Cita√ß√Ķes sobre Rebeldes

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Frases sobre rebeldes, poemas sobre rebeldes e outras cita√ß√Ķes sobre rebeldes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Heroísmos

Eu temo muito o mar, o mar enorme,
Solene, enraivecido, turbulento,
Erguido em vagalh√Ķes, rugindo ao vento;
O mar sublime, o mar que nunca dorme.

Eu temo o largo mar, rebelde, informe,
De vítimas famélico, sedento,
E creio ouvir em cada seu lamento
Os ru√≠dos dum t√ļmulo disforme.

Contudo, num barquinho transparente,
No seu dorso feroz vou blasonar,
Tufada a vela e n’√°gua quase assente,

E ouvindo muito ao perto o seu bramar,
Eu rindo, sem cuidados, simplesmente,
Escarro, com desdém, no grande mar!

Um p√ļblico comprometido com a leitura √© cr√≠tico, rebelde, inquieto, pouco manipul√°vel e n√£o cr√™ em lemas que alguns fazem passar por id√©ias.

Recado aos Amigos Distantes

Meus companheiros amados,
n√£o vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que est√£o mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

N√£o condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.

Os velhos já foram loucos, já foram rebeldes, já foram gente. E continuam a sê-lo, a malta é que os vê como plantas caídas. Se te permitires escutá-los e lhes deres tempo de antena na emissão da tua vida, não te arrependerás.

O povo é rebelde porque os seus governantes são demasiado arrojados.

Na arte, a indisciplina dos novos, a sua rebelde força de resistência às correntes da tradição, é indispensável para a revivescência da invenção e do poder criativo, e para a originalidade artística.

Lusit√Ęnia Querida

Lusit√Ęnia querida! Se n√£o choro
Vendo assim lacerado o teu terreno,
Não é de ingrata filha o dó pequeno;
Rebeldes julgo os ais, se te deploro.

Admiro de teus danos o decoro.
Bebeu Sócrates firme seu veneno;
E em qualquer parte do perigo o aceno
Encontra e cresce o teu valor, que adoro.

Mais que a vitória vale um sofrer belo;
E assaz te vingas de opress√Ķes fatais,
Se arrasada te vês, sem percebê-lo.

Povos! a independência que abraçais
Aplaude, alegre, o estrago, e grita ao vê-lo:
“Ru√≠na sim, mas servid√£o jamais!”

N√£o tinha exactamente saudades deles: tinha talvez saudades do que eu pr√≥prio era na presen√ßa deles, desse mi√ļdo rebelde e terno que o tempo e a Am√©rica e a morte e a perda da inoc√™ncia e o t√©dio, no seu sempre infernal encolher de ombros, se haviam encarregado de adestrar.

Hino à Beleza

Onde quer que o fulgor da tua glória apareça,
‚ÄĒ Obra de g√©nio, flor de hero√≠smo ou santidade, ‚ÄĒ
Da Gioconda imortal na radiosa cabeça,
Num acto de grandeza augusta ou de bondade,

‚ÄĒ Como um pag√£o subindo √† Acr√≥pole sagrada,
Vou de joelhos render-te o meu culto piedoso,
Ou seja o Herói que leva uma aurora na Espada,
Ou o Santo beijando as chagas do Leproso.

Essa luz sem igual com que sempre iluminas
Tudo o que existe em nós de grande e puro, veio
Do mesmo foco em mil par√°bolas divinas:
‚ÄĒ Raios do mesmo olhar, √Ęnsias do mesmo seio.

Alta revelação que, baixando em segredo,
O prisma humano quebra em √Ęngulos dispersos,
Como a √°gua a cair de rochedo em rochedo
Repete o mesmo som, mas em modos diversos.

√Č aud√°cia no Her√≥i; resigna√ß√£o no Santo;
Som e Cor, ondulando em formas imortais;
No m√°rmore rebelde abre em folhas de acanto,
E esmalta de candura a flora dos vitrais.

√ď Beleza! √ď Beleza! as Horas fugitivas
Passam diante de ti, aladas como sonhos…

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A poesia dos poetas que sofreram é doce, terna. E a dos outros, dos que de nada foram privados, é ardente, sofredora e rebelde.

As Nossas Verdades

A aprendizagem transforma-nos, faz o mesmo que toda a alimenta√ß√£o que tamb√©m n√£o ¬ęconserva¬Ľ apenas -: como sabe o fisi√≥logo. Mas no fundo de n√≥s mesmos, muito ¬ęl√° no fundo¬Ľ, h√°, na verdade, qualquer coisa rebelde a toda a instru√ß√£o, um granito de fatum espiritual, de decis√Ķes predestinadas e de resposta a perguntas escolhidas e pr√©-formuladas. A cada problema fundamental ouve-se inevitavelmente dizer ¬ęisso sou eu¬Ľ; por exemplo, a respeito do homem e da mulher, um pensador n√£o pode aprender nada de novo mas apenas aprender at√© ao fim, – prosseguir at√© ao fim na descoberta do que, para ele, era ¬ęcoisa assente¬Ľ a esse respeito. Encontram-se por vezes certas solu√ß√Ķes de problemas que alimentam precisamente a nossa grande f√©; talvez de ora em diante lhes chamemos as nossas ¬ęconvic√ß√Ķes¬Ľ.

Mais tarde – s√≥ se ver√°, nessas convic√ß√Ķes, pegadas que conduzem ao autoconhecimento, indicadores que conduzem ao problema que n√≥s somos, – ou mais exactamente, √† grande estupidez que somos, ao nosso fatum espiritual, ao incorrig√≠vel, que se encontra totalmente ¬ęl√° no fundo¬Ľ. – Depois dessa atitude simp√°tica que acabo de assumir em rela√ß√£o a mim pr√≥prio, talvez me seja mais facilmente permitido dizer francamente algumas verdades sobre ¬ęa mulher em si¬Ľ: uma vez que agora j√° se sabe de antem√£o que s√£o apenas –

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O Poeta

Este grave ofício de poeta
que exerço enquanto o tempo vai
dando mais terra à minha sombra,
n√£o o aprendi com meu pai.

Este meu alibi de cantar
para ausentar-me do que sou,
de minha m√£e n√£o o herdou
o filho rebelde e sem lar.

Este ritmo que celebrei
no contraponto com a viola,
jamais o aprendi na escola
e a mim mesmo o ensinei.

Sou o inventor do que sou
e, embora neto de avós,
tenho de próprio a minha voz,
b√ļssola do Norte aonde vou.

Entre ícaro e Prometeu
viajo e tenho o céu e o chão.
Comando as pedras de Anfi√£o.
Faço a segunda voz de Orfeu.

E nem me pergunteis se gosto
de ocupação menos errática:
meu verso é a minha vida prática,
sal√°rio e suor do meu rosto.

Deixai-me só com minhas lavras,
e com Hamlet, meu porta-voz,
e esta verdade entre nós:
palavras palavras palavras.

A Repulsa do Poder pelo Homem de Letras

A repulsa dos poderes constitu√≠dos pelo homem de letras e pelo homem de pensamento (pois tanto a express√£o racionalista do fil√≥sofo e do soci√≥logo como a apreens√£o intuitiva do real a que procede o ficcionista surgem como amea√ßa aos sistemas de imposi√ß√£o de ideias ou de coerciva persuas√£o), esse afastamento do intelectual inconformista, transformado assim, com raras excep√ß√Ķes (que nalguns casos j√° beiram o limite da assimila√ß√£o) em outsider, representa uma destrui√ß√£o de valores culturais, que se traduz n√£o poucas vezes em atraso de gera√ß√Ķes.

Evidentemente, tal relegamento do escritor para zonas de sombra acicata-o por vezes, levando-o a produ√ß√Ķes vertebradas, que s√£o aut√™nticos gritos da intelig√™ncia rebelde e onde n√£o raro se derrama o melhor da capacidade imaginativa, tensa e exasperada, de per√≠odos em que se obscurece a comunica√ß√£o normal entre os homens e em que a ac√ß√£o do livro, reduzida embora em extens√£o, ganha uma acutilante qualidade cr√≠tica e concentra a dignidade de minorias advertidas culturalmente e firmes no seu esp√≠rito de resist√™ncia. Mas o saldo n√£o deixa de ser negativo quando se considera n√£o j√° tudo aquilo que o escritor suporta e sofre, mas – e sobretudo – o muito que a camada dos leitores perde pela falta de conv√≠vio efectivo com aqueles que s√£o n√£o,

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A Outra Face da Inveja

Aqueles que são invejados entristecem-se com o rancor que sentem à sua volta; se são orgulhosos, por receio de algum prejuízo; se generosos, por compaixão dos que invejam. Mas depressa se alegram: se me invejam, isso quer dizer que tenho um valor, dos méritos, das graças; quer dizer que sentem e reconhecem a minha grandeza, o meu triunfo. A inveja é a sombra obrigatória do génio e da glória, e os invejosos não passam, de forma odiosa, de admiradores rebeldes e testemunhas involuntárias. Não custa muito perdoar-lhes, quando existe o direito de me comprazer e desprezá-los. Posso mesmo estar-lhes, com frequência, gratos pelo facto de o veneno da inveja ser, para os indolentes, um vinho generoso que confere novo vigor para novas obras e novas conquistas. A melhor vingança contra aqueles que me pretendem rebaixar consiste em ensaiar um voo para um cume mais elevado. E talvez não subisse tanto sem o impulso de quem me queria por terra.
O indivíduo verdadeiramente sagaz faz mais: serve-se da própria difamação para retocar melhor o seu retrato e suprimir as sombras que lhe afectam a luz. O invejoso torna-se, sem querer, o colaborador da sua perfeição.

A lealdade é representar; você foi educado para isso. O amor é rebelde; toda a sua beleza reside na sua rebeldia.

A Verdadeira Coragem Humana

Se est√°s disposto a nunca usar da viol√™ncia, e sempre resistindo, torna-te forte de corpo e de alma; √© a mais dif√≠cil de todas as atitudes; exige a constante vigil√Ęncia de todos os movimentos do esp√≠rito, o dom√≠nio completo de todos os impulsos dos nervos e dos m√ļsculos rebeldes; a agress√£o √© f√°cil contra o medo e tamb√©m a primeira solu√ß√£o; para que, em todos os instantes, a possas p√īr de lado e substitu√≠-la pela tranquila recusa, n√£o te deves fiar nos improvisos; a armadura de que te revestes nos momentos de crise √© forjada dia a dia e antes deles; faz-se de medita√ß√£o e de gin√°stica, de pensamento definido e preciso e de perfeitos comandos; quando menos se prev√™ surge o instante da decis√£o; r√°pida e firme, sem emo√ß√Ķes ou sufocando-as, tem que trabalhar a m√°quina formada.
Que trabalhar, sobretudo, humanamente; a visão do autómato é a pior de todas para os amigos do espírito; não serão teus elementos nem a secura, nem a estóica dureza, nem o ar superior, nem as cortantes palavras; requere-se no inabalável a humanidade, o sorriso afectuoso, a íntima bondade, a desportiva calma, amiga do adversário, de quem joga um bom jogo; sozinho guardarás as lutas interiores que tens de suportar,

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