Passagens sobre Contrariedade

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Frases sobre contrariedade, poemas sobre contrariedade e outras passagens sobre contrariedade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Durante uma vida completa, as espigas também são farinha e pão. Assim se compreendem os meandros dos rios mais irregulares: as contrariedades são tão indispensáveis como as grandes vitórias.

Saber Avaliar as Situa√ß√Ķes

O que perturba os homens não são as coisas, mas os juízos que os homens formulam sobre as coisas. A morte, por exemplo, nada é de temível Рe Sócrates, quando dele a morte se foi aproximando, de maneira nenhuma se apresentou a morte como algo de tremendamente terrível. Mas no juízo que fazemos da morte, considerando-a temível, é que reside o aspecto terrível da morte. Quando somos hostilizados, contrariados, perturbados, atormentados e magoados, não devemos sacar as culpas a outrem, mas a nós próprios, isto é, aos nossos juízos pessoais e mais íntimos. Acusar os outros das suas infelicidades é mera acção de um ignorante; responsabilizar-se a si próprio por todas as contrariedades é coisa de um homem que começa a instruir-se; e não culpabilizar ninguém nem tão pouco a si próprio, então, sim, então é já feito de um homem perfeitamente instruído.

Ninguém Sabe Coisa Alguma

Porque n√≥s n√£o sabemos, pois n√£o? Toda a gente sabe. O que faz as coisas acontecerem da maneira que acontecem? O que est√° subjacente √° anarquia da sequ√™ncia dos acontecimentos, √†s incertezas, √†s contrariedades, √† desuni√£o, √†s irregularidades chocantes que definem os assuntos humanos? Ningu√©m sabe, professora Roux. ¬ęToda a gente sabe¬Ľ √© a invoca√ß√£o do lugar-comum e o inimigo da banaliza√ß√£o da experi√™ncia, e o que se torna t√£o insuport√°vel √© a solenidade e a no√ß√£o da autoridade que as pessoas sentem quando exprimem o lugar-comum. O que n√≥s sabemos √© que, de um modo que n√£o tem nada de lugar-comum, ningu√©m sabe coisa nenhuma. N√£o podemos saber nada. Mesmo as coisas que sabemos, n√£o as sabemos. Inten√ß√£o? Motivo? Consequ√™ncia? Significado? √Č espantosa a quantidade de coisas que n√£o sabemos. E mais espantoso ainda √© o que passa por saber.

Milhares de experi√™ncias que fazem parte do nosso banco de dados da primeira inf√Ęncia, como rejei√ß√Ķes, perdas, contrariedades, medos, foram produzidas sem que pud√©ssemos control√°-las, filtr√°-las ou rejeit√°-las. Claro que hoje, como adultos, fazemos escolhas, tomamos decis√Ķes, mas as nossas escolhas s√£o pautadas pela base de dados que j√° temos, e, portanto, a nossa liberdade n√£o √© plena.

A Doutrina Perfeita

Muitas vezes as pessoas dirigem-se a mim, dizendo: ¬ęvoc√™, que √© independente¬Ľ. N√£o sou assim; continuamente devo ceder a pequenas f√≥rmulas sofisticadas que corrompem, que d√£o um sentido inverso √† nossa orienta√ß√£o, que fazem com que a transpar√™ncia do cora√ß√£o se turve. Continuamente a nossa inseguran√ßa, o ego√≠smo, o esp√≠rito legalista, a mesquinhez, a vaidade, toda a esp√©cie de circunst√Ęncias que tomam o partido da vida como desfrute √† sensa√ß√£o se sobrep√Ķem √† luz interior. S√≥ a f√© √© independente. S√≥ ela est√° para al√©m do bem e do mal.

Estar para al√©m do bem e do mal aplica-se a Cristo. ¬ęPerdoa ao teu inimigo, oferece a outra face¬Ľ – disse Ele. N√£o √© um conselho para humilhados, n√£o √© um preceito para m√°rtires. Nisso aparece Cristo mal interpretado, a ponto de o cristianismo ter sido considerado uma religi√£o de escravos. Mas esquecemos que Cristo, como Homem, teve a experi√™ncia-limite, uma vis√£o do inconsciente absoluto, o que quer dizer que a sua consci√™ncia foi saturada, para al√©m do bem e do mal. Esse homem que perdoa ao seu inimigo n√£o o faz por contrariedade do seu instinto, por repara√ß√£o dos seus pecados; mas porque n√£o pode proceder de outra maneira.

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As Janelas da Memória

A mem√≥ria humana n√£o √© lida globalmente, como a mem√≥ria dos computadores, mas por √°reas espec√≠ficas a que chamo de janelas. Atrav√©s das janelas vemos, reagimos, interpretamos… Quantas vezes tentamos lembrar-nos de algo que n√£o nos vem √† ideia? Nesse caso, a janela permaneceu fechada ou inacess√≠vel.

A janela da mem√≥ria √©, portanto, um territ√≥rio de leitura num determinado momento existencial. Em cada janela pode haver centenas ou milhares de informa√ß√Ķes e experi√™ncias. O maior desafio de uma mulher, e do ser humano em geral, √© abrir o m√°ximo de janelas em cada situa√ß√£o. Se ela abre diversas janelas, poder√° dar respostas inteligentes. Se as fecha, poder√° dar respostas inseguras, med√≠ocres, est√ļpidas, agressivas. Somos mais instintivos e animalescos quando fechamos as janelas, e mais racionais quando as abrimos.

O mundo dos sentimentos possui as chaves para abrir as janelas. O medo, a tens√£o, a ang√ļstia, o p√Ęnico, a raiva e a inveja podem fech√°-las. A tranquilidade, a serenidade, o prazer e a afetividade podem abri-las. A emo√ß√£o pode fazer os intelectuais reagirem como crian√ßas agressivas e as pessoas simples reagirem como elegantes seres humanos. Sob um foco de tens√£o, como perdas e contrariedades, uma mulher serena pode ficar irreconhec√≠vel.

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A Dificuldade de Estabelecer e Firmar Rela√ß√Ķes

A dificuldade de estabelecer e firmar rela√ß√Ķes. H√° uma t√©cnica para isso, conhe√ßo-a. Nunca pude meter-me nela. Ser ¬ęsimp√°tico¬Ľ. √Č realmente f√°cil: prestabilidade, autodom√≠nio. Mas. Ser soci√°vel exige um esfor√ßo enorme ‚ÄĒ f√≠sico. Quem se habituou, j√° se n√£o cansa. Tudo se passa √† superf√≠cie do esfor√ßo. Ter ¬ępersonalidade¬Ľ: n√£o descer um mil√≠metro no trato, mesmo quando por delicadeza se finge. Assumirmos a import√Ęncia de n√≥s sem o mostrar. Darmo-nos valor sem o exibir. Irresistivelmente, agacho-me. E logo: a pata dos outros em cima. Bem feito. Pois se me pus a jeito. E ent√£o reponto. O fim. Ser prest√°vel, colaborar nas tarefas que os outros nos inventam. Col√≥quios, confer√™ncias, organiza√ß√Ķes de. Ah, ser-se um ¬ęin√ļtil¬Ľ (um ¬ęparasita¬Ľ…). Raz√Ķes profundas ‚ÄĒ um complexo duplo que vem da juventude: incompreens√£o do irm√£o corpo e da bolsa paterna. O segundo remediou-se. Tenho desprezo pelo dinheiro. Ligo t√£o pouco ao dinheiro que nem o gasto… Mas ¬ęgastar¬Ľ faz parte da ¬ępersonalidade¬Ľ. Sa√ļde ‚ÄĒ mais dif√≠cil. Este ar apeur√© que vem logo ao de cima. A √ļnica defesa, obviamente, √© o resguardo, o isolamento, a medida.
√Č f√°cil ser ¬ęsimp√°tico¬Ľ, dif√≠cil √© perseverar, assumir o artif√≠cio da facilidade. Conservar os amigos. ¬ęN√£o √©s capaz de dar nada¬Ľ,

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O Outro como Motivo da nossa Infelicidade

Pergunta-se por que todos os homens juntos n√£o comp√Ķem uma √ļnica na√ß√£o e n√£o quiseram falar uma √ļnica l√≠ngua, viver sob as mesmas leis, combinar entre eles os mesmos costumes e um mesmo culto; e eu, pensando na contrariedade dos esp√≠ritos, dos gostos e dos sentimentos, surpreendo-me ao ver at√© sete ou oito pessoas reunirem-se sob um mesmo tecto, num mesmo recinto e compor uma √ļnica fam√≠lia.
(…) Buscamos a nossa felicidade fora de n√≥s mesmos e na opini√£o de homens que sabemos aduladores, pouco sinceros, sem equidade, cheios de inveja, de caprichos e preconceitos.

Todos os casamentos s√£o felizes, quando entre marido e mulher se d√° uma perfeita harmonia de vontades. (…) Da desarmonia resultam a desordem dom√©stica, as contrariedades pequenas, as desaven√ßas constantes, e tudo isto porque se n√£o entendem, nem se combinam. Entenderem-se e combinarem-se √© fazer uma alian√ßa de se n√£o importarem reciprocamente das suas ac√ß√Ķes.

A raz√£o dos c√©pticos e a raz√£o dos dogm√°ticos s√£o de um mesmo g√©nero, apesar da contrariedade das suas opera√ß√Ķes e das suas tend√™ncias.

A Nossa Prodigiosa Parcialidade

Todos nós temos uma prodigiosa parcialidade em favor de nós mesmos, e, se déssemos sempre vazão a esses nossos sentimentos, causaríamos a maior indignação uns aos outros, não somente pela presença imediata de um objecto de comparação tão desagradável, mas também pela contrariedade dos nossos respectivos juízos. Assim, do mesmo modo que estabelecemos o direito natural para assegurar a propriedade dentro da sociedade e impedir o choque entre interesses pessoais, também estabelecemos as regras da boa educação, a fim de impedir o choque entre os orgulhos dos homens e tornar o seu relacionamento agradável e inofensivo. Nada é mais desagradável que um homem com uma imagem presunçosa de si mesmo, embora quase todo o mundo tenha uma forte inclinação para esse vício.

O Ciclo da Vida

O homem domina a natureza e √© por ela dominado. S√≥ ele lhe resiste e ao mesmo tempo ultrapassa as suas leis, amplia o seu poderio gra√ßas √† sua vontade e actividade. Afirmar no entanto que o mundo foi criado para o homem √© algo que est√° longe de ser evidente. Tudo o que o homem constr√≥i √©, como ele, ef√©mero: o tempo derruba os edif√≠cios, atulha os canais, apaga o saber – e at√© o nome das na√ß√Ķes. (…) Dir-me-√£o que as novas gera√ß√Ķes recebem a heran√ßa das gera√ß√Ķes que as precederam e que, por consequ√™ncia, a perfei√ß√£o ou o aperfei√ßoamento n√£o t√™m limites. Mas o homem est√° longe de receber intacta a s√ļmula dos conhecimentos acumulados pelos s√©culos que o precederam e se aperfei√ßoa algumas dessas inven√ß√Ķes no que diz respeito a outras fica bastante atr√°s dos seus pr√≥prios inventores; um grande n√ļmero dessas inven√ß√Ķes chega mesmo a perder-se.
Não preciso sequer de sublinhar como certos pretensos melhoramentos foram nocivos à moral e ao bem-estar. Determinada invenção, suprimindo ou diminuindo o trabalho e o esforço, enfraqueceu a dose de paciência necessária para suportar as contrariedades Рou a energia que temos de dar provas para as vencer.

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O Amor é o Contraegoísmo

Cada vez mais pessoas est√£o preocupadas consigo mesmas. Cuidam de si de uma forma t√£o dedicada que se poderia supor que est√£o a construir algo de verdadeiramente belo e forte; mas n√£o… os resultados s√£o normalmente fracos e fr√°geis. Gente manipul√°vel que se deixa abater por uma simples brisa… cultivam o eu como a um deus, mas s√£o facilmente derrubados pela m√≠nima contrariedade.

Tendo a originalidade por moda n√£o ser√° paradoxal que a sociedade esteja a tornar-se cada vez mais uniforme? Como a multid√£o tende sempre a nivelar-se por baixo, estamos a tornar-nos cada vez piores.

Hoje parece n√£o haver tempo nem espa√ßo para um cuidado mais fundo com a nossa ess√™ncia ‚Äď s√£o poucos os que hoje t√™m amigos verdadeiros com quem aprendem, a quem se d√£o e de quem recebem valores essenciais.
Por medo da solid√£o quer-se conhecer gente, cada vez mais gente. Talvez o facto de se buscar uma quantidade de amizades mais do que a qualidade das mesmas explique por que, afinal, h√° cada vez mais solid√£o… sempre que prefiro partir em busca do novo, escolho abandonar aquele(s) com quem estava.

O sucesso das redes virtuais é hoje um sintoma,

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Insiste no Benefício

Queixas-te de teres dado com um ingrato! Se √© a primeira vez que isso te sucede bem podes agradecer √† tua sorte… ou √† tua prud√™ncia. Mas esta √© uma quest√£o em que a prud√™ncia apenas far√° de ti um homem azedo, pois se pretenderes evitar o perigo da ingratid√£o nunca mais far√°s benef√≠cios a ningu√©m. Quer dizer, para que os teus benef√≠cios n√£o sejam em v√£o, privas-te de faz√™-los. A verdade √© que √© prefer√≠vel proporcionar benef√≠cios mesmo sem contrapartida do que renunciar a beneficiar os outros: h√° que voltar a semear, mesmo depois de uma m√° colheita! As sementeiras perdidas por uma prolongada estirilidade de um terreno pouco f√©rtil podem ser compensadas pela abund√Ęncia de uma √ļnica messe. Para encontrarmos um s√≥ homem grato vale bem a pena sujeitarmo-nos √† ingratid√£o de muitos.
Ao distribuir benef√≠cios ningu√©m tem a m√£o t√£o certeira que n√£o se possa com frequ√™ncia enganar: pois sejam em v√£o esses benef√≠cios, desde que uma ou outra vez sejam bem aplicados! N√£o √© um naufr√°gio que p√Ķe termo √† navega√ß√£o, como n√£o √© a presen√ßa de um falido que impede o usur√°rio de montar banca no foro. Em breve a nossa vida se transformar√° num torpor inutilmente ocioso se pretendermos eximir-nos √† m√≠nima contrariedade.

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Somos Irracionais

No meu tempo de escola prim√°ria, algumas cr√©dulas e ing√©nuas pessoas, a quem d√°vamos o respeitoso nome de mestres, ensinaram-me que o homem, al√©m de ser um animal racional, era, tamb√©m, por gra√ßa particular de Deus, o √ļnico que de tal fortuna se podia gabar. Ora, sendo as primeiras li√ß√Ķes aquelas que mais perduram no nosso esp√≠rito, ainda que, muitas vezes, ao longo da vida, julguemos t√™-las esquecido, vivi durante muitos anos aferrado √† cren√ßa de que, apesar de umas tantas contrariedades e contradi√ß√Ķes, esta esp√©cie de que fa√ßo parte usava a cabe√ßa como aposento e escrit√≥rio da raz√£o. Certo era que o pintor Goya, surdo e s√°bio, me protestava que √© no sono dela que se engendram os monstros, mas eu argumentava que, n√£o podendo ser negado o surgimento dessas avantesmas, tal s√≥ acontecia quando a raz√£o, pobrezinha, cansada da obriga√ß√£o de ser razon√°vel, se deixava vencer pela fadiga e mergulhava no esquecimento de si pr√≥pria. Chegado agora a estes dias, os meus e os do mundo, vejo-me diante de duas probabilidades: ou a raz√£o, no homem, n√£o faz sen√£o dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavelmente um animal entre os animais, √©, tamb√©m indubitavelmente, o mais irracional de todos eles.

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