Cita√ß√Ķes sobre Carrascos

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Frases sobre carrascos, poemas sobre carrascos e outras cita√ß√Ķes sobre carrascos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Minha Tragédia

Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que a minh’alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!

√ď minha v√£, in√ļtil mocidade,
Trazes-me embriagada, entontecida! …
Duns beijos que me deste noutra vida,
Trago em meus l√°bios roxos, a saudade! …

Eu n√£o gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!

Gosto da Noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim! …

Aquilo em que se Tem Mais Vaidade é o Corpo

Aquilo em que se tem mais vaidade √© o corpo. Mesmo que aleijado, h√° sempre um pormenor que nos envaidece. Comp√ī-lo. Arranj√°-lo. O careca puxa o cabelo desde o cacha√ßo ou do olho do c√ļ para tapar a degrada√ß√£o. O marreco faz peito. O espelho √© para todos o grande dialogante. Passa-se a uma vitrina e olha-se de soslaio a ver como se vai. Uma mulher perfeita (e um homem) n√£o inveja o intelectual, o artista. O inverso √© que √©. Muitas mulheres (e homens) cultivam a excepcionalidade do seu esp√≠rito ou engenho por complexo ou vingan√ßa. Quando se n√£o tem j√° vaidade no corpo, est√°-se no fim. Mas mesmo num leito de morte nos queremos ¬ęcompostos¬Ľ. ¬ęN√£o me descomponhas¬Ľ ‚ÄĒ disse a marquesa de T√°vora ao carrasco, uns momentos antes de ser decapitada. Tomam-se provid√™ncias para como se h√°-de ir no caix√£o. A degrada√ß√£o do corpo √© a √ļltima coisa que se aceita. Hoje lavei o carro e vesti um cal√ß√£o para me n√£o molhar. Dei uma vista de olhos ao espelho. Grumos, tumefac√ß√Ķes pelas pernas. N√£o gostei. N√£o muito tempo. Lembrou-me um certo professor. Tinha a bossa da orat√≥ria. E ent√£o contava: escrevia um discurso e lia. Parecia-lhe p√©ssimo.

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Quando a ouviam falar, diziam: √Č um policial; Quando a viam beber, comentavam: √Č um carroceiro; Quando a viam dar ordens a Cosette, garantiam: √Č um carrasco.

O Amor em Portugal

Mesmo que Dom Pedro n√£o tenha arrancado e comido o cora√ß√£o do carrasco de Dona In√™s, J√ļlio Dantas continua a ter raz√£o: √© realmente diferente o amor em Portugal. Basta pensar no inc√≥modo fon√©tico de dizer ¬ęEu amo-o¬Ľ ou ¬ęEu amo-a¬Ľ. Em Portugal aqueles que amam preferem dizer que est√£o apaixonados, o que n√£o √© a mesma coisa, ou ent√£o embara√ßam seriamente os eleitos com as vers√Ķes estrangeiras: ¬ęI love you¬Ľ ou ¬ęJe t’aime¬Ľ. As perguntas ¬ęAmas-me?¬Ľ ou ¬ęSer√° que me amas?¬Ľ est√£o vedadas pelo bom gosto, sen√£o pelo bom senso. Por isso diz-se antes ¬ęGostas mesmo de mim?¬Ľ, o que tamb√©m n√£o √© a mesma coisa.

O mesmo pudor aflige a palavra amante, a qual, ao contr√°rio do que acontece nas demais l√≠nguas indo-europeias, n√£o tem em Portugal o sentido simples e bonito de ¬ęaquele que ama, ou √© amado¬Ľ. Diz-se que n√£o sei-quem √© amante de outro, e entende-se logo, maliciosamente, o biscate por fora, o concubinato indecente, a pouca vergonha, o treco-lareco machista da cervejaria, ou o opr√≥bio galin√°ceo das reuni√Ķes de ¬ętupperwares¬Ľ e de costura.
Amoroso não significa cheio de amor, mas sim qualquer vago conceito a leste de levemente simpático, porreiro, ou giríssimo.

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Neste Dia Meu Amor

Neste dia meu amor
os meus dedos s√£o o candelabro que te ilumina
o √ļnico existente.

E o homem
sua esfera perdida em m√£os alheias
é o objecto de malabarismo
o insecto
voltejando cega a luz que lhe irradiam
o límpido cristal corrompido
o defunto.

E este patíbulo onde o próprio carrasco se enforcará
eu o digo
será erguido como símbolo de todos os homens.

Aqui a hora vai sendo longínqua meu amor e solene.
O caminho é grande o tempo tão pouco
tenhamos muita esperança e muito ódio
e vítreas flores a ornar o teu cabelo
porque serei o homem para as transportar
e tu a √ļltima mulher que as aceitar√°.

E enquanto assim for
erguer-se-√° a nuvem de m√ļltiplas estrelas
a nebulosa
que dizem estar a milh√Ķes de anos-luz
mas n√£o acreditemos bem o sabes
porque em verdade a temos em nossas próprias mãos
oculta para a contemplarmos agora.

Todos os navios se afundam com fogo nos por√Ķes e h√° fogos que crepitam nas arrecada√ß√Ķes de cada casa. A mais branca carne do ser que se ama √© a que o vidro partido ir√° cortar e a que a roda ir√° esmagar. Os longos uivos na noite s√£o uivos de morte. A noite √© o assessor dos carrascos. O dia √© a luz das descobertas estridentes. Se um c√£o ladra √© porque o homem que ama feridas profundas salta pela janela. O riso precede a histeria. Eu espero a grande queda com a espuma na boca.

As Chamadas Verdades Essenciais do Homem

As chamadas verdades essenciais do homem lembram-me √†s vezes n√ļmeros de um grande programa que os tambores anunciam pelas ruas fora que vai ser deslumbrante e cumprido √† risca, e que os pobres actores, √† noite, realizam sabe Deus como, a passar em claro cenas inteiras. A afirmar e a prometer, nenhum bicho leva a palma ao colega antrop√≥ide. Mas √© v√™-lo em plena representa√ß√£o, ou depois dela, no camarim, nu e lavado. Que mis√©ria! A justi√ßa imanente que pregou e demonstrou, acrescenta-lhe, por seguran√ßa, o erg√°stulo e o carrasco; ao pecado, junta-lhe a confiss√£o; √† predestina√ß√£o, o livre arb√≠trio; √† morte, a ressurrei√ß√£o. Lembra-me sempre a velha hist√≥ria dos castelos de hero√≠smo e fidelidade, com a portinha da trai√ß√£o disfar√ßada nas muralhas…

Personalidades Potenciais

Trazemos connosco personalidades potenciais que acontecimentos ou acidentes podem potencializar. Assim, a Revolu√ß√£o fez surgir o g√©nio pol√≠tico ou militar nos jovens destinados a uma carreira med√≠ocre numa √©poca normal; a guerra provoca o advento de her√≥is e de carrascos; a ditadura totalit√°ria transformou seres p√°lidos em monstros. O exerc√≠cio incontrolado do poder pode ¬ętornar o s√°bio louco¬Ľ (Alain) mas pode tornar s√°bio o louco, e dar g√©nio ao med√≠ocre, como no caso de Hitler e Estaline. E tamb√©m as possibilidades de g√©nio ou de dem√™ncia, de crueldade ou de bondade, de santidade ou de monstruosidade, virtuais em todos os seres, podem desenvolver-se em circunst√Ęncias excepcionais.
Inversamente, estas possibilidades nunca chegar√£o √† luz do dia na chamada vida normal: nos nossos dias, C√©sar seria funcion√°rio da CEE, Alexandre teria escrito uma vida de Arist√≥teles para uma colec√ß√£o de divulga√ß√£o, Robespierre seria adjunto de Pierre Mauroy na C√Ęmara de Arras, e Bonaparte seria do s√©quito de Pascua.

A consciência do homem é a sua própria sentença, é o carrasco da sua vida a posteriori.

Resgatar o Prazer de Viver

√Č poss√≠vel resgatar o prazer de viver, √© poss√≠vel treinar a emo√ß√£o para ser jovem, desprendida, livre, feliz.

Primeiro: Contemple o belo nos pequenos eventos da vida.
Tenha sempre atividades programadas fora da sua agenda pelo menos uma vez por semana. Valorize aquilo que o dinheiro não compra e que não dá prestígio.
Treine dez minutos por dia a contemplar a anatomia das flores, a gastar tempo a ver o brilho das estrelas, a experimentar o prazer de penetrar no mundo das pessoas.
Não viva em função de grandes eventos, aprenda a extrair o prazer dos pequenos estímulos da rotina diária.

Segundo: Irrigue o palco da mente com pensamentos agrad√°veis.
Treine trazer diariamente à sua memória aquilo que lhe traz esperança, serenidade e encanto pela vida. Pense em conquistar pessoas e em superar os seus obstáculos. Pense em ser íntimo do Autor da vida e conhecer os mistérios da existência.
Os seus maiores inimigos est√£o dentro de si. N√£o se deixe derrotar ou perturbar por pensamentos que lhe roubam a tranquilidade e o prazer de viver.
Treine ver o lado positivo de todas as coisas negativas. Os negativistas veem os raios,

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O maior carrasco do homem é ele mesmo, e o mais injusto dos homens é aquele que não reconhece isso.

Seguro Emocional

Com frequência, comento com os meus alunos da licenciatura em psicanálise e psicologia multifocal que uma das tarefas mais nobres e relevantes do Eu é mapear, esquadrinhar os nossos fantasmas e reeditar as nossas janelas traumáticas. De outro modo, podemos fazer parte do rol dos que falam sobre maturidade mas são verdadeiras crianças no território da emoção, pois não sabem ser minimamente criticados, contrariados e, além disso, têm a necessidade neurótica de poder e de que o mundo gravite na sua órbita.

Certa vez, perguntei a executivos das cinquenta empresas psicologicamente mais saud√°veis do pa√≠s: ¬ęQuem tem algum tipo de seguro?¬Ľ Todos responderam que tinham. Em seguida, indaguei: ¬ęQuem tem um seguro emocional?¬Ľ Ningu√©m arriscou levantar a m√£o. Foram sinceros. Como podemos falar de empresas saud√°veis sem mencionar os mecanismos b√°sicos para proteger a emo√ß√£o? S√≥ fazemos um seguro daquilo que nos √© caro. Mas, infelizmente, a mais importante propriedade tem tido um valor irrelevante.

Em geral, estes profissionais s√£o √≥timos para a empresa, mas carrascos de si mesmos. Acertam no trivial, mas erram muito no essencial. E eu? E o leitor? Ainda que possamos dizer que a mente humana √© a mais complexa de todas as ¬ęempresas¬Ľ,

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Vítimas e Vencidos

A ilusão constante da Revolução está em acreditar que as vítimas da força, estando inocentes das violências que se exercem, se lhes colocássemos na mão a força, a manuseariam com justiça. Mas à excepção das almas que estão bastante próximas da santidade, as vítimas são maculadas pela força como os carrascos. O mal que se encontra no punho da espada é transmitido para a ponta. E as vítimas, chegadas assim a este ponto e inebriadas pela mudança, fazem tanto mal ou mais ainda, e de imediato reincidem.
(…) O socialismo consiste em atribuir o bem aos vencidos, e o racismo aos vencedores. Mas a asa revolucion√°ria do socialismo serve-se daqueles que, ainda nascidos em baixo, s√£o por natureza e por voca√ß√£o vencedores, e assim conduz √† mesma √©tica.

A Subjectividade dos Comportamentos

Podemos ter para com as coisas que nos acontecem ou que fazemos uma atitude mais geral ou mais pessoal. Podemos sentir uma pancada n√£o apenas como dor, mas tamb√©m como ofensa, e neste caso ela torna-se cada vez mais insuport√°vel; mas tamb√©m aceit√°-la desportivamente, como um obst√°culo que n√£o nos intimidar√° nem nos arrastar√° para uma ira cega, e ent√£o n√£o √© raro nem sequer darmos por ela. Neste segundo caso, por√©m, o que aconteceu foi apenas que integr√°mos essa pancada num contexto mais geral, o do combate, e em fun√ß√£o disso a natureza do golpe revelou-se dependente da tarefa que tem de desempenhar. E precisamente este fen√≥meno, que leva a que um acontecimento receba o seu significado, e mesmo o seu conte√ļdo, mediante a sua inser√ß√£o numa cadeia de ac√ß√Ķes consequentes, produz-se em todos os indiv√≠duos que n√£o o encaram apenas como acontecimento pessoal, mas como desafio √† sua capacidade intelectual.
Tamb√©m ele ser√° mais superficialmente afectado nas suas emo√ß√Ķes pelo que faz. Mas, estranhamente, aquilo que se v√™ como sinal de intelig√™ncia superior num pugilista √© visto como frieza e insensibilidade em pessoas que n√£o sabem de boxe e nas quais isso se deve √† sua inclina√ß√£o para uma determinada forma de vida intelectual.

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