Passagens sobre Obrigados

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Frases sobre obrigados, poemas sobre obrigados e outras passagens sobre obrigados para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Amor e o Vinho

Pense-se, por exemplo, na rela√ß√£o que existe entre o bebedor e o vinho. N√£o √© verdade que o vinho oferece sempre ao bebedor a mesma satisfa√ß√£o t√≥xica, que a poesia tem comparado com frequ√™ncia √† satisfa√ß√£o er√≥tica ‚ÄĒ compara√ß√£o, de resto, aceit√°vel do ponto de vista cient√≠fico? J√° alguma vez se ouviu dizer que o bebedor fosse obrigado a mudar sem descanso de bebida porque se cansaria rapidamente de uma bebida que permanecesse a mesma? Pelo contr√°rio, a habitua√ß√£o estreita cada vez mais o la√ßo entre o homem e a esp√©cie de vinho que ele bebe. Existir√° no bebedor uma necessidade de partir para um pa√≠s onde o vinho seja mais caro ou o seu consumo proibido, a fim de estimular por meio de semelhantes obst√°culos a sua satisfa√ß√£o decrescente? De modo nenhum. Basta escutarmos o que dizem os nossos grandes alco√≥licos, como B√≥cklin, da sua rela√ß√£o com o vinho: evocam a harmonia mais pura e como que um modelo de casamento feliz.

O C√Ęmbio do Amor

Amor, qualquer outro diabo que n√£o tu
Daria, por uma alma, algo em troca.
Na Corte, teus colegas, todos os dias,
Dão a arte da rima, da caça, ou do jogo,
Por aquelas que antes a si se pertenciam;
Somente eu, o que mais dei, nada tenho,
Mas ‚ÄĒ infeliz ‚ÄĒ por ser mais vil, sou aviltado.

Não peço agora permissão
Para fingir uma l√°grima, suspiro, jura;
N√£o te solicito para que obtenhas
Um non obstante sobre a lei natural;
Estas s√£o prerrogativas inerentes
A ti e aos teus; ninguém as deverá abjurar
A n√£o ser que fosse servo do Amor.

D√°-me a tua fraqueza, faz-me duplamente cego
Como tu e os teus, de olhos e mente.
Amor, nunca me deixes saber que isto
√Č amor, ou que o amor √© pueril;
N√£o me deixes saber que outros sabem
Que ela sabe de minha dor: que essa terna afronta
Me não torne em minha própria nova dor.

Mesmo se tu nada deres, ainda assim és justo,
Porque n√£o confiei nos teus primeiros sinais;
As vilas que resistem até que forte artilharia
As sujeitem,

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Posse Cega

Afligir-se com o que se perdeu e não se rejubilar com o que foi salvo é necedade; só uma criança faria berreiro e atiraria fora o restante dos seus brinquedos se um lhe fosse tomado. Assim procedemos nós, quando a Fortuna nos é adversa num particular: tomamos o resto improfícuo com chorar e lamentarmo-nos.
РQue é que possuímos? Рpode-se perguntar.
Que é que não possuímos? Este homem uma reputação, esse uma família, aquele uma esposa, aquele outro um amigo. No seu leito de morte, Antipater de Tarso fez um inventário das boas coisas que lhe haviam sucedido na vida e nele incluiu, mesmo, uma viagem feliz, que fizera de Cilícia a Atenas. As coisas simples não devem ser negligenciadas, mas levadas em conta. Devemo-nos sentir gratos por estarmos vivos, bem, e por nos ser dado ver o sol; por não haver guerra nem revolução; por a terra e o mar estarem ao dispor de quem deseje plantar ou velejar; por nos ser consentido escolher entre falar e agir ou ficar quietos, em paz, gozando do nosso repouso.
A presença destas bençãos aumentará ainda mais o nosso contentamento se imaginarmos como seria se não estivessem presentes;

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M√°ximas do Nosso Saber

O que sabemos, sabemo-lo afinal apenas para n√≥s mesmos. Se falo com algu√©m daquilo que julgo saber, acontece que imediatamente ele sup√Ķe saber o assunto melhor que eu, e sou obrigado a regressar a mim mesmo com o meu saber. O que sei bem, sei-o apenas para mim. Uma palavra pronunciada por outro raramente constitui um est√≠mulo. Na maior parte das vezes suscita contradi√ß√£o, paralisia ou indiferen√ßa.
Instruamo-nos primeiro a n√≥s pr√≥prios e seremos depois capazes de receber instru√ß√Ķes dos outros.
Em boa verdade aprendemos sempre em livros que n√£o somos capazes de avaliar. O autor de um livro que f√īssemos capazes de avaliar teria que aprender connosco.
Muitos h√° que t√™m orgulho no que sabem. Face ao que n√£o sabem costumam ser arrogantes. No fundo s√≥ se sabe quando se sabe pouco. √Ä medida que cresce o saber, crece igualmente a d√ļvida.

A vida consiste de metade de mentiras que a gente é obrigado a dizer, e metade de verdades que a gente é obrigado a calar.

As Opini√Ķes

Quando me manifestei com tanto ardor contra a opini√£o, estava ainda sob o seu jugo, sem me aperceber. Queremos ser estimados pelas pessoas que estimamos e, enquanto pude julgar favoravelmente os homens, ou pelo menos certos homens, os ju√≠zos que eles faziam a meu respeito n√£o me podiam ser indiferentes. Via que os ju√≠zos do p√ļblico s√£o muitas vezes justos; mas n√£o via que essa justi√ßa resultava do acaso, que as regras sobre as quais os homens fundamentam as suas opini√Ķes s√£o extra√≠das apenas das suas paix√Ķes ou dos seus preconceitos, que prov√™m deles, e que, mesmo quando ajuizam bem, √© frequente que esses bons ju√≠zos nas√ßam de um mau princ√≠pio, como acontece quando fingem honrar, a prop√≥sito de algum sucesso, o m√©rito de um homem, n√£o por esp√≠rito de justi√ßa, mas para se dar ares de imparcialidade, ao mesmo tempo que caluniam √† vontade esse homem relativamente a outros pontos.
Quando, por√©m, ap√≥s longas e v√£s pesquisas, vi que todos eles, sem excep√ß√£o, se mantinham dentro do sistema mais in√≠quio e absurdo que um esp√≠rito infernal pode inventar; quando vi que, a meu respeito, a raz√£o fora banida de todas as cabe√ßas e a justi√ßa de todos os cora√ß√Ķes;

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Critique os Seus Pensamentos Negativos

O ¬ęeu¬Ľ representa a vontade consciente. Resgatar a lideran√ßa do ¬ęeu¬Ľ √© gerir a produ√ß√£o dos pensamentos. O ¬ęeu¬Ľ precisa de deixar de ser passivo, t√≠mido e submisso diante dos pensamentos. Um dos maiores erros educacionais √© transformar o homem numa pessoa fraca no seu pr√≥prio mundo.

Critique diariamente os pensamentos negativos. Confronte-se com as ideias que o paralisam e o desanimam. Não é obrigado a viver passivamente as ideias que são encenadas no palco da sua mente.

Discorde frontalmente de todos os pensamentos e fantasias que o amedrontam, entristecem, deprimem. Cada pensamento que nos incomoda deve ser questionado com ousadia e determina√ß√£o pelo ¬ęeu¬Ľ. Tentar parar de pensar ou distrair-se s√£o t√©cnicas usadas h√° mil√©nios sem resultado. A √ļnica possibilidade que temos √© de gerir os pensamentos.

E pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz, você era a princesa que eu fiz coroar e era tão linda de se admirar!

A democracia representativa est√° em crise, porque ela √© s√≥ e pouco representativa. √Č muito fechada √†s elites que se cooptam e se reproduzem, n√£o se abre convenientemente √† sociedade civil e aos cidad√£os, que devem ser obrigados a participar na decis√£o sobre as grandes quest√Ķes.

Absurdo, Liberdade e Projecto

Uma vez admitidos dois factos: que o devir n√£o tem fim e que n√£o √© dirigido por qualquer grande unidade na qual o indiv√≠duo possa mergulhar totalmente como num elemento de valor supremo, resta s√≥ uma escapat√≥ria poss√≠vel: condenar todo esse mundo do devir como ilus√≥rio e inventar um mundo situado no al√©m, que seria o mundo verdadeiro. Mas, logo que o homem descobre que este mundo n√£o √© sen√£o constru√≠do sobre as suas pr√≥prias necessidades psicol√≥gicas e que ele n√£o √© de nenhum modo obrigado a acreditar nele, vemos aparecer a √ļltima forma do niilismo, que implica a nega√ß√£o do mundo metaf√≠sico e que a si mesma se pro√≠be de crer num mundo verdadeiro. Alcan√ßado este estado, reconhecemos que a realidade do devir √© a √ļnica realidade e abstemo-nos de todos os caminhos afastados que conduziriam √† cren√ßa em outros mundos e em falsos deuses – mas n√£o suportamos este mundo que n√£o temos j√° a vontade de negar.
(…) Que se passou portanto? Cheg√°mos ao sentimento do n√£o valor da exist√™ncia quando compreendemos que ela n√£o pode interpretar-se, no seu conjunto, nem com a ajuda do conceito de fim, nem com a do conceito de unidade, nem com a do conceito de verdade.

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Pais Aprisionados

As crian√ßas tornaram-se uma arma de arremesso √† medida de quase tudo. Justificam as discuss√Ķes entre marido e mulher, justificam a falta de generosidade para com o pr√≥ximo, justificam a indisponibilidade e a inac√ß√£o em geral – e no fim, em muitos casos (…), ainda nos absolvem pelo fracasso a que, pulverizados os sonhos da inf√Ęncia, os objectivos da juventude e as agendas da primeira idade adulta, nos vemos a certa altura obrigados a resumir o balan√ßo das nossas vidas. E talvez haja, afinal, uma certa racionalidade no cosmos. Talvez haja uma raz√£o para nunca, at√© hoje, n√≥s n√£o termos tido filhos, eu e outros como eu. Talvez nenhum de n√≥s esteja ainda pronto para resistir √† inevit√°vel tenta√ß√£o de transformar os filhos num desmentido oficial para a nossa frustra√ß√£o. Talvez, no dia em que os tivermos, estejamos j√° preparados para conter o impulso de culp√°-los por essa frustra√ß√£o. E talvez sejamos n√≥s, enfim, os primeiros a fugir √† inclina√ß√£o para considerar que a nossa vida apenas come√ßou no dia em que come√ßou a vida dos nossos filhos. At√© porque, disto tenho eu a certeza, filhos de pais cuja mem√≥ria alcan√ßa para al√©m do dia do primeiro parto resultam sempre em adultos mais saud√°veis,

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Boa e M√° Literatura

O que acontece na literatura n√£o √© diferente do que acontece na vida: para onde quer que se volte, depara-se imediatamente com a incorrig√≠vel plebe da humanidade, que se encontra por toda a parte em legi√Ķes, preenchendo todos os espa√ßos e sujando tudo, como as moscas no ver√£o.
Eis a raz√£o do n√ļmero incalcul√°vel de livros maus, essa erva daninha da literatura que tudo invade, que tira o alimento do trigo e o sufoca. De facto, eles arrancam tempo, dinheiro e aten√ß√£o do p√ļblico – coisas que, por direito, pertencem aos bons livros e aos seus nobres fins – e s√£o escritos com a √ļnica inten√ß√£o de proporcionar algum lucro ou emprego. Portanto, n√£o s√£o apenas in√ļteis, mas tamb√©m positivamente prejudiciais. Nove d√©cimos de toda a nossa literatura actual n√£o possui outro objectivo sen√£o o de extrair alguns t√°leres do bolso do p√ļblico: para isso, autores, editores e recenseadores conjuraram firmemente.
Um golpe astuto e maldoso, porém notável, é o que teve êxito junto aos literatos, aos escrevinhadores que buscam o pão de cada dia e aos polígrafos de pouca conta, contra o bom gosto e a verdadeira educação da época, uma vez que eles conseguiram dominar todo o mundo elegante,

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Procura acomodar-te sempre ao humor das pessoas com quem te vejas obrigado a tratar; com as que

Procura acomodar-te sempre ao humor das pessoas com quem te vejas obrigado a tratar; com as que possuem carácter alegre, sê alegre; participa da tristeza dos tristes; enfim, esforça-te por a todos conquistar.

A Melhor Prova duma Real Amizade

A melhor prova duma real amizade est√° em evitar os compromissos entre aqueles que se estimam. Ainda que devendo muito aos que muito me louvam, eu n√£o quero ser-lhes obrigada pela gratid√£o. Mas sim grata porque estou com eles, devido a circunst√Ęncias que a todos n√≥s agradam e s√£o um la√ßo mais entre n√≥s, sem constitu√≠rem um dever. Eu pretendo dizer da amizade o que Di√≥genes dizia do dinheiro: que ele o reavia dos seus amigos, e n√£o que o pedia. Pois aquilo que os outros t√™m pelo sentimento comum n√£o se pede, √© patrim√≥nio comum. Neste caso, a amizade.

Penso agora que terei que pedir licença para morrer um pouco. Com licença Рsim? Não demoro. Obrigada.

Não sou obrigado a vencer mas tenho o dever de ser verdadeiro. Não sou obrigado a ter sucesso mas tenho o dever de corresponder à luz que tenho.

A Censura Existe Em Todo o Lado

Eu acho que a censura existiu sempre e provavelmente vai existir sempre. Porque a censura para o ser n√£o necessita de ter claramente uma porta aberta com um letreiro, onde se diga que ali h√° pessoas que l√™em livros ou v√£o ver espect√°culos. N√£o! A censura existe de todas as maneiras, porque todas as pessoas, nos diferentes n√≠veis de interven√ß√£o em que se encontram, por boas ou m√°s raz√Ķes, seleccionam, escolhem, apagam, fazem sobressair. E isso s√£o actos de oculta√ß√£o ou de evidencia√ß√£o que, no fundo, em alguns casos, s√£o actos formais de censura.
(Quanto √† censura oficial dos tempos de ditadura) Aquilo que a censura demonstrou e demonstra, em qualquer caso, √© que felizmente os escritores, dependendo das situa√ß√Ķes em que se encontram, s√£o muito mais ricos de meios, de processos de fazer chegar aquilo que querem dizer aos outros, do que se imagina. Evidentemente, numa situa√ß√£o de censura, o escritor √© obrigado a usar a escrita para comunicar isto ou aquilo ou aqueloutro, de uma maneira disfra√ßada, subterr√Ęnea, oculta; mas o que √© importante n√£o √© que a censura o esteja a obrigar a fazer isso. O que √© importante √© que ele seja capaz de o fazer.

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