Cita√ß√Ķes sobre Pot√™ncia

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Frases sobre pot√™ncia, poemas sobre pot√™ncia e outras cita√ß√Ķes sobre pot√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Redução do Pensamento à Palavra

O homem parecia ter desapontadamente perdido o sentido do que queria anotar. E hesitava, mordia a ponta do l√°pis como um lavrador embara√ßado por ter que transformar o crescimento do trigo em algarismos. De novo revirou o l√°pis, duvidava e de novo duvidava, com um respeito inesperado pela palavra escrita. Parecia-lhe que aquilo que lan√ßasse no papel ficaria definitivo, ele n√£o teve o desplante de rabiscar a primeira palavra. Tinha a impress√£o defensiva de que, mal escrevesse a primeria, e seria tarde demais. T√£o desleal era a pot√™ncia da mais simples palavra sobre o mais vasto dos pensamentos. Na realidade o pensamento daquele homem era apenas vasto, o que n√£o o tornava muito utiliz√°vel. No entanto parece que ele sentia uma curiosa repulsa em concretiz√°-lo, e at√© um pouco ofendido como se lhe fizessem proposta d√ļbia.

A perda das forças não esgota a vontade. Crer é apenas a segunda potência; a primeira é querer, as montanhas proverbiais que a fé transporta nada valem ao lado do que a vontade produz.

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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A Inteligência e o Carácter das Massas

O nosso tempo √© rico em mentes inventivas, cujas inven√ß√Ķes podem facilitar consideravelmente as nossas vidas. Estamos a atravessar os mares com pot√™ncia e a utilizar a pot√™ncia tamb√©m para libertar a humanidade de todo o trabalho muscular cansativo. Aprendemos a voar e somos capazes de enviar mensagens e not√≠cias sem qualquer dificuldade para todo o mundo atrav√©s de ondas el√©ctricas.
Contudo, a produção e a distribuição de bens estão completamente desorganizadas, de tal forma que toda a gente vive com medo de ser completamente eliminada do ciclo económico, sofrendo deste modo do querer tudo. Para além disso, as pessoas que vivem em países diferentes matam-se umas às outras com intervalos de tempo irregulares, de tal modo que, também por esta razão, todo aquele que pensa no futuro vive no medo e no terror. Isto deve-se ao facto de a inteligência e o carácter das massas serem incomparavelmente menores do que a inteligência e o carácter dos poucos que produzem algo de verdadeiramente válido para a comunidade.
Tenho confian√ßa em que a posteridade ler√° estas afirma√ß√Ķes com um sentimento de orgulho e superioridade justificada.

Da Simpatia Sublime

√Č a simpatia um dos prod√≠gios selados da natureza; mas os seus efeitos s√£o mat√©ria do pasmo, s√£o assunto da admira√ß√£o. Consiste num parentesco dos cora√ß√Ķes, se a antipatia for um div√≥rcio das vontades.
Alguns d√£o-lhe origem na correspond√™ncia em temperamentos; outros, na irmandade dos astros. Aspira aquela a obrar milagres, e esta monstruosidades. S√£o prod√≠gios da simpatia os que a comum ignor√Ęncia reduz a efeitos e a vulgaridade a encantos.
A mais culta perfeição sofreu desprezos da antipatia, e a mais inculta fealdade logrou finezas da simpatia. Até entre pais e filhos pretendem jurisdição e executam a cada dia a sua potência, atropelando leis e frustrando privilégios de natureza e política. Perde reinos a antipatia de um pai e dá-os uma simpatia.
Tudo alcançam os méritos da simpatia; persuade sem eloquência e recolhe quanto queira, presenteando memoriais de harmonia natural. A simpatia realçada é carácter, é estrela de heroicidade; mas alguns há de gosto íman, que mantêm antipatia com o diamante e simpatia com o ferro. Monstruosidade da natureza, apetecer escória e asquear o luzimento.

Só quando se suprimir a guerra, se conseguirá também realizar a educação da juventude no espírito de conciliação, de alegre afirmação da vida e de amor para com todos os seres vivos. Nem é de desejar que, precisamente os moços mais valorosos, sejam entregues à destruição, levada a cabo pela engrenagem, atrás da qual se erguem três potências formidáveis: a estupidez, o medo e a avidez.

Uma das potências da alma é o entendimento, o qual nunca aumenta e cresce, senão quando já desfalece o corpo; amostra desta verdade é a experiência, pois nunca os homens se vêem mais avultados no entendimento, senão quando muito crescidos nos anos, e para se aumentar aquela potência da alma, parece que com os muitos anos necessariamente se hão-de desfazer as forças do corpo.

O espírito é uma potência ligada ao corpo, porque por si só não pode se sustentar. A alma quer estar com o seu corpo, porque sem os órgãos de seu corpo, nada pode ver, nem sentir.

Liberdade Absoluta e Necessidade Absoluta são Idênticas

Quem meditou sobre a liberdade e a necessidade descobriu por si que estes princ√≠pios t√™m se ser unificados no Absoluto – a liberdade porque o Absoluto age por pot√™ncia aut√≥noma incondicionada, a necessidade porque, justamente por isso, ele s√≥ age em conformidade com as leis do seu ser, com a necessidade interior da sua ess√™ncia. Nele n√£o h√° mais nenhuma vontade, que poderia afastar-se de uma lei, mas tamb√©m nenhuma lei mais, que ele n√£o desse a si mesmo apenas por suas ac√ß√Ķes, nenhuma lei que, independentemente de suas ac√ß√Ķes, tivesse realidade. Liberdade absoluta e necessidade absoluta s√£o id√™nticas.

A Morte, Que Da Vida O Nó Desata

A Morte, que da vida o nó desata,
os nós, que dá o Amor, cortar quisera
na Aus√™ncia, que √© contr’ ele espada fera,
e co Tempo, que tudo desbarata.

Duas contr√°rias, que √ľa a outra mata,
a Morte contra o Amor ajunta e altera:
√ľa √© Raz√£o contra a Fortuna austera,
outra, contra a Raz√£o, Fortuna ingrata.

Mas mostre a sua imperial potência
a Morte em apartar dum corpo a alma,
duas num corpo o Amor ajunte e una;

porque assi leve triunfante a palma,
Amor da Morte, apesar da Ausência,
do Tempo, da Raz√£o e da Fortuna.

O Tabu e a Met√°fora

A metáfora é provavelmente a potência mais fértil que o homem possui. A sua eficiência chega a raiar os confins da taumaturgia e parece uma ferramenta de criação que Deus deixou esquecida dentro de uma das suas criaturas na ocasião em que a formou, como o cirurgião distraído deixa um instrumento no ventre do operado.
Todas as demais potências nos mantêm inscritos no interior do real, do que já é. O mais que podemos fazer é somar ou subtrair as coisas entre si. Só a metáfora nos facilita a evasão e cria entre as coisas reais recifes imaginários, floração de leves ilhas.
√Č verdadeiramente estranha a exist√™ncia no homem desta actividade mental que consiste em substituir uma coisa por outra, n√£o tanto no esfor√ßo de chegar √† segunda como no intento de esquivar a primeira. A met√°fora escamoteia um objecto mascarando-o por meio de outro, e n√£o teria sentido se n√£o v√≠ssemos nela um instinto que induz o homem a evitar as realidades.
Ao interrogar-se sobre qual poderia ser a origem da metáfora, um psicólogo recentemente descobriu, surpreendido, que uma das suas raízes se encontra no espírito do tabu. Houve uma época em que o medo foi a máxima inspiração humana,

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A Guerra como um Erro Incompreensível dos Antepassados

Tudo leva a crer que os estadistas actuais pretendem, na realidade, o objectivo de estabelecer uma paz duradoura. Mas o aumento incessante do armamento mostra com demasiada clareza que não poderão fazer frente às potências inimigas, que os impelem à preparação da guerra. A meu ver, a salvação só poderá vir da alma dos povos. Terão de se declarar decididamente pelo desarmamento completo, pois enquanto houver exércitos, qualquer conflito mais grave conduzirá à guerra. O pacifismo que não repudiar activamente o armamento dos Estados, é e será sempre impotente.
Que a consciência e o bom-senso dos povos despertem, para que possamos atingir um novo escalão na vida dos povos, do alto da qual a guerra pareça um erro incompreensível dos antepassados.

A Civilização e o Horror ao Vácuo

A expans√£o imperialista das grandes pot√™ncias √© um facto de crescimento, o transbordar natural√≠ssimo de um excesso de vidas e de uma sobra de riquezas em que a conquista dos povos se torna simples variante da conquista de mercados. As lutas armadas que da√≠ resultam, perdido o encanto antigo, transformam-se, paradoxalmente, na fei√ß√£o ruidosa e acidental da energia pac√≠fica e formid√°vel das ind√ļstrias. Nada dos velhos atributos rom√Ęnticos do passado ou da preocupa√ß√£o retr√≥grada do hero√≠smo. As pr√≥prias vit√≥rias perderam o significado antigo. S√£o at√© dispens√°veis. (…) Est√£o fora dos lances de g√©nio dos generais felizes e do fortuito dos combates. Vagas humanas desencadeadas pelas for√ßas acumuladas de longas culturas e do pr√≥prio g√©nio de ra√ßa, podem golpe√°-las √† vontade os advers√°rios que as combatem e batem debatendo-se, e que se afogam. N√£o param. N√£o podem parar. Impele-as o fatalismo da pr√≥pria for√ßa. Diante da fragilidade dos pa√≠ses fracos, ou das ra√ßas incompetentes, elas recordam, na hist√≥ria, aquele horror ao v√°cuo, com que os velhos naturalistas explicavam os movimentos irresist√≠veis da mat√©ria. Revelam quase um fen√īmeno f√≠sico. Por isso mesmo nesta expans√£o irreprim√≠vel, n√£o √© do direito, nem da Moral com as mais imponentes mai√ļsculas, nem de alguma das maravilhas metaf√≠sicas de outrora que lhes despontam obst√°culos.

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O simples facto de rir alto dá-vos uma superioridade assegurada em relação a todos os presentes ou circunstantes, sem excepção. Terrível e awful é a potência do riso: quem tem a coragem de rir é senhor dos outros, do mesmo modo como quem tem a coragem de morrer.

O Prestígio é Sempre Enganador

Tendo a generalidade das opini√Ķes que a educa√ß√£o nos inculca, unicamente a educa√ß√£o por base, facilmente nos habituamos a admitir, com prontid√£o, um conceito defendido por um personagem aureolado de prest√≠gio.
Sobre os assuntos t√©cnicos da nossa profiss√£o, somos capazes de formular conceitos muito seguros; mas, no tocante ao resto, n√£o procuramos sequer raciocinar, preferindo admitir, com os olhos fechados, as opini√Ķes que nos s√£o impostas por um personagem ou um grupo dotado de prest√≠gio.
De facto, quer se seja estadista, artista, escritor ou s√°bio, o destino depende, sobretudo, da quantidade de prest√≠gio que se possui e, por conseguinte, do grau de sugest√£o inconsciente que se pode criar. O que determina o √™xito de um homem √© a domina√ß√£o mental que ele exerce. O completo imbecil, entretanto, alcan√ßa √™xito, algumas vezes, porquanto, n√£o tendo consci√™ncia da sua imbecilidade, jamais hesita em afirmar com autoridade. Ora, a afirma√ß√£o en√©rgica e repetida possui prest√≠gio. O mais vulgar dos ¬ęcamelos¬Ľ, quando energicamente afirma a imagin√°ria superioridade de um produto, exerce prest√≠gio na multid√£o que o circunda.
(…) Mesmo entre s√°bios eminentes, o prest√≠gio √©, muitas vezes, um dos factores mais certos de uma convic√ß√£o. Para os esp√≠ritos ordin√°rios, ele o √© sempre.

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Estamos a Cair na Mediocridade Governativa

Estamos a cair na mediocridade porque estamos muito subservientes aos padr√Ķes de efic√°cia e da racionalidade europeia. Os tempos festivos da revolu√ß√£o passaram. Teriam naturalmente que passar, mas aplica-se a terap√™utica da racionaliza√ß√£o tecnocr√°tica e isso mata o sonho. Devia haver outras vias. Vias apropriadas √†quilo que somos. N√£o somos um Pa√≠s de grandes voos capitalistas. Se o quisermos ser ca√≠mos, inexoravelmente, nas garras do monopolismo. Portanto, dev√≠amos cultivar as pequenas e m√©dias empresas. Esta devia ser a l√≥gica da economia portuguesa. Devia dar-se grande valor √†s pequenas e m√©dias empresas e realmente deixarmo-nos de ambi√ß√Ķes que nos alcem aos grandes padr√Ķes europeus.

(…) Os (partidos pol√≠ticos t√™m) os mesmos defeitos e algumas qualidades em comum. Evidentemente que os partidos s√£o um defeito necess√°rio, porque dividem, mas √© uma divis√£o necess√°ria para agrupar, para reunir a ideia da democracia parlamentar que temos. Agora, o erro das pessoas √© adorn√°-los com m√©ritos extraordin√°rios, porque isso faz-nos cair numa partidolatria, impr√≥pria de esp√≠ritos livres! N√£o penso que a nossa classe pol√≠tica seja pior do que a classe pol√≠tica de outros pa√≠ses. Ponhamos as coisas neste p√©: as minhas exig√™ncias est√©ticas e √©ticas n√£o tornam muito f√°ceis as minhas rela√ß√Ķes com a classe pol√≠tica.

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