Passagens sobre Multid√£o

224 resultados
Frases sobre multid√£o, poemas sobre multid√£o e outras passagens sobre multid√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O ci√ļme tem o poder espantoso de iluminar uma √ļnica pessoa com um intenso feixe de luz, mantendo a multid√£o dos outros na escurid√£o total.

Natal

Natal, antes e agora
imut√°vel. Feliz
noite branca sem hora
no p√°tio da Matriz.

Natal: os mesmos sinos
de repiques iguais.
Brinquedos e meninos,
Natal de outros natais.

A Banda, vozes, passos
da multid√£o fiel.
Tudo nos seus espaços,
o mundo e o carrossel.

Tudo, menos o andejo
homem que se conclui.
Olho-me, e n√£o me vejo,
n√£o sei para onde fui.

√Č reduzido o n√ļmero daqueles que v√™em com os seus pr√≥prios olhos e sentem com o pr√≥prio cora√ß√£o. Mas da sua for√ßa depender√° que os homens tendam ou n√£o a cair no estado amorfo para onde parece caminhar hoje uma multid√£o cega.

√ćcaro

A minha Dor, vesti-a de brocado,
Fi-la cantar um choro em melopeia,
Ergui-lhe um trono de oiro imaculado,
Ajoelhei de m√£os postas e adorei-a.

Por longo tempo, assim fiquei prostrado,
Moendo os joelhos sobre lodo e areia.
E as multid√Ķes desceram do povoado,
Que a minha dor cantava de sereia…

Depois, ruflaram alto asas de agoiro!
Um sil√™ncio gelou em derredor…
E eu levantei a face, a tremer todo:

Jesus! ruíra em cinza o trono de oiro!
E, misérrima e nua, a minha Dor
Ajoelhara a meu lado sobre o lodo.

√Č sempre simples doar uma parte dos lucros, sem abra√ßar nem tocar as pessoas que recebem essas ¬ęmigalhas¬Ľ. Pelo contr√°rio, at√© bastam cinco p√£es e dois peixes para tirar a fome a multid√Ķes se forem a partilha de toda a nossa vida. Na l√≥gica do Evangelho, se n√£o d√° tudo, n√£o se d√° nunca o suficiente.

A Alma Popular é Totalmente Dominada por Elementos Afectivos e Místicos

A ac√ß√£o cada vez mais consider√°vel das multid√Ķes na vida pol√≠tica imprime especial import√Ęncia ao estudo das opini√Ķes populares. Interpretadas por uma legi√£o de advogados e professores, que as transp√Ķem e lhe dissimulam a mobilidade, a incoer√™ncia e o simplismo, elas permanecem pouco conhecidas. Hoje, o povo soberano √© t√£o adulado quanto foram, outrora, os piores d√©spotas. As suas paix√Ķes baixas, os seus ruidosos apetites, as suas ininteligentes aspira√ß√Ķes suscitam admiradores. Para os pol√≠ticos, servidores da plebe, os factos n√£o existem, as realidades n√£o t√™m nenhum valor, a natureza deve-se submeter a todas as fantasias do n√ļmero.
A alma popular (…) tem, como principal caracter√≠stica, a circunst√Ęncia de ser inteiramente dominada por elementos afectivos e m√≠sticos. N√£o podendo nenhum argumento racional refrear nela as impuls√Ķes criadas por esses elementos, ela obedece-lhes imediatamente.
O lado m√≠stico da alma das multid√Ķes √©, muitas vezes, mais desenvolvido ainda do que o seu lado afectivo. Da√≠ resulta uma intensa necessidade de adorar alguma coisa: deus, feiti√ßo, personagem ou doutrina.
(…) O ponto mais essencial, talvez, da psicologia das multid√Ķes √© a nula influ√™ncia que a raz√£o exerceu nelas. As ideias suscept√≠veis de influenciar as multid√Ķes n√£o s√£o ideias racionais, por√©m sentimentos expressos sob forma de ideias.

Continue lendo…

Deixa o que Seduz a Multid√£o

Se n√≥s nada fizermos sen√£o de acordo com os ditames da raz√£o, tamb√©m nada evitaremos sen√£o de acordo com os ditames da raz√£o. Se quiseres escutar a raz√£o, eis o que ela te dir√°: deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multid√£o! Deixa a riqueza, deixa os perigos e os fardos de ser rico; deixa os prazeres, do corpo e do esp√≠rito, que s√≥ servem para amolecer as energias; deixa a ambi√ß√£o que n√£o passa de uma coisa artificialmente empolada, in√ļtil, inconsciente, incapaz de reconhecer limites, t√£o interessada em n√£o ter superiores como em evitar at√© os iguais, sempre torturada pela inveja, e uma inveja ainda por cima dupla. V√™ como de facto √© infeliz quem, objecto de inveja ele pr√≥prio, tem inveja por outros.
N√£o est√°s a ver essas casas dos grandes senhores, as suas portas cheias de clientes que se atropelam na entrada? Para l√° entrares, teria de sujeitar-te a in√ļmeras inj√ļrias, mas mais ainda terias de suportar se entrasses. Passa frente √†s escadarias dos ricos senhores, aos seus √°trios suspensos como terra√ßos: se l√° puseres os p√©s ser√° como estares √† beira de uma escarpa, e de uma escarpa prestes a ruir. Dirige ante os teus passos na via da sapi√™ncia,

Continue lendo…

Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira.

√Ä solid√£o n√£o se op√Ķe a multid√£o, mas o amor. Aquilo de que algu√©m abandonado est√° √† procura √© de algu√©m pr√≥ximo, n√£o do aplauso de um monte de gente.

Seguimos a Multid√£o

Nos nossos contactos quotidianos seguimos a multid√£o, deixamo-nos levar por esperan√ßas e temores subalternos, tornamo-nos v√≠timas das nossas pr√≥prias t√©cnicas e implementos, e desusamos o acesso que temos ao or√°culo divino. √Č apenas enquanto a alma dorme que nos servimos dos pr√©stimos de tantas maquinarias e muletas engenhosas. De que servem os tel√©grafos? Qual a utilidade dos jornais? O homem s√°bio n√£o aguarda os correios nem precisa ler telegramas para descobrir como se sentem os homens no Kansas ou na Calif√≥rnia durante uma crise social. Ele ausculta o seu pr√≥prio cora√ß√£o. Se eles s√£o feitos como ele √©, se respiram o mesmo ar e comem o mesmo trigo, se t√™m mulheres e filhos, ele sabe que a sua alegria e ressentimento atingem o mesmo ponto que o seu. A alma √≠ntegra est√° em perp√©tua comunica√ß√£o telegr√°fica com a fonte dos acontecimentos, disp√Ķe de informa√ß√£o antecipada, qual despacho particular, que a exime e alivia do terror que oprime o restante da comunidade.

Ode II

Na curva insond√°vel
entre a solid√£o e a multid√£o,
tomar a si e ao mundo
nas m√£os,
e depois da atitude,
o claro testemunho.

Que o existir é esse instante
ousado
onde um ser incans√°vel
dep√Ķe do seu rumo,

sem ter outra arma
e outra paix√£o
além da vida, esta morte
fr√°gil.

O nome de liberdade √© o mais embusteiro de quantos se usam na vida humana. Quando as multid√Ķes s√£o levadas pelo cabresto da liberdade, elas a√≠ v√£o como cegos, contando que lhes v√£o pregoando aquele nome.

Aquele que se sabe profundo esforça-se por ser claro; aquele que gostaria de parecer profundo à multidão esforça-se por ser obscuro. Porque a multidão acredita ser profundo tudo aquilo de que não pode ver o fundo. Tem tanto medo! Gosta tão pouco de se meter na água!

O Solit√°rio

O solit√°rio leva uma sociedade inteira dentro de si: o solit√°rio √© multid√£o. E daqui deriva a sua sociedade. Ningu√©m tem uma personalidade t√£o acusada como aquele que junta em si mais generalidade, aquele que leva no seu interior mais dos outros. O g√©nio, foi dito e conv√©m repeti-lo frequentemente, √© uma multid√£o. √Č a multid√£o individualizada, e √© um povo feito pessoa. Aquele que tem mais de pr√≥prio √©, no fundo, aquele que tem mais de todos, √© aquele em quem melhor se une e concentra o que √© dos outros.
(…) O que de melhor ocorre aos homens √© o que lhes ocorre quando est√£o sozinhos, aquilo que n√£o se atrevem a confessar, n√£o j√° ao pr√≥ximo mas nem sequer, muitas vezes, a si mesmos, aquilo de que fogem, aquilo que encerram em si quando est√£o em puro pensamento e antes de que possa florescer em palavras. E o solit√°rio costuma atrever-se a express√°-lo, a deixar que isso flores√ßa, e assim acaba por dizer o que todos pensam quando est√£o sozinhos, sem que ningu√©m se atreva a public√°-lo. O solit√°rio pensa tudo em voz alta, e surpreende os outros dizendo-lhes o que eles pensam em voz baixa,

Continue lendo…

A Nefasta Hiperdemocracia dos Nossos Tempos

Ningu√©m, creio eu, deplorar√° que as pessoas gozem hoje em maior medida e n√ļmero que antes, j√° que t√™m para isso os apetites e os meios. O mal √© que esta decis√£o tomada pelas massas de assumir as actividades pr√≥prias das minorias, n√£o se manifesta, nem pode manifestar-se, s√≥ na ordem dos prazeres, mas que √© uma maneira geral do tempo. Assim (…) creio que as inova√ß√Ķes pol√≠ticas dos mais recentes anos n√£o significam outra coisa sen√£o o imp√©rio pol√≠tico das massas. A velha democracia vivia temperada por uma dose abundante de liberalismo e de entusiasmo pela lei. Ao servir a estes princ√≠pios o indiv√≠duo obrigava-se a sustentar em si mesmo uma disciplina dif√≠cil. Ao amparo do princ√≠pio liberal e da norma jur√≠dica podiam atuar e viver as minorias. Democracia e Lei, conviv√™ncia legal, eram sin√≥nimos. Hoje assistimos ao triunfo de uma hiperdemocracia em que a massa actua directamente sem lei, por meio de press√Ķes materiais, impondo suas aspira√ß√Ķes e seus gostos.
√Č falso interpretar as situa√ß√Ķes novas como se a massa se houvesse cansado da pol√≠tica e encarregasse a pessoas especiais o seu exerc√≠cio. Pelo contr√°rio. Isso era o que antes acontecia, isso era a democracia liberal. A massa presumia que,

Continue lendo…