Passagens sobre Exceção

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Frases sobre exce√ß√£o, poemas sobre exce√ß√£o e outras passagens sobre exce√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Juízos Ligeiros da Imprensa

Incontestavelmente foi a imprensa, com a sua maneira superficial e leviana de tudo julgar e decidir, que mais concorreu para dar ao nosso tempo o funesto e j√° irradic√°vel h√°bito dos ju√≠zos ligeiros. Em todos os s√©culos se improvisaram estouvadamente opini√Ķes: em nenhum, por√©m, como no nosso, essa improvisa√ß√£o impudente se tornou a opera√ß√£o corrente e natural do entendimento. Com excep√ß√£o de alguns fil√≥sofos mais met√≥dicos, ou de alguns devotos mais escrupulosos, todos n√≥s hoje nos desabituamos, ou antes nos desembara√ßamos alegremente do penoso trabalho de reflectir. √Č com impress√Ķes que formamos as nossas conclus√Ķes. Para louvar ou condenar em pol√≠tica o facto mais complexo, e onde entrem factores m√ļltiplos que mais necessitem de an√°lise, n√≥s largamente nos contentamos com um boato escutado a uma esquina. Para apreciar em literatura o livro mais profundo, apenas nos basta folhear aqui e al√©m uma p√°gina, atrav√©s do fumo ondeante do charuto.
O m√©todo do velho Cuvier, de julgar o mastodonte pelo osso, √© o que adoptamos, com magn√≠fica inconsci√™ncia, para decidir sobre os homens e sobre as obras. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza √© fulminante. Com que espl√™ndida facilidade exclamamos, ou se trate de um estadista, ou se trate de um artista: ¬ę√Č uma besta!

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Grandes Homens Forjam-se a si Próprios

Para conhecer a realidade do mundo, √ļnico fim s√©rio da ci√™ncia, √© preciso entrar no combate da vida como entravam na li√ßa os paladinos bastardos – sem pai e sem padrinho. Os pr√≠ncipes n√£o constituem excep√ß√£o a esta lei geral da forma√ß√£o dos homens. Da educa√ß√£o de gabinete, do bafo enervante dos mestres, dos camareiros e das aias, nunca sairam sen√£o doentes e pedantes.
Na sagração dos czares há uma cerimónia de alta significação simbólica: o imperador não se confirma enquanto por três vezes não haja descido do trono e penetrado sozinho na multidão; e isto quer dizer que na convivência do povo a autoridade e o valor dos monarcas recebe uma tão sagrada unção como a da santa crisma. Todos os reis fortes se fizeram e se educaram a si mesmos nos mais rudes e mais hostis contactos da natureza e da sociedade humana.
Veja vossa alteza Carlos Magno, que s√≥ aos quarenta anos √© que mandou chamar um mestre para aprender a ler. Veja Pedro o Grande, do qual a educa√ß√£o de c√Ęmara come√ßou por fazer um poltr√£o. Aos quinze anos n√£o se atrevia a atravessar um ribeiro. Reagiu enfim sobre si mesmo pela sua √ļnica for√ßa pessoal.

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Todos nós, sem excepção, passamos a vida à procura do segredo da vida. Pois bem: o segredo da vida reside na arte.

Todos os homens, sem excepção, procuram ser felizes. Embora por meios diferentes, tendem todos para este fim.

A Moral entre a Verdade e a Subjectividade

Um homem que busca a verdade torna-se s√°bio; um homem que pretende dar r√©dea solta √† sua subjectividade torna-se, talvez, escritor; e que far√° um homem que busca algo que se situa entre essas duas hip√≥teses? Mas tais exemplos, os de algo que est√° ¬ęentre¬Ľ, encontramo-los em qualquer senten√ßa moral, a come√ßar pela mais simples e mais conhecida: ¬ęn√£o matar√°s¬Ľ. V√™-se imediatamente que n√£o √© nem uma verdade nem uma experi√™ncia subjectiva. Sabe-se que, em muitos aspectos, nos conformamos estritamente a ela, mas que, por outro lado, se aceitam numerosas excep√ß√Ķes, ainda que perfeitamente delimitadas; no entanto, num grande n√ļmero de casos de um terceiro tipo – por exemplo na imagina√ß√£o, na esfera dos desejos, nas pe√ßas de teatro ou no prazer que experimentamos ao ler as not√≠cias dos jornais – deixamo-nos oscilar descontroladamente entre a avers√£o e a atrac√ß√£o.
Por vezes aquilo a que n√£o podemos chamar nem verdade nem experi√™ncia pessoal recebe o nome de imperativo. Tais imperativos foram associados aos dogmas da religi√£o ou da lei, concedendo-lhes assim o car√°cter de uma verdade derivada, mas os romancistas narram as excep√ß√Ķes, a come√ßar pelo sacrif√≠cio de Abra√£o e terminando na bela mulher jovem que matou o amante a tiro,

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História não é só Cronologia

Um dos principais defeitos dos trabalhos históricos no nosso país parece-me ser a insulação de cada um dos aspectos sociais de qualquer época, que nunca se conhecerá, nem entenderá, enquanto a sociedade se não estudar em todas as suas formas de existir, enquanto se não contemplar em todos os seus caracteres.
Estas cartas, se merecerem a aprovação de V. Exas., poderão algum dia servir, no que tiverem de bom, se o tiverem, de esclarecimento e notas a uma parte da História Portuguesa, como eu concebo que ela se deveria escrever: história não tanto dos indivíduos como da Nação; história que não ponha à luz do presente o que se deve ver à luz do passado; história, enfim, que ligue os elementos diversos que constituem a existência de um povo em qualquer época, em vez de ligar um ou dois desses elementos, não com os outros que com ele coexistem, mas com os seus afins na sucessão dos tempos.
A hist√≥ria pode comparar-se a uma coluna pol√≠gona de m√°rmore. Quem quiser examin√°-la deve andar ao redor dela, contempl√°-la em todas as suas faces. O que entre n√≥s se tem feito, com honrosas excep√ß√Ķes, √© olhar para um dos lados,

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Não conheço nenhuma excepção a esta regra: custa menos comprar o leite do que ter uma vaca.

Os Dias Zangados S√£o Dias de Amor

Raios partam os dias zangados. Nada há que se possa fazer para fugir deles. Esperam por nós, como credores ajudados por juros injustificáveis, para nos cortarem a fatia do nosso coração que lhes cabe.
Não são como os dias tristes, que não conseguem habituar-se a uma realidade qualquer, que se revelou, sem querer, desiludindo-nos de uma ilusão que nós próprios inventámos, para mais facilmente podermos acreditar, falsamente, nela. Mas assemelham-se para mais bem nos poderem magoar. Depois. Quase ao mesmo tempo. Bem.
Quem não tem um dia zangado, em que ninguém ou nada corresponde ao que esperávamos? A felicidade é a excepção e o engano. Resulta mais de um esquecimento do que de uma lembrança.
Pouco h√° de certo neste mundo. S√£o muitos os pobres, mas n√£o s√£o poucos os ricos. As pessoas do sexo masculino n√£o se entendem nem com as pessoas do sexo masculino, nem com as do sexo feminino. As pessoas, sejam de que sexo e sexualidade forem, compreendem-se mal. D√£o-se mal, por muito bem que se d√™em. As mais apaixonadas umas pelas outras s√£o as que menos bem aceitam as diferen√ßas, as incompreens√Ķes, os dias zangados e as noites zangadas que apenas servem para nos relembrar que todos n√≥s nascemos e morremos sozinhos.

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Todos os animais, com a exceção do homem, sabem que o principal objetivo da vida é desfrutar dela.

Todo o indiv√≠duo tem direito √† honra; √† gl√≥ria, apenas as excep√ß√Ķes, pois apenas mediante realiza√ß√Ķes excepcionais √© poss√≠vel atingi-la.

O Orgulho Nacional

O tipo mais barato de orgulho √© o orgulho nacional. Ele trai naquele que por ele √© possu√≠do a aus√™ncia de qualidades individuais, das quais ele se poderia orgulhar; caso contr√°rio, n√£o recorreria √†quelas que compartilha com tantos milh√Ķes. Quem possui m√©ritos pessoais distintos reconhecer√°, antes, de modo mais claro, os defeitos da sua pr√≥pria na√ß√£o, pois sempre os tem diante dos olhos. Mas todo o pobre-diabo, que n√£o tem nada no mundo de que se possa orgulhar, agarra-se ao √ļltimo recurso, o de se orgulhar com a na√ß√£o √† qual pertence; isso faz com que se sinta recuperado e, na sua gratid√£o, pronto para defender com unhas e dentes todos os defeitos e desvarios pr√≥prios √† tal na√ß√£o. Desse modo, de cinquenta ingleses, por exemplo, haver√° no m√°ximo um que concordar√° connosco quando falarmos, com justo desprezo, da beatice est√ļpida e degradante da sua na√ß√£o; mas esta √ļnica excep√ß√£o ser√° com certeza um homem de cabe√ßa.

As Opini√Ķes

Quando me manifestei com tanto ardor contra a opini√£o, estava ainda sob o seu jugo, sem me aperceber. Queremos ser estimados pelas pessoas que estimamos e, enquanto pude julgar favoravelmente os homens, ou pelo menos certos homens, os ju√≠zos que eles faziam a meu respeito n√£o me podiam ser indiferentes. Via que os ju√≠zos do p√ļblico s√£o muitas vezes justos; mas n√£o via que essa justi√ßa resultava do acaso, que as regras sobre as quais os homens fundamentam as suas opini√Ķes s√£o extra√≠das apenas das suas paix√Ķes ou dos seus preconceitos, que prov√™m deles, e que, mesmo quando ajuizam bem, √© frequente que esses bons ju√≠zos nas√ßam de um mau princ√≠pio, como acontece quando fingem honrar, a prop√≥sito de algum sucesso, o m√©rito de um homem, n√£o por esp√≠rito de justi√ßa, mas para se dar ares de imparcialidade, ao mesmo tempo que caluniam √† vontade esse homem relativamente a outros pontos.
Quando, por√©m, ap√≥s longas e v√£s pesquisas, vi que todos eles, sem excep√ß√£o, se mantinham dentro do sistema mais in√≠quio e absurdo que um esp√≠rito infernal pode inventar; quando vi que, a meu respeito, a raz√£o fora banida de todas as cabe√ßas e a justi√ßa de todos os cora√ß√Ķes;

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Mas todas as mães, sem exceção, deram à luz grandes homens e se a vida as enganou em seguida, delas não foi a culpa.

A Imprensa Privada

Eu n√£o tenho nada contra a imprensa privada. Venha ela, √≥ptimo! Simplesmente, o capitalismo portugu√™s que alimenta a imprensa privada, √© o capitalismo que gosta que lhe publiquem o dia dos anos no jornal e a sua pose num ¬ęcocktail¬Ľ… Isto √© um exemplo aned√≥tico. N√£o √© capaz daquela simulada isen√ß√£o, de dizer: se for preciso critiquem-me para disfar√ßar. Temos uma imprensa privada um pouco provinciana, de elogio velado ou mesmo aberto √†s fontes econ√≥micas que a sustentam. Assinalam-se excep√ß√Ķes, naturalmente.
Temos uma imprensa privada um pouco provinciana, de elogio velado ou mesmo aberto √†s fontes econ√≥micas que a sustentam. Assinalam-se excep√ß√Ķes, naturalmente.

Compreende que este turbilhão é assim mesmo, leva as folhas do mato e os farrapos do caminho, sem exceção nem piedade.

Serenata à Chuva

Chuva, manh√£ cinza, guarda-chuva.
Entrar no contexto, dois pontos. Ele e ela
abraçados caminham sob o tecto
do guarda-chuva que os guarda.
Pelas ruas v√£o com a vontade de voltar
ao branco dos lençóis. Esse objecto prosaico
que às vezes se vira com o vento
torna-se objecto de poema. Dizer também
como a chuva é doce neste dia de verão.
Como o amor altera o sentido da chuva,
sim, como ela se eleva no ar e as frases se colam
ao vestido. No interior da pele o poema mudou
desde que entraste no guarda-chuva esquecido
a um canto do arm√°rio. Talvez o amor seja tudo amar
sem excepção. Eu que nunca uso guarda-chuva
assino incondicionalmente este poema.