Cita√ß√Ķes sobre Observadores

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Frases sobre observadores, poemas sobre observadores e outras cita√ß√Ķes sobre observadores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Amor Maior

O amor é preocupação. Ter o coração já previamente ocupado. Ter medo que alguma coisa de mal aconteça à pessoa amada. Sofrer mais por não poder aliviar o sofrimento da pessoa amada do que ela própria sofre.
O amor √© banal. √Č por isso que √© t√£o bonito. O que se quer da pessoa amada: antes que ela nos ame tamb√©m, √© que ela seja feliz, que seja saud√°vel, que tudo lhe corra bem. Embora se saiba que o mundo n√£o o permite, passa-se por cima da realidade, do racioc√≠nio do que √© poss√≠vel, e quer-se, e espera-se, que Deus abra, no caso dela, uma excep√ß√£o.

A paix√£o pode parecer mais interessante. Mas irrita-me que se compare com o amor. Como se pode comparar dois sentimentos que n√£o t√™m uma √ļnica semelhan√ßa? Se o amor e a paix√£o coincidem, √© como a cor do c√©u e do mar num dia de Ver√£o ‚ÄĒ √© uma alegria, mas nada nos diz acerca do que distingue o ar da √°gua.
Dizer que o amor pode começar como paixão é uma forma falaciosa de estabelecer uma continuidade entre uma e outra, geralmente pejorativa para o amor, que é entendido como um resíduo da paixão,

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O pessimismo √© uma filosofia imposta √†s convic√ß√Ķes do observador pelo desalentador predom√≠nio do otimista.

O Efeito do Afastamento no Tempo

O afastamento no tempo engana o sentido do esp√≠rito como o afastamento no espa√ßo provoca o erro dos sentidos. O contempor√Ęneo n√£o v√™ a necessidade do que vem a ser, mas, quando h√° s√©culos entre o vir a ser e o observador, ent√£o ele v√™ a necessidade, como aquele que v√™ √† dist√Ęncia o quadrado como algo redondo.

Na verdade não sou de forma alguma um homem de ciência, nem um observador, nem um experimentador, nem um pensador. Sou, por temperamento, nada mais que um conquistador Рum aventureiro, em outras palavras Рcom toda a curiosidade, ousadia e tenacidade características desse tipo de homem.

Sabedoria Pr√°tica Inexistente

A maioria dos luxos e muitos dos chamados confortos da vida não só são dispensáveis como constituem até obstáculos à elevação da humanidade. No que diz respeito a luxos e confortos, os mais sábios sempre viveram de modo mais simples e despojado que os pobres. Os antigos filósofos chineses, indianos, persas e gregos eram uma classe que se notabilizava pela extrama pobreza de bens exteriores, em contraste com a sua riqueza interior. Embora não saibamos muito a seu respeito, é de admirar que saibamos tanto quanto sabemos. O mesmo acontece com reformadores e benfeitores mais recentes, da nacionalidade deles. Ninguém pode ser um observador imparcial e sábio da raça humana, a não ser da posição vantajosa a que chamaríamos pobreza voluntária.
O fruto de uma vida de luxo √© tamb√©m luxo, seja em agricultura, com√©rcio, literatura ou arte. Hoje em dia h√° professores de filosofia, mas n√£o h√° fil√≥sofos. Contudo √© admir√°vel ensinar filosofia porque um dia foi admir√°vel viv√™-la. Ser um fil√≥sofo n√£o √© apenas ter pensamentos subtis, nem sequer fundar uma escola, mas amar a sabedoria a ponto de viver, segundo os seus ditames, uma vida de simplicidade, independ√™ncia, magnanimidade e confian√ßa. √Č solucionar alguns problemas da vida n√£o s√≥ na teoria mas tamb√©m na pr√°tica.

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A sociedade tem quatro variedades: os amantes, os ambiciosos, os observadores e os loucos. Estes s√£o os mais felizes.

Amigos com Car√°cter

A vida caminha precipitadamente. Perseguimos alguns esquemas flutuantes ou somos perseguidos por algum medo ou autoridade atr√°s de n√≥s. Mas, se, de repente, encontramos um amigo, paramos; o nosso calor e a nossa pressa tornam-se rid√≠culos. Ora a pausa, ora o dom√≠nio s√£o necess√°rios e tamb√©m a for√ßa para encher o momento dos efl√ļvios do cora√ß√£o. O momento √© tudo, em todas as rela√ß√Ķes nobres.
Uma pessoa divina é a profecia do espírito; um amigo é a esperança do coração. A nossa ventura espera pela concretização destas duas em uma.
Os s√©culos est√£o a dilatar essa for√ßa moral. Toda a for√ßa √© a sombra ou o s√≠mbolo daquela. A poesia √© alegre e forte quando extrai nessa fonte a sua inspira√ß√£o. Os homens s√≥ inscrevem os seus nomes no mundo quando est√£o cheios deste. A hist√≥ria tem sido ign√≥bil; as nossas na√ß√Ķes t√™m sido a gentalha; nunca vimos um homem: essa forma divina que ainda n√£o conhecemos, mas apenas o sonho e a profecia de tal; n√£o conhecemos os modos majestosos que lhe s√£o peculiares e que acalmam e exaltam o observador.

Um dia veremos que a energia mais particular √© a mais p√ļblica, que a qualidade afina com a quantidade e a grandeza de car√°cter actua na sombra e socorre aos que nunca a viram.

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O Pensador

N√£o h√° nenhuma vida verdadeiramente intelectual em que a pol√©mica n√£o seja um acidente, um desn√≠vel entre o engenho e a cultura adquirida, por um lado, e, por outro, o meio ambiente; o pensador n√£o √©, por estrutura, polemista, embora n√£o fuja ante a pol√©mica, nem a considere inferior; o seu dom√≠nio √© no campo da paz, n√£o entre os instrumentos de guerra; quando a batalha se oferece sabe, como o fil√≥sofo antigo, marchar com a calma e a severa repress√£o dos instintos que o mundo inteiro, ante a sua profiss√£o, tem o direito de exigir; o seu dever de cidad√£o imp√Ķe-lhe que tome, ao ecoar da voz b√°rbara, a lan√ßa que defende as oliveiras sagradas e os r√≠tmicos templos. A sua linha, por√©m, o fio de cumeadas por que se alongam os seus passos melhores comportam apenas uma inven√ß√£o superadora, um perp√©tuo oferecer aos seus amigos humanos de toda a descoberta possibilidade de um caminho mais belo e mais nobre. V√™-se como um guia e um observador de horizontes que se estendam para al√©m dos limites do mar e dos limites do c√©u; a sua miss√£o √© a de p√īr ao alcance de todos os que novamente contemplaram os seus olhos e de os ajudar a percorrer a estrada que abriu ou desvendou;

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História e Tempo são Sempre Contingentes

Querer predizer o futuro (profetizar) e querer ouvir a necessidade do passado s√£o uma √ļnica e mesma coisa, e √© apenas um problema de gosto se determinada gera√ß√£o acha uma coisa mais plaus√≠vel que a outra.
(…) O distanciamento no tempo engana o sentido do esp√≠rito tal como o afastamento no espa√ßo provoca o erro dos sentidos. O contempor√Ęneo n√£o v√™ a necessidade do que vem a ser, mas, quando h√° s√©culos entre o vir a ser e o observador, este v√™ ent√£o a necessidade, tal como aquele que v√™ √† dist√Ęncia o quadradrado como redondo.
(…) Tudo o que √© hist√≥rico √© contingente, pois justamente pelo facto de acontecer, de se tornar hist√≥rico, recebe o seu momento de conting√™ncia, pois a conting√™ncia √© precisamente o √ļnico factor de tudo o que vem a ser.

N√£o Est√°s a Ver

Todos os dias, todos nós assistimos Рseja como utentes, vítimas ou observadores Рa uma prática irritantemente portuguesa.
Algu√©m faz uma longa e pormenorizada descri√ß√£o de uma coisa extraordin√°ria (ou, mais ami√ļde, banal) que lhe aconteceu. N√≥s ouvimos, com paci√™ncia e empatia exageradas, e comentamos conforme as mais bem equilibradas expectativas.
Descrevem-nos um momento de horror (“atravessou-se um gato na estrada, tive de desviar-me e quase bati noutro carro”) e, quando n√≥s simpatizamos (muitos de n√≥s tendo passado pela mesma experi√™ncia de medo de morrer ou matar), o nosso interlocutor d√° como perdidos os quartos de hora que gastou a dar-nos uma narrativa completa e, apesar da nossa sincera afirma√ß√£o de empatia (“Coitado! Sei exactamente o que sentiste!”), atira-nos invariavelmente √† cara a mesma psicop√°tica acusa√ß√£o: “N√£o est√°s a ver!”
√Č portugu√™s pensar que aquilo que se sente ou que nos acontece n√£o pode ser sentido ou acontecer a mais ningu√©m. Temos a ideia est√ļpida, avan√ßada por Cam√Ķes – do saber de experi√™ncia feito -, que cada um sabe o que sabe e vive o que vive. Dizer “n√£o est√°s a ver” a quem v√™ perfeitamente – o mais das vezes espontaneamente – √© uma esp√©cie de distancia√ß√£o.

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O antrop√≥logo √© o astr√īnomo das ci√™ncias sociais: ele est√° encarregado de descobrir um sentido para as configura√ß√Ķes muito diferentes, por sua ordem de grandeza e seu afastamento, das que est√£o imediatamente pr√≥ximas do observador.

Quanto mais se identificar com o seu pensamento, com aquilo de que gosta e de que n√£o gosta, com ju√≠zos e interpreta√ß√Ķes, o que √© o mesmo que dizer que quanto menos presente estiver como observador consciente, mais forte ser√° a carga de energia emocional, esteja voc√™ a par disso ou n√£o. Se n√£o conseguir sentir as suas emo√ß√Ķes, se estiver afastado delas, acabar√° por experienci√°-las a um n√≠vel puramente f√≠sico, como um problema ou sintoma f√≠sico.

A Estupidez e a Maldade Humana

Vista √† dist√Ęncia, a humanidade √© uma coisa muito bonita, com uma larga e suculenta hist√≥ria, muita literatura, muita arte, filosofias e religi√Ķes em barda, para todos os apetites, ci√™ncia que √© um regalo, desenvolvimento que n√£o se sabe aonde vai parar, enfim, o Criador tem todas as raz√Ķes para estar satisfeito e orgulhoso da imagina√ß√£o de que a si mesmo se dotou. Qualquer observador imparcial reconheceria que nenhum deus de outra gal√°xia teria feito melhor. Por√©m, se a olharmos de perto, a humanidade (tu, ele, n√≥s, v√≥s, eles, eu) √©, com perd√£o da grosseira palavra, uma merda. Sim, estou a pensar nos mortos do Ruanda, de Angola, da B√≥snia, do Curdist√£o, do Sud√£o, do Brasil, de toda a parte, montanhas de mortos, mortos de fome, mortos de mis√©ria, mortos fuzilados, degolados, queimados, estra√ßalhados, mortos, mortos, mortos. Quantos milh√Ķes de pessoas ter√£o acabado assim neste maldito s√©culo que est√° prestes a acabar? (Digo maldito, e foi nele que nasci e vivo…) Por favor, algu√©m que me fa√ßa estas contas, d√™em-me um n√ļmero que sirva para medir, s√≥ aproximadamente, bem o sei, a estupidez e a maldade humana. E, j√° que est√£o com a m√£o na calculadora, n√£o se esque√ßam de incluir na contagem um homem de 27 anos,

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Quando o coração é aturdido por um tumulto de opostas ideias, o carácter exterior fecha-se, escurece-se, e não deixa rasto de luz que encaminhe o observador mais provado na experiência das dores que o homem esconde com egoísmo à fria curiosidade dos estranhos.

A Busca da Felicidade ou do Sofrimento

O homem recusa o mundo tal como ele √©, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, n√£o querem abandon√°-lo. Longe de quererem esquec√™-lo, sofrem, sempre, pelo contr√°rio, por n√£o poderem possu√≠-lo suficientemente, estranhos cidad√£os do mundo que s√£o, exilados na sua pr√≥pria p√°tria. Excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade √© para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos; voltam a julg√°-los assumindo fei√ß√Ķes inesperadas; fogem, como a √°gua de T√Ęntalo, para um estu√°rio ainda desconhecido. Conhecer o estu√°rio, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua p√°tria. Mas essa vis√£o que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo pr√≥prios, n√£o pode surgir; se tal acontecer, ser√° nesse momento fugitivo que √© a morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, √© preciso deixar de ser para sempre.
Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas,

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Assuntos Mortais e Assuntos Imortais

Com um pouco mais de delibera√ß√£o na escolha dos seus objectivos, possivelmente todos os homens se tornariam em ess√™ncia estudiosos e observadores, porque a natureza e o destino de cada um interessam sem d√ļvida de igual maneira a todos. Ao acumular bens para n√≥s ou para os nossos descendentes, ao fundar uma fam√≠lia ou um estado, ou ainda ao alcan√ßar a fama, somos mortais; mas ao lidarmos com a verdade somos imortais e n√£o precisamos de temer mudan√ßas ou acidentes.
O mais antigo fil√≥sofo eg√≠pcio ou hindu levantou uma ponta do v√©u que cobria a est√°tua da divindade; essa tr√©mula t√ļnica ainda permanece levantada, e eu contemplo uma gl√≥ria t√£o fresca como a que contemplou o fil√≥sofo, j√° que era eu nele quem se mostrou t√£o audacioso naquela √©poca, e √© ele em mim quem agora volta a observar a vis√£o. Nenhuma poeira se depositou sobre essa t√ļnica; tempo nenhum decorreu desde que tal divindade se viu revelada. O tempo que aproveitamos realmente, ou que √© aproveit√°vel, n√£o √© passado, nem presente, nem futuro.

A Capacidade de Adaptação dos Portugueses

Os observadores estrangeiros maravilham-se de que Portugal resista √† crise pol√≠tica e econ√≥mica com tal poder de adapta√ß√£o. H√° nos Portugueses uma sinceridade para com o imediato que desconcerta o panorama que transcende o imediato. O infinito √© o que eu situo – dizem. E assim vivem. Protegidos talvez por essa condi√ß√£o de afecto pelas coisas, pelos seus pr√≥prios delitos, que n√£o consideram dram√°ticos, s√≥ ao jeito das necessidades. De resto ‚ÄĒ quem se apresenta a salvar-nos que n√£o esteja suspeitamente indignado? Os que muito se formalizam muito escondem; os que acusam demasiado privam-se de ser leais consigo pr√≥prios. O pa√≠s n√£o precisa de quem diga o que est√° errado; precisa de quem saiba o que est√° certo.

Virtudes Inconscientes

Todas as qualidades pessoais de que um homem tem consci√™ncia – sobretudo quando sup√Ķe que os que o rodeiam as v√™em, que saltam aos olhos dos outros -, est√£o submetidas a leis da evolu√ß√£o completamente diferentes daquelas que regem as qualidades que ele conhece mal ou n√£o conhece, as qualidades que a sua finura dissimula ao observador mais subtil e que parecem entrincheirar-se atr√°s da cortina do nada. Assim como a delicada gravura que esculpe a escama da serpente: seria um erro ver nela ou uma arma ou um ornamento, porque s√≥ √© poss√≠vel descobri-la ao microsc√≥pio, por consequ√™ncia com um olho cuja pot√™ncia √© devida a tais artif√≠cios que os animais para os quais ela teria por sua vez servido de arma ou de ornamento n√£o possuem semelhante!
As nossas qualidade morais visíveis e, nomeadamente, aquelas que nós acreditamos serem tais, seguem o seu caminho; e as do mesmo nome que se não vêem, que não podem portanto servir-nos de arma ou de ornamento, seguem assim o seu caminho, provavelmente completamente diferente, decoradas de linhas, de finuras e de esculturas que poderiam talvez dar prazer a um deus munido com um microscópio divino. Eis por exemplo o nosso zelo,

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