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Frases sobre in√≠cio, poemas sobre in√≠cio e outras passagens sobre in√≠cio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O homem √© o √ļnico ser que, ao nascer, nu sobre a terra nua, √© abandonado ao vagido e ao pranto; e nenhum animal √© mais propenso √†s l√°grimas do que ele, desde o in√≠cio da vida.

A Consciência é um Produto Social

S√£o os homens os produtores das suas representa√ß√Ķes, das suas ideias, etc.; mas os homens reais agentes, tais como s√£o condicionados por um desenvolvimento determinado das suas for√ßas produtivas e das rela√ß√Ķes que lhes correspondem. (…) A consci√™ncia n√£o pode ser coisa diversa do ser consciente e o ser dos homens √© o seu processo de vida real.
(…) Desde o in√≠cio que pesa uma maldi√ß√£o sobre ¬ęo esp√≠rito¬Ľ, a de estar ¬ęmanchado¬Ľ por uma mat√©ria que se apresenta aqui sob a forma de camadas de ar agitadas, de sons, de linguagem em suma. A linguagem √© t√£o velha quanto a consci√™ncia – a linguagem √© a consci√™ncia real, pr√°tica, existente tamb√©m para outros homens, existente tamb√©m igualmente para mim mesmo pela primeira vez, e, tal como a consci√™ncia, a linguagem s√≥ aparece com a necessidade, a necessidade de comunica√ß√£o com os outros homens. (‚Ķ) A consci√™ncia √© portanto, desde in√≠cio, um produto social, e assim suceder√° enquanto existirem homens em geral.

A Cólera dos Bondosos e a Cólera das Almas Fracas

Podemos distinguir duas esp√©cies de c√≥lera: uma que √© muito s√ļbita e se manifesta muito no exterior, mas mesmo assim tem pouco efeito e pode facilmente ser apaziguada; e outra que inicialmente n√£o aparece tanto, por√©m corr√≥i mais o cora√ß√£o e tem efeitos mais perigosos. Os que t√™m muita bondade e muito amor s√£o mais sujeitos √† primeira. Pois ela n√£o prov√©m de um √≥dio profundo, e sim de uma s√ļbita avers√£o que os surpreende, porque, sendo levados a imaginar que as coisas devem desenrolar-se da forma como julgam ser a melhor, t√£o logo acontece de forma diferente; eles ficam admirados e frequentemente se ofendem com isso, mesmo que a coisa n√£o os atinja pessoalmente, porque, tendo muita afei√ß√£o, interessam-se por aqueles a quem amam, da mesma forma que por si mesmos. Assim, o que para outra pessoa seria apenas motivo de indigna√ß√£o √© para eles um motivo de c√≥lera. E como a inclina√ß√£o que t√™m para amar faz que tenham muito calor e muito sangue no cora√ß√£o, a avers√£o que os surpreende n√£o pode impelir para este t√£o pouca bile que isso n√£o cause inicialmente uma grande emo√ß√£o no sangue. Mas tal emo√ß√£o pouco dura, porque a for√ßa da surpresa n√£o se prolonga e porque,

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Duas possibilidades: fazer-se infinitamente pequeno ou ser assim. A primeira é a perfeição, ou seja, a inacção; a segunda, o início, a acção.

‚ÄėQuem estiver triste deve ensaiar diante do espelho o sorriso mais jovial poss√≠vel, a fim de gravar na mente a convic√ß√£o de que √© feliz‚Äô ‚Äď quando assim digo, certas pessoas pensam que estou recomendando um m√©todo material. Mas o que estou pretendendo dizer √© que a pessoa deve olhar, dentre todas as suas facetas, apenas as positivas. Se uma pessoa deprimida ficar olhando sua fisionomia sombria, ficar√° ainda mais deprimida. √Č por isso que ela deve mudar sua atitude mental e sorrir diante do espelho. Isso √© um recurso, um expediente. No in√≠cio, o sorriso ser√° for√ßado, mas como o tempo a pessoa conseguir√° sorrir de modo natural.

A Convicção é Sempre Cega

O intelecto humano, quando assente numa convic√ß√£o (ou por j√° bem aceite e acreditada porque o agrada), tudo arrasta para seu apoio e acordo. E ainda que em maior n√ļmero, n√£o observa a for√ßa das inst√Ęncias contr√°rias, despreza-as, ou, recorrendo a distin√ß√Ķes, p√Ķe-nas de parte e rejeita, n√£o sem grande e pernicioso preju√≠zo. Gra√ßas a isso, a autoridade daquelas primeiras afirma√ß√Ķes permanece inviolada. E bem se houve aquele que, ante um quadro pendurado no templo, como ex-voto dos que se salvaram dos perigos de um naufr√°gio, instado a dizer se ainda se recusava a a√≠ reconhecer a provid√™ncia dos deuses, indagou por sua vez:¬ęE onde est√£o pintados aqueles que, a despeito do seu voto, pereceram?¬Ľ Essa √© a base de praticamente toda a supersti√ß√£o, trate-se de astrologia, interpreta√ß√£o de sonhos, aug√ļrios e que tais: encantados, os homens, com tal sorte de quimeras, marcam os eventos em que a predi√ß√£o se cumpre; quando falha – o que √© bem mais frequente – negligenciam-nos e passam adiante.
Esse mal insinua-se de maneira muito mais subtil na filosofia e nas ciências. Nestas, o de início aceite tudo impregna e reduz o que se segue, até quando parece mais firme e aceitável. Mais ainda: mesmo não estando presentes essa complacência e falta de fundamento a que nos referimos,

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A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida Рe se parece com o início de uma perdição irrecuperável.

Vai chegar a hora em que você irá acreditar que tudo acabou. Esse será apenas o início.

√Č Imposs√≠vel que o Tempo Actual n√£o Seja o Amanhecer doutra Era

√Č imposs√≠vel que o tempo actual n√£o seja o amanhecer doutra era, onde os homens signifiquem apenas um instinto √†s ordens da primeira solicita√ß√£o. Tudo quanto era coer√™ncia, dignidade, hombridade, respeito humano, foi-se. Os dois ou tr√™s casos pessoais que conhe√ßo do s√©culo passado, levam-me a concluir que era uma gente naturalmente cheia de limita√ß√Ķes, mas digna, direita, capaz de repetir no fim da vida a palavra com que se comprometera no in√≠cio dela. Al√©m disso her√≥ica nas suas dores, sofrendo-as ao mesmo tempo com a tristeza do animal e a grandeza da pessoa. Agora √© esta ferocidade que se v√™, esta coragem que n√£o d√° para deixar abrir um panar√≠cio ou parir um filho sem anestesia, esta tartufice, que a gente chega a perguntar que diferen√ßa haver√° entre uma humanidade que √© daqui, dali, de acol√°, conforme a brisa, e uma col√≥nia de bichos que sentem a humidade ou o cheiro do alimento de certo lado, e n√£o t√™m mais nenhuma hesita√ß√£o nem mais nenhum entrave.

O que é um Romance?

Um romance √© aquilo que o autor quiser que seja. O Herberto Helder tem raz√£o quando diz que est√° tudo misturado: n√£o se sabe quando √© que a poesia n√£o d√° origem a um romance, quando √© que um ensaio n√£o √© um romance, quando √© que no interior de um ensaio n√£o aparece um poema‚Ķ N√£o vejo por que √© que essas coisas h√£o-de ser catalogadas. H√° p√°ginas de grandes romances que s√£o grandes p√°ginas de poesia. Bom, mas isto √© mais um pressentimento que uma certeza, que o in√≠cio de uma teoria‚Ķ √Č uma interroga√ß√£o. O meu problema √© que sempre li mais prosa que poesia. Na verdade, a poesia aborrece-me mais. N√£o √© bem isso‚Ķ √© no sentido de que ocupa um espa√ßo muito menor nas minhas leituras.

O Amor √©…

O amor √© o in√≠cio. O amor √© o meio. O amor √© o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor √© um pr√©mio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor √© um farol e um naufr√°gio. O amor √© alegria. O amor √© tristeza. √Č ci√ļme, orgasmo, √™xtase. O n√≥s, o outro, a ci√™ncia da vida.
O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força.
O amor √© uma inquieta√ß√£o, uma esperan√ßa, uma certeza, uma d√ļvida. O amor d√°-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz.
O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda.
Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te.
O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso.

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O Prestígio da Poesia

O prest√≠gio da poesia √© menos ela n√£o acabar nunca do que propriamente come√ßar. √Č um in√≠cio perene, nunca uma chegada seja ao que for. E ficamos estendidos nas camas, enfrentando a perturbada imagem da nossa imagem, assim, olhados pelas coisas que olhamos. Aprendemos ent√£o certas ast√ļcias, por exemplo: √© preciso apanhar a ocasional distrac√ß√£o das coisas, e desaparecer; fugir para o outro lado, onde elas nem suspeitam da nossa consci√™ncia; e apanh√°-las quando fecham as p√°lpebras, um momento, r√°pidas, e rapidamente p√ī-las sob o nosso senhorio, apanhar as coisas durante a sua fortuita distrac√ß√£o, um interregno, um instante obl√≠quo, e enriquecer e intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas. Tamb√©m roub√°mos a cara chamejante aos espelhos, roub√°mos √† noite e ao dia as suas inextric√°veis imagens, roub√°mos a vida pr√≥pria √† vida geral, e fomos conduzidos por esse roubo a um equ√≠voco: a condena√ß√£o ou condana√ß√£o de inquilinos da irrealidade absoluta. O que excede a insolv√™ncia biogr√°fica: com os nomes, as coisas, os s√≠tios, as horas, a medida pequena de como se respira, a morte que se n√£o refuta com nenhum verbo, nenhum argumento, nenhum latroc√≠nio.
Vivemos demoniacamente toda a nossa inocência.

Nunca Exagerar

Grande mat√©ria de considera√ß√£o √© n√£o falar por superlativos, seja para n√£o se expor a ofender a verdade, seja para n√£o desdourar a sua cordura. As exagera√ß√Ķes s√£o prodigalidades do estimar, que d√£o in√≠cio de curteza de conhecimento e gosto. A louva√ß√£o desperta viva curiosidade, pica o desejo, mas depois, n√£o equivalendo o valor ao apre√ßo, como de ordin√°rio acontece, a expectativa volta-se contra o engano e desforra-se no menosprezo pelo celebrado e por quem celebrou. Anda, pois, o cordo bem devagar, e mais quer pecar pelo pouco que pelo muito. Raras s√£o as emin√™ncias: modere-se a estimativa. O encarecer √© parente do mentir, e nele se perde o cr√©dito de bom gosto, que √© grande, e o de douto, que √© maior.

Iniciação ao Diálogo

I

De início bastará que olhes mais vezes
na mesma direcção hoje evitada
(estandartes nos olhos s√£o mais leves
do que no coração duros tambores),
ainda que o teu olhar próprio não rompa
as lajes de ódio com que te muraste.

II

O vento e chuva e tempo, sobre a pedra
passando sempre, h√£o-de gast√°-la: um dia,
antes que a obture o musgo ou algum p√°ssaro
aí faça o ninho fofo, encontrarás,
entre o lado que afirmas teu e o outro,
uma r√©stia de azul ‚ÄĒ o azul de todos.

III

Talvez rumor de passos, para além
do muro atravessado aos teus des√≠gnios…
N√£o por√°s terra onde se p√īs o c√©u:
ver o que diz o ouvido agora queres,
e onde a rocha fendeu-se cabe um olho
humano e mais a boca do fuzil.

IV

Provando fr√°gil o que acreditavas
inexpugn√°vel, eis que em ti se fixam
atentos outro olho e outro fuzil!

V

Contemplador e contemplado, hesitas
aprendendo na espera o inesperado:
lares como os que tens,

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Grandes Planos de Vida

Uma das maiores e mais frequentes asneiras consiste em fazer grandes planos para a vida, qualquer que seja a sua natureza. Para come√ßar, esses planos pressup√Ķem uma vida humana inteira e completa, que, no entanto, somente pouqu√≠ssimos conseguem alcan√ßar. Al√©m disso, mesmo que estes consigam viver muito, esse per√≠odo de vida ainda √© demasiado curto para tais planos, uma vez que a sua realiza√ß√£o exige sempre muito mais tempo do que se imaginava; esses projectos, ademais, como todas as coisas humanas, est√£o de tal modo sujeitos a fracassos e obst√°culos, que raramente chegam a bom termo. E, mesmo se no final tudo √© alcan√ßado, n√£o se leva em conta o facto de que no decorrer dos anos o pr√≥prio ser humano se modifica e n√£o conserva as mesmas capacidades nem para agir, nem para usufruir:

aquilo que se prop√īs fazer durante a vida toda, na velhice parece-lhe insuport√°vel – j√° n√£o tem condi√ß√Ķes de ocupar a posi√ß√£o conquistada com tanta dificuldade, e portanto as coisas chegaram-lhe tarde demais; ou o inverso, quando ele quis fazer algo de especial e realiz√°-lo, √© ele que chega tarde demais com respeito √†s coisas. O gosto da √©poca mudou, a nova gera√ß√£o n√£o se interessa pelas suas conquistas,

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