Cita√ß√Ķes sobre Confid√™ncia

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Frases sobre confid√™ncia, poemas sobre confid√™ncia e outras cita√ß√Ķes sobre confid√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Diz o Meu Nome

Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem
[os l√°bios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça

Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a √ļltima gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno

Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci

Porque a minha m√£o infatig√°vel
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos

No h√ļmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome

Que Bem Sabe o Amor Constante

Até no carro te canto,
Fala a fala, seio a seio,
Espantado de um encanto
Que mais parece receio

De te perder à partida
Pra te ganhar à chegada,
Pois tu és a minha vida
Na ida e volta arriscada.

Vai o Godinho ao volante
Com seu ar de conde antigo
Que bem sabe o amor constante
Que me aparelha contigo.

Poupado na gasolina,
Discreto na confidência,
Navegador à bolina
Dos rumos da nossa ausência.

Leva-me à Embaixada, ao almoço:
Travou, mas n√£o sei que tenho:
Um resto de ardor de moço
Contigo no meu canhenho.

Regras Essenciais para os Negócios

Mais vale em geral negociar oralmente do que por cartas, e por media√ß√£o, de terceiro do que pessoalmente. As cartas s√£o melhores quando se deseja provocar resposta escrita, ou quando podem servir para justifica√ß√£o de um procedimento a tomar depois de escrita a carta. Tratar o assunto pessoalmente √© bom, quando a presen√ßa imp√Ķe respeito, como acontece geralmente perante inferiores. Na escolha dos intermedi√°rios, √© melhor optar por pessoas francas, que far√£o aquilo de que foram encarregadas, e que transmitir√£o fielmente o resultado, do que escolher pessoas h√°beis em tirar proveito dos neg√≥cios alheios, e que podem alterar a verdade dos factos, apenas para vos dar satisfa√ß√£o. √Č melhor sondar a pessoa com a qual se trata um neg√≥cio, antes de entrar abruptamente no assunto, excepto quando se pretende surpreend√™-la com alguma quest√£o especiosa.
√Č melhor tratar com pessoas que ainda t√™m apetite do que com aquelas que j√° o perderam. Se se trata com algu√©m sob condi√ß√Ķes, o essencial, √© o primeiro acto, porque tudo n√£o se pode razoavelmente pedir, excepto se a natureza da coisa for tal que se possa levar avante; ou tal que uma parte possa persuadir a outra que precisar√° dela em futuro neg√≥cio;

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Se amo alguns livros são aqueles em que sinto que o seu autor, que pode ter morrido séculos antes de eu ter sido engendrado, se dirigia a mim, a mim pessoal e concretamente, a mim em confidência.

Mapa

Ao norte, a torre clara, a praça, o eterno encontro,
A confidência muda com teu rosto por jamais.
A leste, o mar, o verde, a onda, a espuma,
Esse fantasma longe, barco e bruma,
O cais para a partida mais definitiva
A urna distancia percorrida em sonho:
Perfume da lonjura, a cidade santa.

O oeste, a casa grande, o corredor, a cama:
Esse carinho intenso de silêncio e banho.
A terra a oeste, essa ternura de pianos e janelas abertas
A rua em que passavas, o abano das sacadas: o morro e o
cemitério e as glicínias.
Ao sul, o amor, toda a esperança, o circo, o papagaio, a
nuvem: esse varal de vento,
No sul iluminado o pensamento no sonho em que te sonho
Ao sul, a praia, o alento, essa atalaia ao teu país

Mapa azul da inf√Ęncia:
O jardim de rosas e mistério: o espelho.
O nunca além do muro, além do sonho o nunca
E as avenidas que percorro aclamado e feliz.

Antes o sol no seu mais novo raio,
O acordar cotidiano para o ensaio do céu,

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Não é confortável o que te escrevo. Não faço confidências. Antes me metalizo. E não te sou e me sou confortável.

Conselhos de Vida

1 РFaça o menos possível de confidências. Melhor não as fazer, mas, se fizer alguma, faça com que sejam falsas ou vagas.
2 РSonhe tão pouco quanto possível, excepto quando o objectivo directo do sonho seja um poema ou produto literário. Estude e trabalhe.
3 РTente e seja tão sóbrio quanto possível, antecipando a sobriedade do corpo com a sobriedade do espírito.
4 РSeja agradável apenas para agradar, e não para abrir a sua mente ou discutir abertamente com aqueles que estão presos à vida interior do espírito.
5 РCultive a concentração, tempere a vontade, torne-se uma força ao pensar de forma tão pessoal quanto possível, que na realidade você é uma força.
6 – Considere qu√£o poucos s√£o os amigos reais que tem, porque poucas pessoas est√£o aptas a serem amigas de algu√©m. Tente seduzir pelo conte√ļdo do seu sil√™ncio.
7 РAprenda a ser expedito nas pequenas coisas, nas coisas usuais da vida mundana, da vida em casa, de maneira que elas não o afastem de você.
8 – Organize a sua vida como um trabalho liter√°rio, tornando-a t√£o √ļnica quanto poss√≠vel.

Meditação Sobre os Poderes

Rubricavam os decretos, as folhas tristes
sobre a mesa dos seus poderes efémeros.
Queriam ser reis, czares, tantas coisas,
e rodeavam-se de pequenos corvos,
palradores e reverentes, dos que repetem:
és grande, ninguém te iguala, ninguém.
Repartiam entre si os tesouros e as d√°divas,
murmurando forjadas confidências,
não amando ninguém, nada respeitando.
Encantavam-se com o eco liquefeito
das suas vozes comandando, decretando.
Banqueteavam-se com a pequenez
de tudo quanto julgavam ser grande,
com os quadros, com o fulgor novo-rico
das vénias e dos protocolos. Vinha a morte
e mostrava-lhes como tudo é fugaz
quando, humanamente, se est√° de passagem,
corpo em tr√Ęnsito para lado nenhum.
Acabaram sempre a chorar sobre a miséria
dos seus títulos afundados na terra lamacenta.

Um verdadeiro amigo não é só o homem que sofreu, e diz com palavras comovidas a sua historia àquele que pode contar-Ihe outra. Energia de alma, sentimentos vividos, simpatia ardente, riquezas do coração, são essas as que retribuem uma confidência.

O Desejo do Homem é Contrário à Sua Unidade

Houve tempo em que o homem inventou o amor cort√™s para n√£o perder a intimidade das mulheres. Elas estavam a ser atra√≠das pela formid√°vel influ√™ncia da Igreja que as recebia permitindo-lhes uma personalidade est√°vel. As mulheres amam essa personalidade est√°vel que Freud soube preservar nas suas rela√ß√Ķes com Marta, a mulher de toda a sua vida. Ler a correspond√™ncia de Freud com Marta √© muito salutar neste mundo a abarrotar de esgotamentos nervosos e falsas ou reais confid√™ncias. Um dos seus clientes (Schonberg) causava-lhe grande preocupa√ß√£o. Um dia, a cunhada, vendo o doente cumprimentar uma senhora, disse: ¬ęO facto de ele ser outra vez bem educado com as mulheres √© tamb√©m um √≠ndice de melhoria¬Ľ. Freud n√£o deixa de referir isto, que corresponde a uma personalidade vener√°vel. As mulheres acham que √© sinal de normalidade serem tratadas com cortesia. O desejo n√£o lhes diz nada, comparado com uma palavra doce e conveniente. Isto n√£o √© uma s√≠ntese do comportamento dos homens e das mulheres. Mas sim uma certeza – o que n√£o pro√≠be toda a esp√©cie de averbamentos necess√°rios √† verdade.

Nietzsche, imoralista por definição, disse que não há nada mais contrário ao gosto do que o homem que deseja.

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√Č o Bom Leitor que faz o Bom Livro

√Č o bom leitor que faz o bom livro; em cada livro, ele encontra trechos que parecem confid√™ncias ou apartes ocultos para qualquer outro e evidentemente destinados ao seu ouvido; o proveito dos livros depende da sensibilidade do leitor; a ideia ou paix√£o mais profunda dorme como numa mina enquanto n√£o √© descoberta por uma mente e um cora√ß√£o afins.

Sussurro

Isto é um poço. Há sempre quem nele se debruce. A água
continua a correr sem qualquer destino, e sabemos
como se afasta devagar para ser igual às vestes
caídas, talvez abandonadas. Assim tu podes ver
o que se confunde ali com a luz e, depois, se torna
mais nosso. Sem pressa aproximas-te agora desse espelho
vazio e sentirás que só a brisa desce até ficarmos
perto de alguns sulcos. Eles tornaram-se maiores, humedecidos.
Inclinas-te um pouco mais como se finalmente escutasses
uma confidência. Sabemos que é em vão porque ninguém se encontra
ao teu lado e já não é suficiente o sussurro da água.

Vastos Campos

Vou fazer-te uma confidência, talvez tenha já começado a envelhecer e o desejo, esse cão, ladra-me agora menos à porta. Nunca precisei de frequentar curandeiros da alma para saber como são vastos os campos do delírio. Agora vou sentar-me no jardim, estou cansado, setembro foi mês de venenosas claridades, mas esta noite, para minha alegria, a terra vai arder comigo. Até ao fim.

A Mais Vil de Todas as Necessidades

A mais vil de todas as necessidades – a da confid√™ncia, a da confiss√£o. √Č a necessidade da alma de ser exterior. Confessa, sim; mas confessa o que n√£o sentes. Livra a tua alma, sim, do peso dos teus segredos, dizendo-os; mas ainda bem que os segredos que digas, nunca os tenhas tido. Mente a ti pr√≥prio antes de dizeres essa verdade. Exprimir √© sempre errar. S√™ consciente: exprimir seja, para ti, mentir.

A amizade exige a cortesia. Não é como o amor, que, pela sua áurea mudança, se adapta à confidência e ao desembaraço narrativo.

A Confiança é o Elo entre a Sociedade e a Amizade

Ainda que a sinceridade e a confian√ßa estejam relacionadas, s√£o, no entanto, diferentes: a sinceridade consiste em abrir o cora√ß√£o e em mostrarmo-nos tal como somos por amor da verdade. Odeia o disfarce e quer reparar as suas faltas, mesmo que para isso seja preciso diminui-las pelo valor da confiss√£o. Quanto √† confian√ßa, esta n√£o nos concede o mesmo grau de liberdade, as suas regras s√£o mais rigorosas, requer mais prud√™ncia e modera√ß√£o. Ora, nem sempre estamos livres para obedecer a estes requisitos. N√£o somos s√≥ n√≥s, no que a ela diz respeito, que estamos envolvidos, porque os nossos interesses misturam-se quase sempre com os dos outros. Requer uma enorme justeza para n√£o levar os nossos amigos a entregarem-se, pelo facto de n√≥s nos termos entregado, como para lhes oferecer um presente, com a √ļnica inten√ß√£o de aumentar o pre√ßo do que n√≥s damos.
Fica-se sempre satisfeito com o facto de os outros depositarem confiança em nós porque é um tributo que oferecemos ao nosso mérito, é um depósito que fazemos à nossa confiança, são, enfim, fianças que lhes dão algum direito sobre nós, isto é, aceitamos uma certa dependência à qual nos sujeitamos voluntariamente. Não, não é minha intenção destruir com as minhas palavras a confiança,

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Eu Ela e a Escrita

Eu ela e a escrita existimos desde o princ√≠pio. A escrita forma-se em mim, passa por ela e volta √† minha pele num jogo sensual e √≠ntimo. √Č um ser male√°vel aos gestos que executamos, vive e morre com os nossos impulsos. Quando se ausenta deixa sinais. Faz-nos confid√™ncias da sua vida errante, elabora sentimentos que n√£o esper√°vamos que tivesse quando junta ao nosso, o seu instinto criativo. Assim, utilizo agora palavras que nunca pensei vir a escrever. Aceito-as porque as sei da esp√©cie da personagem que habita connosco, conivente com os erros que cometemos.

Quando adolescente, passava o tempo a ler o dicion√°rio, apercebendo-me da corros√£o de algumas palavras, do seu poder destrutivo. Noutras havia sombra e um peso monstruoso. E as que ao tempo foram luminosas, irradiavam um brilho que se colou aos meus dedos. Eu gastava os dias a limpar-me dessa luz at√© n√£o haver em mim res√≠duos de leitura. Descobria o esquecimento, onde o poema veio a ser abismo, outra vida onde o sorriso da morte teve muita import√Ęncia. Amei a imperfei√ß√£o do ser humano. Revisitei a inf√Ęncia e aquilo que em n√≥s √© real. N√£o soube prescindir da beleza.

O Segredo

Deus n√£o sabe os meus segredos.
As paredes sem ouvidos n√£o escutam
a confidência interminável.
O que perco, ninguém sabe. Dissolve-se em mim,
luminária secreta, sílaba que os lábios não ousam murmurar
diante de teu corpo no escuro,
constelação.

E o sobejo de mim, √ļltimo raio de sol,
fulge no deserto. E nos penhascos
ressoa
constelado
o meu grito de amor.

O Acto de Criação é de Natureza Obscura

O acto de cria√ß√£o √© de natureza obscura; nele √© imposs√≠vel destrin√ßar o que √© da raz√£o e o que √© do instinto, o que √© do mundo e o que √© da terra. Nunca nenhum dualismo serviu bem o poeta. Esse ¬ępastor do Ser¬Ľ, na t√£o bela express√£o de Heidegger, √©, como nenhum outro homem, nost√°lgico de uma antiga unidade. As mil e uma antinomias, t√£o escolarmente elaboradas, quando n√£o pervertem a primordial fonte do desejo, pecam sempre por cindir a inteireza que √© todo um homem. N√£o h√° vit√≥ria definitiva sem a reconcilia√ß√£o dos contr√°rios. √Č no mar crepuscular e materno da mem√≥ria, onde as √°guas ¬ęsuperiores¬Ľ n√£o foram ainda separadas das ¬ęinferiores¬Ľ, que as imagens do poeta sonham pela primeira vez com a prec√°ria e fugidia luz da terra.
Diante do papel, que ¬ęla blancheur d√©fend¬Ľ, o poeta √© uma longa e s√≥ hesita√ß√£o. Que Ifig√©nia ter√° de sacrificar para que o vento prop√≠cio se levante e as suas naves possam avistar os muros de Tr√≥ia? Que aug√ļrios escuta, que enigmas decifra naquele rumor de sangue em que se debru√ßa cheio de afli√ß√£o? Porque ao princ√≠pio √© o ritmo; um ritmo surdo, espesso, do cora√ß√£o ou do cosmos ‚ÄĒ quem sabe onde um come√ßa e o outro acaba?

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