Passagens sobre Estéril

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Frases sobre est√©ril, poemas sobre est√©ril e outras passagens sobre est√©ril para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

As verdades descobertas pela inteligência são estéreis. Apenas o coração é capaz de fecundar os seus sonhos.

O Futuro de Portugal

O que calcula que seja o futuro da raça portuguesa?
‚ÄĒ O Quinto Imp√©rio. O futuro de Portugal ‚ÄĒ que n√£o calculo, mas sei ‚ÄĒ est√° escrito j√°, para quem saiba l√™-lo, nas trovas do Bandarra, e tamb√©m nas quadras de Nostradamus. Esse futuro √© sermos tudo. Quem, que seja portugu√™s, pode viver a estreiteza de uma s√≥ personalidade, de uma s√≥ na√ß√£o, de uma s√≥ f√©? Que portugu√™s verdadeiro pode, por exemplo, viver a estreiteza est√©ril do catolicismo, quando fora dele h√° que viver todos os protestantismos, todos os credos orientais, todos os paganismos mortos e vivos, fundindo-os portuguesmente no Paganismo Superior? N√£o queiramos que fora de n√≥s fique um √ļnico deus! Absorvamos os deuses todos! Conquistamos j√° o Mar: resta que conquistemos o C√©u, ficando a terra para os Outros, os eternamente Outros, os Outros de nascen√ßa, os europeus que n√£o s√£o europeus porque n√£o s√£o portugueses. Ser tudo, de todas as maneiras, porque a verdade n√£o pode estar em faltar ainda alguma cousa! Criemos assim o Paganismo Superior, o Polite√≠smo Supremo! Na eterna mentira de todos os deuses, s√≥ os deuses todos s√£o verdade.

Só os líderes de calibre e integridade especiais são capazes de ver os problemas básicos que nos afectam a todos, e tendem a evitar polémicas estéreis que limitam a visão de muitos activistas.

A Import√Ęncia da Arte

A arte √©, provavelmente, uma experi√™ncia in√ļtil; como a ¬ępaix√£o in√ļtil¬Ľ em que cristaliza o homem. Mas in√ļtil apenas como trag√©dia de que a humanidade beneficie; porque a arte √© a menos tr√°gica das ocupa√ß√Ķes, porque isso n√£o envolve uma moral objectiva. Mas se todos os artistas da terra parassem durante umas horas, deixassem de produzir uma ideia, um quadro, uma nota de m√ļsica, fazia-se um deserto extraordin√°rio. Acreditem que os teares paravam, tamb√©m, e as f√°bricas; as gares ficavam estranhamente vazias, as mulheres emudeciam. A arte √©, no entanto, uma coisa explosiva. Houve, e h√° decerto em qualquer lugar da terra, pessoas que se dedicam √† experi√™ncia in√ļtil que √© a arte, pessoas como Virg√≠lio, por exemplo, e que sabem que o seu sil√™ncio pode ser mortal. Se os poetas se calassem subitamente e s√≥ ficasse no ar o ru√≠do dos motores, porque at√© o vento se calava no fundo dos vales, penso que at√© as guerras se iam extinguindo, sem derrota e sem vit√≥ria, com a mansid√£o das coisas est√©reis. O la√ßo da fic√ß√£o, que gera a expectativa, √© mais forte do que todas as realidades acumul√°veis. Se ele se quebra, o equil√≠brio entre os seres sofre grave preju√≠zo.

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O Que Verdadeiramente Mata Portugal

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de ang√ļstia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, √© a desconfian√ßa. O povo, simples e bom, n√£o confia nos homens que hoje t√£o espectaculosamente est√£o meneando a p√ļrpura de ministros; os ministros n√£o confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores n√£o confiam nos seus mandat√°rios, porque lhes bradam em v√£o: ¬ęSede honrados¬Ľ, e v√™em-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposi√ß√£o n√£o confiam uns nos outros e v√£o para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de amea√ßa. Esta desconfian√ßa perp√©tua leva √† confus√£o e √† indiferen√ßa. O estado de expectativa e de demora cansa os esp√≠ritos. N√£o se pressentem solu√ß√Ķes nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discuss√Ķes aparatosas e sonoras; o pa√≠s, vendo os mesmos homens pisarem o solo pol√≠tico, os mesmos amea√ßos de fisco, a mesma gradativa decad√™ncia. A pol√≠tica, sem actos, sem factos, sem resultados, √© est√©ril e adormecedora.

Quando numa crise se protraem as discuss√Ķes, as an√°lises reflectidas, as lentas cogita√ß√Ķes, o povo n√£o tem garantias de melhoramento nem o pa√≠s esperan√ßas de salva√ß√£o.

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A Vulgar Que Passou

N√£o eras para os meus sonhos, n√£o eras para a minha vida,
nem para os meus cansaços perfumados de rosas,
nem para a impotência da minha raiva suicida,
n√£o eras a bela e doce, a bela e dolorosa.

N√£o eras para os meus sonhos, n√£o eras para os meus cantos,
não eras para o prestígio dos meus amargos prantos,
n√£o eras para a minha vida nem para a minha dor,
n√£o eras o fugitivo de todos os meus encantos.
N√£o merecias nada. Nem o meu √°spero desencanto
nem sequer o lume que pressentiu o Amor.

Bem feito, é muito bem feito que tenhas passado em vão
que a minha vida n√£o se tenha submetido ao teu olhar,
que aos antigos prantos se n√£o tenha juntado
a amargura dolente de um estéril chorar.

Tu eras para o imbecil que te quisesse um pouco.
(Oh! meus sonhos doces, oh meus sonhos loucos!)
Tu eras para um imbecil, para um qualquer
que n√£o tivesse nada dos meus sonhos, nada,
mas que te daria o prazer animal
o curto e bruto gozo do espasmo final.

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O Livro da Vida

Absorto, o S√°bio antigo, estranho a tudo, lia…
‚ÄĒ Lia o ¬ęLivro da Vida¬Ľ ‚ÄĒ heran√ßa inesperada,
Que ao nascer encontrou, quando os olhos abria
Ao primeiro clar√£o da primeira alvorada.

Perto dele caminha, em ruidoso tumulto,
Todo o humano tropel num clamor ululando,
Sem que de sobre o Livro erga o seu magro vulto,
Lentamente, e uma a uma, as suas folhas voltando.

Passa o Estio, a cantar; acumulam-se Invernos;
E ele sempre, ‚ÄĒ inclinada a dorida cabe√ßa,‚ÄĒ
A ler e a meditar postulados eternos,
Sem um fanal que o seu espírito esclareça!

Cada p√°gina abrange um est√°dio da Vida,
Cujo eterno segredo e alcance transcendente
Ele tenta arrancar da folha percorrida,
Como de mina obscura a pedra refulgente.

Mas o tempo caminha; os anos v√£o correndo;
Passam as gera√ß√Ķes; tudo √© p√≥, tudo √© v√£o…
E ele sem descansar, sempre o seu Livro lendo!
E sempre a mesma névoa, a mesma escuridão.

Nesse eterno cismar, nada vê, nada escuta:
Nem o tempo a dobrar os seus anos mais belos,
Nem o humano sofrer,

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O pensamento √© est√©ril, o sentimento in√ļtil; s√≥ do esfor√ßo e da vontade alguma coisa obscuramente fica.

O Homem Não é o Indivíduo

¬ęN√£o √© a arranhar interminavelmente o indiv√≠duo que acabamos por encontrar o homem¬Ľ – diz algu√©m em certo livro do Malraux. Nada, de facto, mais √ļtil que a separa√ß√£o dos dois conceitos, que tanto tendem a confundir-se, mormente hoje, em que tal confus√£o parece agravar-se. Com efeito, o ¬ęhomem¬Ľ n√£o √© o ¬ęindiv√≠duo¬Ľ, porque √© s√≥ do indiv√≠duo aquela parte que pode universalizar-se. E √© desta ideia que temos de partir para que um equ√≠voco se n√£o consuma, o equ√≠voco de um individualismo, de um pessoalismo restrito que a arte e o pensamento modernos parecem √† primeira vista aceitar.
Que estranho ¬ęeu¬Ľ √© pois este que de algum modo dir-se-ia predominar na filosofia e na literatura de hoje? Porque √© evidente que uma forte tend√™ncia da arte de hoje, do homem actual, apela para a comunicabilidade, para uma fraternidade, e n√£o para um est√©ril isolamento. Mas acontece que nesse apelo muitas vezes se esquece o que h√° a√≠ de mec√Ęnico, de superficial, de rela√ß√Ķes externas, imediatas, provis√≥rias, que nos n√£o satisfaz inteiramente. O homem que a√≠ fala √© o que se ensurdece a si pr√≥prio, √†s suas vozes profundas, aos avisos que se anunciam desde o limiar da solid√£o.

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Sem um Filho te Apagar√°s no Poente

A luz real ergueu-se a oriente
com a coroa de fogo na cabeça:
e o nosso olhar, vassalo obediente,
ajoelha ante a visão que recomeça.

Enquanto sobe, Sua Majestade,
a colina do céu a passos de oiro,
adoramos-lhe a adulta mocidade
que fulge com as chamas dum tesoiro.

Mas quando o carro fatigado alcança
o cume e se despenha pela tarde,
desviamos os olhos já sem esperança:

no crep√ļsculo est√©ril nada arde.
Assim tu, meio dia ainda ardente,
sem um filho te apagar√°s no poente.

Tradução de Carlos de Oliveira

Se uma mulher tem inclina√ß√Ķes eruditas √© porque, em geral, h√° algo de errado na sua sexualidade. A esterilidade predisp√Ķe a uma certa masculinidade do gosto; √© que o homem, com vossa licen√ßa, √© de facto ¬ęo animal est√©ril¬Ľ.

O Problema em Amar

O problema em amar quem te ama √© o de quem te ama te amar como tu amas quem te ama. E depois o encadeamento √© simples: quem te ama quer-te presente por dentro dele a toda a hora, por todo o lado do teu lado; e tu queres quem te ama presente em ti a toda a hora, por todo o lado do teu lado. Mas os corpos ‚Äď por mais que a alma n√£o seja palp√°vel tamb√©m ela tem um corpo ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. A partir de uma certa altura: p√°ra. E j√° n√£o alarga mais. E tu queres enfiar o espa√ßo que quem ama ocupa em ti mesmo ao lado do espa√ßo do que te amas. E n√£o d√°. N√£o d√° para te amares como amas quem amas. E depois quem te ama como tu amas quem te ama vai querer fazer o mesmo contigo. E n√£o d√°. Os corpos ‚Äď repito ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. E chega uma altura em que uma parte de ti n√£o cabe na parte toda de quem amas; e chega uma altura em que uma parte de quem amas n√£o cabe na parte toda de ti.

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Todos os homens fecundos da natureza se desenvolvem de uma maneira egoísta; o altruísmo humano, que não é egoísta, é estéril.

Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

A Inteligência e o Sentido Moral

A intelig√™ncia √© quase in√ļtil para aqueles que s√≥ a possuem a ela. O intelectual puro √© um ser incompleto, infeliz, pois √© incapaz de atingir aquilo que compreende. A capacidade de apreender as rela√ß√Ķes das coisas s√≥ √© fecunda quando associada a outras actividades, como o sentido moral, o sentido afectivo, a vontade, o racioc√≠nio, a imagina√ß√£o e uma certa for√ßa org√Ęnica. S√≥ √© utiliz√°vel √† custa de esfor√ßo.
Os detentores da ciência preparam-se longamente realizando um duro trabalho. Submetem-se a uma espécie de ascetismo. Sem o exercício da vontade, a inteligência mantém-se dispersa e estéril. Uma vez disciplinada, torna-se capaz de perseguir a verdade. Mas só a atinge plenamente se for ajudada pelo sentido moral. Os grandes cientistas têm sempre uma profunda honestidade intelectual. Seguem a realidade para onde quer que ela os conduza. Nunca procuram substituí-la pelos seus próprios desejos, nem ocultá-la quando se torna opressiva. O homem que quiser contemplar a verdade deve manter a calma dentro de si mesmo. O seu espírito deve ser como a água serena de um lago. As actividades afectivas, contudo, são indispensáveis ao progresso da inteligência. Mas devem reduzir-se a essa paixão que Pasteur chamava deus inteiror, o entusiasmo.

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Minha √Ārvore

Olha: √Č um tri√Ęngulo est√©ril de √≠nvia estrada!
Como que a erva tem dor… Roem-na amarguras
Talvez humanas, e entre rochas duras
Mostra ao Cosmos a face degradada!

Entre os pedrouços maus dessa morada
√Č que, √†s apalpadelas e √†s escuras,
H√£o de encontrar as gera√ß√Ķes futuras
Só, minha árvore humana desfolhada!

Mulher nenhuma afagar√° meu tronco!
Eu n√£o me abalarei, nem mesmo ao ronco
Do furac√£o que, r√°bido, remoinha…

Folhas e frutos, sobre a terra ardente
H√£o de encher outras √°rvores! Somente
Minha desgraça há de ficar sozinha!

Enquanto outros Combatem

Empunhasse eu a espada dos valentes!
Impelisse-me a acção, embriagado,
Por esses campos onde a Morte e o Fado
Dão a lei aos reis trémulos e ás gentes!

Respirariam meus pulm√Ķes contentes
O ar de fogo do circo ensanguentado…
Ou caíra radioso, amortalhado
Na fulva luz dos gl√°dios reluzentes!

J√° n√£o veria dissipar-se a aurora
De meus in√ļteis anos, sem uma hora
Viver mais que de sonhos e ansiedade!

J√° n√£o veria em minhas m√£os piedosas
Desfolhar-se, uma a uma, as tristes rosas
D’esta p√°lida e est√©ril mocidade!