Cita√ß√Ķes sobre Santidade

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A Invenção da Resposta

a invenção da resposta

outrora
em riste
o passo mítico espantoso condensava
da santidade
o insurrecto pudor
o gelo do rubor
a pressa cerrada

agora
em triste
vacuidade
o desafio que expande
cede
degola
o desgarrado nexo do rasgo

A santidade está ligada ao sentido verdadeiro de liberdade, é o desprendimento total das coisas terrenas. Agora, se está preso pelo dinheiro, por uma paixão, pelo desejo de uma mulher, por isto, por aquilo, anda sempre agarrado a esta porcaria que é o campo terreno.

Depravação e Génio

Uma vez que a maior parte das pessoas encara a santidade como qualquer coisa insulsa e conforme a uma pureza legal, é provável que a depravação represente uma maneira do génio dos sentidos, quer dizer, de desvio até ao extremo de uma vertente descida em liberdade e exterior às regras. Disto resulta que o génio, tal como é aceite, ou antes, tal como é tolerado, constitua uma depravação espiritual análoga a uma depravação dos sentidos. Muitas vezes uma arrasta a outra, e é raro um génio das letras, da escultura ou da pintura não se denunciar e, mesmo que lá não meta a sua carne, fazer prova de uma liberdade de ver, sentir e admirar que ultrapassa os limites consentidos.
(…) Acontece que nos interrogamos com estupefac√ß√£o sobre as in√ļmeras deprava√ß√Ķes de bairro lim√≠trofe que a pol√≠cia e os hospitais testemunham. S√≥ poderemos ver nelas o meandro onde os med√≠ocres se perdem quando decidem deixar-se arrastar e sair das regras que lhes foram destinadas.
Traduzam-se estas deprava√ß√Ķes noutra l√≠ngua, d√™-se-lhes eleva√ß√£o, transcend√™ncia, sejam elas revestidas de intelig√™ncia, e obter-se-√† uma imagem em ponto pequeno das altas deprava√ß√Ķes que as obras-primas da arte nos valem.
Tal como Picasso apanha o que encontra no lixo e o eleva à dignidade de servir,

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Porque na pobreza de corpo e espírito eu toco na santidade, eu que quero sentir o sopro do meu além. Para ser mais do que eu, pois tão pouco sou.

GRITO

De ti que inventaste
a paz
a ternura
e a paix√£o
o beijo
o beijo fundo intenso e louco
e deixaste l√° para tr√°s
a c√īncava do medo
à hora entre cão e lobo
à hora entre lobo e cão.

De ti que em cada ano
cada dia cada mês
n√£o paraste de acender
uma e outra vez
a flor eléctrica
do mais desvairado
coração.

De ti que fugiste à estepe
e obrigaste
à ordem dos caminhos
o pastor
a cabra e o boi
e do fundo do tempo
me chamaste teu irm√£o.

De ti que ergueste a casa
sobre estacas
e pariste
deuses e linguagens
guerras
e paisagens sem alento.

De ti que domaste
o cavalo e os neutr√Ķes
e conquistaste
o lírico tropel
das √°guas e do vento.

De ti que traçaste
a régua e esquadro
uma abóboda inquieta
semeada de nuvens e trit√Ķes
santidades e tormentos.

De ti que levaste
a volupta da ambição
a trepar erecta
contra as leis do firmamento.

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O Monge Maldito

Os devotos painéis dos antigos conventos,
Reproduzindo a santa imagem da Verdade,
Davam certo conforto aos sóbrios monumentos,
Tornavam menos fria aquela austeridade.

Olhos fitos em Deus, nos santos mandamentos,
Mais de um monge alcançou palma de santidade,
A’ Morte consagrando obras e pensamentos
Numa vida de paz, de labor, de humildade.

Minh’alma √© um coval onde, monge maldito,
Desde que existe o mundo, aborrecido, habito,
Sem ter um s√≥ painel que possa contemplar…

‚ÄĒ O’ monge mandri√£o! se quer’s viver, contente,
uma vida de paz, n√£o seja indolente;
Caleja-me essas m√£os, trabalha! vai cavar!

Tradução de Delfim Guimarães

Hino à Beleza

Onde quer que o fulgor da tua glória apareça,
‚ÄĒ Obra de g√©nio, flor de hero√≠smo ou santidade, ‚ÄĒ
Da Gioconda imortal na radiosa cabeça,
Num acto de grandeza augusta ou de bondade,

‚ÄĒ Como um pag√£o subindo √† Acr√≥pole sagrada,
Vou de joelhos render-te o meu culto piedoso,
Ou seja o Herói que leva uma aurora na Espada,
Ou o Santo beijando as chagas do Leproso.

Essa luz sem igual com que sempre iluminas
Tudo o que existe em nós de grande e puro, veio
Do mesmo foco em mil par√°bolas divinas:
‚ÄĒ Raios do mesmo olhar, √Ęnsias do mesmo seio.

Alta revelação que, baixando em segredo,
O prisma humano quebra em √Ęngulos dispersos,
Como a √°gua a cair de rochedo em rochedo
Repete o mesmo som, mas em modos diversos.

√Č aud√°cia no Her√≥i; resigna√ß√£o no Santo;
Som e Cor, ondulando em formas imortais;
No m√°rmore rebelde abre em folhas de acanto,
E esmalta de candura a flora dos vitrais.

√ď Beleza! √ď Beleza! as Horas fugitivas
Passam diante de ti, aladas como sonhos…

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O Que Eu Sou

Nocturna e dubia luz
Meu s√™r esbo√ßa e tudo quanto existe…
Sou, num alto de monte, negra cruz,
Onde bate o luar em noite triste…

Sou o espirito triste que murmura
Neste silencio l√ļgubre das Cousas…
Eu é que sou o Espectro, a Sombra escura
De falecidas formas mentirosas.

E tu, Sombra infantil do meu Am√īr,
√Čs o S√™r vivo, o S√™r Espiritual,
A Presen√ßa radiosa…
Eu sou a D√īr,
Sou a tragica Ausencia glacial…

Pois tu vives, em mim, a vida nova,
E eu j√° n√£o vivo em ti…
Mas quem morreu?
F√īste tu que baixaste √° fria cova?
Oh, n√£o! Fui eu! Fui eu!

Horrivel cataclismo e negra sorte!
Tu f√īste um mundo ideal que se desfez
E onde sonhei viver apoz a morte!
Vendo teus lindos olhos, quanta vez,
Dizia para mim: eis o logar
Da minha espiritual, futura imagem…
E viverei √° luz daquele olhar,
Divino sol de mistica Paisagem.

Era minha ambição primordial
Legar-lhe a minha imagem de saudade;
Mas um vento cruel de temporal,

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A Educação da Fé

Sendo a f√© um dom, como pode ser motivo de educa√ß√£o? N√£o pode realmente ser ensinada, mas sim irradiada. Os que a possuem podem significar a estrela-guia, a perseveran√ßa num encontro dif√≠cil de suceder, mas cuja esperan√ßa comove todo o nosso ser. √Č poss√≠vel que a Igreja se volte para esse apostolado da f√© que foi extremamente importante no seu come√ßo. N√£o o velho sistema de grupos sect√°rios que s√£o o modelo dos processos pol√≠ticos e que, quando se afirma um movimento e este toma amplitude, se eliminam. N√£o √© isso. Trata-se de focos de comunica√ß√£o que dispensam a organiza√ß√£o premeditada e at√© a linguagem elaborada, o discurso piedoso e a erudi√ß√£o duma exegese. Um interessar a alma na f√© sem recorrer ao preconceito da santidade. Descobrir a imensa novidade da f√© num mundo em que o pr√≥prio crist√£o vive de maneira pag√£ e singularmente a coberto dos antigos textos que esqueceu ou que desconhece completamente.

A prova de que o cristão vive como um bárbaro é o sentido que tomou a arte religiosa. Não é raro encontrar nas salas de convívio burguesas, juntamente com a televisão, ou a mesa de jogo, ou a instalação estereofónica para o gira-disco,

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Hábito e Inércia

Ao princípio, somos carne animada pela alma; a meio caminho, meias máquinas; perto do fim, autómatos rígidos e gelados como cadáveres. Quando a morte chega, encontramo-nos em tudo semelhantes aos mortos. Esta petrificação progressiva é obra do hábito.
O hábito torna-nos cegos às maravilhas do mundo Рindiferentes e inconscientes perante os milagres quotidianos -, embota a força dos sentidos e dos sentimentos Рtorna-nos escravos dos costumes, mesmo tristes e culpados: suprime a vista, espanto, fogo e liberdade. Escravos, frígidos, insensatos, cegos: tudo propriedade dos cadáveres. A subjugação aos hábitos é uma subjugação da morte; um suicídio gradual do espírito.
O h√°bito suprime as cores, incrusta, esconde: partes da nossa vida afundam-se gradualmente na inconsci√™ncia e deixam de ser vida para se tornarem pe√ßas de um mecanismo imprevisto. O c√≠rculo do espont√Ęneo reduz-se; a liberdade e novidade decaem na monotonia do vulgar.
√Č como se o sangue se tornasse, a pouco e pouco, s√≥lido como os ossos e a alma um sistema de correias e rodas. A mat√©ria n√£o passa de esp√≠rito petrificado pelos h√°bitos. Nasce-se esp√≠rito e mat√©ria e termina-se apenas como mat√©ria. A casca converteu em madeira a pr√≥pria linfa.
A casca é necessária para proteger o albume,

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A Idade do Divórcio

Devia haver uma idade para o div√≥rcio como h√° para o casamento. As desilus√Ķes dom√©sticas t√™m o seu tempo para se transformarem em cicatrizes que v√£o desaparecendo com o passar dos anos. Por isso √© que nos velhos casais h√° uma recorda√ß√£o da vida em comum que se assemelha √† santidade. Contam perip√©cias leves e d√£o ao passado um colorido quase caricato pela for√ßa do distanciamento em que se encontram. A verdade √© que sofreram os mesmos desenganos e turbul√™ncias que os jovens arrumam e p√Ķem de lado sem dar tempo a transformarem-nos em recalques.

O Supremo Instinto do Asseio

O que separa mais profundamente duas pessoas √© um sentido e grau diferentes de asseio. Para que serve toda a honestidade e utilidade m√ļtua, para que serve toda a boa vontade de uns para os outros: por fim √© sempre o mesmo ‚Äď ‚Äúeles n√£o se podem cheirar!‚ÄĚ O supremo instinto do asseio coloca quem o tiver na solid√£o mais estranha e perigosa, como um santo: pois isso precisamente √© santidade ‚Äď a suprema espiritualiza√ß√£o desse instinto. Qualquer saber comum de uma indescrit√≠vel felicidade do banho, qualquer ardor e sede que impelem a alma constantemente da noite para a manh√£ e do turvo, da ¬ętribula√ß√£o¬Ľ para o claro, resplandecente, profundo, subtil: – do mesmo modo que tal tend√™ncia distingue ‚Äď pois √© uma tend√™ncia aristocr√°tica -, tamb√©m separa. A compaix√£o do santo √© a compaix√£o com a sujidade do humano, demasiadamente humano. E h√° graus e alturas em que a pr√≥pria compaix√£o √© sentida, por ele, como contamina√ß√£o, como sujidade…

O Machismo Portugu√™s e as Trai√ß√Ķes Amorosas

Na g√≠ria portuguesa, os palitos s√£o a vers√£o econ√≥mica, e mais moderna, dos cornos. Os cornos, √† semelhan√ßa do que aconteceu com os autom√≥veis e os computadores, tornaram-se demasiado volumosos e pesados para as exig√™ncias do homem de hoje. Da√≠ a crescente popularidade dos mais port√°teis e menos onerosos palitos. Contudo, visto que se vive presentemente um per√≠odo de transi√ß√£o, em que os novos palitos ainda se v√™em lado a lado com os tradicionais cornos, continuam a existir algumas sobreposi√ß√Ķes. Uma delas, herdada do antigamente, deve-se ao facto dos palitos n√£o se saldarem numa diminui√ß√£o proporcional de sofrimento. Ou seja, n√£o d√£o uma mera dor de palito ‚ÄĒ d√£o √† mesma, incontrovertivelmente, dor de corno. N√£o √© mais carinhoso, por isso, p√īr os ¬ępalitos¬Ľ a algu√©m ‚ÄĒ continua a ser exactamente o mesmo que p√īr os outros.

Tudo isto vem a prop√≥sito da forma at√≠pica, entre os povos latinos, que assume o machismo portugu√™s. N√£o se trata do machismo triunfalmente dominador, g√©nero ¬ęAqui quem manda sou eu!¬Ľ, do brutamontes que n√£o d√° satisfa√ß√Ķes √† mulher. N√£o ‚ÄĒ o machismo portugu√™s, imortalizado pelo fado ¬ęN√£o venhas tarde¬Ľ, √© um machismo apolog√©tico, todo ¬ędesculpa l√° √≥ Mafalda¬Ľ, que alcan√ßa os seus objectivos de uma maneira mais eficaz.

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Soneto Ditado Na Agonia

J√° Bocage n√£o sou!… √Ä cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento…
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura;

Conheço agora já quão vã figura,
Em prosa e verso fez meu louco intento:
Musa!… Tivera algum merecimento
Se um raio da raz√£o seguisse pura.

Eu me arrependo; a língua quasi fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atr√°s do som fant√°stico corria:

Outro Aretino fui… a santidade
Manchei!… Oh! Se me creste, gente √≠mpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!.

Civilização e Religião Condicionam-se Uma à Outra

Quando a civiliza√ß√£o formulou o mandamento de que o homem n√£o deve matar o pr√≥ximo a quem odeia, que se acha no seu caminho ou cuja propriedade cobi√ßa, isso foi claramente efetuado no interesse comunal do homem, que, de outro modo, n√£o seria pratic√°vel, pois o assassino atrairia para si a vingan√ßa dos parentes do morto e a inveja de outros, que, dentro de si mesmos, se sentem t√£o inclinados quanto ele a tais actos de viol√™ncia. Assim, n√£o desfrutaria da sua vingan√ßa ou do seu roubo por muito tempo, mas teria toda a possibilidade de ele pr√≥prio em breve ser morto. Mesmo que se protegesse contra os seus inimigos isolados atrav√©s de uma for√ßa ou cautela extraordin√°rias, estaria fadado a sucumbir a uma combina√ß√£o de homens mais fracos. Se uma combina√ß√£o desse tipo n√£o se efectuasse, o homic√≠dio continuaria a ser praticado de modo infind√°vel e o resultado final seria que os homens se exterminariam mutuamente. Chegar√≠amos, entre os indiv√≠duos, ao mesmo estado de coisas que ainda persiste entre fam√≠lias na C√≥rsega, embora, em outros lugares, apenas entre na√ß√Ķes. A inseguran√ßa da vida, que constitui um perigo igual para todos, une hoje os homens numa sociedade que pro√≠be ao indiv√≠duo matar,

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N√£o basta ser santo: √© necess√°ria a santidade que o momento presente exige, uma santidade nova, tamb√©m ela sem precedentes… O mundo precisa de Santos que tenham genialidade, como uma cidade onde grassa a peste tem necessidade de m√©dicos.

Personalidades Potenciais

Trazemos connosco personalidades potenciais que acontecimentos ou acidentes podem potencializar. Assim, a Revolu√ß√£o fez surgir o g√©nio pol√≠tico ou militar nos jovens destinados a uma carreira med√≠ocre numa √©poca normal; a guerra provoca o advento de her√≥is e de carrascos; a ditadura totalit√°ria transformou seres p√°lidos em monstros. O exerc√≠cio incontrolado do poder pode ¬ętornar o s√°bio louco¬Ľ (Alain) mas pode tornar s√°bio o louco, e dar g√©nio ao med√≠ocre, como no caso de Hitler e Estaline. E tamb√©m as possibilidades de g√©nio ou de dem√™ncia, de crueldade ou de bondade, de santidade ou de monstruosidade, virtuais em todos os seres, podem desenvolver-se em circunst√Ęncias excepcionais.
Inversamente, estas possibilidades nunca chegar√£o √† luz do dia na chamada vida normal: nos nossos dias, C√©sar seria funcion√°rio da CEE, Alexandre teria escrito uma vida de Arist√≥teles para uma colec√ß√£o de divulga√ß√£o, Robespierre seria adjunto de Pierre Mauroy na C√Ęmara de Arras, e Bonaparte seria do s√©quito de Pascua.