CitaçÔes sobre PenitĂȘncia

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Frases sobre penitĂȘncia, poemas sobre penitĂȘncia e outras citaçÔes sobre penitĂȘncia para ler e compartilhar. Leia as melhores citaçÔes em Poetris.

Nao hå Virtude sem Agitação Desordenada

Os choques e abalos que a nossa alma recebe pelas paixĂ”es corporais muito podem sobre ela; porĂ©m podem mais ainda as suas prĂłprias, pelas quais estĂĄ tĂŁo fortemente dominada que talvez possamos afirmar que nĂŁo tem nenhuma outra velocidade e movimento que nĂŁo os do sopro dos seus ventos, e que, sem a agitação destes, ela permaneceria sem acção, como um navio em pleno mar e que os ventos deixassem sem ajuda. E quem sustentasse isso, seguindo o partido dos peripatĂ©ticos, nĂŁo nos causaria muito dano, pois Ă© sabido que a maior parte das mais belas acçÔes da alma procedem desse impulso das paixĂ”es e necessitam dele. A valentia, diz-se, nĂŁo se pode cumprir sem a assistĂȘncia da cĂłlera.

Ajax sempre foi valente, mas nunca o foi tanto como na sua loucura (CĂ­cero)

Nem investimos contra os maus e os inimigos com tanto vigor se nĂŁo estivermos encolerizados; e pretende-se que o advogado inspire a cĂłlera nos juĂ­zes para deles obter justiça. As paixĂ”es excitaram TemĂ­stocles, excitaram DemĂłstenes e impeliram os filĂłsofos para trabalhos, vigĂ­lias e peregrinaçÔes; conduzem-nos Ă  honra, Ă  ciĂȘncia, Ă  saĂșde – fins Ășteis. E essa falta de vigor da alma para suportar o sofrimento e os desgostos serve para alimentar na consciĂȘncia a penitĂȘncia e o arrependimento,

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Évora

Ao amigo vindo da luminosa ItĂĄlia, a minha cidade, como eu soturno e triste…

Évora! Ruas ermas sob os cĂ©us
Cor de violetas roxas…Ruas frades
Pedindo em triste penitĂȘncia a Deus
Que nos perdoe as mĂ­seras vaidades!

Tenho corrido em vĂŁo tantas cidades!
E sĂł aqui recordo os beijos teus,
E sĂł aqui eu sinto que sĂŁo meus
Os sonhos que sonhei noutras idades!

Évora!…O teu olhar…o teu perfil…
Tua boca sinuosa, um mĂȘs de Abril,
Que o coração no peito me alvoroça!

…Em cada viela o vulto dum fantasma…
E a minh’alma soturna escuta e pasma…
E sente-se passar menina e moça…

A vigĂ­lia Ă© a penitĂȘncia maior; por isso foi escolhida a insĂŽnia para companheira do remorso

NĂŁo ofereça a Deus apenas a dor de suas penitĂȘncias, ofereça tambĂ©m suas alegrias.

Se Tomar Minha Pena Em PenitĂȘncia

Se tomar minha pena em penitĂȘncia
do erro em que caiu o pensamento,
nĂŁo abranda, mas dobra meu tormento,
a isto, e a mais, obriga a paciĂȘncia.

E se ĂŒa cor de morto na aparĂȘncia,
um espalhar suspiros vĂŁos ao vento,
em vĂłs nĂŁo faz, Senhora, movimento,
fique meu mal em vossa consciĂȘncia.

E se de qualquer åspera mudança
toda a vontade isenta Amor castiga
(como eu vi bem no mal que me condena);

e se em vĂłs nĂŁo s’entende haver vingança,
serå forçado (pois Amor me obriga)
que eu sĂł de vossa culpa pague a pena.

Se Ă© um pecado sonhar
Tenho um pecado na vida,
Peço a Deus por tal pecado
A penitĂȘncia merecida.

Quando o meu sonho morrer
(Que penitĂȘncia tĂŁo dura!)
VĂĄ encontrar em teu peito
Carinhosa sepultura.

Ó graves e insofríveis acidentes
Da Fortuna e do Amor! que penitĂȘncia
TĂŁo grave dais aos peitos inocentes!

A Intimidade do Escritor

HĂĄ quase um ano sozinho, na antiga vida de solteirĂŁo. Tem sido duro, mas Ăștil. De vez em quando faz-me bem estar sĂł e desamparado. É nessas horas que sinto mais profundamente a significação de uma mulher ao lado do artista. A histĂłria literĂĄria exibe prodigamente o cenĂĄrio feminino e mundano que aconchega os criadores e lhes embeleza a vida. Mas diz-nos pouco das companheiras quotidianas, domĂ©sticas e anĂłnimas, a verem nascer a obra, a aquecĂȘ-la com chĂĄvenas de chĂĄ, e a renunciarem Ă  alegria de a conhecer na emoção virginal de um leitor apanhado de surpresa. E nada de mais significativo e decisivo do que essa ajuda e do que essa renĂșncia. As RĂ©camiers sĂŁo o estĂ­mulo de fora, higiĂ©nico e lisonjeiro; enquanto que as outras, Ă­ntimas e apagadas, empurram o carro trĂŽpego da criação debaixo de todos os ventos, e sem aplausos no fim. O seu lema Ă© a aceitação calma e confiante dos desĂąnimos, dos rascunhos, das mil tentativas falhadas. E quando a obra, finalmente acabada, empolga o pĂșblico, jĂĄ tem atrĂĄs de si um tal cansaço, uma tal soma de horas desesperadas, que sĂł com um grande amor a podem ainda olhar.
Por esse amor nĂŁo existir,

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Arrependimento Imoral

O homem a quem o arrependimento, apĂłs o pecado, impĂ”e grandes exigĂȘncias morais, expĂ”e-se Ă  acusação de ter tornado a sua tarefa demasiado fĂĄcil. NĂŁo praticou o que Ă© essencial na moral, a renĂșncia; com efeito, o comportamento
moral ao longo da vida Ă© exigido em função dos interesses prĂĄticos da humanidade. O homem citado recorda-nos os bĂĄrbaros das grandes ondas migradoras, que matavam e depois faziam penitĂȘncia, e para os quais fazer penitĂȘncia acabou por se tornar uma tĂ©cnica facilitadora do assassĂ­nio.

ConfissĂŁo

Trinta e nove anos. Meia vida passada, se isto se for aguentando, tomba daqui, tomba dali. E tudo por fazer! Comecei tarde, sem nenhuma preparação, e com defeitos horrĂ­veis, que tenho ido limando pouco a pouco, mas que resistem como fortalezas. Nasci afirmativo demais, puritano demais, uno demais, apesar duma timidez confrangedora, duma aceitação natural da volĂșpia e duma dispersĂŁo aflitiva a cada instante. Tenho medo dum polĂ­cia e sou capaz de enfrentar um exĂ©rcito; passo a vida a praticar virtudes que proĂ­bo terminantemente aos outros; escrevo um poema, a dar uma consulta. De maneira que nunca consegui encontrar aquele equilĂ­brio criador onde julgo existir o pomar das grandes obras. Debato-me entre forças contraditĂłrias, e ao cabo de cada livro sinto-me insatisfeito e culpado como um pecador que nĂŁo cumpriu bem a sua penitĂȘncia. NĂŁo tenho ambiçÔes fora da arte, e, dentro dela, sĂł desejo conquistar a glĂłria de a ter servido humilde e totalmente; mas nĂŁo consegui ainda dar-lhe tudo, jogar a vida e a morte por ela. Para isso era preciso calcar aos pĂ©s o homem civil que sou, e nĂŁo posso. Necessito de ter as minhas contas em dia como qualquer mortal honrado, e afligem-me os assuntos do mundo como casos pessoais.

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Instinto de Sociabilidade

O instinto de sociabilidade de cada um estĂĄ na proporção inversa da sua idade. A criancinha solta gritos de medo e de dor, lamentando ter sido deixada sozinha por alguns minutos. Para jovens rapazes, estar sozinho Ă© uma grande penitĂȘncia. Os adolescentes reunem-se com facilidade: sĂł os mais nobres e mais dotados de espĂ­rito jĂĄ procuram, Ă s vezes, a solidĂŁo. Contudo, passar um dia inteiro sozinhos ainda lhes Ă© penoso. Para o homem adulto, todavia, isso Ă© fĂĄcil: ele consegue passar bastante tempo sozinho, e tanto mais quanto mais avança nos anos. O anciĂŁo, Ășnico sobrevivente de geraçÔes desaparecidas, encontra na solidĂŁo o seu elemento prĂłprio, em parte porque jĂĄ ultrapassou a idade de sentir os prazeres da vida, em parte porque jĂĄ estĂĄ morto para eles. Entretanto, em cada indivĂ­duo, o aumento da inclinação para o isolamento e a solidĂŁo ocorrerĂĄ em conformidade com o seu valor intelectual.
Pois tal tendĂȘncia, como dito, nĂŁo Ă© puramente natural, produzida directamente pela necessidade, mas, antes, sĂł um efeito da experiĂȘncia vivida e da reflexĂŁo sobre ela, sobretudo da intelecção adquirida a respeito da miserĂĄvel Ă­ndole moral e intelectual da maioria dos homens. O que hĂĄ de pior nesse caso Ă© o facto de as imperfeiçÔes morais e intelectuais do indivĂ­duo conspirarem entre si e trabalharem de mĂŁos dadas,

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Soneto XXXXVI

Tanto que sente enfraquecer o alento,
Quebrado o brio e jĂĄ menos ligeira
Co’ a longa idade e vida derradeira,
[A] Águia a presa siguir cortar o vento.

Levanta o mais que pode o vĂŽo isento
E, firida do Sol desta maneira
Då no mar, recobrando a força inteira
E, com novo vigor, novo ornamento.

Quem nĂŁo vĂȘ figurada a grande glĂłria
De ua alma, cuja vida mal gastada
Com nova penitĂȘncia se melhora.

Ao alto se levanta co’a memĂłria,
E no divino amor toda abrasada
Cai no mar das lĂĄgrimas que chora.

Sonho Vago

Um sonho alado que nasceu um instante,
Erguido ao alto em horas de demĂȘncia…
Gotas de ĂĄgua que tombam em cadĂȘncia
Na minh’alma tristĂ­ssima, distante…

Onde estĂĄ ele, o Desejado? O Infante?
O que hĂĄ-de vir e amar-me em doida ardĂȘncia?
O das horas de mĂĄgoa e penitĂȘncia?
O PrĂ­ncipe Encantado? O Eleito? O Amante?

E neste sonho eu jĂĄ nem sei quem sou…
O brando marulhar dum longo beijo
Que nĂŁo chegou a dar-se e que passou…

Um fogo-fĂĄtuo rĂștilo, talvez…
E eu ando a procurar-te e jĂĄ te vejo!
E tu jĂĄ me encontraste e nĂŁo me vĂȘs!…

A. S. Francisco Tomando O Poeta O Habito De Terceyro

Ó magno serafim, que a Deus voaste
Com asas de humildade, e paciĂȘncia,
E absorto jĂĄ nessa divina essĂȘncia
Logras o eterno bem, a que aspiraste:

Pois o caminho aberto nos deixaste,
Para alcançar de Deus tambĂ©m clemĂȘncia
Na ordem singular de penitĂȘncia
Destes Filhos Terceiros, que criaste.

A Filhos, como Pai, olha queridos,
E intercede por nĂłs, Francisco Santo,
Para que te sigamos, e imitemos.

E assim desse teu hĂĄbito vestidos
Na terra blasonemos de bem tanto,
E depois para o CĂ©u juntos voemos.

InocĂȘncia

Vou aqui como um anjo, e carregado
De crimes!
Com asas de poeta voa-se no cĂ©u…
De tudo me redimes,
PenitĂȘncia
De ser artista!
Nada sei,
Nada valho,
Nada faço,
E abre-se em mim a força deste abraço
Que abarca o mundo!

Tudo amo, admiro e compreendo.
Sou como um sol fecundo
Que adoça e doira, tendo
Calor apenas.
Puro,
Divino
E humano como os outros meus irmĂŁos,
Caminho nesta ingénua confiança
De criança
Que faz milagres a bater as mĂŁos.