Passagens sobre Críticos

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Frases sobre cr√≠ticos, poemas sobre cr√≠ticos e outras passagens sobre cr√≠ticos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os críticos saqueiam muitas vezes as vítimas que esfaquearam. Prestai atenção para ver se pouco depois não aparecem, cobertos das vestes e jóias da mediocridade que eles executaram publicamente.

A cr√≠tica √© indispens√°vel. Mais importante ainda √© um complemento. Por isso, o filme s√≥ est√° acabado depois de ser visto. Por algum p√ļblico e de prefer√™ncia pelos cr√≠ticos. S√£o eles que v√£o acabar o filme. Como h√° muito de inconsciente no trabalho de um artista, √© o cr√≠tico que vai buscar esse lado, de que o artista nem se deu conta.

N√£o √© o cr√≠tico que conta; n√£o √© quem aponta como o homem forte trope√ßou, ou quando o fazedor de ac√ß√Ķes as poderia ter feito melhor. O cr√©dito pertence ao homem que est√° realmente na arena, cujo rosto est√° sujo de poeira, suor e sangue; que se esfor√ßa corajosamente; que fracassa repetidas vezes, porque n√£o h√° esfor√ßo sem obst√°culos, mas que realmente se empenha para realizar as tarefas; que sabe o que √© ter grande entusiasmo e grande devo√ß√£o e que exaure suas for√ßas numa causa digna; que no final descobre o triunfo das grandes realiza√ß√Ķes e, caso venha a fracassar, ao menos fracassa ousando muito, de forma que seu lugar nunca ser√° junto √†s almas frias e t√≠midas que n√£o conhecem nem a vit√≥ria nem a derrota.

O Pressuposto Indispens√°vel para se Ser um Grande-Escritor

O pressuposto indispens√°vel para se ser um grande-escritor √©, ent√£o, o de escrever livros e pe√ßas de teatro que sirvam para todos os n√≠veis, do mais alto ao mais baixo. Antes de produzir algum bom efeito, √© preciso primeiro produzir efeito: este princ√≠pio √© a base de toda a exist√™ncia como grande-escritor. √Č um princ√≠pio miraculoso, eficaz contra todas as tenta√ß√Ķes da solid√£o, por excel√™ncia o princ√≠pio goethiano do sucesso: se nos movermos apenas num mundo que nos √© prop√≠cio, tudo o resto vir√° por si. Pois quando um escritor come√ßa a ter sucesso d√°-se logo uma transforma√ß√£o significativa na sua vida. O seu editor p√°ra de se lamentar e de dizer que um comerciante que se torna editor se parece com um idealista tr√°gico, porque faria muito mais dinheiro negociando com tecidos ou papel virgem. A cr√≠tica descobre nele um objecto digno da sua actividade, porque os cr√≠ticos muitas vezes at√© nem s√£o m√°s pessoas, mas, dadas as circunst√Ęncias epocais pouco prop√≠cias, ex-poetas que precisam de um apoio do cora√ß√£o para poderem p√īr c√° fora os seus sentimentos;s√£o poetas do amor ou da guerra, consoante o capital interior que t√™m de aplicar com proveito, e por isso √© perfeitamente compreens√≠vel que escolham o livro de um grande-escritor e n√£o o de um comum escritor.

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A Inutilidade da Crítica

Que a obra de boa qualidade sempre se destaca √© uma afirma√ß√£o sem valor, se aplicada a uma obra de qualidade realmente boa e se por “destaca” quer-se fazer refer√™ncia √† aceita√ß√£o na sua pr√≥pria √©poca. Que a obra de boa qualidade sempre se destaca, no curso de sua futuridade, √© verdadeiro; que a obra de boa qualidade, mas de segunda ordem sempre se destaca na sua pr√≥pria √©poca, √© tamb√©m verdadeiro.
Pois como há-de um crítico julgar? Quais as qualidades que formam, não o incidental, mas o crítico competente? Um conhecimento da arte e da literatura do passado, um gosto refinado por esse conhecimento, e um espírito judicioso e imparcial. Qualquer coisa menos do que isto é fatal ao verdadeiro jogo das faculdades críticas. Qualquer coisa mais do que isto é já espírito criativo e, portanto, individualidade; e individualidade significa egocentrismo e certa impermeabilidade ao trabalho alheio.
Qu√£o competente √©, por√©m, o cr√≠tico competente? Suponhamos que uma obra de arte profundamente original surja diante dos seus olhos. Como a julga ele? Comparando-a com as obras de arte do passado. Se for original, por√©m afastar-se-√° em alguma coisa ‚ÄĒ e quanto mais original mais se afastar√° ‚ÄĒ das obras de arte do passado.

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O carnaval do Rio é o carnaval da beleza. E, diferente do que os críticos gostam de dizer, um ano nunca é igual ao que passou.

Acho que os escritores percebem muito melhor o que escrevemos que os críticos. Os escritores têm, afinal, a mesma humildade dos leitores comuns. Os críticos raramente entendem o nosso trabalho.

Um grande poeta n√£o √© uma constru√ß√£o de acaso, feita de blocos discordantes; a miss√£o do cr√≠tico n√£o est√° em inventar falhas que n√£o existem, mas em encontrar o nexo √≠ntimo, a espiritual cadeia de v√©rtebras que liga e sustenta todas as fases, todas as produ√ß√Ķes da sua vida. Depois, √© sempre de bom conselho verificar se as manchas da prepara√ß√£o se n√£o encontram nas lentes do microsc√≥pio.

Os Convencidos da Vida

Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(…) No corre-que-corre, o convencido da vida n√£o √© um vaidoso √† toa. Ele √© o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca √© gratuita, todo o rendimento poss√≠vel. Nos neg√≥cios, na pol√≠tica, no jornalismo, nas letras, nas artes. √Č t√£o capaz de aceitar uma condecora√ß√£o como de rejeit√°-la.

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Minha poesia √© cheia de imperfei√ß√Ķes. Se eu fosse cr√≠tico, apontaria muitos defeitos. N√£o vou apontar. Deixo para os outros. Minha obra √© p√ļblica.

Idealmente, a miss√£o da cr√≠tica seria ajudar a ler. Em teoria, o cr√≠tico ser√° um leitor mais atento do que os outros. N√£o tem necessariamente que emitir ju√≠zos de valor. Temos tend√™ncia a gostar s√≥ dos que s√£o da nossa fam√≠lia, as ideias confundem-se com as nossas paix√Ķes.

Crítico: Pessoa que se vangloria de ser de satisfação difícil, porque ninguém lhe tenta agradar.

Apreciação Imparcial

H√° poucos indiv√≠duos a quem √© dado contemplar uma obra de arte como espectadores tranquilos; mas √© dif√≠cil encontrar um que seja capaz ou tenha a vontade, ao mesmo tempo que deixa a obra penetr√°-lo, e escuta as suas impress√Ķes ou as palavras de outro, de permanecer simples observador. Sem se dar conta disso, torna-se cr√≠tico, procurando mostrar a sua for√ßa de ju√≠zo, exercer o seu humor e avaliar a sua pr√≥pria pessoa.
O ing√©nuo f√°-lo inicialmente, √© certo, sem a menor inten√ß√£o mal√©vola; mas mesmo nele, as propriedades naturais do indiv√≠duo n√£o tardam a imp√īr os seus direitos – vaidade e pedantice, desejo de ser superior aos seus pr√≥prios olhos e aos olhos dos outros – de tal modo que depressa estar√° mais decidido a desvelar as fraquezas de uma obra do que a aceitar os seus lados positivos.

Para a forma√ß√£o da consci√™ncia p√ļblica, para a cria√ß√£o de determinado ambiente, dada a aus√™ncia de esp√≠rito cr√≠tico ou a dificuldade de averigua√ß√£o individual, a apar√™ncia vale a realidade, ou seja: a apar√™ncia √© uma realidade pol√≠tica.

Na arte funciona mais o manifesto do artista, por muito parvo que seja, do que a crítica do crítico, por muito inteligente que possar ser.