Passagens sobre Filmes

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Frases sobre filmes, poemas sobre filmes e outras passagens sobre filmes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Acção Mais Degradada

A ac√ß√£o mais degradada √© a daquele que n√£o age e passa procura√ß√£o a outrem para agir – a dos frequentadores dos espect√°culos de luta e a dos consumidores da literatura de viol√™ncia. Ser her√≥i e atrav√©s de outrem, ser corajoso em imagina√ß√£o, √© o limite extremo da ac√ß√£o gratuita, do orgulho ou da vaidade que n√£o ousa. Corre-se o risco sem se correr, experi¬≠menta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E √© por isso que os fIlmes de guerra, do hero√≠smo policial, de espionagem, t√™m de acabar bem. Por¬≠que o que a√≠ se procura √© justamente o sabor do triunfo e n√Ęo apenas do risco. O gosto do risco procura-o o her√≥i real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degra¬≠dado na sedu√ß√£o da ac√ß√£o, acentua a sua mediocridade no n√£o poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em fic√ß√£o, mas com a certeza pr√©via de que o risco √© vencido. O que ele procura √© a pequena lisonja √† sua vaidade pequena, a figura√ß√£o da coragem para a sua cobardia, e s√≥ a vit√≥ria do her√≥i a quem passou procura√ß√£o o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza,

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A nossa memória está nos livros, nas pinturas e nos filmes. Dizia Arturo Ripstein, um realizador mexicano, que os governos deviam ajudar os realizadores não por favor mas por obrigação, porque o cinema é o espelho da vida, não temos outro.

Com relação aos meus filmes, creio que não se baseiam tanto na procura como numa pesquisa. Se estivermos procurando por algo, o labirinto é o local mais adequado para a investigação.

Sinto que precisava de viver mais 50 anos para concretizar todos os projectos que tenho. Se tivesse os meios, não me custava nada fazer dois filmes por ano. Ideias não me faltam, seja através de projecto escritos por mim ou por grandes escritores.

O cinema √© mundano. E a santidade √© a fuga do mundano. √Č o desprendimento ‚Äď o sentimento de liberdade mais profundo ‚Äď de tudo quanto √© mundano, da vida, das atrac√ß√Ķes. √Č separar-se de tudo. Por tr√°s do cinema e do autor est√° a vaidade. Basta isso para destruir tudo. Ele faz isto ‚Äď gosta de receber pr√©mios, de receber elogios, que compreendam os seus filmes. E isso √© mundano ‚Äď √© deste mundo ‚Äď, a santidade n√£o √© deste mundo.

O Preço do Amor

N√£o √© f√°cil estar apaixonado por uma mulher e fazer alguma coisa de jeito. √Čs devorado pela ansiedade. N√£o conv√©m deixares-te embei√ßar por uma mulher que se mostre dif√≠cil de conquistar, isso e como passar o resto da vida a tentar escalar o Everest. Escolhe uma mulher que possas conservar sem muito esfor√ßo. Quanto a mulheres boas, podemos compr√°-las. Por meia d√ļzia de euros, arranjas uma russa de dezoito anos, dessas que nem nos filmes se veem. Fodes, pagas e regressas a casa para jantar com a fam√≠lia, com a tua mulher, que cozinha bem e fode mal, mas que n√£o lhe passa pela cabe√ßa separar-se de ti, entre outras coisas porque ningu√©m a olha com particular interesse. Ela vai √†s reuni√Ķes de pais na escola, controla as AMPAS, as APLAS, todas essas associa√ß√Ķes que nem sei como se chamam, esses servi√ßos, esse jarg√£o, esse lixo social-democrata que os do PP copiam com entusiasmo porque soa a fam√≠lia moderna e feliz, e tamb√©m um pouco a Opus Dei, e mete os mi√ļdos na ordem e sabe escolher o detergente mais eficaz no Mercadona e o melhor queijo e o melhor foie gras de fabrico pr√≥prio da charcutaria. Passa-te as camisas a ferro e cose-te os bot√Ķes.

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Vi a cena de nudez, parei o filme e tirei minhas roupas. Pedi a minha melhor amiga para dar uma olhada e comparar. Ela me disse: ‚ÄėVoc√™ est√° fabulosa, pronta para fazer isso‚Äô

A Esperança é o Bordão da Vida

A esperan√ßa √© o bord√£o da vida. H√° uma coisa do Padre Vieira, muito bonita, em que ele fala do Non. Terr√≠vel palavra √© o non, de qualquer lado por onde se pegue, √© sempre Non ‚Äď isto aparece no meu filme ‚ÄúNon ou a v√£ gl√≥ria de mandar‚ÄĚ, dito por esse grande actor, o Ruy de Carvalho. A √ļltima palavra do Vieira sobre Non √©: ‚ÄúO Non tira a esperan√ßa, que √© a √ļltima coisa que a natureza deixou ao homem‚ÄĚ. Sem esperan√ßa n√£o se pode viver.

[A esperança e o desejo são o que nos impele a fazer, prosseguir. Mas não é supremamente difícil mantê-los vivos?]

O desejo n√£o nos impele para existir. O desejo impele para a continuidade da esp√©cie. O que nos impele √† exist√™ncia √© o que diz o maia, ‚Äúcome para viveres‚ÄĚ, e isso √© a fome. A fome √© o que nos garante a subsist√™ncia. Se n√£o tiv√©ssemos fome, n√£o com√≠amos, n√£o comendo, n√£o sobreviv√≠amos. Se n√£o tiv√©ssemos o desejo, n√£o ter√≠amos a rela√ß√£o sexual e a rela√ß√£o sexual √© que garante a continuidade da esp√©cie. O desejo √© uma coisa, a fome √© outra. S√£o os dois para a continuidade: um para a continuidade do indiv√≠duo,

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Eu recebo ofertas de filmes t√£o ruins. E todos eles s√£o sobre rainhas, travestis ou marcianos.

A TV Como Instrumento Redutor

Porque √© que a TV foi essa ¬ęcaixinha que revolucionou o mundo¬Ľ? Fa√ßo a pergunta e as respostas v√™m em turbilh√£o. Fez de tudo um espect√°culo, fez do longe o mais perto, promoveu o analfabetismo e o atraso mental. De um modo geral, desnaturou o homem. E sobretudo miniturizou-o, fazendo de tudo um pormenor, isturado ao quotidiano dom√©stico. Porque mesmo um filme ou pe√ßa de teatro ou at√© um espect√°culo desportivo perdem a grandeza e metaf√≠sica de um largo espa√ßo de uma comunidade humana.

J√° um acto religioso √© muito diferente ao ar livre ou no interior de uma catedral. Mas a TV √© algo de min√ļsculo e trivial como o sof√° donde a presenciamos. Diremos assim e em resumo que a TV √© um instrumento redutor. Porque tudo o que passa por l√° chega at√© n√≥s diminu√≠do e desvalorizado no que lhe √© essencial. E a maior raz√£o disso n√£o est√° nas reduzidas dimens√Ķes do ecr√£, mas no facto de a ¬ęcaixa revolucionadora¬Ľ ser um objecto entre os objectos de uma sala.

Mas por sobre todos os males que nos infligiu, ergue-se o da promoção do analfabetismo. Ser é um acto difícil e olhar o boneco não dá trabalho nenhum.

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√Č imposs√≠vel fazer um bom filme sem uma c√Ęmera que seja como um olho no cora√ß√£o de um poeta.

Eu não acredito que algum filme ou alguma obra de arte vá resolver os problemas do Médio Oriente hoje em dia. Mas vale certamente a pena tentar.

Eu fiz bons filmes nos anos 50. Sei que posso ser um bom ator, tudo o que eles tem quer fazer é me dar uma chance!

Estou habituado a que recebam mal os meus filmes e isso não me altera, nem altera nada do que penso sobre o cinema. Eu reprovo o prémio da competição.