Passagens sobre Propaganda

27 resultados
Frases sobre propaganda, poemas sobre propaganda e outras passagens sobre propaganda para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Super-Detergente

N√≥s vivemos no tempo do record, do m√°ximo, do prest√≠gio do campe√£o. Todo o vocabul√°rio est√° cheio dos hiper ou dos super da propaganda comercial. Dizer que tal livro √© o melhor de h√° 30 anos equivale a dizer que este √© que √© de facto um superdetergente. De resto, os agentes publicit√°rios do material liter√°rio n√£o pretender√£o talvez enganar-nos. Eles sabem que sabemos que estamos no dom√≠nio do reclame. √Č uma actividade inocente como proclamarmos a excel√™ncia de um sab√£o. E √© exactamente por isso que eles usam sempre n√ļmeros redondos. Nunca dizem, por exemplo, que este √© o melhor livro de h√° 47 anos ou de h√° 23 anos e meio. Na realidade, eles n√£o t√™m um ponto de refer√™ncia para marcarem as datas. Falar em 30 ou 50 anos √© como usar uma ¬ęnumera√ß√£o indeterminada¬Ľ, como se diz em ret√≥rica. Gar√ß√£o, ao dizer da Dido moribunda que ¬ętr√™s vezes tenta erguer-se¬Ľ, n√£o pretende convencer-nos de que estiveram l√° a cont√°-las. Em todo o caso e de qualquer modo, dizer que este √© o melhor livro de h√° 50 anos afecta as pessoas impression√°veis. Mas por isso mesmo √© que existem as ag√™ncias de publicidade. E ningu√©m vai pedir-lhes satisfa√ß√Ķes por reclamar um produto contra a calv√≠cie que nos deixou talvez ainda mais depilados.

Continue lendo…

A propaganda não pode servir à verdade especialmente quando possa salientar algo favorável ao oponente.

Nessa terra de gigantes que trocam vidas por diamantes,
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

Leia, Ouça, Veja, mas sobretudo, Pense

Se grandes inven√ß√Ķes ou descobertas, como o fogo, a roda ou a alavanca, se fizeram antes que o homem fosse, historicamente, capaz de escrever, tamb√©m se p√Ķe como fora de d√ļvida que mais rapidamente se avan√ßou quando foi poss√≠vel fixar intelig√™ncia em escrita, quando o saber se p√īde transmitir com maior fidelidade do que oralmente, quando biblioteca, em qualquer forma, foi testamento do passado e base de arranque para o futuro. A livro se veio juntar arquivo, para o que mais ligeiro se afigurava; e fora de bibliotecas ou arquivos ficaram os milh√Ķes de p√°ginas de discorrer ou emo√ß√£o humana que mais ligeiras pareceram ainda, ou menos duradouras. Escrevendo ou lendo nos unimos para al√©m do tempo e do espa√ßo, e os limitados bra√ßos se p√Ķem a abra√ßar o mundo; a riqueza de outros nos enriquece a n√≥s. Leia.
Milh√Ķes de homens, por√©m, no mundo actual est√£o incapacitados de escrever e de ler, muito menos porque faltam m√©todos e meios do que incitamento que os levante acima do seu t√£o dif√≠cil quotidiano e vontade de quem mais pode de que seus reais irm√£os mais dependam de si pr√≥prios do que de exteriores e quase sempre enganadoras salva√ß√Ķes. Mais se comunica falando do que de qualquer outra forma;

Continue lendo…

Evita o quanto poss√≠vel dar aten√ß√£o √†s propagandas de medicamentos e fortificantes. Vendo-as, ser√°s sugestionado e acabar√°s ficando com vontade de obter tais rem√©dios. Ent√£o, para satisfazer essa vontade, teu subconsciente criar√° uma doen√ßa que necessite deles. Encontrando os rem√©dios desejados, o subconsciente ficar√° satisfeito e faz com que a doen√ßa deixe de se manifestar. N√£o conv√©m reparar nos an√ļncios de medicamentos, pois eles s√£o criadores de doen√ßas.

Este país não pode melhorar enquanto o governo gastar todo o seu dinheiro na propaganda da rosca e a oposição colocar todo seu esforço na condenação do furo.

O Objectivo da Arte não é Ser Compreensível

Toda a arte é expressão de qualquer fenómeno psíquico. A arte, portanto, consiste na adequação, tão exacta quanto caiba na competência artística do fautor, da expressão à cousa que quer exprimir. De onde se deduz que todos os estilos são admissíveis, e que não há estilo simples nem complexo, nem estilo estranho nem vulgar.
H√° ideias vulgares e ideias elevadas, h√° sensa√ß√Ķes simples e sensa√ß√Ķes complexas; e h√° criaturas que s√≥ t√™m ideias vulgares, e criaturas que muitas vezes t√™m ideias elevadas. Conforme a ideia, o estilo, a express√£o. N√£o h√° para a arte crit√©rio exterior. O fim da arte n√£o √© ser compreens√≠vel, porque a arte n√£o √© a propaganda pol√≠tica ou imoral.

Cultura Ofuscada

N√£o √© que, no nosso tempo, o representante da cultura seja menos escutado do que no passado o eram o te√≥logo, o artista, o s√°bio, o fil√≥sofo, etc. √Č que, actualmente, tem-se consci√™ncia da massa que vive de mera propaganda. Tamb√©m no passado, as massas viviam de m√° propaganda, mas, ent√£o, sendo a cultura elementar menos difundida, essa massa n√£o imitava as pessoas verdadeiramente cultas e, portanto, n√£o fazia surgir o problema de saber se estava mais ou menos em concorr√™ncia com essas pessoas cultas.

Agora que estou a envelhecer e me aproximo do patriarca, eu também sinto que uma imoralidade anunciada é mais punível do que uma acção imoral. Chega-se ao assassínio por amor ou por ódio; à propaganda do assassínio, apenas por maldade.

Pensar Custa

Pensar √© a todo momento e a todo custo. Pensar d√≥i, cansa e s√≥ traz aborrecimentos. Melhor √© n√£o pensar. Mas pensar n√£o √© facultativo. Se o c√©rebro, a m√≠nima parte dele que seja, deixa de estar alerta por um momento, penetram l√°, como parasitas dif√≠ceis de erradicar, ¬ęideias¬Ľ vindas da imprensa, do r√°dio, da televis√£o, da propaganda geral, dos produtos em s√©rie, do consumo degenerado, dos doutores em lei, arte, literatura, ci√™ncia, pol√≠tica, sociologia. Essa massa de desinforma√ß√£o, n√£o s√≥ in√ļtil como nociva, nos √©, ali√°s, imposta de maneira criminosa nos primeiros anos de nossa vida. E se, algum dia, chegamos a pensar no verdadeiro sentido do termo, todo o restante esfor√ßo da exist√™ncia √© para nos livrarmos de uma lament√°vel heran√ßa cultural. Pois, infelizmente, o c√©rebro humano √© um dos poucos √≥rg√£os do corpo que n√£o t√™m uma v√°lvula excretora. E as fezes culturais ficam l√°, nos envenenando pelo resto da vida, transformando o mais complexo e mais nobre √≥rg√£o do corpo numa imensa fossa, imunda e fedorenta. Um lament√°vel erro da Cria√ß√£o.

Como te Tens Lembrado Hoje de Mim?

O que tens tu feito, amor? Andar√°s, como segunda-feira, cavaleiro andante a flirtar √†s janelas das ruas do Alto do Pina, com damas de cem anos?… Cem anos, pelo menos… Eu creio mesmo que tu disseste mais alguns… Sempre est√°s uma prenda, um espertalh√£o… Tenho que te educar convenientemente e ensinar-te que damas de cem anos e mulheres que fazem queijadas, n√£o servem, ou pelo menos n√£o devem servir, a quem tem a suprema felicidade de possuir uma mulher como eu, que sou uma p√©rola, ou por outra: um colar de p√©rolas, como ontem gentilmente me chamaste… Est√°s de acordo, n√£o √© verdade?

A tua pequenina fera está há imenso tempo ansiosa que a chuva acabe, para deitar o focinhito fora do covil, ao menos por cinco minutos; mas não há meio, o diabo da chuva continua a cair sem piedade e daqui a pouco a ferazinha sai mesmo com chuva e tudo. Há tanto tempo que não saio! Em horas de concentração de consciência, eu ponho-me a pensar que nunca julguei capaz que um homem pudesse fazer da Miss América, como muita gente me chamava dantes, esta burguezinha pacata, que, detrás dos vidros duma janela, passa a vida a fazer rendas,

Continue lendo…

Dou-me muito bem com os jornalistas! Nem sequer é verdade que não gosto deles! O que não tenho é paciência para repetir coisas óbvias, fazer propaganda, falar de mim.

O Grande Mito Nacional

Há uma espécie de propaganda com que se pode levantar o moral de uma nação Рa construção ou renovação e a difusão consequente e multímoda de um grande mito nacional. De instinto, a humanidade odeia a verdade, porque sabe, com o mesmo instinto, que não há verdade, ou que a verdade é inatingível. O mundo conduz-se por mentiras; quem quiser despertá-lo ou conduzi-lo terá que mentir-lhe delirantemente, e fá-lo-á com tanto mais êxito quanto mais mentir a si mesmo e se compenetrar da verdade da mentira que criou. Temos, felizmente, o mito sebastianista, com raízes profundas no passado e na alma portuguesa. Nosso trabalho é pois mais fácil; não temos que criar um mito, senão que renová-lo. Comecemos por nos embebedar desse sonho, por o integrar em nós, por o incarnar. Feito isso, por cada um de nós independentemente e a sós consigo, o sonho se derramará sem esforço em tudo que dissermos ou escrevermos, e a atmosfera estará criada, em que todos os outros, como nós, o respirem. Então se dará na alma da nação o fenómeno imprevisível de onde nascerão as Novas Descobertas, a Criação do Mundo Novo, o Quinto Império. Terá regressado El-Rei D. Sebastião.

Entender os Nossos Impulsos

O dom√≠nio de si pr√≥prio, embora eu n√£o negue de forma alguma a sua necessidade em muitas circunst√Ęncias, n√£o √© a melhor forma de conseguir que um ser humano se conduza bem. Tem o inconveniente de diminuir a energia e as faculdades criadoras. √Č como uma pesada armadura que ao mesmo tempo que impede o vosso bra√ßo de bater nos vossos vizinhos, o torna igualmente incapaz de um movimento √ļtil. Os que n√£o t√™m outro apoio al√©m da disciplina que se imp√Ķem a si pr√≥prios, tornam-se obstinados e timoratos com receio de si pr√≥prios.
Mas os impulsos aos quais eles não permitem qualquer saída, continuam a existir neles a tal como os rios represados, cedo ou tarde transbordarão. As forças a que nós contrariamos a função natural que é o desabrochar da nossa própria vida, ou se atrofiam ou acabam por ter uma saída perturbando a vida de outrem. Elas procurarão qualquer saída do género das que não representam nenhum perigo para nós, por exemplo, a tirania doméstica. Se essa saída não for suficiente, há outras que o podem ser. Há sempre condenados e párias a quem a sociedade permite torturar e isso não comporta nenhum risco.
Esses p√°rias,

Continue lendo…

Auréola Equatorial

A Teodoreto Souto

Fundi em bronze a estrofe augusta dos prodígios,
Poetas do Equador, artísticos Barnaves;
Que o facho — Aboli√ß√£o — rasgando as nuvens graves
De raios e bulc√Ķes — triunfa nos lit√≠gios!

— O rei Mamoud, o Sol, vibrou p’raquelas bandas
do Norte — a grande luz — el√©trico, explodindo,
Assim como quem vai, intrépido, subindo
√Ä luz da idade nova — em claras propagandas.

— Os p√°ssaros tit√£s nos seus concili√°bulos,
— Chilreiam, v√£o cantando em m√≠sticos voc√°bulos,
Alargam-se os pulm√Ķes nevr√°lgicos das zonas;

Abri alas, abri! — Que em t√ļnica de assombros,
Irá passar por vós, com a Liberdade aos ombros,
Como um colosso enorme o imp√°vido Amazonas!

Fatos empíricos:
Um: Todos nós somos capazes de sentir amor por outros seres humanos.
Dois: Impomos limita√ß√Ķes a esse amor.
Tr√™s: Podemos transcender a todas essas limita√ß√Ķes – se nos aprouver. (√Č uma quest√£o de observa√ß√£o que, quem quer que o deseje, poder√° vencer a repugn√Ęncia pessoal, o sentimento de classe, o √≥dio nacional, o preconceito de cor. N√£o √© coisa f√°cil; mas podemos conseguir, se tivermos vontade e soubermos p√īr em pr√°tica as nossas boas inten√ß√Ķes.)
Quatro: Amor que se manifesta em bom tratamento cria amor. √ďdio que se manifesta em mau tratamento cria √≥dio.
√Ä luz desses fatos √© √≥bvio quais deveriam ser os comportamentos pol√≠ticos entre pessoas, entre classes, entre na√ß√Ķes. Mas, ainda uma vez, o saber n√£o basta. Saber, todos n√≥s sabemos; onde quase todos n√≥s fracassamos √© em fazer. E a quest√£o est√°, habitualmente, em achar os melhores m√©todos de dar cumprimento √†s inten√ß√Ķes. Entre outras coisas, a propaganda da paz deve consistir numa s√©rie de instru√ß√Ķes para a arte de modificar o car√°ter.

Besta Célere

H√° quem lhe chame, por brincadeira, besta c√©lere para caracterizar a qualidade mediana (tomada por m√©dia) desse produto cultural (agora √© tudo cultural!) e, ao mesmo tempo, a rapidez com que ele se esgota em sucessivas edi√ß√Ķes. O best-seller √© um produto perfeita (ou eficazmente) projectado em termos de ¬ęmarketing¬Ľ editorial e livreiro. √Č para se vender – muito e depressa – que o best-seller √© constru√≠do com os olhos postos num leitor-tipo que vai encontrar nele aquilo que exactamente esperava. Nem mais, nem menos. Os exemplos, abundant√≠ssimos, nem vale a pena enumer√°-los. Conv√©m n√£o confundir, pelo menos em todos os casos, best-seller com ¬ętopes¬Ľ de venda. Embora seja cabe√ßa de lista, o best-seller tem, em rela√ß√£o aos livros ¬ęnormais¬Ľ, uma caracter√≠stica que logo o diferencia: foi feito propositadamente para ser um campe√£o de vendas. A sua raz√£o de ser √© essa e s√≥ essa. E aqui poderia dizer-se, recuperando o lugar-comum para um sentido s√©rio, que ¬ęo resto √© literatura¬Ľ.
Estou a pensar em bestas c√©leres como Love Story ou O Aeroporto. N√£o estou a pensar em ¬ętopes¬Ľ de venda como O Nome da Rosa ou Mem√≥rias de Adriano. estes √ļltimos s√£o boa, excelente literatura que, por raz√Ķes pontuais e,

Continue lendo…