Cita√ß√Ķes sobre √ďcio

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Quase todos os esforços humanos se dirigem não à diminuição da carga do trabalhador, mas a tornar mais agradável o ócio dos que já vivem em lazer.

O ócio torna as horas lentas e os anos velozes. A actividade torna as horas rápidas e os anos lentos.

A Decadência do Espírito de Competição

O esp√≠rito de competi√ß√£o, considerado como a principal raz√£o da vida, √© demasiado inflex√≠vel, demasiado tenaz, demasiado composto de m√ļsculos tensos e de vontade decidida para servir de base poss√≠vel √† exist√™ncia durante mais de uma ou duas gera√ß√Ķes. Depois desse espa√ßo de tempo, deve produzir-se uma fadiga nervosa, v√°rios fen√≥menos de evas√£o, uma procura de prazeres, t√£o tensa e t√£o penosa como o trabalho (pois o afrouxamento tornou-se imposs√≠vel) e finalmente a desapari√ß√£o da ra√ßa devido √† esterilidade. N√£o somente o trabalho √© envenenado pela filosofia que exalta o esp√≠rito de competi√ß√£o mas os √≥cios s√£o-no na mesma medida.
O género de descanso que acalma e restaura os nervos chega a ser aborrecimento. Produz-se fatalmente uma aceleração contínua cujo fim normal são as drogas e a ruína. O remédio consiste na aceitação duma alegria sã e serena como elemento indispensável ao equilíbrio ideal da vida.

Bens materiais e at√© sa√ļde podem ser recuperados. Mas o tempo que se deixou passar, sem aproveit√°-lo, √© irrecuper√°vel. O √≥cio √© um pecado capital e um perigo, porque facilmente se torna pai de muitos pecados.

Flor Nirvanizadas

√ď cegos cora√ß√Ķes, surdos ouvidos,
Bocas in√ļteis, sem clamor, fechadas,
Almas para os mistérios apagadas,
Sem segredos, sem eco e sem gemidos.

Consciências hirsutas de bandidos,
Vesgas, nefandas e desmanteladas,
Portas de ferro, com furor trancadas,
Dos ócios maus histéricos Vencidos.

Desenterrai-vos das sangrentas furnas
Sinistras, cabalísticas, noturnas
Onde ruge o Pecado caudaloso…

Fazei da Dor, do triste Gozo humano,
A Flor do Sentimento soberano,
A Flor nirvanizada de outro Gozo!

Nenhum Mortal no Mundo Satisfeito

Nenhum mortal no mundo satisfeito
Com sua Sorte está, nunca é contente,
Pois de mil desatinos enche a mente
Sem que possa gozar um bem perfeito.

O soldado deseja o canto estreito
Da cela do ermit√£o, com √Ęnsia ardente:
Este, da guerra, o estrépito fremente
Deseja, sem razão, ao ócio afeito.

O rico, redobrados bens deseja;
O pobre, de quimeras se sustenta;
No coração humano reina a Inveja.

Pobre, rico, fidalgo se alimenta
De insaci√°veis desejos que lhe peja
Sua Sorte fatal, que os n√£o contenta.

N√£o h√° Felicidade sem Verdadeira Vida Interior

A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacida­des espirituais, e adquire, mediante o incremento inin­terrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecen­do aos poucos. Em contrapartida, a vida prática dos ou­tros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacida­des espirituais é apenas um meio.
A nossa vida pr√°tica, real, quando as paix√Ķes n√£o a movimentam, √© tediosa e sem sabor; mas quando a movi¬≠mentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os √ļnicos feli¬≠zes s√£o aqueles aos quais coube um excesso de intelec¬≠to que ultrapassa a medida exigida para o servi√ßo da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entret√©m ininter¬≠ruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Pa¬≠ra tanto, o mero √≥cio, isto √©, o intelecto n√£o ocupado com o servi√ßo da vontade, n√£o √© suficiente; √© necess√°rio um excedente real de for√ßa, pois apenas este capacita a uma ocupa√ß√£o puramente espiritual, n√£o subordinada ao ser¬≠vi√ßo da vontade.

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A Sociabilidade é Proporcional à Vulgaridade

O homem inteligente aspirar√°, antes de tudo, √† aus√™ncia de dor, √† serenidade, ao sossego e ao √≥cio, logo, procurar√° uma vida tranquila, modesta e o menos conflituosa poss√≠vel; por conseguinte, ap√≥s travar algum conhecimento com aqueles que chamamos de homens, escolher√° o reatraimento e, no caso de um grande esp√≠rito, at√© a solid√£o. Pois, quanto mais algu√©m tem em si mesmo, menos precisa do mundo exterior e menos tamb√©m os outros lhe podem ser √ļteis. Por isso, a emin√™ncia do esp√≠rito conduz √† insociabilidade. Sim, se a qualidade da sociedade pudesse ser substitu√≠da pela quantidade, valeria a pena viver at√© no grande mundo, mas infelizmente cem n√©scios empilhados n√£o d√£o um √ļnico homem razo√°vel. J√° aquele que est√° no outro extremo, assim que a necessidade lhe permitir recobrar o √Ęnimo, procurar√° passatempo e companhia a qualquer pre√ßo, e a tudo se acomodar√° facilmente, de nada fugindo a n√£o ser de si.
Pois √© na solid√£o, onde cada um est√° entregue a si mesmo, que se mostra o que ele tem em si mesmo. Nela, sob a p√ļrpura, o simpl√≥rio suspira, carregando o fardo irremov√≠vel da sua m√≠sera individualidade, enquanto o mais talentoso povoa e vivifica com os seus pensamentos o ambiente mais ermo.

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Alguém rico interiormente de nada precisa do mundo exterior a não ser um presente negativo, a saber, o ócio, para poder cultivar e desenvolver as suas capacidades espirituais e fruir a sua riqueza interior.

A Guerra

Musa, pois cuidas que é sal
o fel de autores perversos,
e o mundo levas a mal,
porque leste quatro versos
de Hor√°cio e de Juvenal,

Agora os ver√°s queimar,
j√° que em v√£o os fecho e os sumo;
e leve o vol√ļvel ar,
de envolta como turvo fumo,
o teu furor de rimar.

Se tu de ferir n√£o cessas,
que serve ser bom o intento?
Mais carapuças não teças;
que importa d√°-las ao vento,
se podem achar cabeças?

Tendo as s√°tiras por boas,
do Parnaso nos dois cumes
em hora negra revoas;
tu d√°s golpes nos costumes,
e cuidam que é nas pessoas.

Deixa esquipar Inglaterra
cem naus de alterosa popa,
deixa regar sangue a terra.
Que te importa que na Europa
haja paz ou haja guerra?

Deixa que os bons e a gentalha
brigar ao Casaca v√£o,
e que, enquanto a turba ralha,
v√° recebendo o balc√£o
os despojos da batalha.

Que tens tu que ornada história
diga que peitos ferinos,

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Orientar Filosoficamente a Vida

A √Ęnsia de uma orienta√ß√£o filos√≥fica da vida nasce da obscuridade em que cada um se encontra, do desamparo que sente quando, em car√™ncia de amor, fica o vazio, do esquecimento de si quando, devorado pelo afadigamento, s√ļbito acorda assustado e pergunta: que sou eu, que estou descurando, que deverei fazer?
O auto-esquecimento é fomentado pelo mundo da técnica. Pautado pelo cronómetro, dividido em trabalhos absorventes ou esgotantes que cada vez menos satisfazem o homem enquanto homem, leva-o ao extremo de se sentir peça imóvel e insubstituivel de um maquinismo de tal modo que, liberto da engrenagem, nada é e não sabe o que há-de fazer de si. E, mal começa a tomar consciência, logo esse colosso o arrasta novamente para a voragem do trabalho inane e da inane distracção das horas de ócio.
Porém, o pendor para o auto-esquecimento é inerente à condição humana. O homem precisa de se arrancar a si próprio para não se perder no mundo e em hábitos, em irreflectidas trivialidades e rotinas fixas.
Filosofar é decidirmo-nos a despertar em nós a origem, é reencontrarmo-nos e agir, ajudando-nos a nós próprios com todas as forças.
Na verdade a existência é o que palpavelmente está em primeiro lugar: as tarefas materiais que nos submetem às exigências do dia-a-dia.

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Tempo livre não significa repouso. O repouso, como o sono, é obrigatório. O verdadeiro tempo livre é apenas a liberdade de fazermos o que queremos, mas não de permanecermos no ócio.

Um Único Estilo de Vida não é Viver, é Ser

N√£o nos devemos apegar assim t√£o fortemente √†s nossas tend√™ncias e temperamento. O nosso talento principal √© sabermos aplicar-nos a pr√°ticas diversas. O estar vinculado, e necessariamente obrigado, a um √ļnico estilo de vida n√£o √© viver, √© ser. As almas mais belas s√£o as que t√™m mais variedade e flexibilidade.
Se me fosse poss√≠vel constituir-me a meu modo, n√£o haveria nenhuma forma, por melhor que fosse, na qual eu me quisesse fixar de sorte que n√£o fosse capaz de dela me apartar. A vida √© um movimento desigual, irregular e multiforme. N√£o √© ser amigo, e muito menos senhor, de si mesmo, deixar-se incessantemente conduzir por si e estar preso √†s pr√≥prias inclina√ß√Ķes que n√£o possa desviar-se delas nem torc√™-las – √© ser escravo de si pr√≥prio.
Digo-o neste momento por não me poder facilmente desembaraçar da importunidade da minha alma que consiste em ela normalmente não saber ocupar-se senão do que a absorve, nem aplicar-se senão por inteiro e de forma tensa. Por mais trivial que seja o assunto que se lhe dê, ela logo o aumenta e estica a ponto de ter de se empenhar nele com todas as forças. A sua ociosidade é-me, por esta causa,

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A plenitude da atividade humana √© alcan√ßada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo; isto √©, quando n√≥s trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo…. √Č o que eu chamo de √≥cio criativo, uma situa√ß√£o que, segundo eu, se tornar√° cada vez mais difundida no futuro.