Cita√ß√Ķes sobre Nostalgia

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Frases sobre nostalgia, poemas sobre nostalgia e outras cita√ß√Ķes sobre nostalgia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Soneto do amor difícil

A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desej√°-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto n√£o √© mais que uma promessa…

Mas se na praia a onda se espedaça,
h√° logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça.

Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe
de s√ļbito surgido √† flor dos limos.

E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu.

Na verdade, a filosofia é nostalgia, o desejo de se sentir em casa em qualquer lugar.

N√£o ter nascido bicho √© uma minha secreta nostalgia. Eles √†s vezes clamam do longe muitas gera√ß√Ķes e eu n√£o posso responder sen√£o ficando inquieta. √Č o chamado.

O Acto Poético

O acto po√©tico √© o empenho total do ser para a sua revela√ß√£o. Este fogo do conhecimento, que √© tamb√©m fogo de amor, em que o poeta se exalta e consome, √© a sua moral. E n√£o h√° outra. Nesse mergulho do homem nas suas √°guas mais silenciadas, o que vem √† tona √© tanto uma singularidade como uma pluralidade. Mas, curiosamente, o esp√≠rito humano atenta mais facilmente nas diferen√ßas do que nas semelhan√ßas, esquecendo-se, e √© Goethe quem o lembra, que o particular e o universal coincidem, e assim a palavra do poeta, t√£o fiel ao homem, acaba por ser palavra de esc√Ęndalo no seio do pr√≥prio homem. Na verdade, ele nega onde outros afirmam, desoculta o que outros escondem, ousa amar o que outros nem sequer s√£o capazes de imaginar. Palavra de afli√ß√£o mesmo quando luminosa, de desejo apesar de serena, rumorosa at√© quando nos diz o sil√™ncio, pois esse ser sedento de ser, que √© o poeta, tem a nostalgia da unidade, e o que procura √© uma reconcilia√ß√£o, uma suprema harmonia entre luz e sombra, presen√ßa e aus√™ncia, plenitude e car√™ncia.

O Mar

Que nostalgia vem das tuas vagas,
√ď velho mar, √≥ lutador Oceano!
Tu de saudades íntimas alagas
O mais profundo coração humano.

Sim! Do teu choro enorme e soberano,
Do teu gemer nas desoladas plagas
Sai o quer que é, rude sultão ufano,
Que abre nos peitos verdadeiras chagas.

√ď mar! √≥ mar! embora esse eletrismo,
Tu tens em ti o gérmen do lirismo,
√Čs um poeta l√≠rico demais.

E eu para rir com humor das tuas
Nevroses colossais, bastam-me as luas
Quando fazem luzir os seus metais…

Feliz!

Ser de beleza, de melamcolia,
Espírito de graça e de quebranto,
Deus te bendiga o doloroso pranto,
Enxugue as tuas l√°grimas um dia.

Se a tu’alma √© d’estrela e d’harmonia,
Se o que vem dela tem divino encanto,
Deus a proteja no sagrado manto,
No céu, que é o vale azul da Nostalgia.

Deus a proteja na felicidade
Do sonho, do mistério, da saudade,
De c√Ęnticos, de aroma e luz ardente.

E sê feliz e sê feliz subindo,
Subindo, a Perfeição na alma sentindo
Florir e alvorecer libertamente!

O Amor por Matilde e os Versos do Capit√£o

E vou contar-lhes agora a hist√≥ria deste livro, um dos mais controvertidos daqueles que escrevi. Foi durante muito tempo um segredo, durante muito tempo n√£o ostentou o meu nome na capa, como se o renegasse ou o pr√≥prio livro n√£o soubesse quem era o pai. Tal como os filhos naturais, filhos do amor natural, ¬ęLos versos del capit√°n¬Ľ eram, tamb√©m, um ¬ęlibro natural¬Ľ.

Os poemas que cont√©m foram escritos aqui e ali, ao longo do meu desterro na Europa. Foram publicados anonimamente em N√°poles, em 1952. O amor por Matilde, a nostalgia do Chile, as paix√Ķes c√≠vicas, recheiam as p√°ginas desse livro, que teve muitas edi√ß√Ķes sem trazer o nome do autor.

Para a 1¬™ edi√ß√£o, o pintor Paolo Ricci conseguiu um papel admir√°vel e antigos tipos de imprensa ¬ębodonianos¬Ľ, bem como gravuras extra√≠das dos vasos de Pompeia. Com fraternal fervor, Paolo elaborou tamb√©m a lista dos assinantes. Em breve apareceu o belo volume, com tiragem limitada a cinquenta exemplares. Festej√°mos largamente o acontecimento, com mesa florida, ¬ęfrutti di mare¬Ľ, vinho transparente como √°gua, filho √ļnico das vinhas de Capri. E com a alegria dos amigos que amaram o nosso amor.
Alguns críticos suspicazes atribuíram a motivos políticos a publicação anónima do livro.

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Soneto Da Hora Final

Ser√° assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olhar√°s silenciosamente
E eu te olharei também, com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de trevas, aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do segredo
Eu, calmo, te direi: – N√£o tenhas medo
E tu, tranq√ľila, me dir√°s: – S√™ forte.

E como dois antigos namorados
Noturnamente tristes e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.

Um Segredo

Meu pai tinha sand√°lias de vento
só agora o sei.
Tinha sand√°lias de vento
e isto nem sequer é uma maneira de dizer
andava por longe os olhos fugidos a express√£o em
[nenhures
com as miraculosas instantaneidades que nos fazem
[estar em todos os sítios.

Andava por longe meu pai sonhando errando vadiando
mas toda a sua ausência era
o malogro de o ser
só agora o sei.
Andava por longe ou sentíamo-lo longe
vem dar no mesmo
e no entanto víamo-lo sempre
ali plantado de imobilidade absorta
no cepo de carvalho raiado de negro
a que o caruncho comera o miolo
como as lagartas esvaziam as maçãs
estranhamente quieto murcho resignado
no seu estranho vadiar
os olhos aguados numa tristeza que hoje me dói
como um apelo perdido uma coragem abortada.
Ausência era tão de mágoa urdida tão de fracasso
[tingida
ausência era
altiva e desolada altiva e triste sobretudo triste
tristeza sim tristeza solene e irremediada
só agora o sei.

Às vezes parecia-me uma águia que atravessa os ares
sulco azul
que nada distingue do azul onde foi sulcado
e por isso nem é águia nem ao menos
o que do seu voo resta para que
o sonho se faça real.

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Não quero dizer com isso que havia deixado de amá-la, que a esquecera, que sua imagem desbotara; ao contrário; ela morava em mim dia e noite, como uma silênciosa nostalgia; eu a desejava como se desejam as coisas perdidas pra sempre.

Silêncios

Largos Silêncios interpretativos,
Adoçados por funda nostalgia,
Balada de consolo e simpatia
Que os sentimentos meus torna cativos.

Harmonia de doces lenitivos,
Sombra, segredo, l√°grima, harmonia
Da alma serena, da alma fugidia
Nos seus vagos espasmos sugestivos.

√ď Sil√™ncios! √≥ c√Ęndidos desmaios,
V√°cuos fecundos de celestes raios
De sonhos, no mais l√≠mpido cortejo…

Eu vos sinto os mistérios insondáveis,
Como de estranhos anjos inef√°veis
O glorioso esplendor de um grande beijo!

Inter-Sonho

Numa incerta melodia
T√īda a minh’alma se esconde
Reminiscencias de Aonde
Perturbam-me em nostalgia…

Manh√£ d’armas! Manh√£ d’armas!
Romaria! Romaria!

. . . . . . . . . . . . . . .

Tacteio… dobro… resvalo…

. . . . . . . . . . . . . . .

Princesas de fantasia
Desencantam-se das flores…

. . . . . . . . . . . . . . .

Que pesad√™lo t√£o bom…

. . . . . . . . . . . . . . .

Pressinto um grande intervalo,
Deliro todas as c√īres,
Vivo em roxo e morro em som…

Tu Mandaste-me Dizer

Tu mandaste-me dizer
Que tornavas novamente
Quando viesse a tardinha;
E eu, para mais te prender,
– N’esse dia…

Pintei de negro os meus olhos
E de r√īxo a minha boca.
As rosas eram aos mólhos
Para a noite rubra e louca!

Entornei sobre o meu corpo,
– Que f√īra delgado e bello!
O perfume mais extranho e mais subtil;
E um brocado r√īxo e verde
Envolveu a minha carne
Macerada e varonil.
Os meus hombros florentinos,
Cobértos de pedraria,
Eram chagas luminosas
Alumiando o meu corpo
Todo em fébre e nostalgia.
Nas minhas m√£os de cambraia,
As esmeraldas scintillavam;
E as pérolas nos meus braços,
Murmuravam…
Desmanchado, o meu cabello,
Em ondas largas, cahia,
Na minha fronte
Ligeiramente sombría.

Estava pallido e dir-se-hia
Que a pallidez aumentava
A minha grande belleza!

Na minha boca ondulava
Um sorriso de tristeza.

A noite vinha tombando.

E, como tardasses,
Fiquei-me, sent√°do, olhando
O meu vulto reflectido
No espelho de crystal;

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Distante Melodia

Num sonho d’Iris, morto a ouro e brasa,
Vem-me lembranças doutro Tempo azul
Que me oscilava entre v√©us de tule –
Um tempo esguio e leve, um tempo-Asa.

Ent√£o os meus sentidos eram c√īres,
Nasciam num jardim as minhas ansias,
Havia na minh’alma Outras distancias –
Distancias que o segui-las era fl√īres…

Caía Ouro se pensava Estrelas,
O luar batia sobre o meu alhear-me…
Noites-lag√īas, como √©reis belas
Sob terra√ßos-liz de recordar-me!…

Idade acorde d’Inter sonho e Lua,
Onde as horas corriam sempre jade,
Onde a neblina era uma saudade,
E a luz – anseios de Princesa nua…

Bala√ļstres de som, arcos de Amar,
Pontes de brilho, ogivas de perfume…
Dominio inexprimivel d’√ďpio e lume
Que nunca mais, em c√īr, hei de habitar…

Tap√™tes doutras Persias mais Oriente…
Cortinados de Chinas mais marfim…
Aureos Templos de ritos de setim…
Fontes correndo sombra, mansamente…

Zimb√≥rios-panth√©ons de nostalgias…
Catedrais de ser-Eu por sobre o mar…
Escadas de honra, escadas s√≥, ao ar…
Novas Byzancios-alma, outras Turquias…

Lembran√ßas fluidas…

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Para vermos o azul, olhamos para o c√©u. A Terra √© azul para quem a olha do c√©u. Azul ser√° uma cor em si, ou uma quest√£o de dist√Ęncia? Ou uma quest√£o de grande nostalgia? O inalcan√ß√°vel √© sempre azul.

M√ļsica Brasileira

Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa vol√ļpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

√Čs samba e jongo, xiba e fado, cujos
Acordes s√£o desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paix√Ķes consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.