Passagens sobre Estranhos

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Frases sobre estranhos, poemas sobre estranhos e outras passagens sobre estranhos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Amar e Ser Livre ao mesmo Tempo

Tudo o que posso dizer √© que estou louco por ti. Tentei escrever uma carta e n√£o consegui. Estou constantemente a escrever-te… Na minha cabe√ßa, e os dias passam, e eu imagino o que pensar√°s. Espero impacientemente por te ver. Falta tanto para ter√ßa-feira! E n√£o s√≥ ter√ßa-feira… Imagino quando poder√°s ficar uma noite… Quando te poderei ter durante mais tempo… Atormenta-me ver-te s√≥ por algumas horas e, depois, ter de abdicar de ti. Quando te vejo, tudo o que queria dizer desaparece… O tempo √© t√£o precioso e as palavras sup√©rfluas… Mas fazes-me t√£o feliz… porque eu consigo falar contigo. Adoro o teu brilhantismo, as tuas prepara√ß√Ķes para o voo, as tuas pernas como um torno, o calor no meio das tuas pernas. Sim, Anais, quero desmascarar-te. Sou demasiado galante contigo. Quero olhar para ti longa e ardentemente, pegar no teu vestido, acariciar-te, examinar-te. Sabes que tenho olhado escassamente para ti? Ainda h√° demasiado sagrado agarrado a ti.

A tua carta… Ah, estas moscas! Fazes-me sorrir. E fazes-me adorar-te tamb√©m. √Č verdade, n√£o te dou o devido valor. √Č verdade. Mas eu nunca disse que n√£o me d√°s o devido valor. Acho que deve haver um erro no teu ingl√™s.

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O Sono

√Č um bra√ßo magro de mulher, uns olhos espectrais
e brilhantes, uma cabe√ßa de esfinge, uma l√Ęmpada
que fumega. Talvez por os n√£o vermos, vejamos rios
que flamejam, jardins sepultos, um antepassado

desconhecido e cinzento que se derrama no quarto,
um portão esvoaçante, uma pequena fenda por onde
se vai até às nuvens nocturnas. Tudo o que
lá possa estar é tudo: a vassoura esquecida,

o rosto primordial da m√£e, uma torre de cad√°veres
ou um modesto banco de madeira onde deixaram
um vaso ver√≠dico de ger√Ęnios. Talvez um deus

v√≠treo, r√ļtilo ou, pintada de azul, uma virgem ocre
no cume de colina grega. Uma estranha m√ļsica soa
nas paredes, antes do exílio para onde nos leva o sono.

L√°pide

(com tema de Virgílio, o Latino,
e de Lino Pedra-Azul, o Sertanejo)

Quando eu morrer, n√£o soltem meu Cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,
com a Espora de ouro, até matá-lo.

Um dos meus filhos deve cavalg√°-lo
numa Sela de couro esverdeado,
que arraste pelo Ch√£o pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de cascos, sangue do Castanho,
talvez se finja o som de Ouro fundido

que, em v√£o ‚Äď Sangue insensato e vagabundo ‚ÄĒ
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!

Por mais estranho que isso possa parecer, as pessoas raramente mostram tanto entusiasmo como quando eles est√£o √† procura da prova de uma hist√≥ria fantasma – a alma re√ļne todo o tipo de coisas para o seu seio esfomeado.

Anima Mea

Estava a Morte ali, em pé, diante,
Sim, diante de mim, como serpente
Que dormisse na estrada e de repente
Se erguesse sob os pés do caminhante.

Era de ver a f√ļnebre bachante!
Que torvo olhar! que gesto de demente!
E eu disse-lhe: ¬ęQue buscas, impudente,
Loba faminta, pelo mundo errante?¬Ľ

‚ÄĒ N√£o temas, respondeu (e uma ironia
Sinistramente estranha, atroz e calma,
Lhe torceu cruelmente a boca fria).

Eu n√£o busco o teu corpo… Era um trof√©u
Glorioso de mais… Busco a tua alma ‚ÄĒ
Respondi-lhe: ¬ęA minha alma j√° morreu!¬Ľ

Diferente

Buscando o v√£o Ideal que me seduz,
Sem que o atinja me disperso e gasto,
E ansiosamente aos braços duma cruz
Ergo o perfil de iluminado e casto.

J√° tristemente desdenhoso afasto
O manto de burel dos ombros nus;
E a noite pisa a forma do meu rasto,
Se deixo atr√°s de mim passos de luz.

Na minha tez suave e nazarena,
Transparecem vislumbres dessa pena
Que Deus pelos estranhos h√† sentido…

E frio e calmo, a divergir da Raça,
Mal poiso os lábios no cristal da taça
Por onde as outras almas têm bebido!

Esta é a Forma Fêmea

Esta é a forma fêmea:
dos pés à cabeça dela exala um halo divino,
ela atrai com ardente
e irrecusável poder de atração,
eu me sinto sugado pelo seu respirar
como se eu n√£o fosse mais
que um indefeso vapor
e, a n√£o ser ela e eu, tudo se p√Ķe de lado
‚ÄĒ artes, letras, tempos, religi√Ķes,
o que na terra é sólido e visível,
e o que do céu se esperava
e do inferno se temia,
tudo termina:
estranhos filamentos e renovos
incontroláveis vêm à tona dela,
e a acção correspondente
é igualmente incontrolável;
cabelos, peitos, quadris,
curvas de pernas, displicentes m√£os caindo
todas difusas, e as minhas também difusas,
maré de influxo e influxo de maré,
carne de amor a inturgescer de dor
deliciosamente,
inesgotáveis jactos límpidos de amor
quentes e enormes, trémula geléia
de amor, alucinado
sopro e sumo em delírio;
noite de amor de noivo
certa e maciamente laborando
no amanhecer prostrado,
a ondular para o presto e proveitoso dia,
perdida na separação do dia
de carne doce e envolvente.

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Nunca me senti confortável comigo próprio como fazendo parte de uma maioria. Sempre me senti estranho e tímido, e de fora dos grandes momentos das vidas dos meus amigos.

Parafuso

Sabem-me o rosto,
sabem-me os pés,
sabem-me a roupa.

Viram-me nu,
viram-me inteiro
no corpo imóvel.

Mas só me sabem,
mas só me vêem,
mas só me enterram:

inexistente,
alheio e estranho,
entrado em mim.

O Perigo da Leitura Excessiva

Quando lemos, outra pessoa pensa por n√≥s: repetimos apenas o seu processo mental. Ocorre algo semelhante quando o estudante que est√° a aprender a escrever refaz com a pena as linhas tra√ßadas a l√°pis pelo professor. Sendo assim, na leitura, o trabalho de pensar √©-nos subtra√≠do em grande parte. Isso explica o sens√≠vel al√≠vio que experimentamos quando deixamos de nos ocupar com os nossos pensamentos para passar √† leitura. Por√©m, enquanto lemos, a nossa cabe√ßa, na realidade, n√£o passa de uma arena dos pensamentos alheios. E quando estes se v√£o, o que resta? Essa √© a raz√£o pela qual quem l√™ muito e durante quase o dia inteiro, mas repousa nos intervalos, passando o tempo sem pensar, pouco a pouco perde a capacidade de pensar por si mesmo – como algu√©m que sempre cavalga e acaba por desaprender a caminhar. Tal √© a situa√ß√£o de muitos eruditos: √† for√ßa de ler, estupidificaram-se. Pois ler constantemente, retomando a leitura a cada instante livre, paralisa o esp√≠rito mais do que o trabalho manual cont√≠nuo, visto que, na execu√ß√£o deste √ļltimo, √© poss√≠vel entregar-se aos seus pr√≥prios pensamentos.
No entanto, como uma mola que, pela press√£o constante acarretada por meio de um corpo estranho,

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Para começar a amar-se, esteja consciente do que sente, sem julgamento nem rejeição. A testemunha silenciosa, ou o Eu superior, é o observador interior, e trazer esta presença à sua fome emocional contribuirá para curar naturalmente esta mágoa. Pode parecer-lhe estranho que o facto de estar consciente sem emitir julgamentos possa curar a sua carência de amor, mas esta consciência é intrinsecamente tolerante, reconfortante e compassiva. Esta aceitação incondicional é realmente o amor que a sua fome emocional procura para se saciar.

Em Portugal Há um Julgamento Estranho da Modéstia

Acho que em Portugal há um julgamento estranho da modéstia. Batem-se palmas a quem basicamente diz que não é muito bom a fazer o que faz. E quando alguém diz que tem confiança no que faz, utiliza-se uma palavra pejorativa: arrogante. Eu claramente tenho confiança no que faço, e nesse aspecto não sou modesto. Agora, precisamente porque tenho essa confiança não me passa pela cabeça falar mal de alguém. Não por eu ser um coração maravilhoso, mas porque seria perder tempo precioso para aquilo que tenho de fazer.

Gonçalo M.

O Homem que Lê

Eu lia h√° muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas p√°ginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflex√£o
e em redor da minha leitura parava o tempo. ‚ÄĒ
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde… em todas elas.
N√£o olho ainda para fora, mas rasgam-se j√°
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Ent√£o sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. ‚ÄĒ
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que est√° disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos v√£o pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada ser√° estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;

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Limitou-se a esticar o braço para receber o cumprimento da mulher, como se só agora ela se tivesse lembrado de o fazer. Sentiu a mão dela na sua, tépida como um pequeno pássaro febril, e teve a estranha certeza de que não voltaria a partir.

Dizia te amo mais que tudo no meio do almoço, dizia no cinema, no supermercado, na frente dos outros; eu achava estranho ela dizer isso a toda hora, mas acabei por me acostumar.

…Era um daqueles homens que se tornam curiosos unicamente em raz√£o da sua longevidade, e que s√£o estranhos porque noutro tempo se pareceram com toda a gente e agora n√£o se parecem com ningu√©m.

O Desejo de Criar

Diotima: Qual √©, S√≥crates, na sua opini√£o, a causa deste amor, deste desejo? Voc√™ j√° observou em que estranha crise se encontram todos os animais, os que voam e os que marcham, quando s√£o tomados pelo desejo de procriar? Como ficam doentes e possu√≠dos de desejo, primeiro no momento de se ligarem, depois, quando se torna necess√°rio alimentar os filhos? (… ) Tanto no caso dos humanos como no dos animais, a natureza mortal busca, na medida do poss√≠vel, perpetuar-se e imortalizar-se. Apenas desse modo, por meio da procria√ß√£o, a natureza mortal √© capaz da imortalidade, deixando sempre um jovem no lugar do velho. [… ] Pois saiba, S√≥crates, que o mesmo vale para a ambi√ß√£o dos homens. Voc√™ ficar√° assombrado com a sua misteriosa irracionalidade, a n√£o ser que compreenda o que eu disse, e reflicta sobre o que se passa com eles quando s√£o tomados pela ambi√ß√£o e pelo desejo de gl√≥ria eterna. √Č pela fama, mais ainda que pelos seus filhos, que eles se disp√Ķem a encarar todos os riscos, suportar fadigas, esbanjar fortunas e at√© mesmo sacrificar as suas vidas. [… ] Aqueles cujo instinto criador √© f√≠sico recorrem de prefer√™ncia √†s mulheres e revelam o seu amor dessa maneira,

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