Cita√ß√Ķes sobre Cicatrizes

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Confiamos demasiado na nossa memória. Confiamos demasiado em papéis escritos e em cicatrizes. Se perguntar o que é o passado, sei que vou fugir da resposta. Se perguntar o que é o futuro, sei que não existe resposta.

Há coisas que melhor se dizem calando. As feridas do coração, como as do corpo, deixam cicatrizes. Nossos corpos são nossos jardins, cujos jardineiros são nossas vontades.

A Memória

A mem√≥ria √© essa claridade fict√≠cia das sobreposi√ß√Ķes que se anulam. O significado √© essa esp√©cie de mapa das interpreta√ß√Ķes que se cruzam como cicatrizes de sucessivas pancadas. Os nossos sentimentos. A intensidade do sentir √© intoler√°vel. Do sentir ao sentido do sentido ao significado: o que resta √© impacto que substitui impacto ‚ÄĒ eis a inven√ß√£o.

Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado Este vai ser o nosso segredo Uma cicatriz significa: Eu sobrevivi.

Como é que a Solidão Hei-de Ir Medindo?

Como é que a solidão hei-de ir medindo?
desse-me os golpes de uso inda esta dor
um a um sua nudez a sobrepor
que o ritmo sem nome a foi vestindo

mas sofro agora o tempo nu saindo
numa levada sem nenhum teor
gasto caudal do meu rio interior
nem chora o peito por mais gritos vindo

Quando é que é novo ano na amargura
quando volto a chegar-me à desventura
que me faz falta em ocos dias vis.

ah quando é que arde escura em cores febris
à testa do ano como a vi na altura
do agosto em chamas funda cicatriz?

Tradução de Vasco Graça Moura

A vida √© um processo fluente e em alguns lugares do caminho coisas desagrad√°veis ocorrer√£o. Podem deixar cicatrizes, mas a vida continua a fluir. √Č como a √°gua fluente, que ao estagnar-se, torna-se podre; n√£o pare! Continue bravamente, porque cada experi√™ncia nos ensina uma li√ß√£o.

Entre a Flor e o Tempo

Também de dor se morre pois é morte
o sentimento ausente. O ser feliz
é ser presente, sem que mais importe
esse profundo sulco e a cicatriz
que no corpo nos marca o sofrimento.
Assim é nossa vida, sempre o lance
de viver, mesmo em dor, e dos momentos
erguer templos, embora breve o alcance
em nós do tempo. E o que restar do ardor
com que se vive o amor enfim carrega
em rosa mais perfeita e em outro amor
sonhado da extens√£o de nossa entrega.
No impulso com que o espaço alcança o tempo
a vida se ergue além do sofrimento.

A Guerra

Musa, pois cuidas que é sal
o fel de autores perversos,
e o mundo levas a mal,
porque leste quatro versos
de Hor√°cio e de Juvenal,

Agora os ver√°s queimar,
j√° que em v√£o os fecho e os sumo;
e leve o vol√ļvel ar,
de envolta como turvo fumo,
o teu furor de rimar.

Se tu de ferir n√£o cessas,
que serve ser bom o intento?
Mais carapuças não teças;
que importa d√°-las ao vento,
se podem achar cabeças?

Tendo as s√°tiras por boas,
do Parnaso nos dois cumes
em hora negra revoas;
tu d√°s golpes nos costumes,
e cuidam que é nas pessoas.

Deixa esquipar Inglaterra
cem naus de alterosa popa,
deixa regar sangue a terra.
Que te importa que na Europa
haja paz ou haja guerra?

Deixa que os bons e a gentalha
brigar ao Casaca v√£o,
e que, enquanto a turba ralha,
v√° recebendo o balc√£o
os despojos da batalha.

Que tens tu que ornada história
diga que peitos ferinos,

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Lusíada Exilado

Nem batalhas nem paz: obscura guerra.
Dói-me um país neste país que levo.
Sou este povo que a si mesmo se desterra
meu nome são três sílabas de trevo.

H√° nevoeiro em mim. Dentro de abril dezembro.
Quem nunca fui é um grito na memória.
E h√° um naufr√°gio em mim se de quem fui me lembro
há uma história por contar na minha história.

Trago no rosto a marca do chicote.
Cicatrizes as minha condecora√ß√Ķes.
Nas minhas mãos é que é verdade D. Quixote
trago na boca um verso de Cam√Ķes.

Sou este camponês que foi ao mar
lavrou as ondas e mondou a espuma
e andou achando como a vindimar
terra plantada sobre o vento e a bruma.

Sou este marinheiro que ficou em terra
lavrando a m√°goa como se lavrar
n√£o fosse mais do que a perdida guerra
entre o n√£o ser na terra e o ser no mar.

Eu que parti e que fiquei sempre presente
eu que tudo mandava e nunca fui senhor
eu que ficando estive sempre ausente
eu que fui marinheiro sendo lavrador.

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A Idade do Divórcio

Devia haver uma idade para o div√≥rcio como h√° para o casamento. As desilus√Ķes dom√©sticas t√™m o seu tempo para se transformarem em cicatrizes que v√£o desaparecendo com o passar dos anos. Por isso √© que nos velhos casais h√° uma recorda√ß√£o da vida em comum que se assemelha √† santidade. Contam perip√©cias leves e d√£o ao passado um colorido quase caricato pela for√ßa do distanciamento em que se encontram. A verdade √© que sofreram os mesmos desenganos e turbul√™ncias que os jovens arrumam e p√Ķem de lado sem dar tempo a transformarem-nos em recalques.

Todos gostamos de mostrar as cicatrizes ganhas na batalha; mas nem tanto as feridas causadas pelo chicote.

como a √°gua meu amor

como a √°gua
meu amor
também as asas nos sacodem
no final do beijo

quantas p√°ginas faltam?

se a fronteira é a das águas quem reprime a espuma
onde começa a praia?

no meu espelho o que via
era um homem de rosto voltado
de rosto voltado
para sempre
e uma linha de ombros onde as √°guas
e os teus l√°bios de espuma meu amor
me embaciavam

também ouvi chamar a isso
entardecer
idade
inclinação do sol

mas também cicatrizes ou sulcos como preferires
essa teia onde os dias marcam os seus signos
como as √°guas no solo meu amor
até furarem

Vila Rica

O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;
Sangram, em laivos de ouro, as minas, que ambição
Na torturada entranha abriu da terra nobre:
E cada cicatriz brilha como um bras√£o.

O √Ęngelus plange ao longe em doloroso dobre,
O √ļltimo ouro de sol morre na cerra√ß√£o.
E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
O crep√ļsculo cai como uma extrema-un√ß√£o.

Agora, para além do cerro, o céu parece
Feito de um ouro anci√£o, que o tempo enegreceu…
A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,

Como uma prociss√£o espectral que se move…
Dobra o sino… Solu√ßa um verso de Dirceu…
Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.

Os Amantes

Amor, é falso o que dizes;
Teu bom rosto é contrafeito;
Busca novos infelizes
Que eu inda trago no peito
Mui frescas as cicatrizes;

O teu meu é mel azedo,
N√£o creio em teu gasalhado,
Mostras-me em v√£o rosto ledo;
J√° estou muito escaldado,
J√° d’√°guas frias hei medo.

Teus prémios são pranto e dor;
Choro os mal gastados anos
Em que servi tal senhor,
Mas tirei dos teus enganos
O sair bom pregador.

Fartei-te assaz a vontade;
Em v√£os suspiros e queixas
Me levaste a mocidade,
E nem ao menos me deixas
Os restos da curta idade?

√Čs como os c√£es esfaimados
Que, comendo os troncos quentes
Por destro negro esfolados,
Levam nos √°vidos dentes
Os ossos ensanguentados.

Bem vejo a aljava dourada
Os ombros nus adornar-te;
Amigo, muda de estrada,
P√Ķe a mira em outra parte
Que daqui n√£o tiras nada.

Busca algum fofo morgado
Que, solto j√° dos tutores,
Ao domingo penteado,
Vá dizendo à toa amores
Pelas pias encostado;

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lamento para a língua portuguesa

não és mais do que as outras, mas és nossa,
e crescemos em ti. nem se imagina
que alguma vez uma outra língua possa
p√īr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
mas é o teu país que te destroça,
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia-a-dia te assassina.
mostras por ti o que lhe vais fazer:
vai-se por c√° mingando e desistindo,
e desde ti nos deitas a perder
e fazes com que fuja o teu poder
enquanto o mundo vai de nós fugindo:
ruiu a casa que és do nosso ser
e este anda por isso desavindo
connosco, no sentir e no entender,
mas sem que a desavença nos importe
nós já falamos nem sequer fingindo
que só ruínas vamos repetindo.
talvez seja o processo ou o desnorte
que mostra como é realidade
a relação da língua com a morte,
o nó que faz com ela e que entrecorte
a corrente da vida na cidade.

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Os Deuses Reclinados

… Por todos os lados as est√°tuas de Buda, de Lorde Buda… As severas, verticais, carcomidas est√°tuas, com um dourado de resplendor animal, com uma dissolu√ß√£o como se o ar as desgastasse… Crescem-lhes nas faces, nas pregas das t√ļnicas, nos cotovelos, nos umbigos, na boca e no sorriso pequenas m√°culas: fungos, porosidades, vest√≠gios excrement√≠cios da selva… Ou ent√£o as jacentes, as imensas jacentes, as est√°tuas de quarenta metros de pedra, de granito areento, p√°lidas, estendidas entre as sussurrantes frondes, inesperadas, surgindo de qualquer canto da selva, de qualquer plataforma circundante… Adormecidas ou n√£o adormecidas, est√£o ali h√° cem anos, mil anos, mil vezes mil anos… Mas s√£o suaves, com uma conhecida ambiguidade ultraterrena, aspirando a ficar e a ir-se embora… E aquele sorriso de suav√≠ssima pedra, aquela majestade imponder√°vel, mas feita de pedra dura, perp√©tua, para quem sorriem, para quem, sobre a terra sangrenta?… Passaram as camponesas que fugiam, os homens do inc√™ndio, os guerreiros mascarados, os falsos sacerdotes, os turistas devoradores…

E manteve-se no seu lugar a est√°tua, a imensa pedra com joelhos, com pregas na t√ļnica de pedra, com o olhar perdido e n√£o obstante existente, inteiramente inumana e de alguma forma tamb√©m humana, de alguma forma ou de alguma contradi√ß√£o estatu√°ria,

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A Vaidade Deforma a Alegria e a Tristeza

As virtudes humanas muitas vezes se comp√Ķem de melancolia, e de um retiro agreste. As mais das vezes √© humor o que julgamos raz√£o; √© temperamento o que chamamos desengano; e √© enfermidade o que nos parece virtude. Tudo s√£o efeitos da tristeza; esta obriga-nos a seguir os partidos mais violentos, e mais duros; raras vezes nos faz reflectir sobre o passado, qu√°si sempre nos ocupa em considerar futuros; por isso nos infunde temor, e cobardia, na incerteza de acontecimentos felizes, ou infaustos; e verdadeiramente a alegria nos governa em forma, que seguimos como por for√ßa os movimentos dela; e do mesmo modo os da tristeza.
Um √Ęnimo alegre disfar√ßa mal o riso, um cora√ß√£o triste encobre mal o seu desgosto: como h√°-de chorar quem est√° contente? E como h√°-de rir quem est√° triste? Se alguma vez se chora donde s√≥ se deve rir, ou se ri por aquilo por que se deve chorar, a alma ent√£o penetrada de dor, ou de prazer, desmente aquele exterior fingido, e falso. S√≥ a vaidade sabe transformar o gosto em dor, e esta em prazer, a alegria em tristeza, e esta em contentamento; por isso as feridas n√£o se sentem, antes lisonjeiam,

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H√° pessoas que nos falam e nem as escutamos; H√° pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam. Mas h√° pessoas que, simplesmente, aparecem em nossa vida… E que marcam para sempre…

Aquele que tem o rosto marcado por cicatrizes ou doença não precisa se olhar no espelho para treinar o sorriso. Basta olhar para a parte mais positiva que possui. Quem tem o corpo todo coberto de marcas ou cicatrizes, deve fechar os olhos para esses defeitos, parar de pensar no seu corpo, e passar a visualizar nítida e realisticamente o resplendor de sua Imagem Verdadeira (o corpo carnal é imagem transitória e a Vida é a Imagem Verdadeira).