Passagens sobre Monstros

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Génios

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E disse-me: Poeta, ao longe no horizonte
Não vês quase a lamber a abóbada do céu
Brilhante e luminoso um t√ļmido escarc√©u?
Como alvacento le√£o, na r√°pida carreira
Vem sacudindo a juba… A natureza inteira
Cisma, contempla, escuta o c√Ęntico profundo
Em trágico silêncio. O Sol já moribundo
Resvala-lhe no dorso, iria-lho de chamas,
Como dum monstro enorme as f√ļlgidas escamas…
Rugindo enovelada em turbilh√£o insano,
A vaga colossal, rasoira do oceano,

L√° vem rolando grave, e deixa ao caminhar
Um campo atr√°s dum monte, um lago atr√°s dum
[mar!
Qual l√ļcida serpente agora ei-la decresce
Em curva indefinida;‚ÄĒalonga-se… parece
Que a terra há-de estoirar em brancos estilhaços
No círculo fatal dos seus enormes braços.
Como galope infrene! Ei-la que chega!… voa
Num ímpeto feroz, num salto de leoa
Aos rudes alcantis! e em hórrida tormenta
Na rígida tranqueira o vagalhão rebenta,
Bramindo pelo ar: trepa, vacila, nuta,
E ex√Ęnime por fim, vencida nesta luta,
Sem voz, sem força, inerte, exausta, esfarrapada   .
L√° vai… aonde a leve a r√≠spida nortada.

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Como Vemos os Outros

N√≥s temos em toda a vida, especialmente na esfera da comunica√ß√£o espiritual, o h√°bito errado de emprestarmos √†s outras pessoas muito daquilo que nos √© pr√≥prio, como se tivesse de ser mesmo assim. Mas como elas, al√©m disso, nos mostram tamb√©m o que t√™m de si pr√≥prias, da√≠ resultam, dado que n√≥s procuramos criar uma unidade com as duas partes, aut√™nticos monstros, semelhantes √†queles que, numa casa com muitos cantos, a luz de uma lanterna produz com uma parte de sombras e uma parte de objectos reais. N√£o h√° nenhuma opera√ß√£o mais √ļtil mas, ao mesmo tempo, mais dif√≠cil que deduzir da imagem do outro aquilo que inconscientemente lhe foi emprestado. No entanto, s√≥ assim fazemos dos outros verdadeiras pessoas – ou, dito de uma forma mais breve: o homem julga compreender os homens quando acrescenta a uma suposta e ilimitada analogia com o seu pr√≥prio eu ainda alguma coisa que √© contr√°ria a esse eu. √Č a experi√™ncia que leva cada um a poder lidar com pessoas que tem de imaginar, na sua ess√™ncia, diferentes de si mesmo.

Pirata

Sou o √ļnico homem a bordo do meu barco.
Os outros s√£o monstros que n√£o falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E h√° momentos que s√£o quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

…Era esbo√ßo tamb√©m, nem por isso deixava de ser uma obra prima. Todo embri√£o de ci√™ncia tem esse duplo aspecto: monstro, como feto, maravilha, como germe.

Regresso

E contudo perdendo-te encontraste.
E nem deuses nem monstros nem tiranos
te puderam deter. A mim os oceanos.
E foste. E aproximaste.

Antes de ti o mar era mistério.
Tu mostraste que o mar era só mar.
Maior do que qualquer império
foi a aventura de partir e de chegar.

Mas já no mar quem fomos é estrangeiro
e j√° em Portugal estrangeiros somos.
Se em cada um de nós há ainda um marinheiro
vamos achar em Portugal quem nunca fomos.

De Calicute até Lisboa sobre o sal
e o Tempo. Porque é tempo de voltar
e de voltando achar em Portugal
esse país que se perdeu de mar em mar.

O Que Nos Impede de Agir

Muitas vezes j√° sabemos o que queremos, quais s√£o os pr√≥ximos passos a dar rumo √† concretiza√ß√£o do nosso desejo e, ainda assim, n√£o passamos √† a√ß√£o. Onde √© que estamos ancorados, afinal? O que √© que nos prende? O maior inimigo da a√ß√£o √© o medo e √© precisamente ele que nos impede de agir e, por consequ√™ncia, de atingir os nossos objetivos. O medo amarra-nos a mente e ainda que o corpo esteja solto que nem uma mola e fresco como uma alface, nada conseguir√° fazer. A √ļnica arma capaz de deter este monstro √© a coragem, pois s√≥ munidos dela o conseguiremos encarar de frente e acredita, uma vez olhos nos olhos, o medo desiste sempre primeiro. E desiste porqu√™? Porque o medo √© uma cria√ß√£o da nossa cabe√ßa. N√≥s invent√°mo-lo dando raz√£o aos nossos educadores, acreditando que os medos deles eram tamb√©m os nossos, ou aquando de uma experi√™ncia pessoal menos feliz que tivemos com algo ou algu√©m, ficando com medo de sofrer de novo, de ser novamente enganado ou incapaz outra vez. Independentemente do que sintas e qual a raz√£o para o sentires, uma verdade √© absoluta, apenas tu o conseguir√°s derrotar, mas para isso precisas da composi√ß√£o emocional da coragem,

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Aquele que luta com monstros deveria tomar cuidado para não se tornar, através disto, um monstro. E se você encara por muito tempo um abismo, o abismo também encara você.

A Dança Da Psiquê

A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombara, cedendo à ação de ignotos pesos!

√Č ent√£o que a vaga dos instintos presos
– M√£e de esterilidades e cansa√ßos –
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.

Subitamente a cerebral coréa
Pára. O cosmos sintético da Idéa
Surge. Emo√ß√Ķes extraordin√°rias sinto…

Arranco do meu cr√Ęnio as nebulosas.
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!

Os monstros existem. Os fantasmas também. Eles vivem dentro de nós e ás vezes eles ganham.

Evolução

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na inc√≥gnita floresta…
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiqu√≠ssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso pa√ļl, glauco pascigo…

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade…

Interrogo o infinito e √†s vezes choro…
Mas estendendo as m√£os no v√°cuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

As pessoas ficam desapontadas com minha apar√™ncia. Dizem:’Voc√™ n√£o √© um monstro’

Nunca se sinta um coitado diante dos seus problemas, caso contr√°rio eles tornam-se um ¬ęmonstro¬Ľ. Todas as doen√ßas emocionais amam o ¬ęcoitadismo¬Ľ e florescem na alma de pessoas passivas. Seja um agente modificador da sua hist√≥ria. (…) Acredite na vida, reacenda as chamas da esperan√ßa e disponha-se a intervir no palco da sua mente. Tais atitudes come√ßam a preparar o caminho da sa√ļde emocional.

A Senhora de Brabante

Tem um leque de plumas gloriosas,
na sua m√£o macia e cintilante,
de anéis de pedras finas preciosas
a Senhora Duquesa de Brabante.

Numa cadeira de espaldar dourado,
Escuta os galanteios dos bar√Ķes.
‚ÄĒ √Č noite: e, sob o azul morno e calado,
concebem os jasmins e os cora√ß√Ķes.

Recorda o senhor Bispo ac√ß√Ķes passadas.
Falam damas de jóias e cetins.
Tratam bar√Ķes de festas e ca√ßadas
√† moda goda: ‚ÄĒ aos toques dos clarins!

Mas a Duquesa √© triste. ‚ÄĒ Oculta m√°goa
vela seu rosto de um solene véu.
‚ÄĒ Ao luar, sobre os tanques chora a √°gua…
‚ÄĒ Cantando, os rouxin√≥is lembram o c√©u…

Dizem as lendas que Sat√£ vestido
de uma armadura feita de um brilhante,
ousou falar do seu amor florido
à Senhora Duquesa de Brabante.

Dizem que o ouviram ao luar nas √°guas,
mais louro do que o sol, marmóreo, e lindo,
tirar de uma viola estranhas m√°goas,
pelas noites que os cravos v√™m abrindo…

Dizem mais que na seda das varetas
do seu leque ducal de mil matizes…

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(…) esse monstro enorme a que se chama p√ļblico, e que tem tantos ouvidos e tantas l√≠nguas, mas ao qual faltam os olhos.

Monstros existem e fantasmas também. Vivem dentro de nós e, às vezes, eles vencem.

Os ciumentos n√£o precisam de motivo para ter ci√ļme. S√£o ciumentos porque s√£o. O ci√ļme √© um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce.