Passagens sobre Nus

254 resultados
Frases sobre nus, poemas sobre nus e outras passagens sobre nus para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Subjectividade do Amor-Próprio

Um mendigo dos arredores de Madrid esmolava nobremente. Disse-lhe um transeunte:
– O senhor n√£o tem vergonha de se dedicar a mister t√£o infame, quando podia trabalhar?
– Senhor, – respondeu o pedinte – estou-lhe a pedir dinheiro e n√£o conselhos. – E com toda a dignidade castelhana virou-lhe as costas.
Era um mendigo soberbo. Um nada lhe feria a vaidade. Pedia esmola por amor de si mesmo, e por amor de si mesmo n√£o suportava reprimendas.
Viajando pela √ćndia, topou um mission√°rio com um faquir carregado de cadeias, nu como um macaco, deitado sobre o ventre e deixando-se chicotear em resgate dos pecados de seus patr√≠cios hindus, que lhe davam algumas moedas do pa√≠s.
– Que ren√ļncia de si pr√≥prio! – dizia um dos espectadores.
– Ren√ļncia de mim pr√≥prio? – retorquiu o faquir. – Ficai sabendo que n√£o me deixo a√ßoitar neste mundo sen√£o para vos retribuir no outro. Quando fordes cavalo e eu cavaleiro.
Tiveram pois plena raz√£o os que disseram ser o amor de n√≥s mesmos a base de todos as nossas ac√ß√Ķes – na √ćndia, na Espanha como em toda a terra habit√°vel. Sup√©rfluo √© provar aos homens que t√™m rosto.

Continue lendo…

A Suprema Vantagem do Homem sobre todos os Seres

Foi para o ser capaz de adquirir o maior n√ļmero de artes que a natureza deu a ferramenta que √©, de longe, a mais √ļtil: a m√£o. E os que pretendem que o homem, longe de ser bem constitu√≠do, √© o mais mal munido dos animais – dizem, na verdade, que ele nada tem nos p√©s, que √© nu e n√£o possui armas para a luta – est√£o errados: ou outros, de facto, disp√Ķem de um √ļnico recurso que n√£o podem trocar por um outro, e precisam, por assim dizer, de permanecer cal√ßados para dormir ou para fazer tudo, jamais podem tirar a armadura que t√™m ao redor do corpo e jamais conseguem trocar a arma de que foram dotados pelo destino; o homem, pelo contr√°rio, disp√Ķe de m√ļltiplos meios de defesa e tem sempre a possibilidade de troc√°-los, assim como pode possuir a arma que deseja e no momento que deseja. A m√£o, de facto, torna-se garras, presas ou chifres, e tamb√©m pega na lan√ßa, na espada, ou e qualquer outra arma ou ferramenta, e ela √© tudo isso porque pode pegar e segurar tudo.

Primeiras Vigílias

Dos revoltos lençóis sobre o deserto
Despejava-se, em ondas silenciosas,
O luar dessas noites vaporosas,
De seu l√Ęnguido c√°lix todo aberto.

Rangia a cama, e deslizavam, perto
Alvas, femíneas formas ondulosas;
E eu a idear, nas √Ęnsias amorosas,
Uns ombros nus, um colo descoberto.

E a gemer: – “Abeirai-vos de meu leito,
√ď sensuais vis√Ķes da adolesc√™ncia,
E inflamai-vos na pira em que me inflamo!

Fervem paix√Ķes despertas no meu peito;
Descai a flor virgínea da inocência,
E irrompe o fruto dolorido… Eu amo!”

Plena Nudez

Eu amo os gregos tipos de escultura:
Pag√£s nuas no m√°rmore entalhadas;
N√£o essas produ√ß√Ķes que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.

Quero um pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: de carne exuberante e pura
Todas as sali√™ncias destacadas…

Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
De transparente t√ļnica atrav√©s:

Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus… toda nua, da cabe√ßa aos p√©s!

Soneto de amor

Não me peças palavras, nem baladas,
Nem express√Ķes, nem alma… Abre-me o seio,
Deixa cair as p√°lpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas l√≠nguas se busquem, desvairadas…
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas √°geis e delgadas.

E em duas bocas uma l√≠ngua…, ‚ÄĒ unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois… ‚ÄĒ abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; n√£o digas nada…
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

Uma mulher nua seria menos perigosa do que é uma saia habilmente exibida, que cobre tudo e, ao mesmo tempo, deixa tudo à vista.

Qualquer ideia que te agrade, Por isso mesmo… √© tua. O autor nada mais fez que vestir a verdade Que dentro em ti se achava inteiramente nua…

Ar Livre

Enquanto os elefantes pela floresta galopavam
no fumo do seu peso,
perto, lá andava ela nua a cavalgar o antílope,
com uma asa direita outra caída.
E a amazona seguia…
e deixava a boca no sumo das laranjas.
Os olhos verdes no mar.
O corpo em a nuvem das alturas
– a guardadora
da sempre nova faísca incendiária!

A Vida

A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecis√£o, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o c√≠rculo das rela√ß√Ķes
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rect√Ęngulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da m√£o;

a vida que traz consigo as emo√ß√Ķes e os acasos,
a luz inexor√°vel das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas h√ļmidas
no gesso da memória;

a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.

Soneto Do Corifeu

S√£o demais os perigos desta vida
Para quem tem paix√£o, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.

E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma m√ļsica qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.

Deve andar perto uma mulher que é feita
De m√ļsica, luar e sentimento
E que a vida n√£o quer, de t√£o perfeita.

Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
T√£o cheia de pudor que vive nua.

XVII

Por estas noites frias e brumosas
√Č que melhor se pode amar, querida!
Nem uma estrela p√°lida, perdida
Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas

Mas um perfume c√°lido de rosas
Corre a face da terra adormecida …
E a névoa cresce, e, em grupos repartida,
Enche os ares de sombras vaporosas:

Sombras errantes, corpos nus, ardentes
Carnes lascivas … um rumor vibrante
De atritos longos e de beijos quentes …

E os céus se estendem, palpitando, cheios
Da tépida brancura fulgurante
De um turbilhão de braços e de seios.

A Morte o Amor a Vida

Julguei que podia quebrar a profundeza a
[imensidade
Com o meu desgosto nu sem contacto sem eco
Estendi-me na minha pris√£o de portas virgens
Como um morto razo√°vel que soube morrer
Um morto cercado apenas pelo seu nada
Estendi-me sobre as vagas absurdas
Do veneno absorvido por amor da cinza
A solid√£o pareceu-me mais viva que o sangue

Queria desunir a vida
Queria partilhar a morte com a morte
Entregar meu coração ao vazio e o vazio à vida
Apagar tudo que nada houvesse nem o vidro
[nem o orvalho
Nada nem à frente nem atrás nada inteiro
Havia eliminado o gelo das m√£os postas
Havia eliminado a invernal ossatura
Do voto de viver que se anula

Tu vieste o fogo ent√£o reanimou-se
A sombra cedeu o frio de baixo iluminou-se de
[estrelas
E a terra cobriu-se
Da tua carne clara e eu senti-me leve
Vieste a solid√£o fora vencida
Eu tinha um guia na terra
Sabia conduzir-me sabia-me desmedido
Avançava ganhava espaço e tempo
Caminhava para ti dirigia-me incessantemente
[para a luz
A vida tinha um corpo a esperança desfraldava
[as suas velas
O sono transbordava de sonhos e a noite
Prometia à aurora olhares confiantes
Os raios dos teus braços entreabriam o nevoeiro
A tua boca estava h√ļmida dos primeiros orvalhos
O repouso deslumbrado substituía a fadiga
E eu adorava o amor como nos meus primeiros
[tempos

Os campos est√£o lavrados as f√°bricas irradiam
E o trigo faz o seu ninho numa vaga enorme
A seara e a vindima t√™m in√ļmeras testemunhas
Nada é simples nem singular
O mar espelha-se nos olhos do céu ou da noite

A floresta dá segurança às árvores
E as paredes das casas têm uma pele comum
E as estradas cruzam-se sempre
Os homens nasceram para se entenderem
Para se compreenderem para se amarem
Têm filhos que se tornarão pais dos homens
Têm filhos sem eira nem beira
Que h√£o-de reinventar o fogo
Que h√£o-de reinventar os homens
E a natureza e a sua p√°tria
A de todos os homens
A de todos os tempos.

Continue lendo…

Das Pessoas que Atingem Posi√ß√Ķes Elevadas

Das pessoas que atingem posi√ß√Ķes elevadas,
cerimónias, riqueza, erudição, e similares:
para mim tudo isso a que chegam tais pessoas
afunda diante delas ‚ÄĒ a n√£o ser quando acrescenta
um resultado qualquer para seus corpos e almas ‚ÄĒ
de modo que elas muitas vezes me parecem
desajeitadas e nuas, e para mim
uma est√° sempre zombando das outras
e a zombar dele mesmo ou dela mesma,
e o cerne da vida de cada qual
(a que se d√° o nome de felicidade)
est√° cheio de p√ļtrido excremento de larvas,
e para mim muitas vezes esses homens e mulheres
passam sem testemunhar as verdades da vida
e andam correndo atr√°s de coisas falsas,
e para mim s√£o muitas vezes pessoas
que pautam as suas vidas por um h√°bito
que a elas foi imposto, e nada mais,
e para mim é gente triste muitas vezes,
gente afobada, estremunhados son√Ęmbulos
tacteando no escuro.

Quiseste expor teu cora√ß√£o a nu. E assim, ouvi-lhe todo o amor alheio. Ah, pobre amigo, nunca saibas tu Como √© rid√≠culo o amor… alheio!

A Frescura

Ah a frescura na face de n√£o cumprir um dever!
Faltar é positivamente estar no campo!
Que ref√ļgio o n√£o se poder ter confian√ßa em n√≥s!
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros,
Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo,
Fiquei esperando a vontade de ir para l√°, que’eu saberia que n√£o vinha.
Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.
E tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,
Deliberadamente √† mesma hora…
Est√° bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em it√°lico.
√Č t√£o engra√ßada esta parte assistente da vida!
At√© n√£o consigo acender o cigarro seguinte… Se √© um gesto,
Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.

Os Figos Pretos

РVerdes figueiras soluçantes nos caminhos!
Vós sois odiadas desde os seculos avós:
Em vossos galhos nunca as aves fazem ninhos,
Os noivos fogem de se amar ao pé de vós!

– √ď verdes figueiras! √≥ verdes figueiras
Deixae-o fallar!
√Ā vossa sombrinha, nas tardes fagueiras,
Que bom que é amar!

– O mundo odeia-vos. Ninguem nos quer, vos ama:
Os paes transmittem pelo sangue esse odio aos moços.
No sitio onde medraes, ha quazi sempre lama
E debruçaes-vos sobre abysmos, sobre poços.

– Quando eu for defunta para os esqueletos,
Ponde uma ao meu lado:
Tristinha, chorando, dar√† figos pretos…
De luto pezado!

– Os alde√Ķes para evitar vosso perfume
Sua respira√ß√£o suspendem, ao passar…
Com vossa lenha n√£o se accende, √° noite, o lume,
Os carpinteiros n√£o vos querem aplainar.

– Oh cheiro de figos, melhor que o do incenso
Que incensa o Senhor!
Podesse eu, quem dera! deital-o no lenço
Para o meu amor…

– As outras arvores n√£o s√£o vossas amigas…
M√£os espalmadas, estendidas, supplicantes,

Continue lendo…

A Inegual√°vel

Ai, como eu te queria toda de violetas
E fl√©bil de setim…
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem joias pretas…

E t√£o febril e delicada
Que n√£o podesses dar um passo –
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de c√īr no rega√ßo…

Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas –
Sonolenta,
Ruiva de √©teres e morfinas…

Ah! que as tuas nostalgias f√īssem guisos de prata –
Teus frenesis, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata…

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Teus beijos, queria-os de tule,
Transparecendo carmim –
Os teus espasmos, de s√™da…

– √Āgua fria e clara numa noite azul,
√Āgua, devia ser o teu amor por mim…

A Voz

√Č t√£o suave ess’hora,
Em que nos foge o dia,
E em que suscita a Lua
Das ondas a ardentia,

Se em alcantis marinhos,
Nas rochas assentado,
O trovador medita
Em sonhos enleado!

O mar azul se encrespa
Coa vespertina brisa,
E no casal da serra
A luz j√° se divisa.

E tudo em roda cala
Na praia sinuosa,
Salvo o som do remanso
Quebrando em furna algosa.

Ali folga o poeta
Nos desvarios seus,
E nessa paz que o cerca
Bendiz a m√£o de Deus.

Mas despregou seu grito
A alcíone gemente,
E nuvem pequenina
Ergueu-se no ocidente:

E sobe, e cresce, e imensa
Nos céus negra flutua,
E o vento das procelas
J√° varre a fraga nua.

Turba-se o vasto oceano,
Com hórrido clamor;
Dos vagalh√Ķes nas ribas
Expira o v√£o furor,

E do poeta a fronte
Cobriu véu de tristeza;
Calou, à luz do raio,
Seu hino à natureza.

Pela alma lhe vagava
Um negro pensamento,

Continue lendo…

Em Sórdida Masmorra Aferrolhado

Em sórdida masmorra aferrolhado,
De cadeias aspérrimas cingido,
Por ferozes contr√°rios perseguido,
Por línguas impostoras criminado:

Os membros quase nus, o aspecto honrado
Por vil boca, e vil m√£o roto, e cuspido,
Sem ver um só mortal compadecido
De seu funesto, rigoroso estado:

O penetrante, o b√°rbaro instrumento
De atroz, violenta, inevit√°vel morte
Olhando j√° na m√£o do algoz cruento:

Inda assim, não maldiz a iníqua sorte
Inda assim tem prazer, sossego, alento,
O s√°bio verdadeiro, o justo, o forte.