O que estraga a felicidade é o medo.
Passagens sobre Medo
1062 resultadosA Psicologia do Medo
O medo é o que impede que tudo o que chega às maõs dos homens não se torne em sua propriedade. Basta produzir uma impressão que não se pode explicar, inserindo no medo o desconforto da culpa. É assim que milhões de pessoas podem ser pastoreadas nas ribeiras da paz por muito poucas. E nas trincheiras da guerra por outras tantas, senão as mesmas.
Guarde seus medos para si mesmo; com os outros, compartilhe a coragem.
O bravo não é quem não sente medo, mas quem vence esse medo.
O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não.
O medo nunca levou ninguém ao topo.
As Janelas da Memória
A memória humana não é lida globalmente, como a memória dos computadores, mas por áreas específicas a que chamo de janelas. Através das janelas vemos, reagimos, interpretamos… Quantas vezes tentamos lembrar-nos de algo que não nos vem à ideia? Nesse caso, a janela permaneceu fechada ou inacessível.
A janela da memória é, portanto, um território de leitura num determinado momento existencial. Em cada janela pode haver centenas ou milhares de informações e experiências. O maior desafio de uma mulher, e do ser humano em geral, é abrir o máximo de janelas em cada situação. Se ela abre diversas janelas, poderá dar respostas inteligentes. Se as fecha, poderá dar respostas inseguras, medíocres, estúpidas, agressivas. Somos mais instintivos e animalescos quando fechamos as janelas, e mais racionais quando as abrimos.
O mundo dos sentimentos possui as chaves para abrir as janelas. O medo, a tensão, a angústia, o pânico, a raiva e a inveja podem fechá-las. A tranquilidade, a serenidade, o prazer e a afetividade podem abri-las. A emoção pode fazer os intelectuais reagirem como crianças agressivas e as pessoas simples reagirem como elegantes seres humanos. Sob um foco de tensão, como perdas e contrariedades, uma mulher serena pode ficar irreconhecível.
O que é terrível na culpa é que ela atribui ao medo, o maior mal que existe no mundo, um enorme direito.
Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas.
Declaração de Amor
Quem é que tem a sorte de ter um amor dele ou dela que ama ou que tem, seja amado ou amada? Tenho eu e conheço muitas pessoas que já têm ou que vão ter. Mas, tal como todos os outros apaixonados e todas as outras apaixonadas, desconfio, com calor na alma, que ninguém tem o amor que eu tenho pela Maria João, meu amor, minha mulher, minha salvação.
O amor sai caro – medo de perdê-la, medo do tempo a passar, medo do futuro – mas paga-se sem se dar por isso. Mentira. Dá-se por isso só nos intervalos de receber, receber, receber e dar, dar, dar.
Basta uma pequena zanga para parecer que todo aquele amor desmoronou: “Onde está esse teu apregoado amor por mim (de mãos nas ancas), agora que eu preciso dele?”
Quanto maior o amor, mais frágil parece. Quanto maior o amor, mais pequeno é o gesto que parece traí-lo. Mas com que alegria nos habituamos a viver nesse regime de tal terror!
Maria João, meu amor: o barulho que faz a felicidade é ouvires-me a perder tempo a resmungar e a pedir que tudo continue exactamente como está, para sempre.
Eu sofro de mimfobia, eu tenho medo de mim mesmo e me enfrento todo dia.
Poucos há que, de medo ao castigo, fujam dos favores da fortuna.
Não sentiu medo nem saudade, mas uma raiva intestinal diante da ideia de que aquela morte artificiosa não lhe permitiria saber do final de tantas coisas que deixava sem terminar.
Foi Contigo que Aprendi a Amar
Foi contigo que aprendi a cidade,
sílaba a sílaba,
pedra, aço e lascas de cristal.A cidade dos pássaros interditos
na ocasionalidade
de um galho por acaso.A cidade das buganvílias
violáceas de medo,
excrescentes de lirismo.A cidade dos pães calcetados
e dos meninos que, de
fome, os apetecem.A cidade das culatras
inevitáveis
para o alvo que lhes sobra.A cidade protestada a prazo
de um dia
de nunca mais.A cidade geometrizada
na infalibilidade
dos seus labirintos.Foi contigo, foi.
Foi contigo que aprendi a amar
desordenadamente.
A cobardia é medo consentido.
Nada nos Faz Acreditar Mais do que o Medo
Nada nos faz acreditar mais do que o medo, a certeza de estarmos ameaçados. Quando nos sentimos vítimas, todas as nossas acções e crenças são legitimadas, por mais questionáveis que sejam. Os nossos opositores, ou simplesmente os nossos vizinhos, deixam de estar ao nosso nível e transformam-se em inimigos. Deixamos de ser agressores para nos convertermos em defensores. A inveja, a cobiça ou o ressentimento que nos movem ficam santificados, porque pensamos que agimos em defesa própria. O mal, a ameaça, está sempre no outro. O primeiro passo para acreditar apaixonadamente é o medo. O medo de perdermos a nossa identidade, a nossa vida, a nossa condição ou as nossas crenças. O medo é a pólvora e o ódio o rastilho. O dogma, em última instância, é apenas um fósforo aceso.
Creio que o medo é um sentimento saudável, indispensável, para se gozar a vida.
Viver é perigoso? Então com sua licença! Não tenho medo. Nasci assim, encantada pela vida…
Até a Pessoa Amada Voltar
Até ela, a pessoa amada, voltar, o tempo não corre como costuma correr. Atrasa-se e detém-se. Suspende-se e atrapalha-nos. Move-se de um lado para o outro. Arrasta os lugares: aqueles onde ela está e aquele (a nossa casa) onde eu espero por ela.
Esperar é um sofrimento mas também se aprende a esperar. Olhar para um relógio é a pior coisa que se pode fazer porque esses quantificadores malévolos são contabilistas automatizados que sabem contar todos os tempos, excepto os tempos de quem ama, espera e tem medo.
Não são capazes de contar os tempos de todas as pessoas dotadas de um corpo com coração e alma. Que somos todos, quer queiramos, quer não. Quem é que quer? Ninguém. E de que nos serve? De nada. Até ela, a pessoa amada, voltar, a única coisa que podemos fazer é a que mais nos custa: esperar que ela volte. Mas quando é que ela volta? Os minutos podem não ser anos mas os quartos-de-hora são semanas inteiras.
Mesmo saber que ela, a pessoa amada, voltará é difícil. Até acreditamos que queira voltar. Mas preocupamo-nos: e se ela não puder voltar? Pensar nisso é como morrer vivo sem pensar nisso.
O medo do perigo é mil vezes pior do que o perigo real.