Passagens sobre Ociosos

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Poupar a Vontade

Em compara√ß√£o com o comum dos homens, poucas coisas me atingem, ou, dizendo melhor, me prendem; pois √© razo√°vel que elas atinjam, contanto que n√£o nos possuam. Tenho grande zelo em aumentar pelo estudo e pela reflex√£o esse privil√©gio de insensibilidade, que em mim √© naturalmente muito saliente. Desposo – e consequentemente me apaixono por – poucas coisas. A minha vis√£o √© clara, mas detenho-a em poucos objectos; a sensibilidade, delicada e male√°vel. Mas a apreens√£o e aplica√ß√£o, tenho-a dura e surda: dificilmente me envolvo. Tanto quanto posso, emprego-me todo em mim; por√©m mesmo nesse objecto eu refrearia e suspenderia de bom grado a minha afei√ß√£o para que ela n√£o se entregasse por inteiro, pois √© um objecto que possuo por merc√™ de outr√©m e sobre o qual a fortuna tem mais direito do que eu. De maneira que at√© a sa√ļde, que tanto estimo, ser-me-ia preciso n√£o a desejar e n√£o me dedicar a ela t√£o desenfreadamente a ponto de achar insuport√°veis as doen√ßas. Devemos moderar-nos entre o √≥dio e o amor √† voluptuosidade; e Plat√£o receita um caminho mediano de vida entre ambos.
Mas √†s paix√Ķes que me distraem de mim e me prendem alhures, a essas certamente me oponho com todas as minhas for√ßas.

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Com Grandes Esperanças Já Cantei

Com grandes esperanças já cantei,
com que os deuses no Olimpo conquistara;
despois vim a chorar porque cantara
e agora choro j√° porque chorei.

Se cuido nas passadas que j√° dei,
custa me esta lembrança só tão cara
que a dor de ver as m√°goas que passara
tenho pola mor m√°goa que passei.

Pois logo, se est√° claro que um tormento
d√° causa que outro n’alma se acrescente,
j√° nunca posso ter contentamento.

Mas esta fantasia se me mente?
Oh! ocioso e cego pensamento!
Ainda eu imagino em ser contente?

O Belo Retrato do S√°bio

Voltemos √† feliz esp√©cie dos loucos. Passada a vida alegremente, sem medo ou pressentimento da morte, emigram directamente para os Campo El√≠sios e v√£o deleitar com as suas fac√©cias as almas ociosas e pias. Comparai agora ao destino do louco o de um s√°bio √† vossa escolha. Citai-me um modelo de sabedoria que tenha gasto a sua inf√Ęncia e a juventude no estudo das ci√™ncias e que tenha perdido o mais belo tempo da sua vida em vig√≠lias, cuidados e trabalhos sem fim e que se tenha privado, para o resto da sua vida, de todos os prazeres. Vereis que foi sempre pobre, miser√°vel, triste, t√©trico, severo e duro para consigo mesmo, insuport√°vel e desagrad√°vel para com os outros, p√°lido, magro, servil, envelhecido antes do tempo, calvo antes da velhice, votado a uma morte prematura. Que importa, ali√°s, que morra, se nunca chegou a viver! Tal √© o belo retrato deste s√°bio.

O Verdadeiro e o Falso

A primeira dilig√™ncia do esp√≠rito √© a de distinguir o que √© verdadeiro do que √© falso. No entanto, logo que o pensamento reflecte sobre si pr√≥prio, o que primeiro descobre √© uma contradi√ß√£o. Seria ocioso procurar, neste ponto, ser-se convincente. Ningu√©m, h√° s√©culos, deu uma demonstra√ß√£o mais clara e mais elegante do caso do que Arist√≥teles: “A consequ√™ncia, muitas vezes ridicularizada, dessas opini√Ķes √© que elas se destroem a si pr√≥prias”.

Porque, se afirmarmos que tudo √© verdadeiro afirmamos a verdade da afirma√ß√£o oposta, e, em consequ√™ncia, a falsidade da nossa pr√≥pria tese (porque a afirma√ß√£o oposta n√£o admite que ela possa ser verdadeira). E, se dissermos que tudo √© falso, essa afirma√ß√£o tamb√©m √© falsa. Se declararmos que s√≥ √© falsa a afirma√ß√£o oposta √† nossa, ou ent√£o que s√≥ a nossa e que n√£o √© falsa, somos, todavia, obrigados a admitir um n√ļmero infinito de ju√≠zos verdadeiros ou falsos.

Porque aquele que anuncia uma afirmação verdadeira, pronuncia ao mesmo tempo o juízo de que ela é verdadeira, e assim sucessivamente, até ao infinito.

Quando encontro uma pessoa a dormir ao relento, numa noite fria, posso sentir que esse vulto seja um imprevisto que me demora, um delinquente ocioso, um obst√°culo no meu caminho, um aguilh√£o molesto para a mina consci√™ncia, um problema que os pol√≠ticos devem resolver e, talvez at√©, uma imund√≠cie que suja o espa√ßo p√ļblico. Ou ent√£o posso reagir a partir da f√© e da caridade e reconhecer nele um ser humano com a mesma dignidade que eu.

Os H√°bitos Embutidos

J√° me n√£o entendo com essa gente dos comboios suburbanos; esses homens que homens se julgam e que, no entanto, como as formigas, est√£o reduzidos, por uma press√£o que n√£o sentem, aos h√°bitos que lhes criam. Quando ociosos, em que ocupam eles os seus absurdos e insignificantes domingos?
Certa vez, na R√ļssia, ouvi tocar Mozart numa f√°brica. Escrevi a esse respeito. Recebi duzentas cartas insultuosas. N√£o quero mal aos que preferem um reles caf√©-concerto. Nenhuma outra harmonia eles conhecem. Mas abomino o dono do caf√©-concerto. N√£o gosto que degradem os homens.

A Dor e o Tédio São os Dois Maiores Inimigos da Felicidade

O panorama mais amplo mostra-nos a dor e o t√©dio como os dois inimigos da felicidade humana. Observe-se ainda: √† medida que conseguimos afastar-nos de um, mais nos aproximamos do outro, e vice-versa; de modo que a nossa vida, na realidade, exp√Ķe uma oscila√ß√£o mais forte ou mais fraca entre ambos. Isso origina-se do facto de eles se encontrarem reciprocamente num antagonismo duplo, ou seja, um antagonismo exterior ou oubjectivo, e outro interior e subjectivo. De facto, exteriormente, a necessidade e a priva√ß√£o geram a dor; em contrapartida, a seguran√ßa e a abund√Ęncia geram o t√©dio. Em conformidade com isso, vemos a classe inferior do povo numa luta constante contra a necessidade, portanto contra a dor; o mundo rico e aristocr√°tico, pelo contr√°rio, numa luta persistente, muitas vezes realmente desesperada contra o t√©dio. O antagonismo interior ou subjectivo entre ambos os sofrimentos baseia-se no facto de que, em cada indiv√≠duo, a susceptibilidade para um encontra-se em propor√ß√£o inversa √† susceptibilidade para o outro, j√° que ela √© determinada pela medida das suas for√ßas espirituais. Com efeito, a obtusidade do esp√≠rito est√°, em geral, associada √† da sensa√ß√£o e √† aus√™ncia da excitabilidade, qualidades que tornam o indiv√≠duo menos suscept√≠vel √†s dores e afli√ß√Ķes de qualquer tipo e intensidade.

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Para ter um gosto pr√≥prio e julgar com alguma finura das coisas de arte √© necess√°ria uma prepara√ß√£o, uma cultura adequada. E onde tem o homem de trabalho, no nosso tempo, vagares para esse complicada educa√ß√£o, que exige viagens, mil leituras, a longa frequenta√ß√£o dos museus, todo um afinamento particular do esp√≠rito? Os pr√≥prios ociosos n√£o t√™m tempo ‚Äď porque, como se sabe, n√£o h√° profiss√£o mais absorvente do que a vadiagem. Os interesses, os neg√≥cios, a loja, a reparti√ß√£o, a fam√≠lia, a profiss√£o liberal, os prazeres n√£o deixam um momento para as exig√™ncias de uma inicia√ß√£o art√≠stica.

Contente Est√° Quem Assim se Julga de si Mesmo

A abastan√ßa e a indig√™ncia dependem da opini√£o de cada um; e a riqueza n√£o mais do que a gl√≥ria, do que a sa√ļde t√™m tanto de beleza e de prazer quanto lhes atribui quem as possui. Cada qual est√° bem ou mal conforme assim se achar. Contente est√° n√£o quem assim julgamos, mas quem assim julga de si mesmo. E apenas com isso a cren√ßa assume ess√™ncia e verdade.
A fortuna n√£o nos faz nem bem nem mal: somente nos oferece a mat√©ria e a semente de ambos, que a nossa alma, mais poderosa que ela, transforma e aplica como lhe apraz – causa √ļnica e senhora da sua condi√ß√£o feliz ou infeliz.
Os acréscimos externos tomam a cor e o sabor da constituição interna, como as roupas que nos aquecem não com o calor delas e sim com o nosso, que a elas cabe proteger e alimentar; quem abrigasse um corpo frio prestaria o mesmo serviço para a frialdade: assim se conservam a neve e o gelo.
√Č certo que, exactamente como o estudo serve de tormento para um pregui√ßoso, a abstin√™ncia do vinho para um alco√≥latra, a frugalidade √© supl√≠cio para o luxorioso e o exerc√≠cio incomoda um homem delicado e ocioso;

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O amor é cuidado em um peito ocioso, pejo no moço, vergonha na virgem, na mulher furor, no homem fogo e no velho riso.

As leis são feitas para que as autoridades possam se esquecer delas,assim como realizam-se casamentos para que o tribunal do divórcio não fique ocioso.