Passagens sobre Mercado

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Frases sobre mercado, poemas sobre mercado e outras passagens sobre mercado para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Consumo não é Invenção do Capitalismo

Ninguém se encosta a si próprio tão
intensamente como quando sofre ou como
quando entra num mercado de uma
das nossas grandes cidades. 0 comércio
é feito de uma linguagem inesgotável:
sobra de um lado, falta de outro. 0 consumo,
por mais que o repitam, não é invenção do capitalismo:
os deuses formaram homens incompletos,
com est√īmago, frio e vaidade, como queriam outro resultado?

Gonçalo M.

As Pessoas n√£o Sabem o que Querem Antes de lho Mostrarmos

A minha paix√£o tem sido construir uma empresa duradoura onde as pessoas se sintam motivadas para grandes produtos. Tudo o mais era secund√°rio. Claro que era bom ter lucros, pois s√≥ assim era poss√≠vel fazer grandes produtos. Mas o principal factor de motiva√ß√£o eram os produtos, n√£o o lucro. Sculley deslocou estas prioridades para o objectivo de fazer dinheiro. Trata-se de uma diferen√ßa subtil, mas que acaba por fazer toda a diferen√ßa: as pessoas que contratamos, quem √© promovido, os assuntos que discutimos nas reuni√Ķes.
Algumas pessoas dizem: ‚ÄúD√™em aos clientes o que eles querem.‚ÄĚ Mas essa n√£o √© a minha abordagem. A nossa miss√£o consiste em antecipar aquilo que eles v√£o querer. Penso que o Henri Ford teria dito uma vez que se perguntasse aos clientes aquilo que eles queriam, a resposta teria sido: ‚ÄúUm cavalo mais r√°pido!”. As pessoas n√£o sabem o que querem antes de lho mostrarmos. √Č por isso que n√£o confio nos estudos de mercado. A nossa miss√£o consiste em ler as coisas antes de elas terem sido escritas.

As mais exploradas s√£o as m√£es do nosso povo. Elas est√£o de m√£os e p√©s amarrados pela depend√™ncia econ√īmica. S√£o for√ßadas a vender-se no mercado do casamento, como suas irm√£s prostitutas no mercado p√ļblico.

A Única Coisa que Desculpa o Casamento é o Amor

Na carta que lhe escrevi dava-lhe, como me tinha pedido, a minha opini√£o sobre o casamento. √Č a seguinte: acho o casamento uma coisa revoltante! E isto por uma √ļnica raz√£o mas que para mim √© tudo, para mim e para aquelas mulheres que n√£o s√£o apenas f√™meas, para todas as delicadas, para todas as que t√™m pudor, esp√≠rito e consci√™ncia. Essa raz√£o √© a posse, essa suprema e grande lei da Natureza que, no entanto, revolta tudo quanto eu tenho de delicado e bom no √≠ntimo da minha alma. Ganha-se um amigo muitas vezes, √© certo; um amigo que √†s vezes √© o nosso supremo amparo, mas em compensa√ß√£o quantas revoltas, quantas m√°goas, quantas desilus√Ķes! Quantas!… A minha querida faz bem, faz muito bem em n√£o se querer sujeitar ao mercado, √† venda. Eu casei e casei por amor. √Č a √ļnica coisa que desculpa, no meu entender, o casamento, porque do contr√°rio, quando nele apenas entram o interesse e a ambi√ß√£o, revolta-me e indigna-me.

A crise √© um facto din√Ęmico e populista e em toda a Europa. A solidariedade europeia, elemento fundamental da Uni√£o, desapareceu. Os dois partidos pol√≠ticos que constru√≠ram a Europa foram os social-democratas, socialistas e trabalhistas e tamb√©m os democratas-crist√£os. Hoje s√≥ h√° populistas. Embora se intitulem social-democratas e democratas-crist√£os. O populismo venceu, destruindo os Estados em favor dos mercados.

Século XXI

Falam de tudo como se a raz√£o
lhes ensinasse desesperadamente
a mentir, a lançar
sem remorso nem asco um novo isco
à espera que alguém morda
e acredite nessa liturgia
cujos deuses s√£o f√°ceis de adorar
e obedecem às leis do mercado.

Falam desse ludíbrio a que chamam
o futuro
como se ele existisse
e as suas palavras ecoam
em flatulentas frases
sempre a favor do vento que as agita
ao ritmo dos sorrisos ou das entrevistas
em que tudo se vende
por um pre√ßo acess√≠vel: emo√ß√Ķes
& sexo & fama & outros prometidos
paraísos terrestres em horário nobre
Рmatéria reciclável
alimentando o altar do esquecimento.

O poder n√£o existe, como sabes
demasiado bem – apenas uma
in√ļtil recidiva biol√≥gica
de hormonas apressadas que procuram
ser fiéis aos comércio
dos sonhos sempre iguais, reproduzindo
sedutoras met√°stases do nada
nos códigos de barras ou nos cromossomas
de quem j√° pouco espera dos seus genes.

Há uma vertente ideológica que facilitou a crise: foi o neo-liberalismo, responsável pela economia virtual, pela globalização desregulada e sem ética, pela idolatria dos mercados usurários Рque vivem dos paraísos fiscais, que deviam ser ilegalizados Рe que hoje mandam nos Estados. Mas à ideologia neo-liberal vai acontecer o mesmo que ao comunismo.

A Distração e a Categorização da Vida

Mas tu, meu amgo, onde est√°s? Sobre a tua sorte, quanta coisa fascinante e absurda imagin√°mos! No entanto, tudo isso que imagin√°mos, v√™ tu, quantas vezes o n√£o foi tanto como resposta para as nossas interroga√ß√Ķes, como um motivo para nos distrairmos mais ainda… Porque a distrac√ß√£o √© a parte mais rebelde e a mais insidiosa da nossa condi√ß√£o. Ela infilta-se-nos n√£o apenas no nosso consentimento, nas tr√©guas que nos damos, mas at√© mesmo no que √© uma conquista da nossa rara grandeza.

A arte, o hero√≠smo, a pr√≥pria evid√™ncia da vertigem, do milagre, os sonhos da reden√ß√£o e da nobreza, tudo o que √© da nossa profunda unidade, um nada o reabsorve em solidez, em moeda de compra-e-venda para a transaccionarmos com os outros no mercado da vaidade, do passatempo, na grande feira da vida. H√° uma dist√Ęncia infinita entre a apari√ß√£o da verdade, a imediata evid√™ncia de seja o que for, e at√© mesmo o seu reconhecimento: quando olhamos a evid√™ncia pela segunda vez, j√° ela est√° alinhada, classificada, endurecida entre as coisas que nos cercam. Eis porque n√≥s ignoramos ou esquecemos depressa a face do que h√° de estranho nos factos mais banais: no da vida,

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Literatura Real e Literatura Aparente

Em todas as √©pocas, existem duas literaturas que caminham lado a lado e com muitas diferen√ßas entre si: uma real e outra apenas aparente. A primeira cresce at√© se tornar uma leitura permanente. Exercida por pessoas que vivem para a ci√™ncia ou para a poesia, ela segue o seu caminho com seriedade e tranquilidade, produzindo na Europa pouco menos de uma d√ļzia de obras por s√©culo, que, no entanto, permanecem. A outra, exercida por pessoas que vivem da ci√™ncia ou da poesia, anda a galope, com rumor e alarido por parte dos interessados, trazendo anualmente milhares de obras ao mercado. Ap√≥s poucos anos, por√©m, as pessoas perguntam: Onde est√£o essas obras? Onde est√° a sua gl√≥ria t√£o prematura e ruidosa? Por isso, pode-se tamb√©m chamar esta √ļltima de literatura que passa, e aquela, de literatura que fica.

A Minha Cidade Preferida

√Č o Porto. Tem umas caracter√≠sticas muito particulares, muito suas. Ou melhor, tinha. Est√£o agora a fazer for√ßa para tir√°-las, ao contr√°rio do que se faz l√° fora. Mesmo √†s cidades que foram arrasadas pela guerra, como Vars√≥via, na Pol√≥nia, que foi refeita tal qual era antes. O mesmo aconteceu em Berlim. Aqui destroem o que est√° feito para construir uma porcaria qualquer incaracter√≠stica, que n√£o representa coisa nenhuma. Por exemplo, o que querem fazer no mercado do Bolh√£o √© uma vergonha – querem meter l√° um supermercado, ou outra borra qualquer, que tira todo o car√°cter √† cidade e a modifica. Assim, as cidades confundem-se todas: a gente chega a uma cidade e j√° n√£o sabe onde est√°. √Č tudo igual em toda a parte.

O √ļnico modo que j√° se descobriu de ter muitas pessoas cooperando entre si voluntariamente √© atrav√©s do livre mercado. √Č por isso que √© t√£o essencial preservar a liberdade individual.

Encaminhamo-nos para uma Grave Crise

A situa√ß√£o econ√≥mica tem-se agravado e tender√° a agravar-se. Tendo causas estruturais, as dificuldades da economia n√£o podem ser vencidas por medidas atrav√©s das quais o governo procura fazer face aos mais agudos problemas de conjuntura. O afrouxamento do ritmo de desenvolvimento, a baixa da produ√ß√£o agr√≠cola, os d√©fices sempre crescentes, do com√©rcio externo, a inflac√ß√£o, a acentua√ß√£o do atraso relativo da economia portuguesa em rela√ß√£o √†s economias dos outros pa√≠ses europeus, mostram a incapacidade do regime para promover o aproveitamento dos recursos nacionais, o fracasso da ¬ęreconvers√£o agr√≠cola¬Ľ e a asfixia da economia portuguesa pela domina√ß√£o monopolista, pelas limita√ß√Ķes do mercado interno provocadas pela pol√≠tica de explora√ß√£o e mis√©ria das massas e pela subjuga√ß√£o ao imperialismo estrangeiro. (…) O processo de integra√ß√£o europeia, dado o atraso da economia portuguesa, agravar√° a situa√ß√£o.

Os monop√≥lios dominantes e o seu governo procuram sair das contradi√ß√Ķes e dificuldades, assegurar altos lucros, apressar a acumula√ß√£o, conseguir uma capacidade competitiva no mercado internacional: 1) intensificando ainda mais a explora√ß√£o da classe oper√°ria e das massas trabalhadoras; 2) aumentando os impostos; 3) dando curso √† subida dos pre√ßos; 4) apressando a centraliza√ß√£o e a concentra√ß√£o; 5) pondo de forma crescente os recursos do Estado ao servi√ßo dos monop√≥lios;

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N√£o h√° absolutamente ningu√©m que fa√ßa um sacrif√≠cio sem esperar uma compensa√ß√£o. √Č tudo uma quest√£o de mercado.

Convic√ß√Ķes Temporais

Quando os homens tomarem consci√™ncia de que o tempo deitou por terra muitas convic√ß√Ķes pelas quais lutaram, talvez ent√£o acreditem, mais ainda do que acreditam nos verdadeiros fundamentos da sua conduta, que a melhor maneira de alcan√ßar o bem √ļltimo desejado √© a livre troca de ideias – que o melhor teste da verdade reside na for√ßa que o pensamento tem para se fazer aceitar na competi√ß√£o do mercado, e que a verdade √© a √ļnica base em que se podem seguramente concretizar os desejos.

O Valor do que Se Ama

O homem que ama apaixonadamente, n√£o cura de saber o valor que os outros d√£o √† mulher que ama. (…) Se o amor, por qualquer condescend√™ncia, declina, o amante, cego ontem, abre hoje um olho, e duvida se ela efectivamente √© aquillo que lhe parecia ontem. Na d√ļvida, pergunta aos outros: ¬ęQue vos parece aquela mulher?¬Ľ Se a delicadeza, ou boa f√© responde: ¬ę√© uma excelente mulher¬Ľ, a cristaliza√ß√£o continua. Se a m√° f√©, ou a grosseria responde: ¬ęn√£o presta¬Ľ, o amador indeciso odeia a indiscreta resposta, e persiste na d√ļvida, que √© sempre de pior partido para a mulher, sujeita √° alta e baixa do mercado.

Em Portugal toda a gente queria acabar com a guerra. E acabou-se. Como agora toda a gente quer que o neo-liberalismo e os mercados a mandar nos Estados desapareçam. Porque a crise do euro não é só financeira e económica é também social, política, ética e ambiental. O neo-liberalismo, a ideologia que provocou a crise, contra as pessoas e em favor do dinheiro, está moribunda e não vai poder perdurar muito.