Cita√ß√Ķes sobre Aplauso

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Frases sobre aplauso, poemas sobre aplauso e outras cita√ß√Ķes sobre aplauso para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Sabedoria e a Alegria

Vou ensinar-te agora o modo de entenderes que n√£o √©s ainda um s√°bio. O s√°bio aut√™ntico vive em plena alegria, contente, tranquilo, imperturb√°vel; vive em p√© de igualdade com os deuses. Analisa-te ent√£o a ti pr√≥prio: se nunca te sentes triste, se nenhuma esperan√ßa te aflige o √Ęnimo na expectativa do futuro, se dia e noite a tua alma se mant√©m igual a si mesma, isto √©, plena de eleva√ß√£o e contente de si pr√≥pria, ent√£o conseguiste atingir o m√°ximo bem poss√≠vel ao homem! Mas se, em toda a parte e sob todas as formas, n√£o buscas sen√£o o prazer, fica sabendo que t√£o longe est√°s da sabedoria como da alegria verdadeira. Pretendes obter a alegria, mas falhar√°s o alvo se pensas vir a alcan√ß√°-la por meio das riquezas ou das honras, pois isso ser√° o mesmo que tentar encontrar a alegria no meio da ang√ļstia; riquezas e honras, que buscas como se fossem fontes de satisfa√ß√£o e prazer, s√£o apenas motivos para futuras dores.
Toda a gente, repito, tende para um objectivo: a alegria, mas ignora o meio de conseguir uma alegria duradoura e profunda. Uns procuram-na nos banquetes, na libertinagem; outros, na satisfa√ß√£o das ambi√ß√Ķes, na multid√£o ass√≠dua dos clientes;

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A Simpatia pela Obra de Arte

Qualquer produto intelectual de valor que se pretende surta um efeito imediato, vasto e profundo, tem de conter uma secreta harmonia, uma afinidade mesmo entre o destino pessoal do autor e o destino da generalidade dos seus contempor√Ęneos. As pessoas n√£o sabem por que raz√£o atribuem fama a uma obra de arte. Longe de serem connaisseurs, julgam descobrir nela uma centena de virtudes para justificar tal apre√ßo; mas o verdadeiro motivo do seu aplauso √© imponder√°vel – √© a simpatia.

Gosto Relevante

Toda a boa capacidade é difícil de contentar. Há cultura do gosto, assim como do engenho. Relevantes ambos, são irmãos de um mesmo ventre, filhos da capacidade, herdados por igual na excelência. Engenho sublime nunca criou gosto rasteiro.
H√° perfei√ß√Ķes como s√≥is e h√° perfei√ß√Ķes como luzes. Galanteia a √°guia o sol, perde-se nele a mariposa pela luz de uma candeia e toma-se a altura a uma torrente pela eleva√ß√£o do gosto. T√™-lo bom √© j√° algo, t√™-lo relevante muito √©. Ligam-se os gostos √† comunica√ß√£o, e s√≥ por sorte se avista quem o tenha superlativo.
Têm muitos por felicidade (de empréstimo será) gozar do que lhes apetece, condenando a infelizes todos os demais; mas desforram-se estes com as mesmas linhas, assim se podendo ver uma metade do mundo rindo-se da outra, com maior ou menor necessidade.
√Č qualidade um gosto cr√≠tico, um paladar dif√≠cil de satisfazer; os mais valentes objectos temem-no e as mais seguras perfei√ß√Ķes receiam-no. √Č a avalia√ß√£o precios√≠ssima, e regate√°-la √© pr√≥prio de discretos; toda a escassez em moeda de aplauso √© fidalga e, ao contr√°rio, os desperd√≠cios de estima merecem castigo de desprezo.
A admira√ß√£o √© vulgarmente um manifesto da ignor√Ęncia;

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Venda da Alma e Venda do Corpo

N√£o s√≥ as mulheres que casam sem amor, mas apenas por conveni√™ncia; n√£o s√≥ as esposas que continuam a comer o p√£o daquele que j√° n√£o amam e enganam; n√£o s√≥ as mulheres se prostituem. √Č prostituto o escritor que coloca a pena ao servi√ßo das ideias em que n√£o cr√™; o advogado que defende causas que reconhece injustas; quem finge a ades√£o aos mitos e interesses dos poderosos para obter recompensas materiais e morais; o actor e o bobo que se exp√Ķem diante dos idiotas pagantes para arrecadar aplausos e dinheiro; o poeta que abre aos estranhos os segredos da sua alma, amores e melancolias, para obter em compensa√ß√£o um pouco de fama, de dinheiro ou de compaix√£o; e, acima de tudo, √© prostituto o pol√≠tico, o demagogo, o tribuno que todos devem acariciar, seduzir, a todos promete favores e felicidade e a todos se entrega por amor √† popularidade – justamente chamado homem p√ļblico, quase irm√£o de toda a mulher p√ļblica.
Mas quem de entre n√≥s, pelo menos um dia da sua vida, n√£o simulou um sentimento que n√£o tinha e um entusiasmo que n√£o sentia e repetiu uma opini√£o falsa para obter compensa√ß√Ķes, cumplicidades, sorrisos ou benef√≠cios?

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Os Feitos Simples s√£o os Mais Elogiados e Lembrados

Duas pátrias produziram dois heróis: de Tebas saiu Hércules; de Roma saiu Catão. Foi Hércules aplauso da orbe, foi Catão enfado de Roma. A um admiraram todos, ao outro esquivaram-se os romanos. Não admite controvérsia a vantagem que levou Catão a Hércules, pois o excedeu em prudência; mas ganhou Hércules a Catão em fama. Mais de árduo e primoroso teve o assunto de Catão, pois se empenhou em sujeitar os monstros dos costumes, e Hércules os da natureza; mas teve mais de famoso o do tebano. A diferença consistiu em que Hércules empreendeu façanhas plausíveis e Catão odiosas. A plausibilidade do cargo levou a glória de Alcides (nome anterior de Hércules) aos confins do mundo, e passará ainda além deles caso se alarguem. O desaprezível do cargo circunscreveu Catão ao interior das muralhas de Roma.
Com tudo isto, preferem alguns, e não os menos judiciosos, o assunto primoroso ao mais plausível, e pode mais com eles a admiração de poucos que o aplauso de muitos, sendo vulgares. Os milagres de ignorantes apelam aos empenhos plausíveis. O árduo, o primoroso de um superior assunto poucos o percebem, embora eminentes, sendo assim raros os que nele acreditam. A facilidade do plausível permite-se a todos,

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Tantos S√£o os Gostos Quantos os Rostos

Ou tudo √© bom, ou tudo √© mau, segundo os votos. O que este segue aquele persegue. Insofr√≠vel n√©scio √© quem quer regular todo o feito pelo seu conceito. As perfei√ß√Ķes n√£o dependem do agrado de um s√≥. Tantos s√£o os gostos quantos os rostos, e t√£o variados. N√£o h√° sen√£o sem paix√£o, nem se h√°-de perder a confian√ßa porque as coisas n√£o agradam a uns, pois n√£o faltar√£o outros que as apreciem. E que tampouco o aplauso destes lhe seja motivo de convencimento, pois outros o condenar√£o. A norma do verdadeiro contentamento consigo mesmo √© a aprova√ß√£o dos var√Ķes de reputa√ß√£o, e que t√™m direito de voto naquela ordem de coisas. N√£o se vive de uma s√≥ opini√£o, de um s√≥ uso, de um s√≥ seculo.

Sobre a Diferença dos Espíritos

Apesar de todas as qualidades do espírito se poderem encontrar num grande espírito, algumas há, no entanto, que lhe são próprias e específicas: as suas luzes não têm limites, actua sempre de igual modo e com a mesma actividade, distingue os objectos afastados como se estivessem presentes, compreende e imagina as coisas mais grandiosas, vê e conhece as mais pequenas; os seus pensamentos são elevados, extensos, justos e intelegíveis; nada escapa à sua perspicácia, que o leva sempre a descobrir a verdade, através das obscuridades que a escondem dos outros. Mas, todas estas grandes qualidades não impedem por vezes que o espírito pareça pequeno e fraco, quando o humor o domina.
Um belo esp√≠rito pensa sempre nobremente; produz com facilidade coisas claras, agrad√°veis e naturais; torna vis√≠veis os seus aspectos mais favor√°veis, e enfeita-os com os ornamentos que melhor lhes conv√™m; compreende o gosto dos outros e suprime dos seus pensamentos tudo o que √© in√ļtil ou lhe possa desagradar. Um esp√≠rito recto, f√°cil e insinuante sabe evitar e ultrapassar as dificuldades; adapta-se facilmente a tudo o que quer; sabe conhecer e acompanhar o espirito e o humor daqueles com quem priva e ao preocupar-se com os interesses dos amigos,

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O Hábito Diminui a Admiração

Renovar o fulgor Рé privilégio de Fênix: sói a excelência envelhecer, e com ela a fama; o hábito diminui a admiração, e uma novidade medíocre supera uma excelência envelhecida. Use-se, pois, renascer em valor, em engenho, em ventura, em tudo. Empenhar-se em novidades de bravura, amanhecendo muitas vezes, como o sol, variando os teatros do brilho, para que num a privação e noutro a novidade solicitem neste o aplauso, naquele a saudade.

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento de sua vida, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Aplausos passam, trof√©us empoeiram-se, ganhadores, esquecidos. As pessoas que mais significam, s√£o as que encantam. N√£o s√£o as que movem multid√Ķes, s√£o as que marcam do jeito que s√£o.

Prudência é o Saber Acomodar

Espa√ßosa esfera √© a do entendimento para discorrer por todos os objectos, e contudo tem seus intervalos em que acha comodidades o corpo: n√£o descansa este no sil√™ncio da noite, sem que aquele se esconda no mais interior da alma. Ainda o discorrer demasiado, dando voltas ao entendimento, √© arriscar a que d√™ o entendimento uma volta; e como √© arriscado o discorrer sem termo, n√£o √© o menos perigoso o luzir sem pausa. Seus intervalos h√£o-de ter os luzimentos grandes, e nem por isso deixar√£o de ser l√ļcidos intervalos, quando o saber acomodar √© para melhor luzir; por isso o Sol √© o melhor dos planetas, porque sabe acomodar suas luzes √† dureza do diamante, como √† brandura da cera; e os mesmos raios que infundem a dureza no bronze, se acomodam aos melindres de uma flor. Prud√™ncia √© o saber acomodar, para melhor luzir e viver.
Brilhar com demasiado luzimento nas ac√ß√Ķes, mais estorva os aplausos do que os granjeia; porque, na opini√£o de S√©neca, n√£o sabem os homens aplaudir sen√£o aquilo que s√≥ podem imitar. Com ser a luz do Sol o mais agrad√°vel objecto √† vista, contudo, se √© grande o excesso de seus ardores,

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A Força da Auto-Sugestão

A proclama√ß√£o do nosso m√©rito √© um exerc√≠cio excelente para aumentar e mesmo para adquirir efectivamente esse m√©rito. Um outro ap√≥logo oriental conta que a negra gralha tanto e t√£o estridulamente afirmou que era branca que terminou por embranquecer. √Č este um fen√≥meno que o fabulista antigo n√£o conhecia, mas que anda hoje em todos os comp√™ndios de fisiologia e que se chama auto-sugest√£o. Com efeito, quem sem descanso apregoe a sua virtude, a si pr√≥prio se sugestiona virtualmente e acaba por ser √†s vezes virtuoso. A exalta√ß√£o afectada da nossa for√ßa actua como um est√≠mulo permanente, que equivale realmente √† for√ßa. E quem engrandece desmedidamente o seu pequenino feito mostra que sente a nobreza de empreender altas coisas, prova o seu gosto pelos aplausos dos homens e est√° portanto j√° no caminho e com o feitio moral para praticar um feito grande.

A Guerra

Musa, pois cuidas que é sal
o fel de autores perversos,
e o mundo levas a mal,
porque leste quatro versos
de Hor√°cio e de Juvenal,

Agora os ver√°s queimar,
j√° que em v√£o os fecho e os sumo;
e leve o vol√ļvel ar,
de envolta como turvo fumo,
o teu furor de rimar.

Se tu de ferir n√£o cessas,
que serve ser bom o intento?
Mais carapuças não teças;
que importa d√°-las ao vento,
se podem achar cabeças?

Tendo as s√°tiras por boas,
do Parnaso nos dois cumes
em hora negra revoas;
tu d√°s golpes nos costumes,
e cuidam que é nas pessoas.

Deixa esquipar Inglaterra
cem naus de alterosa popa,
deixa regar sangue a terra.
Que te importa que na Europa
haja paz ou haja guerra?

Deixa que os bons e a gentalha
brigar ao Casaca v√£o,
e que, enquanto a turba ralha,
v√° recebendo o balc√£o
os despojos da batalha.

Que tens tu que ornada história
diga que peitos ferinos,

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Vida

Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os √°vidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim n√£o convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.

Moderar as Expectativas

Ordin√°rio desaire de tudo o que √© muito celebrado antes √© n√£o chegar depois ao excesso do que foi concebido. Nunca o verdadeiro p√īde alcan√ßar o imaginado, porque fingir perfei√ß√Ķes √© f√°cil; dif√≠cil √© consegui-las. Casa-se a imagi¬≠na√ß√£o com o desejo e concebe sempre muito mais do que as coisas s√£o. Por maiores que sejam as excel√™ncias, n√£o bastam para satisfazer o conceito, e, se o enganam com exorbitante expecta√ß√£o, √© mais r√°pido o desengano que a admira√ß√£o. A esperan√ßa √© grande falsificadora da verdade: que a cordura a corrija, fazendo que a frui√ß√£o seja superior ao desejo. Princ√≠pios de cr√©dito servem para despertar a curiosidade, n√£o para empenhar o obje¬≠cto. Melhor resulta quando a realidade excede o conceito e √© mais do que se acreditou. Essa regra faltar√° no que √© mau, pois ajuda-o a pr√≥pria exagera√ß√£o; desmente-a o aplauso, chegando a parecer toler√°vel o que se temeu ser ruim ao extremo.

A vida é um palco de teatro que não admite ensaios. Por isso, cante, chore, ria, antes que as cortinas se fechem e o espetáculo termine sem aplausos.

A Boa e a M√° Fama

No mundo sempre correu igual risco a boa como a m√° opini√£o, e na opini√£o de muitos, mais arriscada foi sempre a boa que a m√° fama; porque as grandes prendas s√£o muito ruidosas, e muitas vezes foi reclamo para o perigo mais certo o mais estrondoso ru√≠do. O impertinente canto de uma cigarra nunca motivou aten√ß√Ķes ao curioso ca√ßador das aves. A melodia, sim, do rouxinol, que este sempre despertou o cuidado ao ca√ßador, para lhe aparelhar o la√ßo. A primeira cousa que se esconde dos ca√ßadores com instinto natural, suposta a hist√≥ria por verdadeira, que muitos t√™m por fabulosa, √© o carb√ļnculo, aquele diamante de luz, que lhe comunicou a natureza, como quem conhece que, em seu maior luzir, est√° o seu maior perigar. O ru√≠do que faz a grande fama tamb√©m faz com que o grande seja de todos ro√≠do, quando nas asas da fama se v√™ mais sublimado. Quem em as asas da fama voa tamb√©m padece; porque n√£o h√° asas sem penas, ainda que estas sejam as plumagens, com que o benem√©rito se adorna. S√≥ aos mortos costumamos dizer se fazem honras, e ser√° porque, a n√£o acabarem as honras com a morte, a ningu√©m consentiria aplausos o mundo,

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