Cita√ß√Ķes sobre Contos

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Frases sobre contos, poemas sobre contos e outras cita√ß√Ķes sobre contos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Contar hist√≥rias √© uma das mais belas ocupa√ß√Ķes humanas: e a Gr√©cia assim o compreendeu, divinizando Homero que n√£o era mais que um sublime contador de contos da carochinha. Todas as outras ocupa√ß√Ķes humanas tendem mais ou menos a explorar o homem; s√≥ essa de contar hist√≥rias se dedica amoravelmente a entret√™-lo, o que tantas vezes equivale a consol√°-lo. Infelizmente, quase sempre, os contistas estragam os seus contos por os encherem de literatura, de tanta literatura que nos sufoca a vida!

Conseguir Escrever

O of√≠cio de escritor √© talvez o √ļnico que se torna mais dif√≠cil √† medida que mais se pratica. A facilidade com que me sentei a escrever aquele conto n√£o se pode comparar com o trabalho que me d√° agora escrever uma p√°gina. Quanto ao meu m√©todo de trabalho, √© bastante coerente com isto que vos estou a dizer. Nunca sei quanto vou poder escrever nem o que vou escrever. Espero que me ocorra alguma coisa e, quando me ocorre uma ideia que ache boa para a escrever, ponho-me a dar-lhe voltas na cabe√ßa e deixo-a ir amadurecendo. Quando a tenho terminada (e √†s vezes passam muitos anos, como no caso de Cem Anos de Solid√£o, que passei dezanove anos a pensar), quando a tenho terminada, repito, ent√£o sento-me a escrev√™-la e √© a√≠ que come√ßa a parte mais dif√≠cil e a que mais me aborrece. Porque o mais delicioso da hist√≥ria √© conceb√™-la, ir arredondando-a, dando-lhe voltas e mais voltas, de maneira que na altura de nos sentarmos a escrev√™-la j√° n√£o nos interessa muito, ou pelo menos a mim n√£o me interessa muito; a ideia que d√° voltas.

Conto de Fadas

Eu trago-te nas m√£os o esquecimento
Das horas m√°s que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos s√£o ondas de Sorrento…
Trago no nome as letras de uma flor…
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento…

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crep√ļsculos da tarde,
O sol que √© d’oiro, a onda que palpita.

Dou-te comigo o mundo que Deus fez!
– Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A Princesa do conto: ‚ÄúEra uma vez…‚ÄĚ

Um livro de contos √© um livro ligeiro de emo√ß√Ķes curtas: deve portanto ser leve, port√°til, f√°cil de se levar na algibeira para debaixo de uma √°rvore, e confort√°vel para se ter √† cabeceira da cama. N√£o pode ter o formato dum relat√≥rio, que, sendo destinado em definitivo a embrulhar objectos, deve ter de antem√£o o tamanho c√≥modo do papel de embrulho; nem pode ter o volume dum calhama√ßo de erudi√ß√£o hist√≥rica, impresso com o fim de ornamentar uma biblioteca.

Política feroz, que sempre armada
De b√°rbaros pretextos,
√Ä morte horrenda em l√ļgubre teatro
Dás vítimas sem conto,
Apoucas e destróis a Humanidade,
Afectando mantê-la.

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
“Navegar √© preciso; viver n√£o √© preciso”.

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
N√£o conto gozar a minha vida; nem em goz√°-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

√Č a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Ra√ßa.

Tenho medo que os meus filhos nunca cheguem a entender aquilo que lhes conto quando ficamos em silêncio, quando o tempo passa e estamos juntos, no mesmo lugar, eu a conduzir em viagens longas com horizonte e eles, ao meu lado, a olharem pela janela, ou quando é fim da tarde, também com horizonte, em silêncio.

Madrigal

A minha história é simples.
A tua, meu Amor,
é bem mais simples ainda:

“Era uma vez uma flor.
Nasceu √† beira de um Poeta…”

Vês como é simples e linda?

(O resto conto depois;
mas tão a sós, tão de manso
que só escutemos os dois).

A um Nariz Grande

Hoje espero, nariz, de te assoar,
Se para te chegar a m√£o me d√°s,
Ainda que impossível se me faz
Chegar a tanto eu como assoar-te,
Porque é chegar às nuvens o chegar-te.
Das musas a que for mais nariguda
Manda-lhe que me acuda,
Que se a fonte
De Pégaso é verdade está no monte,
O mais alto de todos em ti est√°
Porque monte t√£o alto n√£o no h√°.

Falta o saber, nariz, para o louvor
De que és merecedor.
Que hei-de dizer?
Para espantares tu h√£o-te de ver,
Porque nunca se pode dizer tanto
Que faça como tu tão grande espanto.
√Čs t√£o grande, nariz, que h√° opini√Ķes,
E prova-o com raz√Ķes
Certo moderno,
Que em comprimento és, nariz, eterno,
Porque ainda que princípio te soubemos,
Notícia de teu fim nunca tivemos.

Cuido que sem narizes, por mostrar
Seu poder em acabar,
Sua grandeza,
Deixou gente sem conto a natureza,
Que assoas, Gabriel, quando te assoas,
Os narizes de mais de mil pessoas.

Aos mais narizes d√°s o ser que tem,

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O Vício do Exagero

Hoje, no caf√©, aqui-del-rei que eu exagero, aqui-del-rei que conto uma anedota e a anedota sai da minha boca transfigurada. Aqui-del-rei que descrevo um indiv√≠duo e ponho bigodes de pol√≠cia onde havia somente uma discreta penugem. √Č certo, exagero. Come√ßo a pintar um bot√£o, e √© capaz de me sair o cosmos.

Eu não conheço piadas, eu apenas presto atenção no Governo e conto os fatos que vi

Dor Suprema

Um amigo me disse: ¬ęO que tu crias
√Č sonho e pretens√£o, tudo fingido;
O pranto com que a mente s√£ desvias
√Č decerto for√ßado e pretendido!

Em toda a canção e conto que fazes
Porquê palavra dura, amargurada?
Por que ao vero e bom n√£o te comprazes
E, jovem, a alegria √© desdenhada?¬Ľ

Porque, amigo, embora seja a loucura
Ora doce, ora dor inominada,
Nunca a dor humana a dor atura

Da mente louca, da loucura ciente;
Porque a ciência ganha é completada
Com o saber dum mal sempre iminente.

Eu quero que o leitor sinta alguma coisa de surpreendente. N√£o ¬ęaquilo que aconteceu¬Ľ mas a forma como tudo aconteceu. Estes longos pequenos contos que escrevo s√£o a melhor forma de o conseguir, para mim.

O que conto neste livro (N√ļmero Zero), salvo a fantasia desse Braggadocio sobre o corpo de Mussolini, √© verdadeiro, teve processos judiciais e j√° foi publicado. O pior do que conto no meu romance n√£o √© o que se fez de terr√≠vel, mas que as pessoas se estejam nas tintas para todos esses acontecimentos. Vejo que tudo entra por uma orelha e sai pela outra das pessoas, como se as coisas terr√≠veis que se passaram h√° 50 anos n√£o preocupem ningu√©m e sejam aceites tranquilamente.

O Luar quando Bate na Relva

O luar quando bate na relva
N√£o sei que cousa me lembra…
Lembra-me a voz da criada velha
Contando-me contos de fadas.
E de como Nossa Senhora vestida de mendiga
Andava à noite nas estradas
Socorrendo as crian√ßas maltratadas …
Se eu já não posso crer que isso é verdade,
Para que bate o luar na relva?

Seja como for, continuo gostando muito de você ? da mesma forma, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes, saudade.

Pois Amor me Quer Matar

Pois amor me quer matar
com dor, tristura e cuidado,
eu me conto por finado,
e quero-me soterrar.

Fui tomar √ľa penden√ßa
com √ľa cruel senhora,
e agora
acho que foi pestelença.
Chore quem quiser chorar;
saibam j√° que sou finado
sem finar,
e quero ser soterrado.

(excerto)

Nós Nunca Nos Entendemos

Após uma boa hora de conversa, entendemo-nos perfeitamente. Amanhã vem ter comigo com as mãos na cabeça, gritando:
РComo é possível? O que é que você percebeu? Não me disse isto e isto?
Isto e isto, perfeitamente. Mas o problema é que você, meu caro, nunca saberá nem eu lhe poderei nunca dizer como se traduz, em mim, aquilo que você me disse. Não falou turco, não. Eu e você usámos a mesma língua, as mesmas palavras. Mas que culpa temos nós de que as palavras, em si, sejam vazias? Vazias, meu caro. Ao dizê-las a mim, você preenche-as com o seu sentido; e eu, ao recebê-las, inevitavelmente preencho-as com o meu sentido. Pensámos que nos entendíamos; de facto, não nos entendemos.
E conto velho também é o facto de o sabermos. Eu não pretendo dizer nada de novo. Apenas volto a perguntar-lhe:
РPorque continua, então, a proceder como se não o soubesse? Porque continua a falar-me de si se sabe que para ser para mim como é para você mesmo e para eu ser, para si, como sou para mim, seria preciso que eu, dentro de mim, lhe desse a mesma realidade que você dá a si mesmo,

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