as j贸ias: s茫o sempre as falsas que parecem mais reais, mais brilhantes.

Vencer 茅 Resignar-se

Conformar-se 茅 submeter-se e vencer 茅 conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vit贸ria 茅 uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram 脿 luta que lhes deu a vit贸ria. Ficam satisfeitos, e satisfeito s贸 pode estar aquele que se conforma, que n茫o tem a mentalidade do vencedor. Vence s贸 quem nunca consegue. S贸 茅 forte quem desanima sempre. O melhor e o mais p煤rpura 茅 abdicar. O imp茅rio supremo 茅 o do Imperador que abdica de toda a vida normal, dos outros homens, em quem o cuidado da supremacia n茫o pesa como um fardo de j贸ias.

-Sei que a senhora gosta de ler 鈥 digo.
– Muito. N茫o se ria se eu disser que o romance mais bonito que li em toda a minha vida foi a Joana Eira de Carlota Bronte. Conhece? Uma j贸ia. Acho que li esse livro umas vinte vezes. Devorei tamb茅m todo o Walter Scott e o Alexandre Dumas. Nunca suportei o Zola nem o Flaubert. Mas gostava do Tolstoi. Ah! Leio tamb茅m os modernos. Estrangeiros e nacionais, naturalmente.

Esta Dor que me Faz Bem

As coisas falam comigo
uma linguagem secreta
que 茅 minha, de mais ningu茅m.
Quem sente este cheiro antigo,
o cheiro da mala preta,
que era tua, minha m茫e?

Este cheiro de al茅m-vida
e de indiz铆vel tristeza,
do tempo morto, esquecido…
T茫o desbotada e pu铆da
aquela fita escocesa
que enfeitava o teu vestido.

Fala comigo e conversa,
na linguagem que eu entendo,
a tua velha gaveta,
a vida nela dispersa
chega 脿 cama onde me estendo
num perfume de violeta.

Vejo as tuas j贸ias falsas
que usavas todos os dias,
do princ铆pio ao fim do ano,
e ainda oi莽o as tuas valsas,
minha m茫e, e as melodias
que cantavas ao piano.

Vejo brancos, decotados,
os teus sapatos de baile,
um broche em forma de lira,
saia aos folhos engomados
e sobre o vestido um xaile,
um xaile de Caxemira.

Quantas voltas deu na vida
este 谩lbum de retratos,
de veludo cor de t铆lia?
Gente outrora conhecida,
quem lhe deu tantos maus tratos?

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Ningu茅m Tem Pena das Pessoas Felizes

Ningu茅m tem pena das pessoas felizes. Os Portugueses adoram ter ang煤stias, inseguran莽as, d煤vidas existenciais dilacerantes, porque 茅 isso que funciona na nossa sociedade. As pessoas com problemas s茫o sempre mais interessantes. N贸s, os tontos, n茫o temos interesse nenhum porque somos felizes. Somos felizes, somos tonta莽os, n茫o podemos ter gra莽a nem salva莽茫o. Muitos felizardos (a pr贸pria palavra tem um soar repelente, rimador de 芦javardo禄) v锚em-se obrigados a fingir a dor que deveras n茫o sentem, s贸 para poderem 芦brincar禄 com os outros meninos.
脡 assim. Chega um infeliz ao p茅 de n贸s e diz que n茫o sabe se h谩-de ir beber uma cerveja ou matar-se. E pergunta, depois de ter feito o invent谩rio das tristezas das 煤ltimas 24 horas: 芦E tu? Sempre bem disposto, n茫o?禄. O que 茅 que se pode responder? Apetece mentir e dizer que nos morreu uma av贸, que nos atrai莽oou uma namorada, que nos atropelaram a cadelinha ali na estrada de Sines.
E, no entanto, as pessoas felizes tamb茅m sofrem muito. Sofrem, sobretudo, de 芦culpa禄. Se elas est茫o felizes, rodeadas de pessoas tristes, 茅 l贸gico que pensem que h谩 ali qualquer coisa que n茫o bate certo. As infelizes acusam sempre os felizes de terem a culpa.

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O imp茅rio supremo 茅 o do Imperador que abdica de toda a vida normal, dos outros homens, em quem o cuidado da supremacia n茫o pesa como um fardo de j贸ias.

R煤stica

Da casinha, em que vive, o reboco alvacento
Reflete o ribeir茫o na 谩gua clara e sonora.
Este 茅 o ninho feliz e obscuro em que ela mora;
Al茅m, o seu quintal, este, o seu aposento.

Vem do campo, a correr; e 煤mida do relento,
Toda ela, fresca do ar, tanto aroma evapora
Que parece trazer consigo, l谩 de fora,
Na desordem da roupa e do cabelo, o vento…

E senta-se. Comp玫e as roupas. Olha em torno
Com seus olhos azuis onde a inoc锚ncia b贸ia;
Nessa meia penumbra e nesse ambiente morno,

Pegando da costura 脿 luz da clarab贸ia,
P玫e na ponta do dedo em feitio de adorno,
O seu lindo dedal com pretens茫o de j贸ia.

S贸 no Ato do Amor se Capta a Inc贸gnita do Instante

Quero capturar o presente que pela sua pr贸pria natureza me 茅 interdito: o presente me foge, a atualidade me escapa, a atualidade sou eu sempre no j谩. S贸 no ato do amor 鈥 pela l铆mpida abstra莽茫o de estrela do que se sente 鈥 capta-se a inc贸gnita do instante que 茅 duramente cristalina e vibrante no ar e a vida 茅 esse instante incont谩vel, maior que o acontecimento em si: no amor o instante de impessoal j贸ia refulge no ar, gl贸ria estranha de corpo, mat茅ria sensibilizada pelo arrepio dos instantes 鈥 e o que se sente 茅 ao mesmo tempo que imaterial t茫o objetivo que acontece como fora do corpo, faiscante no alto, alegria, alegria 茅 mat茅ria de tempo e 茅 por excel锚ncia o instante. E no instante est谩 o 茅 dele mesmo. Quero captar o meu 茅. E canto aleluia para o ar assim como faz o p谩ssaro. E meu canto 茅 de ningu茅m. Mas n茫o h谩 paix茫o sofrida em dor e amor a que n茫o se siga uma aleluia.

Fr铆gida

I
Balzac 茅 meu rival, minha senhora inglesa!
Eu quero-a porque odeio as carna莽玫es redondas!
Mas ele eternizou-lhe a singular beleza
E eu turbo-me ao deter seus olhos cor das ondas.

II
Admiro-a. A sua longa e pl谩cida estatura
Exp玫e a majestade austera dos invernos.
N茫o cora no seu todo a t铆mida candura;
Dan莽am a paz dos c茅us e o assombro dos infernos.

III
Eu vejo-a caminhar, fleum谩tica, irritante,
Numa das m茫os franzindo um len莽ol de cambraia!…
Ningu茅m me prende assim, f煤nebre, extravagante,
Quando arrega莽a e ondula a pregui莽osa saia!

IV
Ouso esperar, talvez, que o seu amor me acoite,
Mas nunca a fitarei duma maneira franca;
Traz o esplendor do Dia e a palidez da Noite,
脡, como o Sol, dourada, e, como a Lua, branca!

V
Pudesse-me eu prostar, num meditado impulso,
脫 g茅lida mulher bizarramente estranha,
E tr锚mulo depor os l谩bios no seu pulso,
Entre a macia luva e o punho de bretanha!…

VI
Cintila ao seu rosto a lucidez das j贸ias.
Ao encarar consigo a fantasia pasma;

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O Lord

Lord que eu fui de Esc贸cias doutra vida
Hoje arrasta por esta a sua decad锚ncia,
Sem brilho e equipagens.
Milord reduzido a viver de imagens,
P谩ra 脿s montras de j贸ias de opul锚ncia
Num desejo brumoso – em d煤vida iludida…
(- Por isso a minha raiva mal contida,
– Por isso a minha eterna impaci锚ncia.)

Olha as Pra莽as, rodeia-as…
Quem sabe se ele outrora
Teve Pra莽as, como esta, e pal谩cios e colunas –
Longas terras, quintas cheias,
Iates pelo mar fora,
Montanhas e lagos, florestas e dunas…

(- Por isso a sensa莽茫o em mim fincada h谩 tanto
Dum grande patrim贸nio algures haver perdido;
Por isso o meu desejo astral de luxo desmedido –
E a Cor na minha Obra o que ficou do encanto…)

A La铆s

脌 ciprina La铆s, de quem sou tribut谩rio.
A La铆s que possui compridas tran莽as pretas,
P’lo meu escravo mandei, no seu anivers谩rio,
Um cacho moscatel num cabaz de violetas.

Os amantes, que d茫o 脿s suas namoradas
Fulgurantes an茅is de riqueza estupenda,
Luminosos rocais e redes consteladas,
H茫o-de sorrir, bem sei da minha humilde of’renda.

Pensei em dar-lhe, 茅 certo, um precioso colar
E um anel com mais luz do que o inc锚ndio de Tr贸ia,
Mas reconsiderei de pronto, ao atentar
Que ainda ningu茅m viu dar j贸ias a uma j贸ia…