Passagens sobre Admiração

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Frases sobre admira√ß√£o, poemas sobre admira√ß√£o e outras passagens sobre admira√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Conheça-se a sim mesmo. Não encare a admiração do seu cão como uma prova concludente de que é maravilhoso.

Estamos todos em viagem rumo à casa comum do céu, onde poderemos ler com gloriosa admiração o mistério do Universo.

O Saber Ajuda em Todas as Actividades

O mero fil√≥sofo √© geralmente uma personalidade pouco admis¬≠s√≠vel no mundo, pois sup√Ķe-se que ele em nada contribui para o be¬≠nef√≠cio ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunica√ß√£o com os homens e envolto em princ√≠pios e no√ß√Ķes igualmente distantes de sua compreens√£o. Por outro lado, o mero ig¬≠norante √© ainda mais desprezado, pois n√£o h√° sinal mais seguro de um esp√≠rito grosseiro, numa √©poca e uma na√ß√£o em que as ci√™ncias florescem, do que permanecer inteiramente destitu√≠do de toda esp√©cie de gosto por estes nobres entretenimentos. Sup√Ķe-se que o car√°cter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os neg√≥cios; mant√©m na conversa√ß√£o discernimento e delicadeza que nascem da cultura liter√°ria; nos neg√≥cios, a probidade e a exatid√£o que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente. Para difundir e cultivar um car√°cter t√£o aperfei√ßoado, nada pode ser mais √ļtil do que as com¬≠posi√ß√Ķes de estilo e modalidade f√°ceis, que n√£o se afastam em demasia da vida, que n√£o requerem, para ser compreendidas, profunda apli¬≠ca√ß√£o ou retraimento e que devolvem o estudante para o meio de homens plenos de nobres sentimentos e de s√°bios preceitos,

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Pensando bem, a mais ténue fronteira entre a sanidade e a loucura não poderá traçar-se noutro lugar senão aí mesmo: na possibilidade de, para além de tudo o mais, um homem continuar a admirar o seu pai. Pobres daqueles que não o consigam nunca.

Há uma inocência na admiração: é a daquele a quem ainda não passou pela cabeça que também ele poderia um dia ser admirado.

Posse Cega

Afligir-se com o que se perdeu e não se rejubilar com o que foi salvo é necedade; só uma criança faria berreiro e atiraria fora o restante dos seus brinquedos se um lhe fosse tomado. Assim procedemos nós, quando a Fortuna nos é adversa num particular: tomamos o resto improfícuo com chorar e lamentarmo-nos.
РQue é que possuímos? Рpode-se perguntar.
Que é que não possuímos? Este homem uma reputação, esse uma família, aquele uma esposa, aquele outro um amigo. No seu leito de morte, Antipater de Tarso fez um inventário das boas coisas que lhe haviam sucedido na vida e nele incluiu, mesmo, uma viagem feliz, que fizera de Cilícia a Atenas. As coisas simples não devem ser negligenciadas, mas levadas em conta. Devemo-nos sentir gratos por estarmos vivos, bem, e por nos ser dado ver o sol; por não haver guerra nem revolução; por a terra e o mar estarem ao dispor de quem deseje plantar ou velejar; por nos ser consentido escolher entre falar e agir ou ficar quietos, em paz, gozando do nosso repouso.
A presença destas bençãos aumentará ainda mais o nosso contentamento se imaginarmos como seria se não estivessem presentes;

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Fazer-se amar por piedade, quando o amor nasce apenas da admiração, é uma ideia muito digna de lástima.

N√°ufragos que Navegam Tempestades

As tempestades são sempre períodos longos. Poucas pessoas gostam de falar destes momentos em que a vida se faz fria e anoitece, preferem histórias de praias divertidas às das profundas tragédias de tantos naufrágios que são, afinal, os verdadeiros pilares da nossa existência.

Gente vazia tende a pensar em quem sofre como fraco… quando fracos s√£o os que evitam a qualquer custo mares revoltos, tempestades em que qualquer um se sente min√ļsculo, mas s√≥ os que n√£o prestam o s√£o verdadeiramente. Para a gente de cora√ß√£o pequeno, qualquer dor √© grande. Os homens e mulheres que assumem o seu destino sabem que, mais cedo ou mais tarde, morrer√£o, mas h√° ainda uma decis√£o que lhes cabe: desviver a fugir ou morrer sofrendo para diante.
Da morte saímos, para a morte caminhamos. O que por aqui sofremos pode bem ser a forma que temos de nos aproximarmos do coração da verdade.

Haverá sempre quem seja mestre de conversas e valente piloto de naus alheias, os que sabem sempre tudo, principalmente o que é (d)a vida do outro, e mais especificamente se estiver a passar um mau bocado. Logo se apressam a dizer que depois da tempestade vem a bonança,

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Homens s√£o recompensados por aprender a pr√°tica da viol√™ncia em virtualmente qualquer esfera de atividade, por dinheiro, admira√ß√£o, reconhecimento, respeito, e genuflex√£o de outros honrando a sagrada e provada masculinidade deles. Na cultura masculina, policiais s√£o her√≥icos e assim tamb√©m s√£o os criminosos; machos que imp√Ķem regras s√£o her√≥icos e assim tamb√©m s√£o aqueles que as violam.

A Felicidade é Modesta e não Ambiciosa

Aqui tens o que posso dizer-te constantemente, a mat√©ria que poderei estar sempre a debater, pois ambos vemos √† nossa roda in√ļmeros milhares de pessoas inquietas que, a fim de obterem algo de altamente nocivo, andam com perseveran√ßa a praticar o mal, sempre √† procura de coisas que logo a seguir deixam de lhes interessar, ou mesmo as enchem de repulsa! J√° viste algu√©m contentar-se com uma coisa que, antes de a obter, lhe parecia mais que suficiente? A felicidade, ao contr√°rio da opini√£o corrente, n√£o √© ambiciosa, mas sim modesta, e por isso mesmo nunca sacia ningu√©m. Tu pensas que aquilo que satisfaz o vulgo √© elevado porque ainda est√°s longe da perfei√ß√£o est√≥ica; para quem a alcan√ßou, tudo isso √© absolutamente rasteiro! Minto: para quem come√ßou a subir at√© esse n√≠vel, pois o ponto que tu pensas ser j√° o mais alto n√£o passa de um degrau. Toda a gente √© infelizmente confundida pela ignor√Ęncia da verdade. Enganada pela opini√£o vulgar, procura como se fossem bens certas coisas que, depois de muito penar para as conseguir, verifica serem nocivas, in√ļteis ou inferiores ao que esperava. A maior parte das pessoas sente admira√ß√£o por coisas que s√≥ ao fim de algum tempo se revelam ilus√≥rias;

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Para amar alguém, a primeira condição é poder admirar Рadmirar e respeitar.

A um Mosquito

Invencível mosquito,
√Čmulo do mais livre pensamento,
Sem corpo, e de todo espírito,
Que deste fim a um t√£o alto intento,
Quando precipitado
O céu de Délia acometeste ousado.

As portas de diamante
Cerradas ao clamor de tanta gente
Abriste triunfante,
Zombando da esperança impertinente,
Que entre temor, e espanto
Nunca acabou comigo esperar tanto.

Cupido, que inquieta
Délia sentiu ferida,
Espera, que o sinta,
A lança, que tiraste em sangue tinta,
Que o peito endurecido
√Č prova das setas de Cupido.

Porém de nada disto
Te mostres t√£o soberbo, e presumido,
Que podes sem ser visto
Passar a mais ferir, sem ser sentido,
E para castigar-te,
N√£o ocupas lugar nalguma parte.

Foras de amor ferido,
Se tivera o teu erro algum desconto,
Ou se achara Cupido
Aonde a ponta da seta p√īr o ponto.
Condolação bastante;
Pois não picaste a Délia como amante.

Buscaste a noite escura
Por cometer a Délia mais oculto;
Quem medo te afigura,
Se n√£o faz o teu corpo nenhum vulto,

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A loucura em que tenho andado com raparigas apesar de todas as minhas dores de cabeça, insónias, cabelo grisalho, desespero. Vou contá-las: pelo menos seis desde o Verão. Não consigo resistir, se não cedo fico literalmente com a língua de fora, e admiro todas as que são admiráveis, e amo-as até acabar a admiração. Perante as seis a culpa que sinto é quase só interior, embora uma das seis se tivesse queixado de mim a uma pessoa.

O Desgaste da Inveja

De todas as caracter√≠sticas que s√£o vulgares na natureza humana a inveja √© a mais desgra√ßada; o invejoso n√£o s√≥ deseja provocar o infort√ļnio e o provoca sempre que o pode fazer impunemente, como tamb√©m se torna infeliz por causa da sua inveja. Em vez de sentir prazer com o que possui, sofre com o que os outros t√™m. Se puder, priva os outros das suas vantagens, o que para ele √© t√£o desej√°vel como assegurar as mesmas vantagens para si pr√≥prio. Se uma tal paix√£o toma propor√ß√Ķes desmedidas, torna-se fatal a todo o m√©rito e mesmo ao exerc√≠cio do talento mais excepcional.
Por que √© que o m√©dico deve ir ver os seus doentes de autom√≥vel quando o oper√°rio vai para o seu trabalho a p√©? Por que √© que o investigador cient√≠fico pode passar os dias num quarto aquecido, quando os outros t√™m de expor-se √† inclem√™ncia dos elementos? Por que √© que um homem que possui algum talento raro de grande import√Ęncia para o mundo deve ser dispensado do penoso trabalho dom√©stico? Para tais perguntas a inveja n√£o encontra resposta. Afortunadamente, por√©m, h√° na natureza humana um sentimento compensador, chamado admira√ß√£o. Todos os que desejm aumentar a felicidade humana devem procurar aumentar a admira√ß√£o e diminuir a inveja.

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A imagina√ß√£o de uma senhora √© muito r√°pida; pula da admira√ß√£o para o amor, e do amor para o matrim√īnio em um segundo.

A Felicidade de uma Raz√£o Perfeita

Creio que estaremos de acordo em que é para proveito do corpo que procuramos os bens exteriores; em que apenas cuidamos do corpo para benefício da alma, e em que na alma há uma parte meramente auxiliar Рa que nos assegura a locomoção e a alimentação Рda qual dispomos tão somente para serviço do elemento essencial. No elemento essencial da alma há uma parte irracional e outra racional; a primeira está ao serviço da segunda; esta não tem qualquer ponto de referência além de si própria, pelo contrário, serve ela de ponto de referência a tudo. Também a razão divina governa tudo quanto existe sem a nada estar sujeita; o mesmo se passa com a nossa razão, que, aliás, provém daquela.
Se estamos de acordo nesse ponto, estaremos necessariamente tamb√©m de acordo em que a nossa felicidade depende exclusivamente de termos em n√≥s uma raz√£o perfeita, pois apenas esta impede em n√≥s o abatimento e resiste √† fortuna; seja qual for a sua situa√ß√£o, ela manter-se-√° imperturb√°vel. O √ļnico bem aut√™ntico √© aquele que nunca se deteriora.
O homem feliz, insisto, √© aquele que nenhuma circunst√Ęncia inferioriza; que permanece no cume sem outro apoio al√©m de si mesmo,

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Gosto Relevante

Toda a boa capacidade é difícil de contentar. Há cultura do gosto, assim como do engenho. Relevantes ambos, são irmãos de um mesmo ventre, filhos da capacidade, herdados por igual na excelência. Engenho sublime nunca criou gosto rasteiro.
H√° perfei√ß√Ķes como s√≥is e h√° perfei√ß√Ķes como luzes. Galanteia a √°guia o sol, perde-se nele a mariposa pela luz de uma candeia e toma-se a altura a uma torrente pela eleva√ß√£o do gosto. T√™-lo bom √© j√° algo, t√™-lo relevante muito √©. Ligam-se os gostos √† comunica√ß√£o, e s√≥ por sorte se avista quem o tenha superlativo.
Têm muitos por felicidade (de empréstimo será) gozar do que lhes apetece, condenando a infelizes todos os demais; mas desforram-se estes com as mesmas linhas, assim se podendo ver uma metade do mundo rindo-se da outra, com maior ou menor necessidade.
√Č qualidade um gosto cr√≠tico, um paladar dif√≠cil de satisfazer; os mais valentes objectos temem-no e as mais seguras perfei√ß√Ķes receiam-no. √Č a avalia√ß√£o precios√≠ssima, e regate√°-la √© pr√≥prio de discretos; toda a escassez em moeda de aplauso √© fidalga e, ao contr√°rio, os desperd√≠cios de estima merecem castigo de desprezo.
A admira√ß√£o √© vulgarmente um manifesto da ignor√Ęncia;

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