Cita√ß√Ķes sobre Mart√≠rio

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Frases sobre mart√≠rio, poemas sobre mart√≠rio e outras cita√ß√Ķes sobre mart√≠rio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Vis√£o Da Morte

Olhos voltados para mim e abertos
Os braços brancos, os nervosos braços,
Vens d’espa√ßos estranhos, dos espa√ßos
Infinitos, int√©rminos, desertos…

Do teu perfil os tímidos, incertos
Traços indefinidos, vagos traços
Deixam, da luz nos ouros e nos aços,
Outra luz de que os céus ficam cobertos.

Deixam nos céus uma outra luz mortuária,
Uma outra luz de lívidos martírios,
De agonies, de m√°goa funer√°ria…

E causas febre e horror, frio, delírios,
√ď Noiva do Sepulcro, solit√°ria,
Branca e sinistra no clarão dos círios!

O Segredo de Salvar-me Pelo Amor

Quem há aí que possa o cálix
De meus l√°bios apartar?
Quem, nesta vida de penas,
Poder√° mudar as cenas
Que ningu√©m p√īde mudar ?

Quem possui na alma o segredo
De salvar-me pelo amor?
Quem me dar√° gota de √°gua
Nesta angustiosa fr√°gua
De um deserto abrasador?

Se alguém existe na terra
Que tanto possa, és tu só!
Tu só, mulher, que eu adoro,
Quando a Deus piedade imploro,
E a ti peço amor e dó.

Se soubesses que tristeza
Enluta meu coração,
Terias nobre vaidade
Em me dar felicidade,
Que eu busquei no mundo em v√£o.

Busquei-a em tudo na terra,
Tudo na terra mentiu!
Essa estrela carinhosa
Que luz √† inf√Ęncia ditosa
Para mim nunca luziu.

Infeliz desde criança
Nem me foi risonha a fé;
Quando a terra nos maltrata,
Caprichosa, acerba e ingrata,
Céu e esperança nada é.

Pois a ventura busquei-a
No vivo anseio do amor,
Era ardente a minha alma;
Conquistei mais de uma palma
À custa de muita dor.

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LXXXII

Piedosos troncos, que a meu terno pranto
Comovidos estais, uma inimiga
E quem fere o meu peito, é quem me obriga
A tanto suspirar, a gemer tanto.

Amei a Lise; é Lise o doce encanto,
A bela ocasi√£o desta fadiga;
Deixou-me; que quereis, troncos, que eu diga
Em um tormento, em um fatal quebranto?

Deixou-me a ingrata Lise: se alguma hora
Vós a vêdes talvez, dizei, que eu cego
Vos contei… mas calai, calai embora.

Se tanto a minha dor a elevar chego,
Em fé de um peito, que tão fino adora,
Ao meu silêncio o meu martírio entrego.

3A Sombra – Ester

Vem! no teu peito c√°lido e brilhante
O nardo oriental melhor transpira!
Enrola-te na longa cachemira,
Como as judias moles do Levante,

Alva a cl√Ęmide aos ventos – ro√ßagante…
T√ļmido o l√°bio, onde o salt√©rio gira…
√ď musa de Israel! pega da lira…
Canta os martírios de teu povo errante!

Mas n√£o… brisa da p√°tria al√©m revoa,
E ao delamber-lhe o braço de alabastro,
Falou-lhe de partir… e parte… e voa. . .

Qual nas algas marinhas desce um astro…
Linda Ester! teu perfil se esvai… s’escoa…
S√≥ me resta um perfume… um canto… um rastro…

Lembranças Apagadas

Outros, mais do que o meu, finos olfatos,
Sintam aquele aroma estranho e belo
Que tu, √≥ L√≠rio l√Ęnguido, singelo,
Guardaste nos teus íntimos recatos.

Que outros se lembrem dos sutis e exatos
Traços, que hoje não lembro e não revelo
E se recordem, com profundo anelo,
Da tua voz de siderais contatos…

Mas eu, para lembrar mortos encantos,
Rosas murchas de graças e quebrantos,
Linhas, perfil e tanta dor saudosa,

Tanto martírio, tanta mágoa e pena,
Precisaria de uma luz serene,
De uma luz imortal maravilhosa!…

Filosofia Simplificada

√Č uma objec√ß√£o pobre contra um fil√≥sofo dizer que √© inintelig√≠vel. Ininteligibilidade √© um conceito relativo, e aquilo que o Caio ou Ticiano frequentemente louvado n√£o entende nem por isso √© inintelig√≠vel. E mesmo a filosofia tem, de facto, algo que segundo a sua natureza sempre permanecer√° inintelig√≠vel √† grande multid√£o. Mas √© algo inteiramente outro se a ininteligibilidade est√° na coisa mesma. – Ocorre frequentemente que cabe√ßas que, com grande exerc√≠cio e habilidade, mas sem possuirem propriamente inventividade para tarefas mec√Ęnicas, se disp√Ķem, por exemplo, a inventar uma m√°quina de tornear garrafas – fabricam perfeitamente uma, mas o mecanismo √© t√£o dif√≠cil e artificioso ou as engrenagens rangem tanto, que se prefere voltar a tornear garrafas com as m√£os, √† moda antiga. O mesmo pode perfeitamente passar-se na filosofia. O sofrimento com a ignor√Ęncia sobre os objectos primeiros, sobre os maiores, para todos os homens que sentem, que n√£o s√£o embotados ou estreitamente auto-suficientes, √© grande e pode aumentar at√© se tornar insuport√°vel. Mas se o mart√≠rio de um sistema antinatural √© maior do que aquele fardo da ignor√Ęncia, prefere-se no entanto continuar a suportar este. Pode-se bem admitir que tamb√©m a tarefa da filosofia, se √© em geral resol√ļvel,

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Pior Velhice

Sou velha e triste. Nunca o alvorecer
Dum riso s√£o andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, n√°ufraga da Vida, ando a morrer!

A Vida, que ao nascer, enfeita e touca
De alvas rosas a fronte da mulher,
Na minha fronte mística de louca
Martírios só poisou a emurchecer!

E dizem que sou nova… A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!

Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembran√ßa de ter sido nova… outrora…

A Necessidade dos Chefes

De todos os h√°bitos a que nos entregamos, um reina sobre todos os outros no que se refere a malef√≠cios quanto ao mundo futuro. √ä o h√°bito de ter chefes. O medo das responsabilidades, o gosto de se encostar aos outros, o jeito mais f√°cil de n√£o ter que decidir os caminhos fizeram que a cada instante lancemos os olhos √† nossa volta em busca do sinal que nos sirva de guia. Quando surge uma dificuldade de car√°cter colectivo, a primeira ideia √© a de que devia surgir um homem que tomasse sobre os seus ombros o √°spero mart√≠rio de ser chefe. Pois bem: pode ser que isto tenha trazido grandes benef√≠cios em outras crises da Hist√≥ria; nem vale por outro lado a pena saber o que teria sido a dita Hist√≥ria se outras se tivessem apresentado as circunst√Ęncias. Mas, na presente, a verdadeira salva√ß√£o s√≥ vir√° no dia em que cada homem se convencer de que tem que ser ele o seu chefe. Ou, dentro dele, Deus.

Aquele que pode negar Deus diante de uma noite estrelada, diante da sepultura das pessoas que mais estima, diante do martírio, é muito infeliz ou muito culpado.

Mulher

“J√° √© demais! – me disseste – o teu ci√ļme √© irritante
e h√° de acabar na certa, por nos indispor,
Рfazes do meu viver um martírio constante
e ao que v√™s, tu d√°s sempre afinal outra c√īr”

Eu resolvi ent√£o, daquele dia em diante,
sem nada te dizer, e sem nada propor,
Рsufocar esse amor egoísta e dominante
e o ci√ļme… que era o fel que eu punha em nosso amor!

Hoje… Tu sofres mais quando em minha presen√ßa…
e há pouco (creio até que bateste com os pés!)
– j√° achavas demais a minha indiferen√ßa…

E possa eu compreender, afinal, o que queres,
quando enfim descobri, sem surpresa, que tu és
incoerente… e igualzinha a todas as mulheres!

As Obras e os Mistérios do Amor

Quem ama não sente o amor no seu coração. Vive no coração do amor. O amor que nos oferece os sonhos mais belos e nos faz voar, é o mesmo que nos crava os espinhos mais duros na carne e se faz mar nas nossas lágrimas.

O amor faz o que quer, onde e quando alguém o aceita. Não tem outras mãos ou olhos senão os nossos. A força do amor é aquela de que nós formos capazes. Por isso, amar é, antes de tudo, aceitar.

Há quem entregue a sua vida por amor. Quem se abandone a si mesmo, deixando para trás aquilo que outros julgam ser o seu maior tesouro… A vida é para amar, quem não ama, apenas sobrevive.
H√° quem morra por amor. Mas esta vida √© apenas um peda√ßo de outra, maior, que s√≥ √© vivida pelos que tiverem a coragem imprudente de ser luz e calor na vida de algu√©m, aceitando-o como √©… e como quer ser. Sem o julgar. Respeitando sempre os seus espa√ßos e os seus tempos, o seu passado e o seu futuro. Amar √© corrigir e ajudar quem se ama a ser melhor, mas n√£o o obrigando aos nossos pensamentos e sentimentos,

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O Homem РUm Mecanismo de Relógio

√Č realmente inacredit√°vel como a vida da maioria dos homens flui de maneira insignificante e f√ļtil, quando vista externamente, e qu√£o ap√°tica e sem sentido pode parecer interiormente. As quatro idades da vida que levam √† morte s√£o feitas de √Ęnsia e mart√≠rio extenuados, al√©m de uma vertigem ilus√≥ria, acompanhada por uma s√©rie de pensamentos triviais. Assemelham-se ao mecanismo de um rel√≥gio, que √© colocado em movimento e gira, sem saber por qu√™. E toda a vez que um homem √© gerado e nasce, d√°-se novamente corda ao rel√≥gio da vida humana, para ent√£o repetir a mesma cantilena pela en√©sima vez, frase por frase, compasso por compasso, com varia√ß√Ķes insignificantes.

Estrada A Fora

Ela passou por mim toda de preto,
Pela m√£o conduzindo uma crian√ßa…
E eu cuidei ver ali uma esperança
E uma Saudade em p√°lido dueto.

Pois, quando a perda de um sagrado afeto
De lastimar esta mulher n√£o cansa,
N’uma alegria descuidosa e mansa,
Passa a criança, o beija-flor inquieto.

Também na Vida o gozo e a desventura
Caminham sempre unidos, de m√£os dadas,
E o ber√ßo, √†s vezes, leva √† sepultura…

No cora√ß√£o, – um horto de mart√≠rios! –
Brotam sem fim as ilus√Ķes douradas,
Como nas campas desabrocham lírios.

Ver√īnica

N√£o a face do Cristo, a macilenta
Face do Cristo, a dolorosa face…
O martírio da Cruz passou fugace
E este Martírio, esta Paixão é lenta.

Um vivo sangue a face te ensang√ľenta,
Mais vivo que se o Deus o derramasse;
Porque esta v√£ paix√£o, para que passe,
√Č mister dos Tit√£s a luta incruenta.

Se tu, Vis√£o da Luz, Vis√£o sagrada
Queres ser a Ver√īnica sonhada,
Consoladora dessa dor sombria

Impressa ficara no teu sud√°rio
N√£o a face do Cristo do Calv√°rio
Mas a face convulsa da Agonia!

O Teu Céu

√Č em vida que tens o teu c√©u. Mas n√£o √© um c√©u prometido. Um c√©u prometido √© um c√©u precavido, um c√©u prevenido ‚Äď um c√©u invertido. O que j√° sabes que vai ser c√©u √© um mart√≠rio. Se sabes que vai ser c√©u: ent√£o √© porque n√£o √© c√©u. √Čs tu que, todos os dias, tens de agarrar nas tuas perninhas e no monte de ant√≠teses de que √©s feito. √Čs tu que tens de rezar pelo teu c√©u. Mas rezar n√£o √© de joelhos. Rezar nem sequer √© cruzar os dedos e olhar para o c√©u √† espera de que de l√° caia alguma coisa. O mais inusitado que podes esperar que caia do c√©u s√£o perdigotos de quem, como tu, pensa que rezar √© dizer meia d√ļzia de palavras com os joelhos dobrados e as m√£os unidas em forma de impot√™ncia. Mas rezar n√£o √© nada disso. Vou-te explicar o que √© rezar. Oremos, irm√£o.

Rezar não é ajoelhar nem é falar nem é esperar. Rezar é lutar. Não é por acaso que depois de morrer alguém de quem se gosta se faz o luto. Luto. Ouve bem, lê bem: sente bem. Luto. Luto.

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Dia de Descanso

Hoje reservo o dia inteiro para chorar
√Č o domingo decadente¬†¬†¬† em que muitos
esperam pela morte de pé
√Č o dia do sarro que vem √† boca da mediocridade
circular    dos gestos que andam disfarçados de gestos
dos amores que deram em estribilhos
das correrias peder√°sticas para o futebol em cal√ß√Ķes
mais o melhor fato    e a mesquinhez nacional dos 10%
de desconto em todo o vestu√°rio

E choro   choro   porque a coragem
n√£o me falta para tudo isto e assisto
na nega de me ceder ao braço dado

Precisarei de um cansaço mas
l√° estavam espertas
as mil e n√£o sei quantas lojas abertas
para mo vender!

Mas hoje é domingo
Lá está o chão reluzente de martírio
e nem já o sonho me dá de graça o ter por não ter
j√° nem o amor que suponho me d√° o sonho de ser

E choro de coragem    isto é
as lágrimas hão-de cair sêcas nas minhas mãos
Falo cristalinamente sozinho
procurando entre as paredes e as varandas que v√£o cair
algum acaso    isto é
o eco,

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Cont√°gio Mental

O cont√°gio mental representa o elemento essencial da propaga√ß√£o das opini√Ķes e das cren√ßas. A sua for√ßa √©, muitas vezes, bastante consider√°vel para fazer agir o indiv√≠duo contra os seus interesses mais evidentes. As inumer√°veis narra√ß√Ķes de mart√≠rios, de suic√≠dios, de mutila√ß√Ķes, etc., determinados por cont√°gio mental fornecem uma prova disso.
Todas as manifesta√ß√Ķes da vida ps√≠quica podem ser contagiosas, mas s√£o, especialmente, as emo√ß√Ķes que se propagam desse modo. As ideias contagiosas s√£o s√≠nteses de elementos afectivos.
Na vida comum, o cont√°gio pode ser limitado pela ac√ß√£o inibidora da vontade, mas, se uma causa qualquer – violenta mudan√ßa de meio em tempo de revolu√ß√£o, excita√ß√Ķes populares, etc. – v√™m paralis√°-la, o cont√°gio exercer√° facilmente a sua influ√™ncia e poder√° transformar seres pac√≠ficos em ousados guerreiros, pl√°cidos burgueses em terr√≠veis sect√°rios. Sob a sua influ√™ncia, os mesmos indiv√≠duos passar√£o de um partido para outro e empregar√£o tanta energia em reprimir uma revolu√ß√£o quanto em foment√°-la.
O contágio mental não se exerce somente pelo contacto direto dos indivíduos. Os livros, os jornais, as notícias telegráficas, mesmo simples rumores, podem produzi-lo.
Quanto mais se multiplicam os meios de comunicação tanto mais se penetram e se contagiam. A cada dia estamos mais ligados àqueles que nos cercam.

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Adeus Tranças Cor de Ouro

Adeus tranças cor de ouro,
Adeus peito cor de neve!
Adeus cofre onde estar deve
Escondido o meu tesouro!

Adeus bonina, adeus lírio
Do meu exílio de abrolhos!
Adeus, ó luz dos meus olhos
E meu tão doce martírio!

Adeus meu amor-perfeito,
Adeus tesouro escondido,
E de guardado, perdido
No mais íntimo do peito.

Desfeito sonho dourado,
Nuvem desfeita de incenso
Em quem dormindo só penso,
Em quem só penso acordado!

Vis√£o, sim, mas vis√£o linda,
Sonho meu desvanecido!
Meu paraíso perdido
Que de longe adoro ainda!

Nuvem que ao sopro da aragem
Voou nas asas de prata,
Mas no lago que a retrata
Deixou esculpida a imagem!

Rosa de amor desfolhada
Que n’alma deixou o aroma,
Como o deixa na redoma
Fina essência evaporada!

Gota de orvalho que o vento
Levou do c√°lix das flores,
Curto abril dos meus amores,
Primavera de um momento!

Adeus Sol, que me alumia
Pelas ondas do oceano
Desta vida, deste engano,

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Visio

Eras p√°lida. E os cabelos,
Aéreos, soltos novelos,
Sobre as esp√°duas ca√≠am…
Os olhos meio cerrados
De vol√ļpia e de ternura
Entre l√°grimas luziam…
E os braços entrelaçados,
Como cingindo a ventura,
Ao teu seio me cingiam…

Depois, naquele delírio,
Suave, doce martírio
De pouquíssimos instantes,
Os teus l√°bios sequiosos,
Frios, trêmulos, trocavam
Os beijos mais delirantes,
E no supremo dos gozos
Ante os anjos se casavam
Nossas almas palpitantes…

Depois… depois a verdade,
A fria realidade,
A solid√£o, a tristeza;
Daquele sonho desperto,
Olhei… sil√™ncio de morte
Respirava a natureza ‚ÄĒ
Era a terra, era o deserto,
Fora-se o doce transporte,
Restava a fria certeza.

Desfizera-se a mentira:
Tudo aos meus olhos fugira;
Tu e o teu olhar ardente,
Lábios trêmulos e frios,
O abraço longo e apertado,
O beijo doce e veemente;
Restavam meus desvarios,
E o incessante cuidado,
E a fantasia doente.

E agora te vejo. E fria
T√£o outra est√°s da que eu via
Naquele sonho encantado!

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