Cita√ß√Ķes sobre Policiais

16 resultados
Frases sobre policiais, poemas sobre policiais e outras cita√ß√Ķes sobre policiais para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um Adeus Português

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma ang√ļstia j√° purificada

N√£o tu n√£o podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avan√ßa mugindo pelo t√ļnel
de uma velha dor

N√£o podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocr√°tico
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
√† alegria son√Ęmbula √† v√≠rgula man√≠aca
do modo funcion√°rio de viver

N√£o podias ficar nesta cama comigo
em tr√Ęnsito mortal at√© ao dia s√≥rdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

N√£o podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela m√£o
a esta dor portuguesa
t√£o mansa quase vegetal

N√£o tu n√£o mereces esta cidade n√£o mereces
esta roda de n√°usea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa raz√£o absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives n√£o de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

*

Nesta curva t√£o terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

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Quando a ouviam falar, diziam: √Č um policial; Quando a viam beber, comentavam: √Č um carroceiro; Quando a viam dar ordens a Cosette, garantiam: √Č um carrasco.

Dizer N√£o

Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.

Diz N√ÉO √† cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da pol√≠cia. Porque a cultura n√£o tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, n√£o √© um modo de se descer mas de se subir, n√£o √© um luxo de ¬ęelitismo¬Ľ, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.

Diz N√ÉO at√© ao p√£o com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pag√°-lo com a ren√ļncia de ti mesmo. Porque n√£o h√° uma s√≥ forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como pre√ßo a tua humilha√ß√£o.

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código,

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A Psicanálise? Uma das mais fascinantes modalidades do gênero policial, em que o detetive procura desvendar um crime que o próprio criminoso ignora.

Encontro-me em Plena Posse das Leis Fundamentais da Arte Liter√°ria

Deixei para trás o hábito de ler. Já nada leio a não ser um ou outro jornal, literatura ligeira e ocasionalmente livros técnicos relacionados com o que porventura estudo e em que o simples raciocínio possa ser insuficiente.
O género definido de literatura quase o abandonei. Poderia lê-lo para aprender ou por gosto. Mas nada tenho a aprender, e o prazer que se obtém dos livros é do género que pode ser substituído com proveito pelo que me pode proporcionar directamente o contacto com a natureza e a observação da vida.
Encontro-me agora em plena posse das leis fundamentais da arte liter√°ria. Shakespeare j√° n√£o me pode ensinar a ser subtil, nem Milton a ser completo. O meu intelecto atingiu uma flexibilidade e um alcance tais que me permitem assumir qualquer emo√ß√£o que deseje e penetrar √† vontade em qualquer estado de esp√≠rito. Quanto √†quilo por que sempre se luta com esfor√ßo e ang√ļstia, ser-se completo, n√£o h√° livro que valha.
Isto não significa que eu tenha sacudido a tirania da arte literária. Aceito-a apenas sujeita a mim próprio.
H√° um livro de que ando sempre acompanhado – ¬ęAs Aventuras de Pickwick¬Ľ. Li v√°rias vezes os livros de Mr.

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Escrever com Intuição e Instinto

Outra coisa que n√£o parece ser entendida pelos outros √© quando me chamam de intelectual e eu digo que n√£o sou. De novo, n√£o se trata de mod√©stia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual √© usar sobretudo a intelig√™ncia, o que eu n√£o fa√ßo: uso √© a intui√ß√£o, o instinto. Ser intelectual √© tamb√©m ter cultura, e eu sou t√£o m√° leitora que, agora j√° sem pudor, digo que n√£o tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade. Al√©m do que leio pouco: s√≥ li muito, e li avidamente o que me ca√≠sse nas m√£os, entre os treze e os quinze anos de idade. Depois passei a ler esporadicamente, sem ter a orienta√ß√£o de ningu√©m. Isto sem confessar que ‚Äď dessa vez digo-o com alguma vergonha ‚Äď durante anos eu s√≥ lia romance policial. Hoje em dia, apesar de ter muitas vezes pregui√ßa de escrever, chego de vez em quando a ter mais pregui√ßa de ler do que de escrever.
Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros uma profissão, nem uma carreira. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis.

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A Acção Mais Degradada

A ac√ß√£o mais degradada √© a daquele que n√£o age e passa procura√ß√£o a outrem para agir – a dos frequentadores dos espect√°culos de luta e a dos consumidores da literatura de viol√™ncia. Ser her√≥i e atrav√©s de outrem, ser corajoso em imagina√ß√£o, √© o limite extremo da ac√ß√£o gratuita, do orgulho ou da vaidade que n√£o ousa. Corre-se o risco sem se correr, experi¬≠menta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E √© por isso que os fIlmes de guerra, do hero√≠smo policial, de espionagem, t√™m de acabar bem. Por¬≠que o que a√≠ se procura √© justamente o sabor do triunfo e n√Ęo apenas do risco. O gosto do risco procura-o o her√≥i real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degra¬≠dado na sedu√ß√£o da ac√ß√£o, acentua a sua mediocridade no n√£o poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em fic√ß√£o, mas com a certeza pr√©via de que o risco √© vencido. O que ele procura √© a pequena lisonja √† sua vaidade pequena, a figura√ß√£o da coragem para a sua cobardia, e s√≥ a vit√≥ria do her√≥i a quem passou procura√ß√£o o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza,

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A Minha Felicidade Resume-se a Isto

Um dos poucos divertimentos intelectuais que ainda restam ao que ainda resta de intelectual na humanidade √© a leitura de romances policiais. Entre o n√ļmero √°ureo e reduzido das horas felizes que a Vida deixa que eu passe, conto por do melhor ano aquelas em que a leitura de Conan Doyle ou de Arthur Morrison me pega na consci√™ncia ao colo.
Um volume de um destes autores, um cigarro de 45 ao pacote, a ideia de uma ch√°vena de caf√© ‚ÄĒ trindade cujo ser-uma √© o conjugar a felicidade para mim ‚ÄĒ resume-se nisto a minha felicidade. Seria pouco para muitos, a verdade √© que n√£o pode aspirar a muito mais uma criatura com sentimentos intelectuais e est√©ticos no meio europeu actual.
Talvez seja para os senhores como que causa de pasmo, n√£o o eu ter estes por meus autores predilectos ‚ÄĒe de quarto de cama, mas o eu confessar que nesta conta pessoal assim os tenho.

Homens s√£o recompensados por aprender a pr√°tica da viol√™ncia em virtualmente qualquer esfera de atividade, por dinheiro, admira√ß√£o, reconhecimento, respeito, e genuflex√£o de outros honrando a sagrada e provada masculinidade deles. Na cultura masculina, policiais s√£o her√≥icos e assim tamb√©m s√£o os criminosos; machos que imp√Ķem regras s√£o her√≥icos e assim tamb√©m s√£o aqueles que as violam.