Passagens sobre Pecado

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Frases sobre pecado, poemas sobre pecado e outras passagens sobre pecado para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Ver√£o

Est√°s no ver√£o,
num fio de repousada √°gua, nos espelhos perdidos sobre
a duna.
Est√°s em mim,
nas obscuras algas do meu nome e à beira do nome
pensas:
teria sido fogo, teria sido ouro e todavia é pó,
sepultada rosa do desejo, um homem entre as m√°goas.
√Čs o esplendor do dia,
os metais incandescentes de cada dia.
Deitas-te no azul onde te contemplo e deitada reconheces
o ardor das maçãs,
as claras no√ß√Ķes do pecado.
Ouve a canção dos jovens amantes nas altas colinas dos
meus anos.
Quando me deixas, o sol encerra as suas pérolas, os
rituais que previ.
Uma colmeia explode no sonho, as palmeiras est√£o em
ti e inclinam-se.
Bebo, na clausura das tuas fontes, uma sede antiquíssima.
Doce e cruel é setembro.
Dolorosamente cego, fechado sobre a tua boca.

Independência

Recuso-me a aceitar o que me derem.
Recuso-me às verdades acabadas;
recuso-me, também, às que tiverem
pousadas no sem-fim as sete espadas.

Recuso-me às espadas que não ferem
e às que ferem por não serem dadas.
Recuso-me aos eus-próprios que vierem
e às almas que já foram conquistadas.

Recuso-me a estar l√ļcido ou comprado
e a estar sozinho ou estar acompanhado.
Recuso-me a morrer. Recuso a vida.

Recuso-me à inocência e ao pecado
como a ser livre ou ser predestinado.
Recuso tudo, ó Terra dividida!

Pode dizer-se todo o mal possível de uma vida de pecado Рela, no entanto, faculta a cultura geral.

Paisagens De Inverno I

√ď meu cora√ß√£o, torna para tr√°s.
Onde vais a correr, desatinado?
Meus olhos incendidos que o pecado
Queimou! – o sol! Volvei, noites de paz.

Vergam da neve os olmos dos caminhos.
A cinza arrefeceu sobre o brasido.
Noites da serra, o casebre transido…
√ď meus olhos, cismai como os velhinhos.

Extintas primaveras evocai-as:
– J√° vai florir o pomar das maceiras.
Hemos de enfeitar os chapéus de maias.-

Sossegai, esfriai, olhos febris.
-E hemos de ir cantar nas derradeiras
Ladainhas…Doces vozes senis…-

O Segredo dos Dias

Quando h√° muito para fazer, que √© sempre, o melhor √© fazer como se nada houvesse para fazer e deixar tudo para o pouco tempo ‚Äď que infelizmente tem de ser medido ‚Äď que resta para faz√™-lo.
Nos dias de maior trabalho, permita-se o maior luxo. N√£o depois, mas antes. Ou melhor: antes para quem sente que roubou um pecado e tem de pag√°-lo e depois para quem sente que merece uma recompensa por ter trabalhado tanto.

Os seres humanos dividem-se entre os castigadores e os recompensadores. Talvez os primeiros sejam mais judeus e cat√≥licos e os segundos mais isl√Ęmicos e protestantes.
Para os castigadores o trabalho é o preço que se paga pelo prazer, pelo adiamento, pelo facto de não ter investido o tempo bastante para tentar urdir um resultado perfeito.
Para os recompensadores primeiro trabalha-se e depois celebra-se o ter trabalhado.

S√≥ agora me ocorre, tarde na vida, que ambas as atitudes s√£o oprimentes, tornando-nos em porquinhos-da-√≠ndia que comem conforme p√Ķem a roda que est√° na jaula em movimento.
√Č um erro equiparar o trabalho ao prazer, seja anterior ou posterior. O trabalho √© sempre um sofrimento, um esfor√ßo, uma coisa que,

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Tudo é Divino

H√° uma elasticidade c√≥smica, se assim lhe posso chamar, que √© extremamente enganadora. D√° ao homem a ilus√£o tempor√°ria de que √© capaz de mudar as coisas. Mas o homem acaba sempre por tornar a cair em si. √Č a√≠, na sua pr√≥pria natureza, que pode e deve praticar-se a transmuta√ß√£o, e em nenhum outro lugar. E quando um homem percebe a que ponto √© isto verdade, reconciliando-se com todas as apar√™ncias do mal, da fealdade, da mentira e da frustra√ß√£o; a partir de ent√£o, deixa de aplicar ao mundo a sua imagem pessoal de tristeza e dor, de pecado e corrup√ß√£o.
Eu poderia, √© certo, formular tudo isto de modo muito mais simples, dizendo que, aos olhos de Deus, tudo √© divino. E quando digo tudo, √© mesmo tudo o que quero dizer. Quando olhamos as coisas a tal luz, a palavra ¬ętransmuta√ß√£o¬Ľ adquire um sentido ainda maior: pressup√Ķe que o nosso bem-estar depende do nosso entendimento espiritual, do modo como nos servimos da vis√£o divina que possu√≠mos.

Forças Constantes e Imutáveis Através da História

O uso da hist√≥ria n√£o traz surpresas. Ele (o historiador) j√° viu tudo. Sabe que for√ßas constantes e imut√°veis ir√£o resistir √† verdade e ao prop√≥sito superior. Qual a fraqueza, divis√£o, excesso que ir√° prejudicar a causa superior. A espl√™ndida plausibilidade do erro, o inebriante poder de atrac√ß√£o do pecado. E por for√ßa de que adapta√ß√£o a motiva√ß√Ķes inferiores as boas causas s√£o bem sucedidas […] A hist√≥ria n√£o √© uma teia tecida por m√£os inocentes. Entre todas as causas que degradam e desmoralizam os homens, o poder √© o mais constante e activo.

Intragável é Estar Parado

Intragável é estar parado. Não mudar. Aguentar. Sobreviver. Permanecer. Mesmo que seja pouco, mesmo que seja insuficiente. Manter tudo como está apenas para não correr o risco de ficar pior. Intragável é não perdoar, não ilibar. E só criticar, só apontar, só atacar. E não criar, não refazer, não imaginar. Intragável é não acreditar. Intragável é o que não é maravilhoso, o que não é delicioso, o que não é fantástico, monumental, abençoado, miraculoso, espantoso. Intragável é acordar para o dia a recusar o dia, a não querer o dia, a não apetecer o dia, a não pensar nas mil e uma maneiras de o tornar inesquecível. Deixar estar. Não mexer, não querer a ferida se for através da ferida que se chega à cura. Ser cauteloso, prevenido. Intragável é o que não é exagerado, o que não é desproporcionado, o que não parece incomportável. Se não parece incomportável, é insuportável. Não quero. Não admito. Não me admito. Intragável é repetir. Hoje como réplica exacta de ontem e como réplica exacta de amanhã. As mesmas coisas, as mesmas palavras, os mesmos actos, os mesmos movimentos. Sempre igual. Sempre o mesmo. Intragável é continuar por continuar, andar por andar, viver por viver.

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O Homem Que Confessa os Seus Pecados Nunca é o Mesmo Que os Cometeu

Monstro, robot, escravo, ser maldito – pouco importa o termo utilizado para transmitir a imagem da nossa condi√ß√£o desumanizada. Nunca a condi√ß√£o da humanidade no seu conjunto foi t√£o ign√≥bil como hoje. Estamos todos ligados uns aos outros por uma igniminiosa rela√ß√£o de senhor e servo; todos presos no mesmo c√≠rculo vicioso entre julgar e ser julgado; todos empenhados em destruir-nos mutuamente quando n√£o conseguimos impor a nossa vontade. Em vez de sentirmos respeito, toler√Ęncia, bondade e considera√ß√£o, para j√° n√£o falar em amor, uns pelos outros, olhamo-nos com medo, suspeita, √≥dio, inveja, rivalidade e malevol√™ncia. O nosso mundo assenta na falsidade. Seja qual for a direc√ß√£o em que nos aventuremos, a esfera de actividade humana em que nos embrenhemos, n√£o encontramos sen√£o enganos, fraudes, dissimula√ß√£o e hipocrisia.
Conhecer do facto de que, por muito alto que estejam colocados, os homens n√£o conseguem, n√£o ousam, pensar livremente, independentemente, quase desespero de me fazer ouvir. E se falo ainda, se me arrisco a exprimir os meus pontos de vista sobre certas quest√Ķes fundamentais, √© porque estou convencido de que, por muito negro que seja o panorama, uma mudan√ßa dr√°stica √©, n√£o s√≥ poss√≠vel, mas at√© inevit√°vel. Sinto que √© meu direito e meu dever de ser humano promover essa mudan√ßa.

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Certos pecados existem cujo fascínio estava mais na lembrança do que no ato de fazê-lo

A Piedosa Beppa

Enquanto o meu corpo for belo
√Č pecado ser piedosa,
√Č sabido que Deus gosta das mulheres,
E das bonitas sobretudo.
Ele perdoar√°, tenho a certeza,
Facilmente ao pobre fradezinho
Que tanto procura a minha companhia
Como muitos outros fradezinhos.

Não é um velhorro padre da Igreja,             .
Não, é jovem, muitas vezes vermelho,
Muitas vezes, apesar da mais cinzenta tristeza,
Pleno de desejo e de ci√ļme.
N√£o gosto dos velhos.
Ele n√£o gosta das velhas:
Que admir√°veis e s√°bios
S√£o os caminhos do Senhor!

A Igreja sabe viver,
Sonda os cora√ß√Ķes e os rostos,
Insiste em perdoar-me…
Quem n√£o me perdoar√°, ent√£o?
Três palavras na ponta da língua,
Uma reverência e ide embora:
O pecado deste minuto
Apagar√° o antigo.

Bendito seja Deus na Terra,
Gosta das raparigas bonitas
E perdoa de bom grado
Os tormentos do amor.
Enquanto o meu corpo for belo
√Č pena ser piedosa;
Case o diabo comigo
Quando eu j√° n√£o tiver dentes.

O melhor ato de bondade é transmitir o ensinamento que anula os pecados, as doenças, a morte e a carência, e conduz o ser humano à compreensão de que sua Vida é dotada de todas as coisas boas.

De Que Vale a Sabedoria ?

Os homens que se entregam à sabedoria são de longe os mais infelizes. Duplamente loucos, esquecem que nasceram homens e querem imitar os deuses poderosos, e a exemplo dos Titãs, armados com as ciências e as artes, declaram guerra à Natureza. Ora, os menos infelizes são aqueles que mais se aproximam da animalidade e da estupidez.
Tentarei fazer-vos entender isto, usando, em vez dos argumentos dos est√≥icos, um exemplo crasso. Haver√°, pelos deuses imortais, esp√©cie mais feliz que os homens a quem o vulgo chama loucos, parvos, imbecis, cognomes bel√≠ssimos, na minha opini√£o? Esta afirma√ß√£o poder√° a princ√≠pio parecer insensata e absurda e, no entanto, nada h√° de mais verdadeiro. Tais homens n√£o receiam a morte, e, por J√ļpiter! isso j√° n√£o representa pequena vantagem! A sua consci√™ncia n√£o os incomoda. As hist√≥rias de fantasmas n√£o os aterrorizam, nem os afecta o medo das apari√ß√Ķes e espectros, nem os males que os amea√ßam ou a esperan√ßa dos bens que poder√£o vir a receber. Nada, em resumo, os atormenta, isentos dos mil cuidadeos de que a vida √© feita. Ignoram a vergonha, o medo, a ambi√ß√£o, a inveja e chegam mesmo, se s√£o suficientemente est√ļpidos, a gozar o privil√©gio, segundo os te√≥logos,

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Em Portugal, Ter Amor às Nossas Coisas Implica Dizer Mal Delas

Em Portugal, ter amor às nossas coisas implica dizer mal delas, já que a maior parte delas não anda bem. Nem uma coisa nem outra constitui novidade. Nem dizer mal delas, nem o facto de elas não andarem bem. Será que se diz mal na esperança de que elas se ponham boas? Também não. As nossas causas são quase sempre perdidas. Porquê então?

Porque o nosso maior bem, como António Vieira contradizia, é nunca estarmos satisfeitos. Nas nossas cabeças perversas e almas amarguradas, onde se acham todas as coisas portuguesas tal e qual achamos que deviam ser, Portugal é o país mais perfeito do mundo. Já isso é uma espécie de país, melhor do que os países reais onde as pessoas estão realmente convencidas que as coisas correm muito bem. Aprendemos a viver com esse país. E alguns conseguiram mesmo viver nele.

Desdenhar o que se tem e elogiar o que têm os outros, mas sem querer trocar, é a principal característica do aristocrático feitio do povo português. Às vezes penso que dizemos tanto mal de Portugal e dos portugueses para que não sejam os estrangeiros a fazê-lo. Monopolizamos a maledicência para nos defendermos; para evitar a concorrência.

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Se escondes os teus pecados √© porque ainda pensas que o pecado tem exist√™ncia real. Ainda pensas que foi teu ‚ÄėEu verdadeiro‚Äô que cometeu o pecado. Respeita mais o teu ‚ÄėEu verdadeiro‚Äô. Insulta o ‚Äėfalso eu‚Äô, enxota-o e anula-o.