Passagens sobre Consequência

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Frases sobre consequ√™ncia, poemas sobre consequ√™ncia e outras passagens sobre consequ√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Alegria Pura só Existe sem a Vaidade

A mais pura alegria é aquela que gozamos no tempo da inocência; estado venturoso, em que nada distinguimos pela razão, mas pelo instinto; e em que nada considera a razão, mas sim a natureza. Então circula veloz o nosso sangue, e os humores que num mundo novo, e resumido, apenas têm tomado os seus primeiros movimentos. Os humores são os que produzem as nossas alegrias; e com efeito não há alegria sem grande movimento; por isso vemos, que a tristeza nos abate, e a alegria nos move; o sossego ainda que indique contentamento, contudo mais é representação da morte que da vida; e a tranquilidade pode dar descanso, porém alegria não a dá sempre.

Mas como pode deixar de ser pura a alegria dos primeiros anos, se ainda então a vaidade não domina em nós? Então só sentimos o bem, e o mal, que resulta da dor, ou do prazer; depois também sentimos o mal, e o bem da opinião, isto é, da vaidade; por isso muitas cousas nos alegram, que tomadas em si mesmas, não têm mais bem, que aquele com que a vaidade as considera; e outras também nos entristecem, que tomadas só por si, não têm outro mal,

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Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência.

Coerção e Autocoerção

Os casos e acontecimentos que nos dizem respeito aparecem e entrecruzam-se isoladamente, sem ordem nem rela√ß√£o uns com os outros, no mais vivo contraste e sem nada em comum, a n√£o ser justamente o facto de se relacionarem connosco. Dessa maneira, para corresponder a esses casos e acontecimentos, os nossos pensamentos e cuidados t√™m igualmente de estar desligados uns dos outros. Como consequ√™ncia, quando empreendemos algo, temos de nos abstrair de tudo o resto, para ent√£o tratar cada coisa a seu tempo, fru√≠-la e senti-la, sem demais preocupa√ß√Ķes. Precisamos ter, por assim dizer, compartimentos para os nossos pensamentos e abrir apenas um deles, enquanto os outros permanecem fechados. Desse modo, conseguimos impedir que uma preocupa√ß√£o muito grave roube cada pequeno prazer do presente, despojando-nos de toda a tranquilidade.
Conseguimos ainda fazer com que uma pondera√ß√£o n√£o reprima a outra, que a preocupa√ß√£o com um caso importante n√£o produza a neglig√™ncia de muitos de menor relev√Ęncia, e assim por diante. Mas sobretudo o homem capaz de considera√ß√Ķes elevadas e nobres nunca pode deixar o seu esp√≠rito ser totalmente possu√≠do e absorvido por casos pessoais e preocupa√ß√Ķes triviais, a ponto de impedir o acesso √†s altas considera√ß√Ķes, pois isso, de facto,

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O Império da Emoção

√Äs vezes penso: os nossos sentimentos s√£o como uma esp√©cie de esparguete em a√ßo, em que cada segmento est√° totalmente imiscu√≠do no todo mas ao mesmo tempo √© distintamente aperceb√≠vel. Outras vezes penso: n√£o, os nossos sentimentos s√£o como uma floresta de esparguete de a√ßo em que cada segmento emerge s√≥ parcialmente distinto. Na ponta de cada uma dessas varas vibra uma forma√ß√£o algo rendilhada, consequ√™ncia dos constantes tremores de cada segmento, e assim, quando algu√©m est√° sob o imp√©rio de funda emo√ß√£o, tudo nele treme e na floresta tudo vibra e essas extremidades rendilhadas formam rapid√≠ssimos desenhos, imiscuindo-se uns nos outros, e o total √© uma combina√ß√£o de vibra√ß√Ķes que se sobrep√Ķem e explicam a confus√£o que se encontra no indiv√≠duo sob o imp√©rio da emo√ß√£o.

Civilização Construída ao Acaso

A civiliza√ß√£o moderna encontra-se em m√° posi√ß√£o porque n√£o nos conv√©m. Foi constru√≠da sem conhecimento da nossa verdadeira natureza. Deve-se ao capricho das descobertas cient√≠ficas, do apetite dos homens, das suas ilus√Ķes, das suas teorias e dos seus desejos. Apesar de ter sido edificada por n√≥s, n√£o foi feita √† nossa medida.
Na verdade, √© evidente que a ci√™ncia n√£o seguiu nenhum plano. Desenvolveu-se ao acaso, com o nascimento de alguns homens de g√©nio, a forma do seu esp√≠rito e o caminho que tomou a sua curiosidade. N√£o se inspirou de modo nenhum no desejo de melhorar o estado dos seres humanos. As descobertas produziram-se ao sabor da intui√ß√£o dos cientistas e das circunst√Ęncias mais ou menos fortuitas das suas carreiras.
Se Galileu, Newton ou Lavoisier tivessem aplicado os poderes do seu espírito ao estudo do corpo e da consciência, talvez o nosso mundo fosse diferente do que é hoje. Os cientistas ignoram para onde vão. São guiados pelo acaso, por raciocínios subtis, por uma espécie de clarividência. Cada um deles é um mundo à parte, governado pelas suas próprias leis. De tempos a tempos, certas coisas, obscuras para os outros, tornam-se claras para eles. Em geral, as descobertas são feitas sem nenhuma revisão das consequências.

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Perdoar n√£o √© dif√≠cil. √Č, ali√°s, bastante f√°cil quando te amas. √Č uma consequ√™ncia normal de quereres sempre o melhor para ti e depois, sem dares conta, torna-se num h√°bito.

A Guerra que Aflige com seus Esquadr√Ķes

A guerra, que aflige com os seus esquadr√Ķes o Mundo,
√Č o tipo perfeito do erro da filosofia.

A guerra, como tudo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do Universo por nós.
Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer-alterar.

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os p√īs.

Tudo é orgulho e inconsciência.
Tudo é querer mexer-se, fazer coisas, deixar rasto.
Para o cora√ß√£o e o comandante dos esquadr√Ķes
Regressa aos bocados o universo exterior.

A química directa da Natureza
N√£o deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos.
A humanidade é um governo usurpado pelo povo.
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural!
Paz a todas as coisas pré-humanas, mesmo no homem,
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!

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A Import√Ęncia de Aprender v√°rias L√≠nguas

Pessoas com poucas capacidades n√£o conseguir√£o realmente assimilar com facilidade uma l√≠ngua estrangeira: embora aprendam as suas palavras, empregam-nas apenas no significado do equivalente aproximado da sua l√≠ngua materna e continuam a manter as constru√ß√Ķes e frases pr√≥prias desta √ļltima. Com efeito, esses indiv√≠duos n√£o conseguem assimilar o esp√≠rito da l√≠ngua estrangeira, que depende essencialmente do facto do seu pensamento n√£o se dar por meios pr√≥prios, mas, em grande parte, de ser emprestado pela l√≠ngua materna, cujas frases e locu√ß√Ķes habituais substituem os seus pr√≥prios pensamentos. Eis, portanto, a raz√£o de eles sempre se servirem, tamb√©m na pr√≥pria l√≠ngua, de express√Ķes idiom√°ticas desgastadas, combinando-as de modo t√£o in√°bil, que logo se percebe qu√£o pouco se d√£o conta do seu significado e qu√£o pouco todo o seu pensamento supera as palavras, de modo que tudo se reduz a um palrat√≥rio de papagaios. Pela raz√£o oposta, a originalidade das locu√ß√Ķes e a adequa√ß√£o individual de cada express√£o usada por algu√©m s√£o o sintoma inequivoc√°vel de um esp√≠rito preponderante.
Por conseguinte, de tudo isso resultam os seguintes factores: no aprendizado de toda a língua estrangeira, são formados novos conceitos para dar significado a novos signos; certos conceitos separam-se uns dos outros, enquanto antes constituíam juntos um conceito mais amplo e,

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Ser Devasso é Pior do que não Ter Domínio de Si

Uma vez que alguns prazeres s√£o necess√°rios e outros n√£o s√£o, e s√£o necess√°rios apenas at√© certo ponto, sem admitir excesso nem defeito, e uma vez que o mesmo se passa com os desejos e os sofrimentos necess√°rios, – devasso √© quem persegue o excesso no prazer ou prazeres excessivos, e, na verdade, quando os persegue por decis√£o pr√≥pria em vista do excesso e n√£o de qualquer outra consequ√™ncia da√≠ resultante. √Č for√ßoso que algu√©m deste g√©nero n√£o tenha nenhuma disposi√ß√£o natural para se arrepender do que faz, de tal sorte que √© incur√°vel. Pois, na verdade, quem for capaz de se arrepender pode ser curado. Quem n√£o sente falta nenhuma [destes prazeres] √© o oposto do devasso. Mas quem se encontrava na disposi√ß√£o interm√©dia √© temperado. De modo semelhante [devasso] √© tamb√©m quem foge aos sofrimentos do corpo [causados pela insatisfa√ß√£o do desejo], n√£o por lhes sucumbir, mas por uma decis√£o tomada pelo pr√≥prio.
Há também os que não chegam a tomar nenhuma decisão. Estes são obrigados a perseguir o prazer, e a procurar escapar ao sofrimento causado pelo desejo insatisfeito. Há assim diferenças entre esses dois modos de ceder ao prazer ora por uma decisão tomada ou sem decisão prévia.

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Bem Supremo e Raz√£o

Quando a experi√™ncia me ensinou que os acontecimentos ordin√°rios da vida s√£o f√ļteis e v√£os e me apercebi de que tudo que era para mim causa ou objecto de receio n√£o tem em si mesmo nada de bom ou de mau, a n√£o ser na medida da como√ß√£o que excita na alma, resolvi, finalmente, indagar se existia um bem verdadeiro e suscept√≠vel de se comunicar, qualquer coisa enfim cuja descoberta e posse me trouxessem para sempre um j√ļbilo continuo e soberano.
(…) O que nos ocupa mais frequentemente na vida e que os homens, como pode concluir-se dos seus actos, consideram ser o bem supremo pode reduzir-se a três coisas: riqueza, fama, prazer dos sentidos.
Ora cada um deles distrai o espírito de tal modo que mal pode pensar noutro bem. (…)
РPelo prazer sensual se detém a alma como se repousasse num bem verdadeiro, o que a impede em absoluto de pensar noutra coisa; após o prazer vem a extrema tristeza, que, se não suspende o pensamento, perturba e embota. A busca da fama e da riqueza não absorve menos o espírito, sobretudo quando a riqueza é desejada por si mesma, conferindo-lhe, então, a categoria de bem supremo.

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Erros da Inteligência e do Coração

Os erros e as d√ļvidas da intelig√™ncia desaparecem mais depressa, sem deixar rasto, que os erros do cora√ß√£o; desaparecem n√£o tanto em consequ√™ncia de discuss√Ķes e pol√©micas como gra√ßas √† l√≥gica inilud√≠vel dos acontecimentos da vida viva, que √†s vezes trazem consigo o verdadeiro escape e mostram o caminho adequado, sen√£o logo, na primeira altura, num prazo relativamente breve, em certas ocasi√Ķes, sem haver necessidade de se esperar pela gera√ß√£o seguinte. Com os erros do cora√ß√£o o mesmo n√£o sucede. O erro do cora√ß√£o √© de maior monta; significa que o esp√≠rito frequentemente, o esp√≠rito de toda a na√ß√£o, est√° doente, sofre de qualquer cont√°gio e n√£o poucas vezes essa enfermidade, esse contacto, implicam tal grau de cegueira, que toda a na√ß√£o se torna incur√°vel… por mais tentativas que se fa√ßam para a salvar. Pelo contr√°rio, essa cegueira desfigura os factos a seu talante, deforma-os segundo as delirantes vis√Ķes do esp√≠rito doente e at√© pode suceder que toda a na√ß√£o prefira ir para a ru√≠na conscientemente, quer dizer, conhecendo j√° a sua cegueira, a deixar-se curar… pois j√° n√£o quer que a curem.

O Perigo do Especialista

O especialista serve-nos para concretizar energicamente a esp√©cie e fazer ver todo o radicalismo da sua novidade. Porque outrora os homens podiam dividir-se, simplesmente, em s√°bios e ignorantes, em mais ou menos s√°bios e mais ou menos ignorantes. Mas o especialista n√£o pode ser submetido a nenhuma destas duas categorias. N√£o √© um s√°bio, porque ignora formalmente o que n√£o entra na sua especialidade; mas tampouco √© um ignorante, porque √© ¬ęum homem de ci√™ncia¬Ľ e conhece muito bem a sua frac√ß√£o de universo. Devemos dizer que √© um s√°bio ignorante, coisa sobremodo grave, pois significa que √© um senhor que se comportar√° em todas as quest√Ķes que ignora, n√£o como um ignorante, mas com toda a petul√Ęncia de quem na sua quest√£o especial √© um s√°bio.
E, com efeito, este √© o comportamento do especialista. Em pol√≠tica, em arte, nos usos sociais, nas outras ci√™ncias tomar√° posi√ß√Ķes de primitivo, e ignorant√≠ssimo; mas tomar√° essas posi√ß√Ķes com energia e sufici√™ncia, sem admitir ‚Äď e isto √© o paradoxal ‚Äď especialistas dessas coisas. Ao especializ√°-lo a civiliza√ß√£o tornou-o herm√©tico e satisfeito dentro da sua limita√ß√£o; mas essa mesma sensa√ß√£o √≠ntima de dom√≠nio e valia vai lev√°-lo a querer predominar fora da sua especialidade.

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Escrever com Integridade

N√£o escrevi muito sobre mim nestes dias, em parte por pregui√ßa (durmo tanto e t√£o profundamente durante o dia, tenho mais peso enquanto durmo), em parte tamb√©m por medo de trair o conhecimento que tenho de mim. Este medo justifica-se, porque uma pessoa s√≥ devia permitir fixar na escrita a sua autopercep√ß√£o quando o puder fazer com a maior integridade, com todas as consequ√™ncias secund√°rias e tamb√©m com toda a verdade. Porque se isto n√£o acontecer ‚ÄĒ e eu de qualquer maneira n√£o sou capaz de o fazer ‚ÄĒ o que est√° escrito ir√°, de acordo com a sua pr√≥pria finalidade e com o poder superior do que foi fixado, tomar o lugar daquilo que se sentia apenas vagamente, de tal modo que o sentimento verdadeiro desaparecer√° enquanto o n√£o valor do que foi anotado ser√° reconhecido tarde de mais.

Odeio essas almas pulsil√Ęnimes que, por muito preverem consequ√™ncias, nada ousam empreender.

Diga apenas aquilo que quer dizer. Aja de acordo com a sua própria espontaneidade, nunca se preocupe com as consequências no aqui e no Além.

O Sentido de Possibilidade

Poderia definir-se o sentido de possibilidade como aquela capacidade de pensar tudo aquilo que tamb√©m poderia ser e de n√£o dar mais import√Ęncia √†quilo que √© do que √†quilo que n√£o √©. Como se v√™, as consequ√™ncias desta disposi√ß√£o criadora podem ser not√°veis; infelizmente, n√£o √© raro que fa√ßam aparecer como falso aquilo que as pessoas admiram e como l√≠cito aquilo que elas pro√≠bem, ou ent√£o as duas coisas como sendo indiferentes. Esses homens do poss√≠vel vivem, como se costuma dizer, numa trama mais subtil, numa teia de n√©voa, fantasia, sonhos e conjuntivos; se uma crian√ßa mostra tend√™ncias destas, acaba-se firmemente com elas, e diz-se-lhe que tais pessoas s√£o vision√°rios, sonhadores, fracos, gente que tudo julga saber melhor e em tudo p√Ķe defeito.
Quando se quer elogiar estes loucos, chama-se-lhes também idealistas, mas é claro que com isso só se alude à sua natureza débil, incapaz de compreender a realidade, ou que a evita por melancolia, uma natureza na qual a falta do sentido de realidade é um verdadeiro defeito. O possível, porém, não abarca apenas os sonhos dos neurasténicos, mas também os desígnios ainda adormecidos de Deus. Uma experiência possível ou uma verdade possível não são iguais a uma experiência real e uma verdade real menos o valor da sua realidade,

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A Face Oculta dos Progressos Técnicos

Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se.
O choque mais violento vai dar-se exactamente, como era natural, nos países em que existir uma liberdade maior; nos outros, as formas autoritárias de regime de certo modo poderão canalizar mais facilmente a Humanidade para a utilização desse ócio; sucederá, porém, o seguinte: nos países não-livres, porque nenhum há livre,

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A Ironia da Escolha

O prazer – um dos mais aut√™nticos – de apreender que algu√©m est√° for√ßado a escolher, que n√£o pode ter duas coisas ao mesmo tempo. √Č um sinal do car√°cter tr√°gico da vida, que consiste no facto de um valor n√£o se conciliar com outro. Consequ√™ncia: renunciaste a muitas coisas para ter uma s√≥ – e agrada-te que os outros sintam tamb√©m o imp√©rio desta lei.
As pessoas que take for granted qualquer coisa entram em colisão contigo na medida justamente em que pretendem escapar a esse carácter trágico. As pessoas que gozam pagãmente qualquer coisa, idem, na medida também em que negam, por avidez, a incerteza e a contingência. Aspirar a qualquer coisa, pretendê-la, é em si mesmo agressivo na medida em que suprime a ironia da vida.
Odiamos os outros porque nos odiamos a nós próprios.
Tu, no entanto, take for granted o que não se deve take for granted. Aqui vem a propósito a pureza do coração, a humildade, a aceitação do mundo de Deus.

O Homem Honroso

O homem honroso d√° aten√ß√£o especial a nove coisas. Dedica-se a ver bem o que olha, a ouvir bem o que escuta; cuida para ter uma apar√™ncia af√°vel, para ter uma atitude deferente, para ser sincero nas suas palavras, para ser diligente nas suas ac√ß√Ķes; no meio das suas d√ļvidas, tem o cuidado de interrogar; quando est√° descontente, pensa nas consequ√™ncias desastrosas da c√≥lera; frente a um bem a obter, lembra-se da justi√ßa.
(…) Buscar o bem, como se tem√™ssemos n√£o conseguir alcan√ß√°-lo; evitar o mal, como se tiv√©ssemos enfiado a m√£o na √°gua fervente; √© um princ√≠pio que eu vi ser posto em pr√°tica e que aprendi. Viver isolado na busca do seu ideal, praticar a justi√ßa, a fim de realizar a sua Via, √© um princ√≠pio que aprendi, mas ainda n√£o vi ningu√©m segui-lo.