Passagens sobre Objeção

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Frases sobre obje√ß√£o, poemas sobre obje√ß√£o e outras passagens sobre obje√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Muitas vezes as objec√ß√Ķes nascem do simples facto de que aqueles que as fazem n√£o s√£o os mesmos que tiveram a ideia que est√£o a atacar.

Os Verdadeiros Males

Vejo uma objec√ß√£o a qualquer esfor√ßo para melhorar a condi√ß√£o humana: √© que os homens s√£o talvez indignos dele. Mas repilo-a sem dificuldade: enquanto o sonho de Cal√≠gula se mantiver irrealiz√°vel e todo o g√©nero humano se n√£o reduzir a uma √ļnica cabe√ßa oferecida ao cutelo, teremos que o tolerar, conter e utilizar para os nossos fins; sem d√ļvida que o nosso interesse ser√° servi-lo. O meu processo baseava-se numa s√©rie de observa√ß√Ķes feitas desde h√° muito tempo em mim pr√≥prio: toda a explica√ß√£o l√ļcida me convenceu sempre, toda a delicadeza me conquistou, toda a felicidade me tornou moderado. E nunca prestei grande aten√ß√£o √†s pessoas bem intencionadas que dizem que a felicidade excita, que a liberdade enfraquece e que a humanidade corrompe aqueles sobre quem √© exercida. Pode ser: mas, no estado habitual do mundo, √© como recusar a alimenta√ß√£o necess√°ria a um homem emagrecido com receio de que alguns anos depois ele possa sofrer de superabund√Ęncia. Quando se tiver diminu√≠do o mais poss√≠vel as servid√Ķes in√ļteis, evitado as desgra√ßas desnecess√°rias, continuar√° a haver sempre, para manter vivas as virtudes her√≥icas do homem, a longa s√©rie de verdadeiros males, a morte, a velhice, as doen√ßas incur√°veis, o amor n√£o correspondido,

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O Subjectivo é Objectivo, e o Objectivo é Subjectivo

Assaz dif√≠cil √© decidir o que seja objectivamente a verdade, mas, no trato com os homens, n√£o h√° que se deixar aterrorizar por isso. Existem crit√©rios que para o primeiro s√£o suficientes. Um dos mais seguros consiste em objectar a algu√©m que uma asser√ß√£o sua √© “demasiado subjectiva”. Se se utilizar, e com aquela indigna√ß√£o em que ressoa a furiosa harmonia de todas as pessoas sensatas, ent√£o h√° motivo para se ficar alguns instantes em paz consigo. Os conceitos do subjectivo e objectivo inverteram-se por completo. Diz-se objectiva a parte incontroversa do fen√≥meno a sua ef√≠gie inquestionavelmente aceite, a fachada composta de dados classificados, portanto, o subjectivo; e denomina-se subjectivo o que tal desmorona, acede √† experi√™ncia espec√≠fica da coisa, se livra das opini√Ķes convencionais a seu respeito e instaura a rela√ß√£o com o objecto em substitui√ß√£o da decis√£o maiorit√°ria daqueles que nem sequer chegam a intu√≠-lo, e menos ainda a pens√°-lo – logo, o objectivo.
A futilidade da objecção formal da relatividade subjectiva patenteia-se no seu próprio terreno, o dos juízos estéticos. Quem alguma vez, pela força da sua precisa reacção em face da seriedade da disciplina de uma obra artística, se submete à sua lei formal imanente,

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O Amor como Factor Civilizador

As provas da psican√°lise demonstram que quase toda rela√ß√£o emocional √≠ntima entre duas pessoas que perdura por certo tempo ‚ÄĒ casamento, amizade, as rela√ß√Ķes entre pais e filhos ‚ÄĒ cont√©m um sedimento de sentimentos de avers√£o e hostilidade, o qual s√≥ escapa √† percep√ß√£o em consequ√™ncia da repress√£o. Isso acha-se menos disfar√ßado nas alterca√ß√Ķes comuns entre s√≥cios comerciais ou nos resmungos de um subordinado em rela√ß√£o ao seu superior. A mesma coisa acontece quando os homens se re√ļnem em unidades maiores. Cada vez que duas fam√≠lias se vinculam por matrim√≥nio, cada uma delas se julga superior ou de melhor nascimento do que a outra. De duas cidades vizinhas, cada uma √© a mais ciumenta rival da outra; cada pequeno cant√£o encara os outros com desprezo. Ra√ßas estreitamente aparentadas mant√™m-se a certa dist√Ęncia uma da outra: o alem√£o do sul n√£o pode suportar o alem√£o setentrional, o ingl√™s lan√ßa todo tipo de cal√ļnias sobre o escoc√™s, o espanhol despreza o portugu√™s. N√£o ficamos mais espantados que diferen√ßas maiores conduzam a uma repugn√Ęncia quase insuper√°vel, tal como a que o povo gaul√™s sente pelo alem√£o, o ariano pelo semita.
Quando essa hostilidade se dirige contra pessoas que de outra maneira s√£o amadas,

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Felicidade Neurótica

– N√£o te assustes, continuo a ser a mesma velha Madeline. Ouve o que encontrei hoje na biblioteca, quando estava a ler os jornais. Escuta. – Tirou um peda√ßo de papel da algibeira dos jeans. – Copiei de um jornal. Palavra por palavra. Journal of Medical Ethics. ¬ęProp√Ķe-se que a felicidade¬Ľ – levantou os olhos do papel e esclareceu: – o it√°lico na felicidade √© deles – ¬ęProp√Ķe-se que a felicidade seja classificada como perturba√ß√£o psiqui√°trica e inclu√≠da em futuras edi√ß√Ķes dos manuais de diagn√≥stico especializados sob a nova designa√ß√£o de importante perturba√ß√£o afectiva, do tipo agrad√°vel. Numa resenha da literatura relevante est√° demonstrado que a felicidade √© estatisticamente anormal, consiste num discreto aglomerado de sintomas. Est√° associada a uma ordem de anomalias cognitivas e provavelmente reflecte o funcionamento anormal do sistema nervoso central. Persiste uma poss√≠vel objec√ß√£o a esta proposta: a de que a felicidade n√£o √© avaliada negativamente. No entanto, esta objec√ß√£o √© rejeitada como sendo cientificamente irrelevante¬Ľ.

A Felicidade é tão Cansativa como a Infelicidade

Toda a gente tem o seu m√©todo de interpretar a seu favor o balan√ßo das suas impress√Ķes, para que da√≠ resulte de algum modo aquele m√≠nimo de prazer necess√°rio √†s suas exist√™ncias quotidianas, o suficiente em tempos de normalidade. O prazer da vida de cada um pode ser tamb√©m constitu√≠do por desprazer, essas diferen√ßas de ordem material n√£o t√™m import√Ęncia; sabemos que existem tantos melanc√≥licos felizes como marchas f√ļnebres, que pairam t√£o suavemente no elemento que lhes √© pr√≥prio como uma dan√ßa no seu. Talvez tamb√©m se possa afirmar, ao contr√°rio, que muitas pessoas alegres de modo nenhum s√£o mais felizes do que as tristes, porque a felicidade √© t√£o cansativa como a infelicidade; mais ou menos como voar, segundo o princ√≠pio do mais leve ou mais pesado do que o ar. Mas haveria ainda uma outra objec√ß√£o: n√£o ter√° raz√£o aquela velha sabedoria dos ricos segundo a qual os pobres n√£o t√™m nada a invejar-lhes, j√° que √© pura fantasia a ideia de que o seu dinheiro os torna mais felizes? Isso s√≥ lhes imporia a obriga√ß√£o de encontrar um sistema de vida diferente do seu, cujo or√ßamento, em termos de prazer, fecharia apenas com um m√≠nimo excedente de felicidade,

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Muitas vezes as obje√ß√Ķes nascem do simples fato de que aqueles que as fazem n√£o s√£o os mesmos que tiveram a ideia que est√£o a atacar.

A Essência do Fanatismo

A ess√™ncia do fanatismo consiste em considerar determinado problema como t√£o importante que ultrapasse qualquer outro. Os bizantinos, nos dias que precederam a conquista turca, entendiam ser mais importante evitar o uso do p√£o √°zimo na comunh√£o do que salvar Constantinopla para a cristandade. Muitos habitantes da pen√≠nsula indiana est√£o dispostos a precipitar o seu pa√≠s na ru√≠na por divergirem numa quest√£o importante: saber se o pecado mais detest√°vel consiste em comer carne de porco ou de vaca. Os reaccion√°rios amercianos prefiririam perder a pr√≥xima guerra do que empregar nas investiga√ß√Ķes at√≥micas qualquer indiv√≠duo cujo primo em segundo grau tivesse encontrado um comunista nalguma regi√£o. Durante a Primeira Guerra Mundial, os escoceses sabat√°rios, a despeito da escassez de v√≠veres provocada pela actividade dos submarinos alem√£es, protestavam contra a planta√ß√£o de batatas ao domingo e diziam que a c√≥lera divina, devido a esse pecado, explicava os nossos malogros militares. Os que op√Ķem objec√ß√Ķes teol√≥gicas √† limita√ß√£o dos nascimentos, consentem que a fome, a mis√©ria e a guerra persistam at√© ao fim dos tempos porque n√£o podem esquecer um texto, mal interpretado, do G√©nese. Os partid√°rios entusiastas do comunismo, tal como os seus maiores inimigos, preferem ver a ra√ßa humana exterminada pela radioactividade do que chegar a um compromisso com o mal –

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Nada nunca ser√° tentado se todas as obje√ß√Ķes poss√≠veis precisarem ser superadas primeiro.

Para mim, um determinado grau de cren√ßa constitui actualmente uma objec√ß√£o a essa cren√ßa; antes de mais, inspira-me d√ļvidas relativas √† integridade mental do crente.

A Verdadeira Virtude

N√£o se pode pensar em virtude sem se pensar num estado e num impulso contr√°rios aos de virtude e num persistente esfor√ßo da vontade. Para me desenhar um homem virtuoso tenho que dar relevo principal ao que nele √© volunt√°rio; tenho de, talvez em esquema exagerado, lhe p√īr acima de tudo o que √© modelar e conter. Pela origem e pelo significado n√£o posso deixar de a ligar √†s fortes resolu√ß√Ķes e √† coragem civil. E um cont√≠nuo querer e uma cont√≠nua vigil√Ęncia, uma batalha perp√©tua dada aos elementos que, entendendo, classifiquei como maus; requer as n√≠tidas vis√Ķes e as almas destemidas.
Por isso não me prende o menino virtuoso; a bondade só é nele o estado natural; antes o quero bravio e combativo e com sua ponta de maldade; assim me dá a certeza de que o terei mais tarde, quando a vontade se afirmar e a reflexão distinguir os caminhos, com material a destruir na luta heróica e a energia suficiente para nela se empenhar. O que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas; muitas vezes me há-de parecer que a sua virtude consiste numa falta de habilidade para urdir o mal,

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Filosofia Simplificada

√Č uma objec√ß√£o pobre contra um fil√≥sofo dizer que √© inintelig√≠vel. Ininteligibilidade √© um conceito relativo, e aquilo que o Caio ou Ticiano frequentemente louvado n√£o entende nem por isso √© inintelig√≠vel. E mesmo a filosofia tem, de facto, algo que segundo a sua natureza sempre permanecer√° inintelig√≠vel √† grande multid√£o. Mas √© algo inteiramente outro se a ininteligibilidade est√° na coisa mesma. – Ocorre frequentemente que cabe√ßas que, com grande exerc√≠cio e habilidade, mas sem possuirem propriamente inventividade para tarefas mec√Ęnicas, se disp√Ķem, por exemplo, a inventar uma m√°quina de tornear garrafas – fabricam perfeitamente uma, mas o mecanismo √© t√£o dif√≠cil e artificioso ou as engrenagens rangem tanto, que se prefere voltar a tornear garrafas com as m√£os, √† moda antiga. O mesmo pode perfeitamente passar-se na filosofia. O sofrimento com a ignor√Ęncia sobre os objectos primeiros, sobre os maiores, para todos os homens que sentem, que n√£o s√£o embotados ou estreitamente auto-suficientes, √© grande e pode aumentar at√© se tornar insuport√°vel. Mas se o mart√≠rio de um sistema antinatural √© maior do que aquele fardo da ignor√Ęncia, prefere-se no entanto continuar a suportar este. Pode-se bem admitir que tamb√©m a tarefa da filosofia, se √© em geral resol√ļvel,

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√Č preciso estar sempre cr√≠tico diante daquilo que se vai admirar, o que √© diferente do ser cr√≠tico daquilo que se ama. Diante o que se ama, n√£o se deve ser cr√≠tico, deve-se deixar que o amor nos possua. Mas diante daquilo que se admira, muito cuidadinho – tem que se estar sempre com objec√ß√£o pronta, a ver se podemos demolir aquilo que admiramos e que n√£o serve afinal para nada.

Uma Vida Calma e Tranquila

A primeira pergunta que Di√≥genes fez a Alexandre √© a primeira pergunta que qualquer pessoa inteligente deve fazer a si pr√≥pria. Di√≥genes n√£o desperdi√ßou um √ļnico momento.
РAlexandre, estás a tentar conquistar o mundo inteiro. Então e tu? Terás tempo suficiente, depois de conquistares o mundo, para te conheceres a ti próprio? Tens certezas sobre o amanhã ou sobre o próximo momento?
Alexandre nunca tinha conhecido um homem assim. Ele já tinha vencido grandes reis e imperadores, mas percebeu que Diógenes era um homem muito poderoso. Baixando os olhos, Alexandre respondeu:
– N√£o te posso dizer que esteja certo sobre o momento seguinte. Mas posso prometer-te uma coisa: quando tiver conquistado o mundo, vou desejar descansar e viver uma vida calma, tal como tu.
Di√≥genes estava a gozar um banho de sol matinal junto a um rio, rodeado por bonitas √°rvores. Ele riu-se… por vezes penso que o seu riso ainda deve continuar a ecoar.
Pessoas como Diógenes pertencem à eternidade. As suas assinaturas não são feitas na água.
Alexandre sentiu-se ofendido e perguntou-lhe porque se estava a rir.
– √Č muito simples! – respondeu Di√≥genes. – Se eu posso descansar e viver uma vida calma sem ter conquistado o mundo,

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A obje√ß√£o, o desvio, a desconfian√ßa alegre, a vontade de tro√ßar s√£o sinais de sa√ļde: tudo o que √© absoluto pertence √† patologia.

Os Homens são como as Crianças

A atitude que nós temos para com as crianças é a atitude que o sábio tem para com todos os homens, que são pueris mesmo após a idade madura e os cabelos brancos. O que terão progredido estes homens, cujos males da sua alma apenas se tornaram em maiores males, que em forma e grandeza corporais tanto diferem das crianças, mas que em tudo o resto não são menos ligeiros e inconstantes, correndo atrás dos desejos sem reflectirem, agitados e que quando se aquietam é por medo, não por engenho seu?
Diria que aquilo que distingue as crian√ßas dos homens √© que a avidez das crian√ßas √© por dados, nozes e pequenas moedas de ouro, enquanto que a dos homens √© pelo ouro e pela prata das cidades; uns imaginam magistrados entre eles mesmos e imitam a toga, o facho e o tribunal, os outros jogam os mesmos jogos, mas a s√©rio, no Campo de Marte, no F√≥rum e na C√ļria; uns, amontoando areia √† beira-mar, constroem simulacros de casas, os outros, como quem executa uma grande obra, trabalhando a pedra na constru√ß√£o de paredes e tectos, fazem aquilo que os devia abrigar um verdadeiro perigo. Por isso, entre crian√ßas e homens-feitos o erro √© igual,

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