Cita√ß√Ķes sobre Cosmos

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Frases sobre cosmos, poemas sobre cosmos e outras cita√ß√Ķes sobre cosmos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Minha √Ārvore

Olha: √Č um tri√Ęngulo est√©ril de √≠nvia estrada!
Como que a erva tem dor… Roem-na amarguras
Talvez humanas, e entre rochas duras
Mostra ao Cosmos a face degradada!

Entre os pedrouços maus dessa morada
√Č que, √†s apalpadelas e √†s escuras,
H√£o de encontrar as gera√ß√Ķes futuras
Só, minha árvore humana desfolhada!

Mulher nenhuma afagar√° meu tronco!
Eu n√£o me abalarei, nem mesmo ao ronco
Do furac√£o que, r√°bido, remoinha…

Folhas e frutos, sobre a terra ardente
H√£o de encher outras √°rvores! Somente
Minha desgraça há de ficar sozinha!

A Vis√£o do Universo

Existem certas pessoas – e eu sou uma delas – que pensam que a coisa mais pr√°tica e importante acerca de um homem ainda √© a sua vis√£o do universo. Pensamos que, para uma senhoria considerando se deve aceitar um pensionista, √© importante saber a sua renda, por√©m mais importante ainda √© conhecer a sua filosofia. Pensamos que, para um general prestes a combater um inimigo, √© importante saber os n√ļmeros do inimigo, por√©m mais importante √© conhecer a filosofia do inimigo. Pensamos que a quest√£o n√£o √© saber se a teoria do cosmos afecta ou n√£o as coisas, mas se, no longo prazo, qualquer outra coisa as afecta.

Pais Aprisionados

As crian√ßas tornaram-se uma arma de arremesso √† medida de quase tudo. Justificam as discuss√Ķes entre marido e mulher, justificam a falta de generosidade para com o pr√≥ximo, justificam a indisponibilidade e a inac√ß√£o em geral – e no fim, em muitos casos (…), ainda nos absolvem pelo fracasso a que, pulverizados os sonhos da inf√Ęncia, os objectivos da juventude e as agendas da primeira idade adulta, nos vemos a certa altura obrigados a resumir o balan√ßo das nossas vidas. E talvez haja, afinal, uma certa racionalidade no cosmos. Talvez haja uma raz√£o para nunca, at√© hoje, n√≥s n√£o termos tido filhos, eu e outros como eu. Talvez nenhum de n√≥s esteja ainda pronto para resistir √† inevit√°vel tenta√ß√£o de transformar os filhos num desmentido oficial para a nossa frustra√ß√£o. Talvez, no dia em que os tivermos, estejamos j√° preparados para conter o impulso de culp√°-los por essa frustra√ß√£o. E talvez sejamos n√≥s, enfim, os primeiros a fugir √† inclina√ß√£o para considerar que a nossa vida apenas come√ßou no dia em que come√ßou a vida dos nossos filhos. At√© porque, disto tenho eu a certeza, filhos de pais cuja mem√≥ria alcan√ßa para al√©m do dia do primeiro parto resultam sempre em adultos mais saud√°veis,

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Controle da Alma

Lembra o retiro que te oferece esse pequeno dom√≠nio que √©s tu mesmo; acima de tudo, n√£o te inquietes nem te oponhas, mas permanece livre e encara as coisas virilmente, como homem, como cidad√£o, como mortal. E, naquilo em que meditares mais frequentemente, estejam presentes estas duas verdades fundamentais: uma, que as coisas n√£o afectam a alma, mas permanecem im√≥veis, fora dela, e as nossas perturba√ß√Ķes resultam unicamente da opini√£o interior que a alma delas forma; outra, que tudo quanto contemplas mudar√° dentro de um instante e n√£o mais existir√°. Pensa em quantas mudan√ßas j√° assististe. O cosmos √© muta√ß√£o; a vida, opini√£o.
Se suprimires a tua opinião sobre aquilo que te parece causar sofrimento, alcançarás perfeita segurança. Tu, quem? A razão. Mas eu não sou apenas razão. Seja. Então, que a razão não se perturbe a si mesma. Mas se outra parte de ti sofrer, que ela opine sobre si própria.

O Vício do Exagero

Hoje, no caf√©, aqui-del-rei que eu exagero, aqui-del-rei que conto uma anedota e a anedota sai da minha boca transfigurada. Aqui-del-rei que descrevo um indiv√≠duo e ponho bigodes de pol√≠cia onde havia somente uma discreta penugem. √Č certo, exagero. Come√ßo a pintar um bot√£o, e √© capaz de me sair o cosmos.

Ao Luar

Quando, à noite, o Infinito se levanta
A luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha tactil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!

Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha m√£o, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!

Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O Infinit√©simo e o Indeterminado…

Transponho ousadamente o √°tomo rude
E, transmudado em rutil√Ęncia fria,
Encho o Espaço com a minha plenitude!

A ideia da extensão e da plenitude infinitas do cosmo é o resultado da mistura levada ao extremo da criação laboriosa e da livre auto-reflexão.

A Evolução da Criatividade

A experi√™ncia humana √© apenas ponto de partida, n√ļcleo s√≥lido e permanente onde assenta a experi√™ncia posterior da cria√ß√£o. Considero a cria√ß√£o o encaminhamento, at√© √†s consequ√™ncias extremas, de uma experi√™ncia em si mesma n√£o organizada. A descoberta do mundo n√£o possui, por ela pr√≥pria, finalidade ou coer√™ncia, nem constitui a salva√ß√£o desse mundo. Desde que seja poss√≠vel criar um corpo org√Ęnico em que a experi√™ncia, devidamente articulada, se baste, surge uma harmonia entre o sujeito e a sua experi√™ncia, quero dizer, o sujeito participa do cosmos. Este esfor√ßo da supera√ß√£o do caos exprime-se pela busca de uma linguagem. √ą ali√°s na linguagem que a experi√™ncia se vai tornando real. Se nela n√£o h√°, em sentido rigoroso, experi√™ncia do mundo. A esta conclus√£o vem chegando uma moderna filosofia da arte. A forma√ß√£o da linguagem √© um paciente, extenso, doloroso e, muitas vezes, desesperante caminho. O erro aparece como uma constante, mas existe a possibilidade de ser sempre menor. Entre um grau m√°ximo e um grau m√≠nimo de erro, situa-se a evolu√ß√£o. Progresso de linguagem, de adequa√ß√£o √†s finalidades, supera√ß√£o da experi√™ncia, purifica√ß√£o do tema ‚Äď eis onde se pode situar o sentido da evolu√ß√£o.

o suporte da m√ļsica

o suporte da m√ļsica pode ser a rela√ß√£o
entre um homem e uma mulher, a pauta
dos seus gestos tocando-se, ou dos seus
olhares encontrando-se, ou das suas

vogais adivinhando-se abertas e recíprocas,
ou dos seus obscuros sinais de entendimento,
crescendo como trepadeiras entre eles.
o suporte da m√ļsica pode ser uma apet√™ncia

dos seus ouvidos e do olfacto, de tudo o que se
ramifica entre os timbres, os perfumes,
mas é também um ritmo interior, uma parcela
do cosmos, e eles sabem-no, perpassando

por uns fr√°geis momentos, concentrado
num ponto min√ļsculo, intensamente luminoso,
que a m√ļsica, desvendando-se, desdobra,
entre conhecimento e c√ļmplice harmonia.

Nunca Nos Separamos do Primeiro Amor

J√° o disse em Hiroshima Mon Amour: o que conta n√£o √© a manifesta√ß√£o do desejo, da tentativa amorosa. O que conta √© o inferno da hist√≥ria √ļnica. Nada a substitui, nem uma segunda hist√≥ria. Nem a mentira. Nada. Quanto mais a provocamos, mais ela foge. Amar √© amar algu√©m. N√£o h√° um m√ļltiplo da vida que possa ser vivido. Todas as primeiras hist√≥rias de amor se quebram e depois √© essa hist√≥ria que transportamos para as outras hist√≥rias. Quando se viveu um amor com algu√©m, fica-se marcado para sempre e depois transporta-se essa hist√≥ria de pessoa a pessoa. Nunca nos separamos dele.
N√£o podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se f√īssemos, s√≥ n√≥s, o nosso pr√≥prio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os crist√£os, √© embuste. Essas coisas n√£o passam de mentiras. S√≥ se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo.

Amor РPois que é Palavra Essencial

Amor ‚ÄĒ pois que √© palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
re√ļna alma e desejo, membro de vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem n√£o sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Plat√£o viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
j√° tudo se transforma, num rel√Ęmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós,

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A Vida é Absoluta Convicção

A vida √© primariamente encontrar-se, cada qual, submergido entre as coisas, e enquanto √© apenas isso consiste em sentir-se absolutamente perdido. A vida √© perdi√ß√£o. Mas por isso mesmo obriga, quer queiramos quer n√£o, a um esfor√ßo para se orientar no caos, para se salvar dessa perdi√ß√£o. Este esfor√ßo √© o conhecimento que extrai do caos um esquema de ordem, um cosmos. Este esquema do universo √© o sistema das nossas ideias ou convic√ß√Ķes vigentes. Quer queiramos quer n√£o, vivemos com convic√ß√Ķes e de convic√ß√Ķes. O mais teoreticamente c√©ptico existe apoiando-se num suporte de cren√ßas sobre o que as coisas s√£o. A vida √© absoluta convic√ß√£o. A d√ļvida intelectual mais extrema √© vitalmente uma absoluta convic√ß√£o de que tudo √© duvidoso. E algo ou tudo ser duvidoso n√£o √© uma cren√ßa num ser menor do que qualquer outra de aspecto mais positivo.

O cosmos pode ser infinitamente maior do que o homem, mas um √ļnico ato de amor vale mais do que toda a massa do universo.

Ode à Criança

A crian√ßa √© criativa porque √© crescimento e se cria a si pr√≥pria. √Č como um rei, porque imp√Ķe ao mundo as suas ideias, os seus sentimentos e as suas fantasias. Ignora o mundo do acaso, pr√©-elaborado, e constr√≥i o seu pr√≥prio mundo de ideais. Tem uma sexualidade pr√≥pria. Os adultos cometem um pecado b√°rbaro ao destruir a criatividade da crian√ßa pelo roubo do seu mundo, sufocando-a com um saber artificial e morto, e orientando-a no sentido de finalidades que lhe s√£o estranhas. A crian√ßa √© sem finalidade, cria brincando e crescendo suavemente; se n√£o for perturbada pela viol√™ncia, n√£o aceita nada que n√£o possa verdadeiramente assimilar; todo o objecto em que toca vive, a crian√ßa √© cosmos, mundo, v√™ as √ļltimas coisas, o absoluto, ainda que n√£o saiba dar-lhes express√£o: mas mata-se a crian√ßa ensinando-a a ater-se a finalidades e agrilhoando-a a uma rotina vulgar a que, hipocritamente, se chama realidade.

A m√ļsica √© uma rejei√ß√£o triunfante do mundo em que nascemos, um ¬ęn√£o¬Ľ √† natureza, um corajoso desafio a Deus e aos deuses e a toda a esp√©cie de poderes n√£o-humanos dos quais se pensa que moldaram o cosmo; √© um mundo rival feito pelo homem.

A qu√≠mica que produz a vida √© reproduzida facilmente por todo o cosmo. Parece improv√°vel que sejamos os √ļnicos seres inteligentes. √Č poss√≠vel mas improv√°vel!

O Supremo Palhaço da Criação

A velha no√ß√£o antropom√≥rfica de que todo o universo se centraliza no homem ‚Äď de que a exist√™ncia humana √© a suprema express√£o do processo c√≥smico ‚Äď parece galopar alegremente para o ba√ļ das ilus√Ķes perdidas. O facto √© que a vida do homem, quanto mais estudada √† luz da biologia geral, parece cada vez mais vazia de significado. O que no passado deu a impress√£o de ser a principal preocupa√ß√£o e obra-prima dos deuses, a esp√©cie humana come√ßa agora a apresentar o aspecto de um sub-produto acidental das maquina√ß√Ķes vastas, inescrut√°veis e provavelmente sem sentido desses mesmos deuses.
(…) O que n√£o quer dizer, naturalmente, que um dia a tal teoria seja abandonada pela grande maioria dos homens. Pelo contr√°rio, estes a abra√ßar√£o √† medida que ela se tornar cada vez mais duvidosa. De fato, hoje, a teoria antropom√≥rfica ainda √© mais adoptada do que nas eras de obscurantismo, quando a doutrina de que um homem era um quase Deus foi no m√≠nimo aperfei√ßoada pela doutrina de que as mulheres inferiores. O que mais est√° por tr√°s da caridade, da filantropia, do pacifismo, da ‚Äúinspira√ß√£o‚ÄĚ e do resto dos atuais sentimentalismos? Uma por uma, todas estas tolices s√£o baseadas na no√ß√£o de que o homem √© um animal glorioso e indescrit√≠vel,

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A existência não pode ser forçada a ir de acordo com você; ela flui de seu próprio modo. Se você puder fluir com ela, você será positivo. Se você lutar contra ela, você se tornará negativo e todo o cosmos à sua volta se tornará negativo.

O Acto de Criação é de Natureza Obscura

O acto de cria√ß√£o √© de natureza obscura; nele √© imposs√≠vel destrin√ßar o que √© da raz√£o e o que √© do instinto, o que √© do mundo e o que √© da terra. Nunca nenhum dualismo serviu bem o poeta. Esse ¬ępastor do Ser¬Ľ, na t√£o bela express√£o de Heidegger, √©, como nenhum outro homem, nost√°lgico de uma antiga unidade. As mil e uma antinomias, t√£o escolarmente elaboradas, quando n√£o pervertem a primordial fonte do desejo, pecam sempre por cindir a inteireza que √© todo um homem. N√£o h√° vit√≥ria definitiva sem a reconcilia√ß√£o dos contr√°rios. √Č no mar crepuscular e materno da mem√≥ria, onde as √°guas ¬ęsuperiores¬Ľ n√£o foram ainda separadas das ¬ęinferiores¬Ľ, que as imagens do poeta sonham pela primeira vez com a prec√°ria e fugidia luz da terra.
Diante do papel, que ¬ęla blancheur d√©fend¬Ľ, o poeta √© uma longa e s√≥ hesita√ß√£o. Que Ifig√©nia ter√° de sacrificar para que o vento prop√≠cio se levante e as suas naves possam avistar os muros de Tr√≥ia? Que aug√ļrios escuta, que enigmas decifra naquele rumor de sangue em que se debru√ßa cheio de afli√ß√£o? Porque ao princ√≠pio √© o ritmo; um ritmo surdo, espesso, do cora√ß√£o ou do cosmos ‚ÄĒ quem sabe onde um come√ßa e o outro acaba?

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