Passagens sobre Exceção

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Frases sobre exce√ß√£o, poemas sobre exce√ß√£o e outras passagens sobre exce√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Vida é uma Eternidade

Sabemos que vamos morrer e que estaremos mortos tanto tempo como n√£o estivemos √† espera para nascer. √Č banal dizer-se que a vida √© um intervalo ou uma passagem ou um instante. N√£o √©. A vida √© uma excep√ß√£o generosamente comprida √† regra nem triste nem alegre da inexist√™ncia.
A vida est√° para o nada como o planeta Terra est√° para o sistema solar a que pertence. Sim, pode haver vida noutros planetas. Mas ser√° uma vida que vale a pena viver? Ou que apenas vale a pena estudar?

Sabemos que temos muito tempo de vida: muito mais do que precisamos. O direito à preguiça e à procrastinação está consagrado na nossa vida e faz logo, à partida, parte dela.
Sabemos que somos obrigados a pensar, errada e repetidamente, que o tempo em que estamos vivos √© importante. E que as nossas no√ß√Ķes de decl√≠nio (“dantes √© que era bom; os jovens de hoje n√£o sabem o que perdem”) s√£o lugares-comuns de todas as gera√ß√Ķes antes de n√≥s.

Sabemos que não há ninguém que não envelheça, desde o bebé que nasceu neste segundo até ao velho que, por ter morrido agora mesmo, deixou de envelhecer.

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A Moral n√£o me ajuda. Sou antag√īnico nato. Sou uma daquelas pessoas que s√£o feitas para exce√ß√Ķes, n√£o para regras. (De Profundis)

Sem qualquer excep√ß√£o, homens e mulheres de todas as idades, de todas as culturas, de todos os graus de instru√ß√£o e de todos os n√≠veis econ√≥micos t√™m emo√ß√Ķes, est√£o atentos √†s emo√ß√Ķes dos outros, cultivam passatempos que manipulam as suas pr√≥prias emo√ß√Ķes, e governam as suas vidas, em grande parte, pela procura de uma emo√ß√£o, a felicidade, e pelo evitar das emo√ß√Ķes desagrad√°veis. √Ä primeira vista, n√£o existe nada de caracteristicamente humano nas emo√ß√Ķes, uma vez que √© bem claro que os animais tamb√©m t√™m emo√ß√Ķes. No entanto, h√° qualquer coisa de muito caracter√≠stico no modo como as emo√ß√Ķes est√£o ligadas √†s ideias, aos valores, aos princ√≠pios e aos ju√≠zos complexos que s√≥ os seres humanos podem ter , sendo nessa liga√ß√£o que reside a nossa ideia bem leg√≠tima de que a emo√ß√£o humana √© especial. A emo√ß√£o humana n√£o se reduz ao prazer sexual ou ao pavor de r√©pteis. Tem a ver, igualmente, com o horror de testemunhar o sofrimento e com a satisfa√ß√£o de ver cumprida a justi√ßa.

N√£o vou ser modesto sobre isto, mas ir√£o descobrir que, √† parte um par de excep√ß√Ķes, a maioria dos m√ļsicos com que trabalhei fizeram de longe o seu melhor trabalho quando trabalharam comigo.

Que Significado Tem a Felicidade?

Deve-se neste momento – relacionando-a com certas informa√ß√Ķes do dicion√°rio – formular ainda a pergunta: o que s√£o afinal os bens da vida humana? Quem nos diz que um determinado bem √© superior ou inferior? H√° lacunas desagrad√°veis nos dicion√°rios, at√© nos mais conhecidos. Pode-se demonstrar que h√° pessoas para quem DM 2,5 s√£o um bem muito superior a qualquer outra vida humana, com excep√ß√£o da deles, e h√° at√© outros que, por amor a um bocado de chouri√ßo de sangue, que conseguem ou n√£o apanhar, arriscam sem hesita√ß√£o os bens das mulheres e dos filhos, como, por exemplo: uma vida familiar alegre e a presen√ßa de um pai ao menos uma vez radiante. E que significado tem esse bem, que louvamos sob o nome de F.(Felicidade)? Que diabo, este est√° bem perto da F., se consegue juntar as tr√™s ou quatro beatas que chegam para ele fazer outro cigarro ou se pode beber o resto de Vermute de uma garrafa que se deitou fora, aquele precisa para ser feliz durante cerca de dez minutos – pelo menos segundo o costume ocidental de amor a ritmo acelerado-, mais precisamente: para estar r√†pidamente com a pessoa que naquele momento deseja, precisa de um avi√£o a jacto particular,

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N√£o te Queixes

N√£o te queixes. Recolhe em ti a amargura, n√£o a disperses, n√£o a esbanjes com os outros. Ela √© tua, nasceu de ti, da tua mis√©ria, pertence-te como os ossos e as v√≠sceras. Concentra-te nela, absorve-a, faz dela a tua grandeza. Porque s√≥ se √© grande pelo sofrimento, n√£o pela futilidade do prazer. As pedras n√£o sofrem, Cristo esteve ¬ętriste at√© √† morte¬Ľ. Tem desprezo pelos homens felizes, porque dos homens felizes ¬ęn√£o reza a hist√≥ria¬Ľ. S√≥ a dor pode medir o teu tamanho de excep√ß√£o, s√≥ ela pode medir o que tu vales. O sofrimento med√≠ocre n√£o d√° mais do que a com√©dia, mas a grandeza da trag√©dia s√≥ pode atribuir-se aos grandes. N√£o te aconselho a que v√°s ao encontro da amargura, mas se ela vier ter contigo, acolhe-a com serenidade. N√£o sucumbas aos seus golpes, aguenta-os at√© onde puderes. E se √©s homem de verdade, tu a aguentar√°s.
Também as grandes alegrias são do destino dos grandes, porque elas são irmãs dos grandes sofrimentos. Só os pequenos e mesquinhos se alegram e sofrem com o que é mesquinho e pequeno. Aquilo que é pequeno é imperceptível a quem o não é. Que juízo fazem de ti,

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Não sei, se, com excepção da sabedoria, os deuses imortais autorgaram ao homem algo melhor que a amizade.

Nenhuma arte simula a vida como o cinema. Todavia, n√£o √© uma vida. Tamb√©m n√£o √© propriamente uma arte. Porque √© uma acumula√ß√£o, uma s√≠ntese de todas as artes. O cinema n√£o existia sem a pintura, sem a literatura, sem a dan√ßa, sem a m√ļsica, sem o som, sem a imagem, tudo isto √© um conjunto de todas as artes, de todas sem exce√ß√£o.

Algu√©m que tenha a coragem de ter m√£o em n√≥s. A democracia liberal √© obviamente o √ļnico sistema pol√≠tico que √© aceit√°vel, tem in√ļmeras qualidades, mas tamb√©m s√£o inumer√°veis os defeitos. √Č, na verdade, a express√£o institucional do ser humano. O pior √© que os seres humanos, fora algumas excep√ß√Ķes, s√£o fracos, vol√ļveis, ego√≠stas, vaidosos, influenci√°veis e maus.

Vítimas e Vencidos

A ilusão constante da Revolução está em acreditar que as vítimas da força, estando inocentes das violências que se exercem, se lhes colocássemos na mão a força, a manuseariam com justiça. Mas à excepção das almas que estão bastante próximas da santidade, as vítimas são maculadas pela força como os carrascos. O mal que se encontra no punho da espada é transmitido para a ponta. E as vítimas, chegadas assim a este ponto e inebriadas pela mudança, fazem tanto mal ou mais ainda, e de imediato reincidem.
(…) O socialismo consiste em atribuir o bem aos vencidos, e o racismo aos vencedores. Mas a asa revolucion√°ria do socialismo serve-se daqueles que, ainda nascidos em baixo, s√£o por natureza e por voca√ß√£o vencedores, e assim conduz √† mesma √©tica.

Os Juízos Ligeiros da Imprensa

Incontestavelmente foi a imprensa, com a sua maneira superficial e leviana de tudo julgar e decidir, que mais concorreu para dar ao nosso tempo o funesto e j√° irradic√°vel h√°bito dos ju√≠zos ligeiros. Em todos os s√©culos se improvisaram estouvadamente opini√Ķes: em nenhum, por√©m, como no nosso, essa improvisa√ß√£o impudente se tornou a opera√ß√£o corrente e natural do entendimento. Com excep√ß√£o de alguns fil√≥sofos mais met√≥dicos, ou de alguns devotos mais escrupulosos, todos n√≥s hoje nos desabituamos, ou antes nos desembara√ßamos alegremente do penoso trabalho de reflectir. √Č com impress√Ķes que formamos as nossas conclus√Ķes. Para louvar ou condenar em pol√≠tica o facto mais complexo, e onde entrem factores m√ļltiplos que mais necessitem de an√°lise, n√≥s largamente nos contentamos com um boato escutado a uma esquina. Para apreciar em literatura o livro mais profundo, apenas nos basta folhear aqui e al√©m uma p√°gina, atrav√©s do fumo ondeante do charuto.
O m√©todo do velho Cuvier, de julgar o mastodonte pelo osso, √© o que adoptamos, com magn√≠fica inconsci√™ncia, para decidir sobre os homens e sobre as obras. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza √© fulminante. Com que espl√™ndida facilidade exclamamos, ou se trate de um estadista, ou se trate de um artista: ¬ę√Č uma besta!

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Grandes Homens Forjam-se a si Próprios

Para conhecer a realidade do mundo, √ļnico fim s√©rio da ci√™ncia, √© preciso entrar no combate da vida como entravam na li√ßa os paladinos bastardos – sem pai e sem padrinho. Os pr√≠ncipes n√£o constituem excep√ß√£o a esta lei geral da forma√ß√£o dos homens. Da educa√ß√£o de gabinete, do bafo enervante dos mestres, dos camareiros e das aias, nunca sairam sen√£o doentes e pedantes.
Na sagração dos czares há uma cerimónia de alta significação simbólica: o imperador não se confirma enquanto por três vezes não haja descido do trono e penetrado sozinho na multidão; e isto quer dizer que na convivência do povo a autoridade e o valor dos monarcas recebe uma tão sagrada unção como a da santa crisma. Todos os reis fortes se fizeram e se educaram a si mesmos nos mais rudes e mais hostis contactos da natureza e da sociedade humana.
Veja vossa alteza Carlos Magno, que s√≥ aos quarenta anos √© que mandou chamar um mestre para aprender a ler. Veja Pedro o Grande, do qual a educa√ß√£o de c√Ęmara come√ßou por fazer um poltr√£o. Aos quinze anos n√£o se atrevia a atravessar um ribeiro. Reagiu enfim sobre si mesmo pela sua √ļnica for√ßa pessoal.

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Todos nós, sem excepção, passamos a vida à procura do segredo da vida. Pois bem: o segredo da vida reside na arte.

Todos os homens, sem excepção, procuram ser felizes. Embora por meios diferentes, tendem todos para este fim.

A Moral entre a Verdade e a Subjectividade

Um homem que busca a verdade torna-se s√°bio; um homem que pretende dar r√©dea solta √† sua subjectividade torna-se, talvez, escritor; e que far√° um homem que busca algo que se situa entre essas duas hip√≥teses? Mas tais exemplos, os de algo que est√° ¬ęentre¬Ľ, encontramo-los em qualquer senten√ßa moral, a come√ßar pela mais simples e mais conhecida: ¬ęn√£o matar√°s¬Ľ. V√™-se imediatamente que n√£o √© nem uma verdade nem uma experi√™ncia subjectiva. Sabe-se que, em muitos aspectos, nos conformamos estritamente a ela, mas que, por outro lado, se aceitam numerosas excep√ß√Ķes, ainda que perfeitamente delimitadas; no entanto, num grande n√ļmero de casos de um terceiro tipo – por exemplo na imagina√ß√£o, na esfera dos desejos, nas pe√ßas de teatro ou no prazer que experimentamos ao ler as not√≠cias dos jornais – deixamo-nos oscilar descontroladamente entre a avers√£o e a atrac√ß√£o.
Por vezes aquilo a que n√£o podemos chamar nem verdade nem experi√™ncia pessoal recebe o nome de imperativo. Tais imperativos foram associados aos dogmas da religi√£o ou da lei, concedendo-lhes assim o car√°cter de uma verdade derivada, mas os romancistas narram as excep√ß√Ķes, a come√ßar pelo sacrif√≠cio de Abra√£o e terminando na bela mulher jovem que matou o amante a tiro,

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