Cita√ß√Ķes sobre Famosos

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Frases sobre famosos, poemas sobre famosos e outras cita√ß√Ķes sobre famosos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Cam√Ķes III

Quando, torcendo a chave misteriosa
Que os cancelos fechava do Oriente,
O Gama abriu a nova terra ardente
Aos olhos da companha valorosa,

Talvez uma vis√£o resplandecente
Lhe amostrou no futuro a sonorosa
Tuba. que cantaria a ação famosa
Aos ouvidos da própria e estranha gente.

E disse: “Se j√° noutra, antiga idade,
Tróia bastou aos homens, ora quero
Mostrar que é mais humana a humanidade.

Pois não serás herói de um canto fero,
Mas vencer√°s o tempo e a imensidade
Na voz de outro moderno e brando Homero”.

Os Feitos Simples s√£o os Mais Elogiados e Lembrados

Duas pátrias produziram dois heróis: de Tebas saiu Hércules; de Roma saiu Catão. Foi Hércules aplauso da orbe, foi Catão enfado de Roma. A um admiraram todos, ao outro esquivaram-se os romanos. Não admite controvérsia a vantagem que levou Catão a Hércules, pois o excedeu em prudência; mas ganhou Hércules a Catão em fama. Mais de árduo e primoroso teve o assunto de Catão, pois se empenhou em sujeitar os monstros dos costumes, e Hércules os da natureza; mas teve mais de famoso o do tebano. A diferença consistiu em que Hércules empreendeu façanhas plausíveis e Catão odiosas. A plausibilidade do cargo levou a glória de Alcides (nome anterior de Hércules) aos confins do mundo, e passará ainda além deles caso se alarguem. O desaprezível do cargo circunscreveu Catão ao interior das muralhas de Roma.
Com tudo isto, preferem alguns, e não os menos judiciosos, o assunto primoroso ao mais plausível, e pode mais com eles a admiração de poucos que o aplauso de muitos, sendo vulgares. Os milagres de ignorantes apelam aos empenhos plausíveis. O árduo, o primoroso de um superior assunto poucos o percebem, embora eminentes, sendo assim raros os que nele acreditam. A facilidade do plausível permite-se a todos,

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Todos nós somos espertos o suficiente para invejar um famoso homem enquanto ele ainda está vivo, e louvando a ele quando ele está morto.

As Desvantagens do Ateísmo

Parece-nos que o homem feliz n√£o colhe vantagem alguma em ser ateu. √Č-lhe t√£o agrad√°vel cismar que os seus dias se prolongar√£o al√©m da vida! Com que desespero n√£o deixaria ele este mundo, se acreditasse separar-se para sempre da felicidade! Debalde sobre a sua cabe√ßa se acumulariam todos os bens do s√©culo, que serviriam apenas para lhe tornar mais tormentoso o nada.
O rico pode tamb√©m contar com que a religi√£o lhe amplie os prazeres, mesclando-os com inexplic√°vel ternura; n√£o se lhe endurecer√° o cora√ß√£o, o gozo, escolho inevit√°vel das grandes prosperidades, n√£o o infastiar√°; que a religi√£o refrigera as sequid√Ķes da alma: √© o que representa esse √≥leo santo com que o cristianismo consagrava a realeza, a inf√Ęncia, e a morte, para as salvar da esterilidade.
O guerreiro arremessa-se ao combate: ser√° ateu esse filho da gl√≥ria? O que busca uma vida infinita consentir√° em termin√°-la? Aparecei sobre as vossas nuvens fulminantes, soldados inumer√°veis, antigas legi√Ķes da p√°tria! Famosas mil√≠cias de Fran√ßa, e agora mil√≠cias do c√©u, aparecei! Dizei aos her√≥is da nossa idade, do alto da cidade santa, que o bravo n√£o cai inteiro no tumulo, e que, ap√≥s ele, permanece alguma coisa mais que um v√£o renome.

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O √ďpio

…Havia ruas inteiras dedicadas ao √≥pio… Os fumadores deitavam-se sobre baixas tarimbas… Eram os verdadeiros lugares religiosos da √ćndia… N√£o tinham nenhum luxo, nem tape√ßarias, nem coxins de seda… Era tudo madeira por pintar, cachimbos de bambu e almofadas de lou√ßa chinesa… Pairava ali uma atmosfera de dec√™ncia e austeridade que n√£o existia nos templos… Os homens adormecidos n√£o faziam movimento ou ru√≠do… Fumei um cachimbo… N√£o era nada… Era um fumo caliginoso, morno e leitoso… Fumei quatro cachimbos e estive cinco dias doente, com n√°useas que vinham da espinha dorsal, que me desciam do c√©rebro… E um √≥dio ao sol, √† exist√™ncia… O castigo do √≥pio… Mas aquilo n√£o podia ser tudo… Tanto se dissera, tanto se escrevera, tanto se vasculhara nas maletas e nas malas, tentando apanhar nas alf√Ęndegas o veneno, o famoso veneno sagrado… Era preciso vencer a repugn√Ęncia… Devia conhecer o √≥pio, provar o √≥pio, afim de dar o meu testemunho… Fumei muitos cachimbos, at√© que conheci… N√£o h√° sonhos, n√£o h√° imagens, n√£o h√° paroxismos… H√° um enfraquecimento met√≥dico, como se uma nota infinitamente suave se prolongasse na atmosfera… Um desvanecimento, um v√°cuo dentro de n√≥s… Qualquer movimento do cotovelo, da nuca, qualquer som distante de carruagem,

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O Que Sou e o Que Faço Neste Mundo

Involuntariamente, inconscientemente, nas leituras, nas conversas e at√© junto das pessoas que o rodeavam, procurava uma rela√ß√£o qualquer com o problema que o preocupava. Um ponto o preocupava acima de tudo: por que √© que os homens da sua idade e do seu meio, os quais exactamente como ele, pela sua maior parte, haviam substitu√≠do a f√© pela ci√™ncia, n√£o sofriam por isso mesmo moralmente? N√£o seriam sinceros? Ou compreendiam melhor do que ele as respostas que a ci√™ncia proporciona a essas quest√Ķes perturbadoras? E punha-se ent√£o a estudar, quer os homens, quer os livros, que poderiam proporcionar-lhe as solu√ß√Ķes t√£o desejadas.
(…) Atormentado constantemente por estes pensamentos, lia e meditava, mas o objectivo perseguido cada vez se afastava mais dele. Convencido de que os materialistas nenhuma resposta lhe dariam, relera, nos √ļltimos tempos da sua estada em Moscovo, e depois do seu regresso √† aldeia, Plat√£o e Espinosa, Kant e Schelling, Hegel e Schopenhauer. Estes fil√≥sofos satisfaziam-no enquanto se contentavam em refutar as doutrinas materialistas e ele pr√≥prio encontrava ent√£o argumentos novos contra elas; mas, assim que abordava – quer atrav√©s das leituras das suas obras, quer atrav√©s dos racioc√≠nios que estas lhe inspiravam – a solu√ß√£o do famoso problema,

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Sonhar é Preciso

Sem sonhos, as pedras do caminho tornam-se montanhas, os pequenos problemas s√£o insuper√°veis, as perdas s√£o insuport√°veis, as decep√ß√Ķes transformam-se em golpes fatais e os desafios em fonte de medo.
Voltaire disse que os sonhos e a esperan√ßa nos foram dados como compensa√ß√£o √†s dificuldades da vida. Mas precisamos de compreender que os sonhos n√£o s√£o desejos superficiais. Os sonhos s√£o b√ļssolas do cora√ß√£o, s√£o projectos de vida. Os desejos n√£o suportam o calor das dificuldades. Os sonhos resistem √†s mais altas temperaturas dos problemas. Renovam a esperan√ßa quando o mundo desaba sobre n√≥s.

John F. Kennedy disse que precisamos de seres humanos que sonhem o que nunca foram. Tem fundamento o seu pensamento, pois os sonhos abrem as janelas da mente, arejam a emoção e produzem um agradável romance com a vida.
Quem n√£o vive um romance com a sua vida ser√° um miser√°vel no territ√≥rio da emo√ß√£o, ainda que habite em mans√Ķes, tenha carros luxuosos, viaje em primeira classe nos avi√Ķes e seja aplaudido pelo mundo.

Precisamos de perseguir os nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem de ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar, ainda que nem todas as metas sejam atingidas.

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N√£o Lamentes, Oh Nise, O Teu Estado;

N√£o lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milh√Ķes de vezes putas t√™m reinado:

Dido foi puta, e puta dum soldado;
Cle√≥patra por puta alcan√ßa a c’roa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono n√£o passa por honrado:

Essa da R√ļssia imperatriz famosa,
Que inda h√° pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo d√£o a sua greta:
N√£o fiques, pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.

A Minha Mulher, Matilde Urrutia

A minha mulher √© provinciana como eu. Nasceu numa cidade do Sul, em Chill√°n, famosa pela sorte de possuir uma bela cer√Ęmica camponesa e pela infelicidade de sofrer frequentemente terr√≠veis terramotos. Falando para ela, disse-lhe tudo nos meus Cem Sonetos de Amor.
Talvez estes versos definam o que ela significa para mim. A terra e a vida nos juntaram.
Embora isto n√£o interesse a ningu√©m, somos felizes. Dividimos o nosso tempo comum em longas perman√™ncias na solit√°ria costa do Chile. N√£o no Ver√£o, porque o litoral ressequido pelo sol se mostra amarelo e des√©rtico; antes no Inverno, quando, em estranha flora√ß√£o, a terra se veste com as chuvas e o frio, de verde e amarelo, de azul e de p√ļrpura. Subimos algumas vezes do solit√°rio e selv√°tico oceano para a nervosa cidade de Santiago, na qual sofremos juntamente com a complicada exist√™ncia dos outros.

Matilde canta com voz poderosa as minhas can√ß√Ķes.
Eu dedico-lhe quanto escrevo e quanto tenho. Não é muito, mas ela está contente.
Vejo-a agora a enterrar os sapatos min√ļsculos na lama do jardim e, em seguida, a enterrar tamb√©m as suas min√ļsculas m√£os na profundidade da planta.
Da terra,

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Levei quinze anos para descobrir que n√£o sabia escrever, mas a√≠ n√£o podia mais parar. Tinha ficado famoso demais…

Aprender a Ver

Aprender a ver – habituar os olhos √† calma, √† paci√™ncia, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-n√≥s; aprender a adiar o ju√≠zo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este √© o primeiro ensino preliminar para o esp√≠rito: n√£o reagir imediatamente a um est√≠mulo, mas sim controlar os instintos que p√Ķem obst√°culos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, √© j√° quase o que o modo afilos√≥fico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto √©, precisamente, o poder n√£o ¬ęquerer¬Ľ, o poder diferir a decis√£o. Toda a n√£o-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resist√™ncia a um est√≠mulo ‚ÄĒ tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que √© j√° doen√ßa, decad√™ncia, sintoma de esgotamento, ‚ÄĒ quase tudo o que a rudeza afilos√≥fica designa com o nome de ¬ęv√≠cio¬Ľ √© apenas essa incapacidade fisiol√≥gica de n√£o reagir. ‚ÄĒ Uma aplica√ß√£o pr√°tica do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-√° a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novo de qualquer esp√©cie deixar-se-o-√° aproximar-se com uma tranquilidade hostil, ‚ÄĒ afasta-se dele a m√£o. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno,

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O Que é a Religião ?

De in√≠cio, portanto, em vez de perguntar o que √© religi√£o, eu preferiria indagar o que caracteriza as aspira√ß√Ķes de uma pessoa que me d√° a impress√£o de ser religiosa: uma pessoa religiosamente esclarecida parece-me ser aquela que, tanto quanto lhe foi poss√≠vel, libertou-se dos grilh√Ķes, dos seus desejos ego√≠stas e est√° preocupada com pensamentos, sentimentos e aspira√ß√Ķes a que se apega em raz√£o do seu valor suprapessoal. Parece-me que o que importa √© a for√ßa desse conte√ļdo suprapessoal, e a profundidade da convic√ß√£o na superioridade do seu significado, quer se fa√ßa ou n√£o alguma tentativa de unir esse conte√ļdo com um Ser divino, pois, de outro modo, n√£o poder√≠amos considerar Buda e Espinoza como personalidades religiosas. Assim, uma pessoa religiosa √© devota no sentido de n√£o ter nenhuma d√ļvida quanto ao valor e emin√™ncia dos objectivos e metas suprapessoais que n√£o exigem nem admitem fundamenta√ß√£o racional. Eles existem, t√£o necess√°ria e corriqueiramente quanto ela pr√≥pria.

Nesse sentido, a religi√£o √© o antiqu√≠ssimo esfor√ßo da humanidade para atingir uma clara e completa consci√™ncia desses valores e metas e refor√ßar e ampliar incessantemente o seu efeito. Quando concebemos a religi√£o e a ci√™ncia segundo estas defini√ß√Ķes, um conflito entre elas parece imposs√≠vel.

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Entro Pelo Uraguai: Vejo A Cultura

Entro pelo Uraguai: vejo a cultura
Das novas terras por engenho claro;
Mas chego ao Templo magnífico e paro
Embebido nos rasgos da pintura.

Vejo erguer-se a Rep√ļblica perjura
Sobre alicerces de um domínio avaro:
Vejo distintamente, se reparo,
De Caco usurpador a cova escura.

Famoso Alcides, ao teu braço forte
Toca vingar os cetros e os altares:
Arranca a espada, descarrega o corte.

E tu, Termindo, leva pelos ares
A grande ação já que te coube em sorte
A gloriosa parte de a cantares

Glória é Vaidade

A gl√≥ria repousa propriamente sobre aquilo que algu√©m √© em compara√ß√£o com os outros. Portanto, ela √© essencialmente relativa; por isso, s√≥ pode ter valor relativo. Desapareceria inteiramente se os outros se tornassem o que o glorioso √©. Uma coisa s√≥ pode ter valor absoluto se o mantiver sob todas as circunst√Ęncias; aqui, contudo, trata-se daquilo que algu√©m √© imediatamente e por si mesmo. Consequentemente, √© nisso que tem de residir o valor e a felicidade do grande cora√ß√£o e do grande esp√≠rito. Logo, valiosa n√£o √© a gl√≥ria, mas aquilo que faz com que algu√©m a mere√ßa, pois isso, por assim dizer, √© a subst√Ęncia, e a gl√≥ria √© apenas o acidente. Ela age sobre quem √© c√©lebre, sobretudo como um sintoma exterior pelo qual ele adquire a confirma√ß√£o da opini√£o elevada de si mesmo. Desse modo, poder-se-ia dizer que, assim como a luz n√£o √© vis√≠vel se n√£o for reflectida por um corpo, toda a excel√™ncia s√≥ adquire total consci√™ncia de si pr√≥pria pela gl√≥ria. Mas o sintoma n√£o √© sempre infal√≠vel, visto que tamb√©m h√° gl√≥ria sem m√©rito e m√©rito sem gl√≥ria. Eis a justificativa para a frase t√£o distinta de Lessing: Algumas pessoas s√£o famosas, outras merecem s√™-lo.

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