Cita√ß√Ķes sobre Inspira√ß√£o

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Frases sobre inspira√ß√£o, poemas sobre inspira√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre inspira√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Viver √© acalentar sonhos e esperan√ßas, fazendo da f√© a nossa inspira√ß√£o maior. √Č buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz!

Nós não temos educação, temos inspiração, se eu tivesse sido educado eu seria um idiota.

Carta (a um Amigo que me Pediu Versos)

Como hei-de ser um Petrarca,
Cantar como um rouxinol,
Se o meu termómetro marca
Quarenta e dois graus ao sol!

Da lira b√°rbara e tosca
Nem saem trovas d’Alfama.
Enxota o Pégaso a mosca,
E eu durmo a sesta na cama.

A hipocondria maciça
Conduzo-a, não há remédio,
Na jumenta da preguiça
Pelas charnecas do tédio.

Eu trago a inspiração oca,
Ando abatido, ando mono;
Meus versos abrem a boca,
Como os porteiros com sono.

N√£o tenho a rima imprevista,
Os guizos d’oiro ou de opala,
Que à asa da estrofe o artista
Sublime prende ao larg√°-la.

P’ra lapidar √† vontade
Um belo verso radiante,
Falta-me a tenacidade,
Que é como o pó do diamante.

A musa foi-se-me embora;
Para onde foi nem me lembro;
Só a torno a ver agora
L√° para os fins de Setembro.

Anda talvez nas florestas
Fazendo orgias pag√£s,
Entre os aromas das giestas
E os braços dos Egipãs.

Deix√°-la andar l√° dois meses
Colhendo imagens e flores,

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O Meu Primeiro Poema

T√™m-me perguntado muitas vezes quando escrevi o primeiro poema, quando nasceu a minha poesia. Tentarei record√°-lo. Muito para tr√°s, na minha inf√Ęncia, mal sabendo ainda escrever, senti uma vez uma intensa como√ß√£o e rabisquei umas quantas palavras semi-rimadas, mas estranhas para mim, diferentes da linguagem quotidiana. Passei-as a limpo num papel, dominado por uma ansiedade profunda, um sentimento at√© ent√£o desconhecido, misto de ang√ļstia e de tristeza. Era um poema dedicado √† minha m√£e, ou seja, √†quela que conheci como tal, a ang√©lica madrasta cuja sombra suave me protegeu toda a inf√Ęncia. Completamente incapaz de julgar a minha primeira produ√ß√£o, levei-a aos meus pais. Eles estavam na sala de jantar, afundados numa daquelas conversas em voz baixa que dividem mais que um rio o mundo das crian√ßas e o dos adultos. Estendi-lhes o papel com as linhas, tremente ainda da primeira visita da inspira√ß√£o. O meu pai, distraidamente, tomou-o nas m√£os, leu-o distraidamente, devolveu-mo distraidamente, dizendo-me:
‚ÄĒ Donde o copiaste?

E continuou a falar em voz baixa com a minha mãe dos seus importantes e remotos assuntos. Julgo recordar que nasceu assim o meu primeiro poema e que assim tive a primeira amostra distraída de crítica literária.

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A Imaginação é a Base do Homem

De tal modo a imagina√ß√£o √© a base do homem ‚ÄĒ Joana de novo ‚ÄĒ que todo o mundo que ele tem constru√≠do encontra sua justificativa na beleza da cria√ß√£o e n√£o na sua utilidade, n√£o em ser o resultado de um plano de fins adequados √†s necessidades. Por isso √© que vemos multiplicarem-se os rem√©dios destinados a unir o homem √†s ideias e institui√ß√Ķes existentes ‚ÄĒ a educa√ß√£o, por exemplo, t√£o dif√≠cil ‚ÄĒ e vemo-lo continuar sempre fora do mundo que ele construiu. O homem levanta casas para olhar e n√£o para nelas morar. Porque tudo segue o caminho da inspira√ß√£o. O determinismo n√£o √© um determinismo de fins, mas um estreito determinismo de causas. Brincar, inventar, seguir a formiga at√© seu formigueiro, misturar √°gua com cal para ver o resultado, eis o que se faz quando se √© pequeno e quando se √© grande. √Č erro considerar que chegamos a um alto grau de pragmatismo e materialismo. Na verdade o pragmatismo ‚ÄĒ o plano orientado para um dado fim real ‚ÄĒ seria a compreens√£o, a estabilidade, a felicidade, a maior vit√≥ria de adapta√ß√£o que o homem conseguisse. No entanto fazer as coisas ¬ępara qu√™¬Ľ parece-me, perante a realidade,

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Se Queres Ser Feliz Abdica da Inteligência

Os tolos s√£o felizes; eu se fosse casado eliminava os tolos da minha casa. Cada cidad√£o, que me fosse apresentado, n√£o poderia s√™-lo, sem exibir o diploma de s√≥cio da academia real das ci√™ncias. Olha, crian√ßa, decora estas duas verdades que o Balzac n√£o menciona na ¬ęFisiologia do Casamento¬Ľ. Um erudito, ao p√© da tua mulher, fala-lhe na civiliza√ß√£o grega, na decad√™ncia do imp√©rio romano, em economia politica, em direito publico, e at√© em qu√≠mica aplicada ao extracto do esp√≠rito de rosas. Confessa que tudo isto o maior mal que pode fazer √† tua mulher √© adormec√™-la. O tolo n√£o √© assim. Como ignora e desdenha a ci√™ncia, dispara √† queima roupa na tua pobre mulher quantos galanteios importou de Paris, que s√£o originais em Portugal, porque s√£o ditos num idioma que n√£o √© franc√™s nem portugu√™s.

Tua mulher, se tem a infelicidade de não ter em ti um marido doce e meigo, começa a comparar-te com o tolo, que a lisonjeia, e acha que o tolo tem muito juízo. Concedido juízo ao tolo, concede-se-lhe razão; concedida a razão, concede-se-lhe tudo. Ora aí tens porque eu antes queria ao pé de minha mulher o padre José Agostinho de Macedo,

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Arte e Sensibilidade

1) Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade.
2) A sensibilidade é pessoal e intransmissível.
3) Para se transmitir a outrem o que sentimos, e é isso que na arte buscamos fazer, temos que decompor a sensação, rejeitando nela o que é puramente pessoal, aproveitando nela o que, sem deixar de ser individual, é todavia susceptível de generalidade, portanto, compreensível, não direi já pela inteligência, mas ao menos pela sensibilidade dos outros.
4) Este trabalho intelectual tem dois tempos: a) a intelectualiza√ß√£o directa e instintiva da sensibilidade, pela qual ela se converte em transmiss√≠vel (√© isto que vulgarmente se chama “inspira√ß√£o”, quer dizer, o encontrar por instinto as frases e os ritmos que reduzam a sensa√ß√£o √† frase intelectual (prim. vers√£o: tirem da sensa√ß√£o o que n√£o pode ser sens√≠vel aos outros e ao mesmo tempo, para compensar, refor√ßam o que lhes pode ser sens√≠vel); b) a reflex√£o cr√≠tica sobre essa intelectualiza√ß√£o, que sujeita o produto art√≠stico elaborado pela “inspira√ß√£o” a um processo inteiramente objectivo ‚ÄĒ constru√ß√£o, ou ordem l√≥gica, ou simplesmente conceito de escola ou corrente.
5) Não há arte intelectual, a não ser, é claro, a arte de raciocinar. Simplesmente,

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Não acredito em total liberdade para o artista. Deixado consigo mesmo, livre para fazer qualquer coisa que ele gosta, o artista acaba não fazendo nada. Se há uma coisa que é perigosa para um artista, é precisamente esta questão de total liberdade, à espera de inspiração e do resto.

O Segredo de Salvar-me Pelo Amor

Quem há aí que possa o cálix
De meus l√°bios apartar?
Quem, nesta vida de penas,
Poder√° mudar as cenas
Que ningu√©m p√īde mudar ?

Quem possui na alma o segredo
De salvar-me pelo amor?
Quem me dar√° gota de √°gua
Nesta angustiosa fr√°gua
De um deserto abrasador?

Se alguém existe na terra
Que tanto possa, és tu só!
Tu só, mulher, que eu adoro,
Quando a Deus piedade imploro,
E a ti peço amor e dó.

Se soubesses que tristeza
Enluta meu coração,
Terias nobre vaidade
Em me dar felicidade,
Que eu busquei no mundo em v√£o.

Busquei-a em tudo na terra,
Tudo na terra mentiu!
Essa estrela carinhosa
Que luz √† inf√Ęncia ditosa
Para mim nunca luziu.

Infeliz desde criança
Nem me foi risonha a fé;
Quando a terra nos maltrata,
Caprichosa, acerba e ingrata,
Céu e esperança nada é.

Pois a ventura busquei-a
No vivo anseio do amor,
Era ardente a minha alma;
Conquistei mais de uma palma
À custa de muita dor.

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Mestre

Mestre, meu mestre querido,
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?

N√£o cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada,
Alma abstracta e visual até aos ossos.
Aten√ß√£o maravilhosa ao mundo exterior sempre m√ļltiplo,
Ref√ļgio das saudades de todos os deuses antigos,
Espírito humano da terra materna,
Flor acima do dil√ļvio da intelig√™ncia subjectiva…

Mestre, meu mestre!
Na ang√ļstia sensacionalista de todos os dias sentidos,
Na m√°goa quotidiana das matem√°ticas de ser,
Eu, escrevo de tudo como um pó de todos os ventos,
Ergo as m√£os para ti, que est√°s longe, t√£o longe de mim!

Meu mestre e meu guia!
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
Meu coração não é nada,
Meu coração está perdido.

Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu.

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… como o esquilo armazena castanhas, n√≥s devemos armazenar nossos momentos de felicidade, de modo que numa crise possamos fazer uso dessas lembran√ßas, para nos servirem de amparo e inspira√ß√£o.

Não podemos ficar à espera da inspiração. Temos de ir procurá-la num bar.

O Martírio Do Artista

Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!

Tarda-lhe a idéa! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do √ļltimo momento!

Tenta chorar e os olhos sente enxutos!…
√Č como o paral√≠tico que, √† mingua
Da própria voz e na que ardente o lavra

Febre de em v√£o falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem à boca uma palavra!

At√© os poetas se armam, e um poeta desarmado √©, mesmo, um ser √† merc√™ de inspira√ß√Ķes f√°ceis, d√≥cil √†s moda e compromissos.

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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Técnicas de Narrador

Os que me conheceram aos quatro anos dizem que era pálido e ensimesmado e que só falava para contar disparates, mas os meus relatos eram em grande parte episódios simples da vida diária, que eu tornava mais atraentes com pormenores fantásticos para que os adultos me prestassem atenção. A minha melhor fonte de inspiração eram as conversas que os mais velhos mantinham diante de mim, porque pensavam que não as entendia, ou as que cifravam de propósito para que não as entendesse. E, de facto, acontecia o contrário: absorvia-as como uma esponja, desmontava-as em peças, alterava-as para escamotear a origem, e quando as contava aos mesmos que as tinham contado ficavam perplexos pelas coincidências entre o que eu dizia e o que eles pensavam.

Às vezes não sabia o que fazer com a minha consciência e procurava dissimular com um rápido pestanejar. Tanto era assim que algum racionalista da família decidiu que eu fosse observado por um médico da vista, que atribuiu o meu pestanejar a uma infecção das amígdalas e me receitou um xarope de rábano iodado que me fez muito bem para aliviar os adultos. A avó, por seu lado, chegou à conclusão providencial de que o neto era adivinho.

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N√£o acredito nas constitui√ß√Ķes nem nas leis, a mais perfeita constitui√ß√£o n√£o conseguiria satisfazer-me. Necessitamos de algo diferente: inspira√ß√£o, vida, um mundo sem leis, portanto, livre.