Passagens sobre Democracia

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Frases sobre democracia, poemas sobre democracia e outras passagens sobre democracia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A política de exploração, opressão e terror da ditadura é a política de protecção dos interesses monopolistas. Só eliminando o poder dos monopólios poderão as riquezas nacionais ser aproveitadas em benefício do povo e da nação, poderá ser dado um impulso ao desenvolvimento económico no quadro da liberdade e da democracia, poderá elevar-se o nível de vida das classes trabalhadoras e do povo em geral.

Uma Democracia de Verdade

Eu acho que √© preciso continuar a acreditar na democracia, mas numa democracia que o seja de verdade. Quando eu digo que a democracia em que vivem as actuais sociedades deste mundo √© uma fal√°cia, n√£o √© para atacar a democracia, longe disso. √Č para dizer que isto a que chamamos democracia n√£o o √©. E que, quando o for, aperceber-nos-emos da diferen√ßa. N√≥s n√£o podemos continuar a falar de democracia no plano puramente formal. Isto √©, que existam elei√ß√Ķes, um parlamento, leis, etc. Pode haver um funcionamento democr√°tico das institui√ß√Ķes de um pa√≠s, mas eu falo de um problema muito mais importante, que √© o problema do poder. E o poder, mesmo que seja uma trivialidade diz√™-lo, n√£o est√° nas institui√ß√Ķes que elegemos. O poder est√° noutro lugar.

A Ignor√Ęncia Propaga-se Mais R√°pidamente Que a Intelig√™ncia

Voltaire preferia a monarquia √† democracia; na primeira basta educar um homem, na segunda h√° necessidade de educar milh√Ķes – e o coveiro leva-os a todos antes que dez por cento concluam o curso. Raro percebemos as partidas que a limita√ß√£o da natalidade prega aos nossos argumentos. A minoria que consegue educar-se reduz o tamanho da fam√≠lia; a maioria sem tempo para se educar procria com abund√Ęncia; quase todos os componentes das novas gera√ß√Ķes prov√™m de fam√≠lias cujas rendas n√£o permitiram a educa√ß√£o da prole. Da√≠ a perp√©tua futilidade do liberalismo pol√≠tico; a propaga√ß√£o da intelig√™ncia n√£o est√° em compasso com a propaga√ß√£o dos ignorantes. Da√≠ ainda a decad√™ncia do protestantismo; uma religi√£o, do mesmo modo que um povo, n√£o vinga em consequ√™ncia das guerras que vence, sen√£o que dos filhos que gera.

A Fraqueza Crónica de um Sistema Democrático de Governo

A fraqueza cr√≥nica de um sistema democr√°tico de governo, em oposi√ß√£o √† ocasional, parece ser proporcional ao grau da sua democratiza√ß√£o. Os mais poderosos e est√°veis estados democr√°ticos s√£o aqueles onde os princ√≠pios da democracia foram menos l√≥gica e consistentemente aplicados. Assim, um parlamento eleito segundo um sistema de representa√ß√£o proporcional √© um parlamento verdadeiramente democr√°tico. Mas √© tamb√©m, na mairoria dos casos, um instrumento n√£o de governo mas de anarquia. A representa√ß√£o proporcional garante que todos os sectores da opini√£o estar√£o representados na assembleia. √Č o ideal da democracia cumprido. Infelizmente, a multiplica√ß√£o de pequenos grupos dentro do parlamento torna imposs√≠vel a forma√ß√£o de um governo est√°vel e forte.
Nas assembleias proporcionalmente eleitas os governos têm geralmente de confiar numa maioria compósita. Têm de comprar o apoio de pequenos grupos com uma distribuição de favores mais ou menos corrupta, e como nunca conseguem dar o suficiente ficam sujeitos a ser derrotados em qualquer altura. A representação proporcional em itália conduziu ao fascismo através da anarquia. Causou grandes dificuldades práticas na Bélgica, e agora ameaça fazer o mesmo na Irlanda. Encontram-se governos democráticos estáveis em países onde as minorias, por muito grandes que sejam, não estão representadas, e onde nenhum candidato que não pertença a um dos grandes partidos terá a mais leve possibilidade de ser eleito.

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Sou, em absoluto, contra a pena de morte. Decide-se que um homem falhou definitivamente. Mas quem tem o direito de dizer que um homem falhou assim? Ningu√©m! A mais bela defini√ß√£o de Homem ‚Äď a de Rousseau ‚Äď √© que ele √© um ser perfect√≠vel, capaz, pela sua pr√≥pria natureza, de se aperfei√ßoar sempre, por mais nefasto que tenha sido o seu passado. Al√©m disso, o homem tem direitos naturais que ningu√©m pode retirar. E o direito b√°sico, primeiro, √© o direito √† vida. Digo mesmo que n√£o h√° uma democracia real onde h√° pena de morte, onde o Estado assassina, legalmente, cidad√£os.

A monarquia degenera em tirania, a aristocracia em oligarquia e a democracia em anarquia.

A Nefasta Hiperdemocracia dos Nossos Tempos

Ningu√©m, creio eu, deplorar√° que as pessoas gozem hoje em maior medida e n√ļmero que antes, j√° que t√™m para isso os apetites e os meios. O mal √© que esta decis√£o tomada pelas massas de assumir as actividades pr√≥prias das minorias, n√£o se manifesta, nem pode manifestar-se, s√≥ na ordem dos prazeres, mas que √© uma maneira geral do tempo. Assim (…) creio que as inova√ß√Ķes pol√≠ticas dos mais recentes anos n√£o significam outra coisa sen√£o o imp√©rio pol√≠tico das massas. A velha democracia vivia temperada por uma dose abundante de liberalismo e de entusiasmo pela lei. Ao servir a estes princ√≠pios o indiv√≠duo obrigava-se a sustentar em si mesmo uma disciplina dif√≠cil. Ao amparo do princ√≠pio liberal e da norma jur√≠dica podiam atuar e viver as minorias. Democracia e Lei, conviv√™ncia legal, eram sin√≥nimos. Hoje assistimos ao triunfo de uma hiperdemocracia em que a massa actua directamente sem lei, por meio de press√Ķes materiais, impondo suas aspira√ß√Ķes e seus gostos.
√Č falso interpretar as situa√ß√Ķes novas como se a massa se houvesse cansado da pol√≠tica e encarregasse a pessoas especiais o seu exerc√≠cio. Pelo contr√°rio. Isso era o que antes acontecia, isso era a democracia liberal. A massa presumia que,

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Para consolidar a democracia, a maior dificuldade est√° em aproximar eleitores e eleitos, separados pela brecha entre a realidade e as informa√ß√Ķes produzidas pela m√≠dia.

A Nostalgia da Europa

Na Idade Média, a unidade europeia repousava na religião comum. Nos Tempos Modernos, ela cedeu o lugar à cultura (à criação cultural) que se tornou na realização dos valores supremos pelos quais os Europeus se reconhecem, se definem, se identificam. Ora, hoje, a cultura cede, por sua vez, o lugar.
Mas, a qu√™ e a quem? Qual √© o dom√≠nio onde se realizaram valores supremos suscept√≠veis de unir a Europa? As conquistas t√©cnicas? O mercado? A pol√≠tica com o ideal de democracia, com o princ√≠pio da toler√Ęncia? Mas, essa toler√Ęncia, que j√° n√£o protege nenhuma cria√ß√£o rica nem nenhum pensamento forte, n√£o se tornar√° oca e in√ļtil? Ou ent√£o, ser√° que podemos entender a demiss√£o da cultura como uma esp√©cie de liberta√ß√£o √† qual nos devemos abandonar com euforia? N√£o sei. A √ļnica coisa que julgo saber √© que a cultura j√° cedeu o seu lugar. Assim, a imagem da identidade europeia afasta-se do passado. Europeu: aquele que tem a nostalgia da Europa.

O Jornal é o Fole Incansável que Assopra a Vaidade Humana

Pelo jornal, e pela reportagem que ser√° a sua fun√ß√£o e a sua for√ßa, tu desenvolver√°s, no teu tempo e na tua terra, todos os males da Vaidade! (…) Como a reportagem hoje se exerce, menos sobre os que influem nos neg√≥cios do Mundo, ou nas direc√ß√Ķes do pensamento , do que, como diz a B√≠blia, sobre toda a ¬ęsorte e condi√ß√Ķes de gente v√£¬Ľ, desde os j√≥queis at√© aos assassinos, a sua indiscriminada publicidade concorre pouco para a documenta√ß√£o da hist√≥ria, e muito, prodigiosamente, escandalosamente, para a propaga√ß√£o das vaidades! O jornal √© com efeito o fole incans√°vel que assopra a vaidade humana, lhe irrita e lhe espalha a chama. De todos os tempos √© ela, a vaidade do homem! J√° sobre ela gemeu o gemebundo Salom√£o, e por ela se perdeu Alcib√≠ades, talvez o maior dos Gregos. Incontestavelmente, por√©m, meu Bento, nunca a vaidade foi, como no nosso danado s√©culo XIX, o motor ofegante do pensamento e da conduta. Nestes estados de civiliza√ß√£o, ruidosos e ocos, tudo deriva da vaidade, tudo tende √† vaidade. E a forma nova da vaidade para o civilizado consiste em ter o seu rico nome impresso no jornal, a sua rica pessoa comentada no jornal!

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A democracia tem necessidade de justiça, enquanto a aristocracia e a monarquia podem passar bem sem ela.

A democracia est√° efectivamente em crise, por m√ļltiplas raz√Ķes. Entre elas, porque os Estados nacionais est√£o a ser corro√≠dos nos seus poderes tradicionais pela globaliza√ß√£o econ√≥mica e suas consequ√™ncias.

Tradi√ß√£o significa conceder votos √† mais obscura de todas as classes: nossos ancestrais. √Č a democracia dos mortos. A tradi√ß√£o recusa submeter-se a essa arrogante oligarquia que meramente ocorre estar andando por a√≠.

A democracia se estabelece quando os pobres (‘hoip√©netes’), tendo vencido seus inimigos, massacram alguns, banem os outros e partilham igualmente com os restantes o governo e as magistraturas.

A democracia surgiu quando, devido ao facto de que todos s√£o iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si.

As tirani­as, efetivamente, umas se estabeleceram deste modo, quando já as cidades tinham crescido; outras, antes isto, surgiram de reis que se apartaram dos costumes de seus antepassados e aspiravam a um comando mais despótico. Outras, dos cidadãos eleitos para as magistraturas supremas, pois antigamente as democracias estabeleciam para muito tempo os cargos civis e religiosos; outras surgiam das oligarquias quando elegiam a um só com poder soberano para as mais importantes magistraturas.