Cita√ß√Ķes sobre Persuas√£o

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Frases sobre persuas√£o, poemas sobre persuas√£o e outras cita√ß√Ķes sobre persuas√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Campo da Experiência Nunca nos Satisfaz

Sendo todos os princ√≠pios do nosso entendimento apenas aplic√°veis a objectos da experi√™ncia poss√≠vel, toma-se evidente que todo racioc√≠nio racional, que se aplica √†s coisas situadas fora das condi√ß√Ķes da experi√™ncia, ao inv√©s de alcan√ßar a verdade, apenas deve necessariamente chegar a uma apar√™ncia e a uma ilus√£o.
Mas o que caracteriza tal ilus√£o √© que ela √© inevit√°vel (‚Ķ) a tal ponto que, mesmo quando j√° nos apercebemos da sua falsidade, nos n√£o podemos libertar dela. (…) De facto, o campo da experi√™ncia nunca nos satisfaz. (…) A nossa raz√£o, para se satisfazer, deve, pois, necessariamente, tentar ultrapassar os limites da experi√™ncia e, por consequ√™ncia, persuadir-se infalivelmente de que por esse caminho alcan√ßar√° a extens√£o e a integralidade dos seus conhecimentos, coisa que ela n√£o pode encontrar no campo dos fen√≥menos. Mas esta persuas√£o √© uma ilus√£o completa: estando totalmente para al√©m dos limites da nossa experi√™ncia sens√≠vel todos os conceitos e princ√≠pios do entendimento, e n√£o podendo ent√£o ser aplicados a qualquer objecto, a raz√£o ilude-se a si mesma quando atribui um valor objectivo a m√°ximas completamente subjectivas, que, na realidade, apenas admite para sua pr√≥pria satisfa√ß√£o.
(…) Todos os nossos racioc√≠nios que pretendem sair do campo da experi√™ncia s√£o ilus√≥rios e infundamentados.

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O √™xito moment√Ęneo possui um maior poder de persuas√£o para a maioria das pessoas do que as reflex√Ķes sobre princ√≠pios.

O Ofuscante Poder da Escrita

O sentido da literatura, no meio dos muitos que tenha ou n√£o tenha, √© que ela mant√©m, purificadas das amea√ßas da confus√£o, as linhas de for√ßa que configuram a equa√ß√£o da consci√™ncia e do acto, com suas tens√Ķes e fracturas, suas ambival√™ncias e ambiguidades, suas rudes traject√≥rias de choque e fuga. O autor √© o criador de um s√≠mbolo her√≥ico: a sua pr√≥pria vida.

Mas, quando cria esse s√≠mbolo, est√° a elaborar um sistema sens√≠vel e sensibilizador, convicto e convincente, de sinais e apelos destinados a colocar o s√≠mbolo √† altura de uma presen√ßa ainda mais viva que aquela mat√©ria desordenada onde teve origem. O valor da escrita reside no facto de, em si mesma, tecer-se ela como s√≠mbolo, urdir ela pr√≥pria a sua dignidade de s√≠mbolo. A escrita representa-se a si, e a sua raz√£o est√° em que d√° raz√£o √†s inspira√ß√Ķes reais que evoca.

E produz uma tens√£o muito mais fundamental do que a realidade. √Č nessa tens√£o real criada em escrita que a realidade se faz. O ofuscante poder da escrita √© que ela possui uma capacidade de persuas√£o e violenta√ß√£o de que a coisa real se encontra subtra√≠da.
O talento de saber tornar verdadeira a verdade.

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Lucidez sem Ignor√Ęncia nem Sobranceria

Possivelmente n√£o √© sem raz√£o que atribu√≠mos √† ingenuidade e ignor√Ęncia a facilidade de crer e de se deixar persuadir: pois parece-me haver aprendido outrora que a cren√ßa era como uma impress√£o que se fazia na nossa alma; e, na medida em que esta se encontrava mais mole e com menor resist√™ncia, era mais f√°cil imprimir-lhe algo. Assim como, necessariamente, os pesos que nele colocamos fazem pender o prato da balan√ßa, assim a evid√™ncia arrasta a mente (C√≠cero). Quanto mais vazia e sem contrapeso est√° a alma, mais facilmente ela cede sob a carga da primeira persuas√£o. Eis porque as crian√ßas, o vulgo, (…) e os doentes est√£o mais sujeitos a ser conduzidos pelas orelhas (ou seja, pelo que ouvem). Mas tamb√©m, por outro lado, √© uma tola presun√ß√£o ir desdenhando e condenando como falso o que n√£o nos parece veross√≠mil; esse √© um v√≠cio habitual nos que pensam ter algum discernimento al√©m do comum. Outrora eu agia assim, e, se ouvia falar de esp√≠ritos que retornam, ou do progn√≥stico das coisas futuras, de encantamentos, de feiti√ßarias, ou contarem alguma outra hist√≥ria que eu n√£o conseguisse compreender, vinha-me compaix√£o pelo pobre povo logrado por essas loucuras. Mas actualmente acho que eu pr√≥prio era no m√≠nimo igualmente digno de pena;

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A Repulsa do Poder pelo Homem de Letras

A repulsa dos poderes constitu√≠dos pelo homem de letras e pelo homem de pensamento (pois tanto a express√£o racionalista do fil√≥sofo e do soci√≥logo como a apreens√£o intuitiva do real a que procede o ficcionista surgem como amea√ßa aos sistemas de imposi√ß√£o de ideias ou de coerciva persuas√£o), esse afastamento do intelectual inconformista, transformado assim, com raras excep√ß√Ķes (que nalguns casos j√° beiram o limite da assimila√ß√£o) em outsider, representa uma destrui√ß√£o de valores culturais, que se traduz n√£o poucas vezes em atraso de gera√ß√Ķes.

Evidentemente, tal relegamento do escritor para zonas de sombra acicata-o por vezes, levando-o a produ√ß√Ķes vertebradas, que s√£o aut√™nticos gritos da intelig√™ncia rebelde e onde n√£o raro se derrama o melhor da capacidade imaginativa, tensa e exasperada, de per√≠odos em que se obscurece a comunica√ß√£o normal entre os homens e em que a ac√ß√£o do livro, reduzida embora em extens√£o, ganha uma acutilante qualidade cr√≠tica e concentra a dignidade de minorias advertidas culturalmente e firmes no seu esp√≠rito de resist√™ncia. Mas o saldo n√£o deixa de ser negativo quando se considera n√£o j√° tudo aquilo que o escritor suporta e sofre, mas – e sobretudo – o muito que a camada dos leitores perde pela falta de conv√≠vio efectivo com aqueles que s√£o n√£o,

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Vejo, logo Existo

Sou um visual. O que na memória trago, trago-o visualmente, se susceptível é de assim ser trazido. Mesmo ao querer evocar em mim uma qualquer voz, um perfume qualquer, não evito que antes que ela ou ele me vislumbre no horizonte do espírito, me apareça à visão rememorativa a pessoa que fala, a coisa donde o perfume partiu. Não dou isto por absolutamente certo; pode ser que, radicada em mim de vez a persuasão de que sou um visual, no lugar final do sofisma que é a escuridão íntima do ser me fosse desde então impossível evitar que a ideia de que sou um visual não levantasse imediatamente uma imagem falsamente inspiradora. Seja como for, o menos que sou, é um visual predominantemente. Vejo, e vendo, vivo.

O Cerne da Escrita e da Leitura

Não se é escritor por se ter preferido dizer certas coisas, mas por se ter preferido dizê-las duma certa maneira. E o estilo faz, evidentemente, o valor da prosa. Mas deve passar despercebido. Uma vez que as palavras são transparentes e que o olhar as atravessa, seria absurdo meter entre elas vidros despolidos. Aqui, a beleza é apenas uma força doce e insensível.
Num quadro, brilha antes de mais nada; num livro, esconde-se, age por persuas√£o como o encanto duma voz ou dum rosto, n√£o obriga, faz curvar sem que se d√™ por isso e pensa-se ceder aos argumentos quando afinal se √© solicitado por um encanto impercept√≠vel. A cerim√≥nia da missa n√£o √© a f√©, ela disp√Ķe a isso; a harmonia das palavras, a sua beleza, o equil√≠brio das frases, disp√Ķem as paix√Ķes do leitor sem que ele d√™ por isso, ordenam-nas como a missa, como a m√ļsica, como uma dan√ßa; se acaba por as considerar em si mesmas, perde o sentido, apenas restam oscila√ß√Ķes aborrecidas.

√Č o H√°bito Que Nos Persuade

√Č preciso n√£o nos conhecermos mal: somos aut√≥mato, tanto quanto esp√≠rito, donde resulta que o instrumento pelo qual se faz a persuas√£o n√£o √© unicamente a demonstra√ß√£o. Qu√£o poucas s√£o as coisas demonstradas! As provas n√£o convencem sen√£o o esp√≠rito. O h√°bito d√°-nos provas mais fortes e mais cr√≠veis; inclina o aut√≥mato, que arrasta o esp√≠rito, sem que ele o saiba. Quem demonstrou que amanh√£ ser√° dia, e que morremos? E que existir√° de mais cr√≠vel? √Č, portanto, o h√°bito que nos persuade; √© ele que faz tantos crist√£os, que faz os maometanos, os pag√£os, os artes√£os, os soldados, etc.
Enfim, √© preciso recorrer a ele depois de o esp√≠rito ter visto onde est√° a verdade, para nos dessedentar e nos impregnar dessa cren√ßa que nos escapa a todo o momento; pois ter as provas sempre presentes √© por demais penoso. √Č mister adquirir uma cren√ßa mais f√°cil – a do h√°bito -, que, sem viol√™ncia, sem artif√≠cio, sem argumento, nos faz crer nas coisas e predisp√Ķe todas as nossas faculdades para essa cren√ßa, de sorte que a nossa alma nela mergulhe naturalmente.N√£o basta crer pela for√ßa da convic√ß√£o, quando o aut√≥mato est√° predisposto a crer o contr√°rio. √Č preciso fazer com que as nossas duas partes creiam: o esp√≠rito,

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O ofuscante poder da escrita é que ela possui uma capacidade de persuasão e violentação de que a coisa real se encontra subtraída. O talento de saber tornar verdadeira a verdade.