Cita√ß√Ķes sobre Viagens

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Frases sobre viagens, poemas sobre viagens e outras cita√ß√Ķes sobre viagens para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Trova do Vento que Passa

Para António Portugal

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios n√£o me sossegam
levam sonhos deixam m√°goas.

Levam sonhos deixam m√°goas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no ch√£o.
Silêncio Рé tudo o que tem
quem vive na servid√£o.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento n√£o me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha p√°tria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi meu poema na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

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A Actividade é Indispensável ao Homem

Desenvolver uma actividade, dedicar-se a algo ou simplesmente estudar são coisas necessárias à felicidade do ser humano. Ele deseja activar as suas forças e, de alguma maneira, sentir o êxito dessa actividade. (Talvez porque isso lhe seja uma garantia de que as suas necessidades podem ser supridas pelas suas próprias forças). Por esse motivo, durante as longas viagens de recreação, de quando em quando o homem se sente muito infeliz.
Esfor√ßar-se e lutar com resist√™ncia constitui a necessidade mais essencial da natureza humana: a pausa, que seria plenamente auto-suficiente no prazer tranquilo, √© imposs√≠vel para o homem: superar obst√°culos representa o prazer mais completo da sua exist√™ncia; para ele, n√£o h√° nada melhor. Esses obst√°culos podem ser de natureza material, como no caso de agir e operar, ou de natureza espiritual, como no caso de estudar e pesquisar: a luta contra eles e a vit√≥ria sobre eles constituem o prazer supremo da exist√™ncia humana. Se lhe falta a oportunidade para tal realiza√ß√£o, o homem cria-a como pode: inconscientemente a sua natureza o impele ou a procurar conflitos, ou a tramar intrigas, ou ainda a cometer vigarices e outras maldades de acordo com as circunst√Ęncias.

O casamento é como uma longa viagem em um pequeno barco a remo: se um passageiro começar a balançar o barco, o outro terá que estabilizá-lo; caso contrário, os dois afundarão juntos.

O Albatroz

Às vezes no alto mar, distrai-se a marinhagem
Na caça do albatroz, ave enorme e voraz,
Que segue pelo azul a embarcação em viagem,
Num v√īo triunfal, numa carreira audaz.

Mas quando o albatroz se vê preso, estendido
Nas t√°buas do conv√©s, ‚ÄĒ pobre rei destronado!
Que pena que ele faz, humilde e constrangido,
As asas imperiais caídas para o lado!

Dominador do espaço, eis perdido o seu nimbo!
Era grande e gentil, ei-lo o grotesco verme!…
Chega-lhe um ao bico o fogo do cachimbo,
Mutila um outro a pata ao voador inerme.

O Poeta é semelhante a essa águia marinha
Que desdenha da seta, e afronta os vendavais;
Exilado na terra, entre a plebe escarninha,
N√£o o deixam andar as asas colossais!

Tradução de Delfim Guimarães

A Tua Import√Ęncia na Tua Vida

√Č fundamental reconheceres a tua import√Ęncia na tua vida. Por algum motivo nasceste, aprendeste a respirar e tiveste direito a um nome, nome esse que, em conjunto com as tuas caracter√≠sticas, te identificar√° eternamente como um ser individual, √ļnico e livre. Haver√° algo mais especial e precioso que isso? Estou em crer que n√£o; ainda assim, encontro muitas pessoas a quererem ser outras e outras ainda a querer acabar com elas pr√≥prias na esperan√ßa de, imediatamente, poderem vir a ser outro algu√©m. √Č o teu caso? Se for deve ser uma chatice, mas, tamb√©m, se n√£o te d√°s qualquer import√Ęncia, que import√Ęncia te darei eu? J√° calculaste o perigo em que incorres por pensar desta maneira? Em menos de nada, estar√°s sozinho ou rodeado de gente como tu, ausente e que meteu f√©rias no inferno para sempre. Bom, mas alegrem-se os cora√ß√Ķes porque acredito que n√£o lerias estas linhas iniciais se nada estivesse a borbulhar a√≠ dentro, se n√£o existisse, pelo menos, uma fugaz esperan√ßa e uma enorme vontade de mudar. Est√° atento, o passado s√≥ influencia o presente se mantiveres o mesmo comportamento, por isso liberta-te dessa dor por uns instantes e l√™ em voz alta a pr√≥xima frase tantas vezes quantas achares necess√°rio.

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Metade da Vida é uma Perdulária Expectativa

Vou fazendo horas – metade da vida √© uma perdul√°ria expectativa. E tonta. E ansiosa. E in√ļtil. Como quem se sentou numa gare de caminho-de-ferro, √† espera de um comboio que n√£o se sabe quando passar√° e qual o seu destino. Certeza, e relativa, est√° apenas no local de espera. E √†s vezes na pr√≥pria espera. Se chegamos a concretizar a viagem, o lugar aonde o comboio nos levou, desilude-nos. Isso, por√©m, n√£o impede que tudo venha a repetir-se. Desperdi√ßa-se o instante real e concreto, mas que, como areia, se nos escapa das m√£os, em favor de uma ilus√≥ria vez seguinte.

L√†-bas, Je Ne Sais O√Ļ…

V√©spera de viagem, campainha…
N√£o me sobreavisem estridentemente!
Quero gozar o repouso da gare da alma que tenho
Antes de ver avançar para mim a chegada de ferro
Do comboio definitivo,
Antes de sentir a partida verdadeira nas goelas do est√īmago,
Antes de p√īr no estribo um p√©
Que nunca aprendeu a não ter emoção sempre que teve que partir.
Quero, neste momento, fumando no apeadeiro de hoje,
Estar ainda um bocado agarrado à velha vida.
Vida in√ļtil, que era melhor deixar, que √© uma cela?
Que importa?
Todo o Universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela.

Sabe-me a n√°usea pr√≥xima o cigarro. O comboio j√° partiu da outra esta√ß√£o…
Adeus, adeus, adeus, toda a gente que n√£o veio despedir-se de mim,
Minha fam√≠lia abstrata e imposs√≠vel…
Adeus dia de hoje, adeus apeadeiro de hoje, adeus vida, adeus vida!
Ficar como um volume rotulado esquecido,
Ao canto do resguardo de passageiros do outro lado da linha.
Ser encontrado pelo guarda casual depois da partida ‚ÄĒ
“E esta? Ent√£o n√£o houve um tipo que deixou isto aqui?”

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Sopra o Sonho

Sopra o sonho por dentro
Das p√°lpebras em viagem
Enceta o curso habitual nocturno
Num corredor sombrio de pestanas

Antes porém cumprimenta
Toda a matéria viva em que tropeça
Sabe o segredo do corpo tem uma p√°tria
Bioquímica extremamente embrionária

A morte j√° habita os seus tecidos
Quando os outros de guarda se abastecem
Pronta ao assalto das células
Como se dormisse

A que fins se destina e a que estranhos
bul√≠cios suas √ļltimas vontades?

N√£o o sabemos

Só mesmo o oceano o incomoda

A Floresta

Em v√£o com o mundo da floresta privas!…
РTodas as hermenêuticas sondagens,
Ante o hieróglifo e o enigma das folhagens,
S√£o absolutamente negativas!

Araucárias, traçando arcos de ogivas,
Bracejamentos de √°lamos selvagens,
Como um convite para estranhas viagens,
Tornam todas as almas pensativas!

Há uma força vencida nesse mundo!
Todo o organismo florestal profundo
√Č dor viva, trancada num disfarce…

Vivem só, nele, os elementos broncos,
– As ambi√ß√Ķes que se fizeram troncos,
Porque nunca puderam realizar-se!

Conquistar o primeiro amor √© como a viagem do primeiro homem √† lua: uma conquista √ļnica, uma emo√ß√£o que guardamos para o resto da vida!

Para ter um gosto pr√≥prio e julgar com alguma finura das coisas de arte √© necess√°ria uma prepara√ß√£o, uma cultura adequada. E onde tem o homem de trabalho, no nosso tempo, vagares para esse complicada educa√ß√£o, que exige viagens, mil leituras, a longa frequenta√ß√£o dos museus, todo um afinamento particular do esp√≠rito? Os pr√≥prios ociosos n√£o t√™m tempo ‚Äď porque, como se sabe, n√£o h√° profiss√£o mais absorvente do que a vadiagem. Os interesses, os neg√≥cios, a loja, a reparti√ß√£o, a fam√≠lia, a profiss√£o liberal, os prazeres n√£o deixam um momento para as exig√™ncias de uma inicia√ß√£o art√≠stica.

Tango do Vi√ļvo

Tive dificuldades na minha vida privada. A doce Josie Bliss foi-se convencendo e apaixonando at√© adoecer de ci√ļmes. Se n√£o fosse isso, talvez tivesse continuado indefinidamente ao lado dela. Enterneciam-me os seus p√©s nus, as brancas flores que lhe brilhavam na cabeleira negra. Mas o seu temperamento levava-a at√© paroxismos selvagens. Tinha ci√ļmes e avers√£o √†s cartas que me chegavam de longe; escondia-me os telegramas sem os abrir, olhava com rancor o ar que eu respirava.

Por vezes acordava-me uma luz, um fantasma que se movia por detr√°s da rede do mosquiteiro. Era ela, vestida de branco, brandindo o seu longo e afiado punhal ind√≠gena. Era ela, rondando-me a cama horas inteiras sem se decidir a matar-me. ¬ęQuando morreres, acabar√£o os meus receios¬Ľ, dizia-me. No dia seguinte realizava misteriosos ritos para garantir a minha fidelidade.

Acabaria por me matar. Por sorte, recebi uma mensagem oficial participando-me que fora transferido para Ceilão. Preparei a minha viagem em segredo e um dia, abandonando a minha roupa e os meus livros, saí de casa como de costume e entrei no barco que me levaria para longe.

Deixava Josie Bliss, espécie de pantera birmanesa, na maior dor. Mal o barco começou a mover-se sobre as ondas do golfo de Bengala,

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Quando o personagem Arnolfo retorna de uma viagem, bate à porta e nenhum de seus criados, Alain e Georgette, vão abrir-lhe a porta:

As paix√Ķes s√£o como ventanias que sopram as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem faz√™-los naufragar, mas se n√£o fossem elas, n√£o haveriam viagens, nem aventuras, nem novas descobertas.

Tenho medo que os meus filhos nunca cheguem a entender aquilo que lhes conto quando ficamos em silêncio, quando o tempo passa e estamos juntos, no mesmo lugar, eu a conduzir em viagens longas com horizonte e eles, ao meu lado, a olharem pela janela, ou quando é fim da tarde, também com horizonte, em silêncio.

O uso das viagens serve para regular a imaginação através da realidade, e assim ao invés de imaginar como as coisas talvez sejam, você vê como elas realmente são.

Fim do Dia

Aquieta-se o silêncio na folhagem,
que em √°rvores teceu amor antigo;
sobressalto transposto da viagem
que o dia rumoroso fez consigo.

O coração, que é sombra na paisagem,
dá às palavras vãs outro sentido;
e √© murm√ļrio desfeito na aragem,
que do entardecer recolhe abrigo.

Ares assim se fazem de uma luz
que torna como baço o sol poente;
e o coração à estrema se reduz,
como o dia se volve mais ausente.

Recolhem-se as palavras no vagar
que dia nem fulgor nos podem dar.

Alimentar o Ego

Para quem faz do sonho a vida, e da cultura em estufa das suas sensa√ß√Ķes uma religi√£o e uma pol√≠tica, para esse primeiro passo, o que acusa na alma que ele deu o primeiro passo, √© o sentir as coisas m√≠nimas extraordin√°ria ‚ÄĒ e desmedidamente. Este √© o primeiro passo, e o passo simplesmente primeiro n√£o √© mais do que isto. Saber p√īr no saborear duma ch√°vena de ch√° a vol√ļpia extrema que o homem normal s√≥ pode encontrar nas grandes alegrias que v√™m da ambi√ß√£o subitamente satisfeita toda ou das saudades de repente desaparecidas, ou ent√£o nos actos finais e carnais do amor; poder encontrar na vis√£o dum poente ou na contempla√ß√£o dum detalhe decorativo aquela exaspera√ß√£o de senti-los que geralmente s√≥ pode dar, n√£o o que se v√™ ou o que se ouve, mas o que se cheira ou se gosta ‚ÄĒ essa proximidade do objecto da sensa√ß√£o que s√≥ as sensa√ß√Ķes carnais ‚ÄĒ o tacto, o gosto, o olfacto – esculpem de encontro √† consci√™ncia; poder tornar a vis√£o interior, o ouvido do sonho ‚ÄĒ todos os sentidos supostos e do suposto ‚ÄĒ recebedores e tang√≠veis como sentidos virados para o externo: escolho estas, e as an√°logas suponham-se,

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