Passagens sobre Monstros

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…Era esbo√ßo tamb√©m, nem por isso deixava de ser uma obra prima. Todo embri√£o de ci√™ncia tem esse duplo aspecto: monstro, como feto, maravilha, como germe.

Regresso

E contudo perdendo-te encontraste.
E nem deuses nem monstros nem tiranos
te puderam deter. A mim os oceanos.
E foste. E aproximaste.

Antes de ti o mar era mistério.
Tu mostraste que o mar era só mar.
Maior do que qualquer império
foi a aventura de partir e de chegar.

Mas já no mar quem fomos é estrangeiro
e j√° em Portugal estrangeiros somos.
Se em cada um de nós há ainda um marinheiro
vamos achar em Portugal quem nunca fomos.

De Calicute até Lisboa sobre o sal
e o Tempo. Porque é tempo de voltar
e de voltando achar em Portugal
esse país que se perdeu de mar em mar.

O Que Nos Impede de Agir

Muitas vezes j√° sabemos o que queremos, quais s√£o os pr√≥ximos passos a dar rumo √† concretiza√ß√£o do nosso desejo e, ainda assim, n√£o passamos √† a√ß√£o. Onde √© que estamos ancorados, afinal? O que √© que nos prende? O maior inimigo da a√ß√£o √© o medo e √© precisamente ele que nos impede de agir e, por consequ√™ncia, de atingir os nossos objetivos. O medo amarra-nos a mente e ainda que o corpo esteja solto que nem uma mola e fresco como uma alface, nada conseguir√° fazer. A √ļnica arma capaz de deter este monstro √© a coragem, pois s√≥ munidos dela o conseguiremos encarar de frente e acredita, uma vez olhos nos olhos, o medo desiste sempre primeiro. E desiste porqu√™? Porque o medo √© uma cria√ß√£o da nossa cabe√ßa. N√≥s invent√°mo-lo dando raz√£o aos nossos educadores, acreditando que os medos deles eram tamb√©m os nossos, ou aquando de uma experi√™ncia pessoal menos feliz que tivemos com algo ou algu√©m, ficando com medo de sofrer de novo, de ser novamente enganado ou incapaz outra vez. Independentemente do que sintas e qual a raz√£o para o sentires, uma verdade √© absoluta, apenas tu o conseguir√°s derrotar, mas para isso precisas da composi√ß√£o emocional da coragem,

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Aquele que luta com monstros deveria tomar cuidado para não se tornar, através disto, um monstro. E se você encara por muito tempo um abismo, o abismo também encara você.

A Dança Da Psiquê

A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombara, cedendo à ação de ignotos pesos!

√Č ent√£o que a vaga dos instintos presos
– M√£e de esterilidades e cansa√ßos –
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.

Subitamente a cerebral coréa
Pára. O cosmos sintético da Idéa
Surge. Emo√ß√Ķes extraordin√°rias sinto…

Arranco do meu cr√Ęnio as nebulosas.
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!

Os monstros existem. Os fantasmas também. Eles vivem dentro de nós e ás vezes eles ganham.

Evolução

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na inc√≥gnita floresta…
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiqu√≠ssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso pa√ļl, glauco pascigo…

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade…

Interrogo o infinito e √†s vezes choro…
Mas estendendo as m√£os no v√°cuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

As pessoas ficam desapontadas com minha apar√™ncia. Dizem:’Voc√™ n√£o √© um monstro’

Nunca se sinta um coitado diante dos seus problemas, caso contr√°rio eles tornam-se um ¬ęmonstro¬Ľ. Todas as doen√ßas emocionais amam o ¬ęcoitadismo¬Ľ e florescem na alma de pessoas passivas. Seja um agente modificador da sua hist√≥ria. (…) Acredite na vida, reacenda as chamas da esperan√ßa e disponha-se a intervir no palco da sua mente. Tais atitudes come√ßam a preparar o caminho da sa√ļde emocional.

A Senhora de Brabante

Tem um leque de plumas gloriosas,
na sua m√£o macia e cintilante,
de anéis de pedras finas preciosas
a Senhora Duquesa de Brabante.

Numa cadeira de espaldar dourado,
Escuta os galanteios dos bar√Ķes.
‚ÄĒ √Č noite: e, sob o azul morno e calado,
concebem os jasmins e os cora√ß√Ķes.

Recorda o senhor Bispo ac√ß√Ķes passadas.
Falam damas de jóias e cetins.
Tratam bar√Ķes de festas e ca√ßadas
√† moda goda: ‚ÄĒ aos toques dos clarins!

Mas a Duquesa √© triste. ‚ÄĒ Oculta m√°goa
vela seu rosto de um solene véu.
‚ÄĒ Ao luar, sobre os tanques chora a √°gua…
‚ÄĒ Cantando, os rouxin√≥is lembram o c√©u…

Dizem as lendas que Sat√£ vestido
de uma armadura feita de um brilhante,
ousou falar do seu amor florido
à Senhora Duquesa de Brabante.

Dizem que o ouviram ao luar nas √°guas,
mais louro do que o sol, marmóreo, e lindo,
tirar de uma viola estranhas m√°goas,
pelas noites que os cravos v√™m abrindo…

Dizem mais que na seda das varetas
do seu leque ducal de mil matizes…

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(…) esse monstro enorme a que se chama p√ļblico, e que tem tantos ouvidos e tantas l√≠nguas, mas ao qual faltam os olhos.

Monstros existem e fantasmas também. Vivem dentro de nós e, às vezes, eles vencem.

Os ciumentos n√£o precisam de motivo para ter ci√ļme. S√£o ciumentos porque s√£o. O ci√ļme √© um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce.

Lucidez sem Ignor√Ęncia nem Sobranceria

Possivelmente n√£o √© sem raz√£o que atribu√≠mos √† ingenuidade e ignor√Ęncia a facilidade de crer e de se deixar persuadir: pois parece-me haver aprendido outrora que a cren√ßa era como uma impress√£o que se fazia na nossa alma; e, na medida em que esta se encontrava mais mole e com menor resist√™ncia, era mais f√°cil imprimir-lhe algo. Assim como, necessariamente, os pesos que nele colocamos fazem pender o prato da balan√ßa, assim a evid√™ncia arrasta a mente (C√≠cero). Quanto mais vazia e sem contrapeso est√° a alma, mais facilmente ela cede sob a carga da primeira persuas√£o. Eis porque as crian√ßas, o vulgo, (…) e os doentes est√£o mais sujeitos a ser conduzidos pelas orelhas (ou seja, pelo que ouvem). Mas tamb√©m, por outro lado, √© uma tola presun√ß√£o ir desdenhando e condenando como falso o que n√£o nos parece veross√≠mil; esse √© um v√≠cio habitual nos que pensam ter algum discernimento al√©m do comum. Outrora eu agia assim, e, se ouvia falar de esp√≠ritos que retornam, ou do progn√≥stico das coisas futuras, de encantamentos, de feiti√ßarias, ou contarem alguma outra hist√≥ria que eu n√£o conseguisse compreender, vinha-me compaix√£o pelo pobre povo logrado por essas loucuras. Mas actualmente acho que eu pr√≥prio era no m√≠nimo igualmente digno de pena;

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O Amor é Mais Forte

Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o caf√© descafeinado. J√° ningu√©m quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paix√£o. As emo√ß√Ķes fortes s√£o fracas e as pr√≥prias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, s√£o igualmente namorados da monotonia e amigos √≠ntimos da disciplina. O que est√° fora de controlo causa-lhes confus√£o, e afecta-lhes uma certa zona do c√©rebro, mas quase nunca lhes toca o cora√ß√£o. O amor devia ser sonhado e devia faz√™-los voar; em vez disso √© planeado, e quanto muito, f√°-los pensar.
Sobre o amor n√£o se tem controlo. √Č um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois d√°-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais al√©m. Deixamo-nos cair em tenta√ß√£o, e n√£o nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor tamb√©m se tem f√©, mas n√£o se conhecem ora√ß√Ķes: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor n√£o √© justo,

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