Passagens sobre Convivência

39 resultados
Frases sobre conviv√™ncia, poemas sobre conviv√™ncia e outras passagens sobre conviv√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Grandes Homens Forjam-se a si Próprios

Para conhecer a realidade do mundo, √ļnico fim s√©rio da ci√™ncia, √© preciso entrar no combate da vida como entravam na li√ßa os paladinos bastardos – sem pai e sem padrinho. Os pr√≠ncipes n√£o constituem excep√ß√£o a esta lei geral da forma√ß√£o dos homens. Da educa√ß√£o de gabinete, do bafo enervante dos mestres, dos camareiros e das aias, nunca sairam sen√£o doentes e pedantes.
Na sagração dos czares há uma cerimónia de alta significação simbólica: o imperador não se confirma enquanto por três vezes não haja descido do trono e penetrado sozinho na multidão; e isto quer dizer que na convivência do povo a autoridade e o valor dos monarcas recebe uma tão sagrada unção como a da santa crisma. Todos os reis fortes se fizeram e se educaram a si mesmos nos mais rudes e mais hostis contactos da natureza e da sociedade humana.
Veja vossa alteza Carlos Magno, que s√≥ aos quarenta anos √© que mandou chamar um mestre para aprender a ler. Veja Pedro o Grande, do qual a educa√ß√£o de c√Ęmara come√ßou por fazer um poltr√£o. Aos quinze anos n√£o se atrevia a atravessar um ribeiro. Reagiu enfim sobre si mesmo pela sua √ļnica for√ßa pessoal.

Continue lendo…

No fundo, o amor tem pouco a ver com a presença, com a convivência, com o tempo e as experiências por que se passa. Quantas vezes acontece amar alguém sem suportar estar ao pé dela? Não é só na família.

Sou um Verdadeiro Solit√°rio

O meu sentido ardente de justi√ßa social e de dever social estiveram sempre em estranho desacordo com uma marcada car√™ncia de necessidade directa de liga√ß√£o com os homens e com as comunidades humanas. Sou um verdadeiro solit√°rio (¬ęEinsp√§nner¬Ľ), que nunca pertenceu inteiramente e de todo o cora√ß√£o ao Estado, √† P√°tria, ao c√≠rculo dos amigos ou at√© mesmo √† fam√≠lia mais chegada, mas antes pelo contr√°rio experimentou sempre, em rela√ß√£o a todas essas liga√ß√Ķes, um sentimento indom√°vel de estranheza e de √Ęnsia de isolamento, um sentimento que com a idade mais se intensifica. Apercebemo-nos nitidamente, mas sem o lamentarmos, que nos √© limitada a conviv√™ncia em sociedade com outros seres humanos. Um homem desta natureza perde, de certo modo, uma parte da sua maneira de ser inocente e despreocupada mas ganha em se sentir largamente independente das opini√Ķes, dos h√°bitos e ju√≠zos dos homens, e n√£o cai na tenta√ß√£o de estabelecer o seu equil√≠brio numa base t√£o pouco s√≥lida.

O Grau da Nossa Emancipação

A esfera da consciência reduz-se na acção; por isso ninguém que aja pode aspirar ao universal, porque agir é agarrar-se às propriedades do ser em detrimento do ser, a uma forma de realidade em prejuízo da realidade. O grau da nossa emancipação mede-se pela quantidade das iniciativas de que nos libertámos, bem como pela nossa capacidade de converter em não-objecto todo o objecto. Mas nada significa falar de emancipação a propósito de uma humanidade apressada que se esqueceu de que não é possível reconquistar a vida nem gozá-la sem primeiro a ter abolido.
Respiramos demasiado depressa para sermos capazes de captar as coisas em si pr√≥prias ou de denunciar a sua fragilidade. O nosso ofegar postula-as e deforma-as, cria-as e desfigura-as, e amarra-nos a elas. Agito-me e portanto emito um mundo t√£o suspeito como a minha especula√ß√£o, que o justifica, adopto o movimento que me transforma em gerador de ser, em artes√£o de fic√ß√Ķes, ao mesmo tempo que a minha veia cosmog√≥nica me faz esquecer que, arrastado pelo turbilh√£o dos actos, n√£o passo de um ac√≥lito do tempo, de um agente de universos caducos.
Empanturrados de sensa√ß√Ķes e do seu corol√°rio, o devir, somos seres n√£o libertos, por inclina√ß√£o e por princ√≠pio,

Continue lendo…

A √ļnica forma de desenvolver a ¬ęsuperioridade¬Ľ na conviv√™ncia com os outros √© n√£o precisar deles de maneira alguma e faz√™-los perceber isso.

O Medo Da Nossa Condição Humana

Quando me ponho √†s vezes a considerar as diversas agita√ß√Ķes dos homens, e os perigos e trabalhos a que eles se exp√Ķem, na corte, na guerra, donde nascem tantas querelas, paix√Ķes, cometimentos ousados e muitas vezes nocivos, etc., descubro que toda a mis√©ria dos homens vem duma s√≥ coisa, que √© n√£o saberem permanecer em repouso, num quarto. Um homem que tenha o bastante para viver, se fosse capaz de ficar em sua casa com prazer n√£o sairia para ir viajar por mar ou p√īr cerco a uma pra√ßa-forte. Ningu√©m compraria t√£o caro um posto no ex√©rcito se n√£o achasse insuport√°vel deixar-se estar quieto na cidade; e quem procura a conviv√™ncia e a divers√£o dos jogos √© porque √© incapaz de ficar, em casa, com prazer.
Mas quando pensei melhor, e que, depois de ter encontrado a causa de todos os nossos males, quis descobrir a razão desta, achei que há uma bem efectiva, que consiste na natural infelicidade da nossa condição frágil e mortal, e tão miserável que nada nos pode consolar quando nela pensamos a fundo.

√Č em fam√≠lia, entre irm√£os, que se aprende a conviv√™ncia humana, como se deve conviver em sociedade. Talvez nem sempre tenhamos consci√™ncia disso, mas √© justamente a fam√≠lia que introduz a fraternidade no mundo!

A Nefasta Hiperdemocracia dos Nossos Tempos

Ningu√©m, creio eu, deplorar√° que as pessoas gozem hoje em maior medida e n√ļmero que antes, j√° que t√™m para isso os apetites e os meios. O mal √© que esta decis√£o tomada pelas massas de assumir as actividades pr√≥prias das minorias, n√£o se manifesta, nem pode manifestar-se, s√≥ na ordem dos prazeres, mas que √© uma maneira geral do tempo. Assim (…) creio que as inova√ß√Ķes pol√≠ticas dos mais recentes anos n√£o significam outra coisa sen√£o o imp√©rio pol√≠tico das massas. A velha democracia vivia temperada por uma dose abundante de liberalismo e de entusiasmo pela lei. Ao servir a estes princ√≠pios o indiv√≠duo obrigava-se a sustentar em si mesmo uma disciplina dif√≠cil. Ao amparo do princ√≠pio liberal e da norma jur√≠dica podiam atuar e viver as minorias. Democracia e Lei, conviv√™ncia legal, eram sin√≥nimos. Hoje assistimos ao triunfo de uma hiperdemocracia em que a massa actua directamente sem lei, por meio de press√Ķes materiais, impondo suas aspira√ß√Ķes e seus gostos.
√Č falso interpretar as situa√ß√Ķes novas como se a massa se houvesse cansado da pol√≠tica e encarregasse a pessoas especiais o seu exerc√≠cio. Pelo contr√°rio. Isso era o que antes acontecia, isso era a democracia liberal. A massa presumia que,

Continue lendo…

Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa é o que ficou deste minuto, desta hora, desta vida.

Eu aconselho o casamento a todo o homem que vive dezoite mezes com uma mulher, e ao cabo desta eternidade de amor, ainda diz sem impostura: amo-a. Mulher que se ama, depois da convivência de dezoito meses, ama-se toda a vida, quer seja amante, quer seja esposa.

A Vida Grata

Feliz aquele a quem a vida grata
Concedeu que dos deuses se lembrasse
E visse como eles
Estas terrenas coisas onde mora
Um reflexo mortal da imortal vida.
Feliz, que quando a hora tribut√°ria
Transpor seu √°trio por que a Parca corte
O fio fiado até ao fim,
Gozar poderá o alto prémio
De errar no Averno grato abrigo
Da convivência.

Mas aquele que quer Cristo antepor
Aos mais antigos Deuses que no Olimpo
Seguiram a Saturno ‚ÄĒ
O seu blasfemo ser abandonado
Na fria expia√ß√£o ‚ÄĒ at√© que os Deuses
De quem se esqueceu deles se recordem ‚ÄĒ
Erra, sombra inquieta, incertamente,
Nem a vi√ļva lhe p√Ķe na boca
O óbolo a Caronte grato,
E sobre o seu corpo insepulto
N√£o deita terra o viandante.

Os Malefícios da Rivalidade na Escola

Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar.
A mesquinhez de uma vida em que os outros n√£o aparecem como colaboradores, mas como inimigos, n√£o pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma vis√£o mais ampla do mundo; esfor√ßo de vencer, temor de ser vencido; √© j√° todo o temperamento de ¬ęstruggle¬Ľ que se afina na escola e lan√ßar√° amanh√£ sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam.
Quem n√£o sabe combater ou n√£o tem interesse pela luta ficar√° para tr√°s, entre os piores; e √© certamente esta predomin√Ęncia dada ao esp√≠rito de batalha um dos grandes malef√≠cios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos;

Continue lendo…

A Regra Fundamental de Vida

Quando n√≥s dizemos o bem, ou o mal… h√° uma s√©rie de pequenos sat√©lites desses grandes planetas, e que s√£o a pequena bondade, a pequena maldade, a pequena inveja, a pequena dedica√ß√£o… No fundo √© disso que se faz a vida das pessoas, ou seja, de fraquezas, de debilidades… Por outro lado, para as pessoas para quem isto tem alguma import√Ęncia, √© importante ter como regra fundamental de vida n√£o fazer mal a outrem. A partir do momento em que tenhamos a preocupa√ß√£o de respeitar esta simples regra de conviv√™ncia humana, n√£o vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal. ¬ęN√£o fa√ßas aos outros o que n√£o queres que te fa√ßam a ti¬Ľ parece um ponto de vista ego√≠sta, mas √© o √ļnico do g√©nero por onde se chega n√£o ao ego√≠smo mas √† rela√ß√£o humana.

Alimentar o Ego

Para quem faz do sonho a vida, e da cultura em estufa das suas sensa√ß√Ķes uma religi√£o e uma pol√≠tica, para esse primeiro passo, o que acusa na alma que ele deu o primeiro passo, √© o sentir as coisas m√≠nimas extraordin√°ria ‚ÄĒ e desmedidamente. Este √© o primeiro passo, e o passo simplesmente primeiro n√£o √© mais do que isto. Saber p√īr no saborear duma ch√°vena de ch√° a vol√ļpia extrema que o homem normal s√≥ pode encontrar nas grandes alegrias que v√™m da ambi√ß√£o subitamente satisfeita toda ou das saudades de repente desaparecidas, ou ent√£o nos actos finais e carnais do amor; poder encontrar na vis√£o dum poente ou na contempla√ß√£o dum detalhe decorativo aquela exaspera√ß√£o de senti-los que geralmente s√≥ pode dar, n√£o o que se v√™ ou o que se ouve, mas o que se cheira ou se gosta ‚ÄĒ essa proximidade do objecto da sensa√ß√£o que s√≥ as sensa√ß√Ķes carnais ‚ÄĒ o tacto, o gosto, o olfacto – esculpem de encontro √† consci√™ncia; poder tornar a vis√£o interior, o ouvido do sonho ‚ÄĒ todos os sentidos supostos e do suposto ‚ÄĒ recebedores e tang√≠veis como sentidos virados para o externo: escolho estas, e as an√°logas suponham-se,

Continue lendo…

Um edifício para ser forte deve ser construído com esmero, tijolo a tijolo, não se descuidando dos pequenos detalhes. Assim também é o amor. Para ser forte deve ser construído dia a dia, nos atos, nos gestos e nas pequenas nuances da convivência.

Somos Cidadãos Sem Laços de Cidadania

√Č escusado. Em nenhuma √°rea do comportamento social conseguimos encontrar um denominador comum que nos torne a conviv√™ncia harmoniosa. Procedemos em todos os planos da vida colectiva como figadais advers√°rios. Guerreamo-nos na pol√≠tica, na literatura, no com√©rcio e na ind√ļstria. Onde est√£o dois portugueses est√£o dois concorrentes hostis √† Presid√™ncia da Rep√ļblica, √† chefia dum partido, √† ger√™ncia dum banco, ao comando de uma corpora√ß√£o de bombeiros. N√£o somos capazes de reconhecer no vizinho o talento que nos falta, as virtudes de que carecemos. Diante de cada sucesso alheio ficamos transtornados. E vingamo-nos na s√°tira, na mordacidade, na maledic√™ncia. Nas cidades ou nas aldeias, por f√°s e por nefas, n√£o h√° ningu√©m sem alcunha, a todos √© colado um rabo-leva pejorativo. Quem quiser conhecer a natureza do nosso relacionamento, leia as pol√©micas que trav√°mos ao longo dos tempos. S√£o reveladoras. A celebrada carta de E√ßa a Camilo ou a tamb√©m conhecida deste ao conselheiro Forjaz de Sampaio d√£o a medida exacta da verrina em que nos comprazemos no trato di√°rio. Gregariamente, somos um somat√≥rio de cidad√£os sem la√ßos de cidadania.