Cita√ß√Ķes sobre Conviv√™ncia

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Frases sobre conviv√™ncia, poemas sobre conviv√™ncia e outras cita√ß√Ķes sobre conviv√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Vida Grata

Feliz aquele a quem a vida grata
Concedeu que dos deuses se lembrasse
E visse como eles
Estas terrenas coisas onde mora
Um reflexo mortal da imortal vida.
Feliz, que quando a hora tribut√°ria
Transpor seu √°trio por que a Parca corte
O fio fiado até ao fim,
Gozar poderá o alto prémio
De errar no Averno grato abrigo
Da convivência.

Mas aquele que quer Cristo antepor
Aos mais antigos Deuses que no Olimpo
Seguiram a Saturno ‚ÄĒ
O seu blasfemo ser abandonado
Na fria expia√ß√£o ‚ÄĒ at√© que os Deuses
De quem se esqueceu deles se recordem ‚ÄĒ
Erra, sombra inquieta, incertamente,
Nem a vi√ļva lhe p√Ķe na boca
O óbolo a Caronte grato,
E sobre o seu corpo insepulto
N√£o deita terra o viandante.

Os Malefícios da Rivalidade na Escola

Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar.
A mesquinhez de uma vida em que os outros n√£o aparecem como colaboradores, mas como inimigos, n√£o pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma vis√£o mais ampla do mundo; esfor√ßo de vencer, temor de ser vencido; √© j√° todo o temperamento de ¬ęstruggle¬Ľ que se afina na escola e lan√ßar√° amanh√£ sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam.
Quem n√£o sabe combater ou n√£o tem interesse pela luta ficar√° para tr√°s, entre os piores; e √© certamente esta predomin√Ęncia dada ao esp√≠rito de batalha um dos grandes malef√≠cios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos;

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A Regra Fundamental de Vida

Quando n√≥s dizemos o bem, ou o mal… h√° uma s√©rie de pequenos sat√©lites desses grandes planetas, e que s√£o a pequena bondade, a pequena maldade, a pequena inveja, a pequena dedica√ß√£o… No fundo √© disso que se faz a vida das pessoas, ou seja, de fraquezas, de debilidades… Por outro lado, para as pessoas para quem isto tem alguma import√Ęncia, √© importante ter como regra fundamental de vida n√£o fazer mal a outrem. A partir do momento em que tenhamos a preocupa√ß√£o de respeitar esta simples regra de conviv√™ncia humana, n√£o vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal. ¬ęN√£o fa√ßas aos outros o que n√£o queres que te fa√ßam a ti¬Ľ parece um ponto de vista ego√≠sta, mas √© o √ļnico do g√©nero por onde se chega n√£o ao ego√≠smo mas √† rela√ß√£o humana.

Alimentar o Ego

Para quem faz do sonho a vida, e da cultura em estufa das suas sensa√ß√Ķes uma religi√£o e uma pol√≠tica, para esse primeiro passo, o que acusa na alma que ele deu o primeiro passo, √© o sentir as coisas m√≠nimas extraordin√°ria ‚ÄĒ e desmedidamente. Este √© o primeiro passo, e o passo simplesmente primeiro n√£o √© mais do que isto. Saber p√īr no saborear duma ch√°vena de ch√° a vol√ļpia extrema que o homem normal s√≥ pode encontrar nas grandes alegrias que v√™m da ambi√ß√£o subitamente satisfeita toda ou das saudades de repente desaparecidas, ou ent√£o nos actos finais e carnais do amor; poder encontrar na vis√£o dum poente ou na contempla√ß√£o dum detalhe decorativo aquela exaspera√ß√£o de senti-los que geralmente s√≥ pode dar, n√£o o que se v√™ ou o que se ouve, mas o que se cheira ou se gosta ‚ÄĒ essa proximidade do objecto da sensa√ß√£o que s√≥ as sensa√ß√Ķes carnais ‚ÄĒ o tacto, o gosto, o olfacto – esculpem de encontro √† consci√™ncia; poder tornar a vis√£o interior, o ouvido do sonho ‚ÄĒ todos os sentidos supostos e do suposto ‚ÄĒ recebedores e tang√≠veis como sentidos virados para o externo: escolho estas, e as an√°logas suponham-se,

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Um edifício para ser forte deve ser construído com esmero, tijolo a tijolo, não se descuidando dos pequenos detalhes. Assim também é o amor. Para ser forte deve ser construído dia a dia, nos atos, nos gestos e nas pequenas nuances da convivência.

Somos Cidadãos Sem Laços de Cidadania

√Č escusado. Em nenhuma √°rea do comportamento social conseguimos encontrar um denominador comum que nos torne a conviv√™ncia harmoniosa. Procedemos em todos os planos da vida colectiva como figadais advers√°rios. Guerreamo-nos na pol√≠tica, na literatura, no com√©rcio e na ind√ļstria. Onde est√£o dois portugueses est√£o dois concorrentes hostis √† Presid√™ncia da Rep√ļblica, √† chefia dum partido, √† ger√™ncia dum banco, ao comando de uma corpora√ß√£o de bombeiros. N√£o somos capazes de reconhecer no vizinho o talento que nos falta, as virtudes de que carecemos. Diante de cada sucesso alheio ficamos transtornados. E vingamo-nos na s√°tira, na mordacidade, na maledic√™ncia. Nas cidades ou nas aldeias, por f√°s e por nefas, n√£o h√° ningu√©m sem alcunha, a todos √© colado um rabo-leva pejorativo. Quem quiser conhecer a natureza do nosso relacionamento, leia as pol√©micas que trav√°mos ao longo dos tempos. S√£o reveladoras. A celebrada carta de E√ßa a Camilo ou a tamb√©m conhecida deste ao conselheiro Forjaz de Sampaio d√£o a medida exacta da verrina em que nos comprazemos no trato di√°rio. Gregariamente, somos um somat√≥rio de cidad√£os sem la√ßos de cidadania.

A gan√Ęncia do ter n√£o s√≥ engoliu o ser e a conviv√™ncia pac√≠fica

A gan√Ęncia do ter n√£o s√≥ engoliu o ser e a conviv√™ncia pac√≠fica, mas at√© privou a maior parte dos homens do ter indispens√°vel, para acumular nas m√£os de uns poucos o que a todos pertence.

Filosofia e Amor são completamente Antagónicos

Entre a filosofia e o amor não há possibilidade de convivência. A filosofia exila a mulher e a mulher exclui a filosofia. Os filósofos são todos cérebro sem coração nem testículos. Aqueles que tiveram mulheres e filhos são filósofos menores, em segunda mão. Os maiores são todos misóginos.
A filosofia tem relação com a castidade: quem se aproxima da mulher não pode alcançar o absoluto. Os filósofos foram eunucos, como Orígenes e Abelardo; ou virgens por eleição, como São Tomás e São Boaventura; ou eternos celibatários, como Platão, Espinosa, Kant, Schopenhauer, Nietzsche, como todos os maiores. Quem teve mulher, como Sócrates, considerou-a empecilho e tortura.
São antes sodomitas, como Séneca e Bacon, ou onanistas, como Rousseau, Kierkegaard e Leopardi Рem todos os casos, antifemininos. A mulher é a vida e a filosofia uma espécie de morte; a dona é o primado do sentimento e a filosofia quer ser racionalismo puro; a mulher é capricho e novidade e a filosofia ordem e sistema.
No entanto, a filosofia n√£o se pode vangloriar de vencer, com a sua for√ßa, a tenta√ß√£o de Eros – √© verdade, ao inv√©s, que a frigidez e a impot√™ncia predisp√Ķem para a filosofia. Se virem um fil√≥sofo marido e pai feliz,

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A Ren√ļncia ao Poder

O √ļnico factor material indispens√°vel para a gera√ß√£o do poder √© a conviv√™ncia entre os homens. Estes s√≥ ret√™m poder quando vivem t√£o pr√≥ximos uns dos outros que as potencialidades da ac√ß√£o est√£o sempre presentes; e, portanto, a funda√ß√£o de cidades que, como as cidades-estado, se converteram em paradigmas para toda a organiza√ß√£o pol√≠tica ocidental, foi na verdade a condi√ß√£o pr√©via material mais importante do poder.

O que mant√©m unidas as pessoas depois de ter passado o momento fugaz da ac√ß√£o (aquilo que hoje chamamos ¬ęorganiza√ß√£o¬Ľ) e o que elas, por sua vez, mant√™m vivo ao permanecerem unidas √© o poder. Todo aquele que, por algum motivo, se isola e n√£o participa dessa conviv√™ncia renuncia ao poder e torna-se impotente, por maior que seja a sua for√ßa e por mais v√°lidas que sejam as suas raz√Ķes.

√Č a Conformidade que Torna a Conviv√™ncia Agrad√°vel

Aqueles que se contentam em recitar os antigos n√£o tornam a sociedade mais √°gil. Mas, quando se busca e se diz uma quantidade de coisas que n√£o prov√©m de quem quer que seja, √© poss√≠vel ao menos encontrar alguma que a sociedade n√£o sabia. Pois √© um grande erro imaginar que n√£o se pode dizer nada que n√£o tenha sido dito. (…) Estraga-se frequentemente aquilo que se deseja muito polir e muito embelezar. O meio de evitar esse inconveniente, tanto para bem escrever como para bem falar, √© ter ainda mais cuidado com a simplicidade do que com a perfei√ß√£o das coisas.
O ar nobre e natural √© o principal atractivo da eloqu√™ncia, e entre a gente da sociedade, o que prov√©m do estudo √© quase sempre mal acolhido. Deve-se at√© mesmo conter o esp√≠rito em muitas ocasi√Ķes, e evitar o que se sabe de maior valor. Admiramos facilmente as coisas que est√£o acima de n√≥s, e que perdemos de vista; mas apenas as amamos raramente, e isso √© o que importa. Os animais buscam apenas os animais da sua esp√©cie, e n√£o seguem os mais perfeitos. √Č a conformidade que torna a conviv√™ncia agrad√°vel, e que faz amar com uma afei√ß√£o rec√≠proca.

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A paz não é um estado primitivo paradisíaco, nem uma forma de convivência regulada pelo acordo. A paz é algo que não conhecemos, que apenas buscamos e imaginamos. A paz é um ideal.

Apenas a consci√™ncia da mortalidade pode conduzir √† conviv√™ncia da imortalidade, √† aceita√ß√£o desprendida do tr√Ęnsito da mat√©ria.

Dactilografia

Traço, sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano,
Firmo o projeto, aqui isolado,
Remoto até de quem eu sou.

Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tique-taque estalado das m√°quinas de escrever.
Que n√°usea da vida!
Que abjeção esta regularidade!
Que sono este ser assim!

Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros
(Ilustra√ß√Ķes, talvez, de qualquer livro de inf√Ęncia),
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho,
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve,
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.

Outrora.

Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tique-taque estalado das m√°quinas de escrever.

Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que √© a que sonhamos na inf√Ęncia,
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,
Que √© a pr√°tica, a √ļtil,
Aquela em que acabam por nos meter num caix√£o.

Na outra n√£o h√° caix√Ķes, nem mortes,
H√° s√≥ ilustra√ß√Ķes de inf√Ęncia:
Grandes livros coloridos, para ver mas n√£o ler;
Grandes p√°ginas de cores para recordar mais tarde.

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