Passagens sobre Ganho

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O amor n√£o sup√Ķe reciprocidade. Amar √© dar-se por completo e aceitar tudo… n√£o se contabilizam ganhos e perdas, porque o seu maior ganho √© esse mesmo: perder-se. Entregar o corpo e o esp√≠rito, o passado e o futuro, a raz√£o e o cora√ß√£o… n√£o √© ser metade de qualquer coisa, √© dar-se inteiro em troca de nada.

O mundo novo n√£o ser√° ganho pelos que permanecem √† dist√Ęncia de bra√ßos cruzados, mas por aqueles que est√£o na arena, cuja roupa √© rasgada pelas tempestades e cujos corpos s√£o mutilados no decurso da contenda.

O Lucro de Um é Prejuízo de Outro

O ateniense Dêmades condenou um homem da sua cidade que tinha por ofício vender as coisas necessárias para os enterros, sob a alegação de que exigia um lucro excessivo e esse lucro não lhe podia vir sem a morte de muitas pessoas. Tal julgamento parece estar mal pronunciado, na medida em que não se obtém benefício algum a não ser com prejuízo de outrem, e que dessa maneira seria preciso condenar toda a espécie de ganho.
O mercador s√≥ faz bem os seus neg√≥cios por causa da devassid√£o dos jovens; o lavrador, pela carestia dos cereais; o arquitecto, pela ru√≠na das casas; os oficiais de justi√ßa, pelos processos e contendas dos homens; mesmo as honras e a actividade dos ministros da religi√£o prov√™m da nossa morte e dos nossos v√≠cios. Nenhum m√©dico se alegra com a sa√ļde mesmo dos seus amigos, diz o antigo c√≥mico grego, nem o soldado com a paz da sua cidade; e assim sucessivamente. E o que √© pior: cada um sonde dentro de si mesmo, e descobrir√° que a maioria dos nossos desejos √≠ntimos nascem e alimentam-se √†s expensas de outrem.
Considerando isso, veio-me à mente que nisso a natureza não contradiz a sua organização geral,

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O Espírito Desfaz a Ordem das Coisas

O esp√≠rito aprendeu que a beleza nos faz bons, maus, est√ļpidos ou sedutores. Disseca uma ovelha e um penitente e encontra em ambos humildade e paci√™ncia. Analisa uma subst√Ęncia e descobre que, tomada em grandes quantidades, pode ser um veneno, e em pequenas doses, um excitante. Sabe que a mucosa dos l√°bios tem afinidades com a do intestino, mas tamb√©m sabe que a humildade desses l√°bios tem afinidades com a humildade de tudo o que √© sagrado. O esp√≠rito desfaz a ordem das coisas, dissolve-as e volta a recomp√ī-las de forma diferente. O bem e o mal, o que est√° em cima e o que est√° em baixo n√£o s√£o para ele no√ß√Ķes de um relativismo c√©ptico, mas termos de uma fun√ß√£o, valores que dependem do contexto em que se encontram. Os s√©culos ensinaram-lhe que os v√≠cios se podem transformar em virtudes e as virtudes em v√≠cios, e conclui que, no essencial, s√≥ por in√©pcia se n√£o consegue fazer de um criminoso um homem √ļtil no tempo de uma vida. N√£o reconhece nada como l√≠cito ou il√≠cito, porque tudo pode ter uma qualidade gra√ßas √† qual um dia participar√° de um novo e grande sistema. Odeia secretamente como a morte tudo aquilo que se apresenta como se fosse definitivo,

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Os √önicos Casamentos Felizes

√Č evidente que os √ļnicos casamentos felizes s√£o os de conveni√™ncia, funcionam √†s mil maravilhas, sem conflitos, porque cada um sabe que a realiza√ß√£o das suas ambi√ß√Ķes depende da alian√ßa com o outro. D√° gosto ver como trabalham em equipa os casais que entenderam essa ideia (casamento = sociedade limitada). Desenvolvem-se como uma empresa, apoiando-se um ao outro sem hesitar, cada um deles especializado numa determinada atividade para obterem o m√°ximo rendimento do seu investimento, pois sabem que os ganhos de um beneficiar√£o os dois. As discuss√Ķes em p√ļblico, as desaven√ßas, os an√ļncios de separa√ß√£o fazem cair as a√ß√Ķes da bolsa social e prejudicam a economia dom√©stica, h√° que evitar toda essa merda que os jovens e alguns imbecis publicitam aos quatro ventos, sem se darem conta de que est√£o a desvalorizar-se. Acreditam no amor e no desamor, na trai√ß√£o e no ci√ļme, sem entenderem que, quando se mete de permeio isso a que os romances e as revistas cor-de-rosa chamam amor, est√° tudo fodido. √Č o fim da paz. Quando algu√©m te diz que te amar√° para sempre, a hist√≥ria j√° come√ßou a meter √°gua. O montanhista n√£o pode ficar eternamente parado no cume que conquistou. J√° alcan√ßou o topo.

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A Desvantagem da Sabedoria

A sua inteligência estorvava-o. Que podia esperar da sabedoria e das suas cinco propriedades?
Primeiro, ele saberia como tratar os problemas dif√≠ceis ligados √† conduta humana e ao sentido da vida. Mas isso n√£o era priorit√°rio para ningu√©m, iam ach√°-lo desalmado e p√īr-lhe toda a esp√©cie de obst√°culos pela frente.
Segundo, a sabedoria exprime uma qualidade superior do conhecimento. Antecipa a avalia√ß√£o das situa√ß√Ķes, por tudo e nada reanima a aten√ß√£o dos outros com os seus conselhos. Depressa √© tratada como importuna e ter√° que recuar ao abrigo da frivolidade.
Terceiro, a sabedoria √© moderada e v√™ as coisas em profundidade. √Č, portanto, inimiga do ju√≠zo f√°cil e das paix√Ķes que s√£o requestadas para dar emo√ß√£o √†s exist√™ncias f√ļteis e cinzentas.
Quarto, a sabedoria é exercida tendo em vista o bem-estar da humanidade. Tem, por isso, mau nome em qualquer publicidade que faz vender produtos de grande lucro, como a guerra, o amor e as máquinas.
Quinto, finalmente: a sabedoria é reconhecida como valor estável pela maioria da população, o que é nocivo para o envolvimento dessa mesma população em qualquer campanha, seja de poder ou de ganho de negócios.
Enfim, ele teria que formar-se e esquecer os seus sonhos de grandeza,

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√Č uma ideia tipicamente socialista considerar o ganho como um defeito. Eu penso que o verdadeiro defeito √© ter perdas.

Soneto XXVI

Fortuna ingrata, porque me persegues?
Apareces-me branda e logo foges,
D√°s-me um bem, porque dele me despojes,
Mostras-te liberal, só porque negues.

Para que só me deixes, só me segues,
Fazes-me mimos, só porque me enojes,
Se me levantas, é porque me arrojes,
Se me asseguras, é porque me entregues.

Vinga-te bem, Fortuna, que vingado
Estou assaz de ti, com te vingares,
Que todos dizem ser mal empregado.

Um bem me fazes sem o imaginares:
C’o Mundo, eu contra mim tenho apostado,
E assim ganho sempre c’os azares.

Pela meditação se ganha a sabedoria; pela falta de meditação se perde a sabedoria. Se o homem conhece este duplo caminho de ganho e perda, coloque-se naquele em que a sabedoria aumenta.

Depois das Elei√ß√Ķes

Depois de uma campanha eleitoral animada, a grande vantagem de qualquer elei√ß√£o democr√°tica √© a de o povo sair, finalmente, da sala de estar dos pol√≠ticos. √Č uma sensa√ß√£o de al√≠vio que alguns eleitos descrevem como semelhante ao momento em que uma dor intensa, por qualquer raz√£o obscura, termina.
(…) Depois de qualquer elei√ß√£o a sensa√ß√£o dos pol√≠ticos – quer tenham perdido quer tenham ganho – √© a de que o povo mais profundo acaba de entrar todo num comboio, dirigindo-se, compactamente, para uma terra distante. Esse povo voltar√° apenas, no mesmo comboio, nas semanas que antecedem a elei√ß√£o seguinte.
Esse intervalo temporal é indispensável para que o político tenha tempo para transformar, delicadamente, o ódio ou a indiferença em nova paixão genuína.

Gonçalo M.

Política de Interesse

Em Portugal n√£o h√° ci√™ncia de governar nem h√° ci√™ncia de organizar oposi√ß√£o. Falta igualmente a aptid√£o, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento pol√≠tico das na√ß√Ķes.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A pol√≠tica √© uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contradit√≥rias; ali dominam as m√°s paix√Ķes; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali h√° a posterga√ß√£o dos princ√≠pios e o desprezo dos sentimentos; ali h√° a abdica√ß√£o de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores √°speros; h√° a tristeza e a mis√©ria; dentro h√° a corrup√ß√£o, o patrono, o privil√©gio. A refrega √© dura; combate-se, atrai√ßoa-se, brada-se, foge-se, destr√≥i-se, corrompe-se. Todos os desperd√≠cios, todas as viol√™ncias, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
√Ä escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (…) todos querem penetrar na arena,

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Se um indivíduo recebe, por exemplo, 100 moedas e executa apenas um trabalho correspondente a 100 moedas, não há porquê receber aumento. Realizando um trabalho que vale 120 moedas é que ele terá sua capacidade reconhecida, e seu ganho será aumentado para 120 moedas. Aquele que vai baixando a qualidade do seu trabalho acaba sendo dispensado.

Saber Estar em Sociedade

O homem que n√£o tem mais do que o pr√≥prio valor necessita de ser excelente em grande n√ļmero de virtudes, tal como a pedra que n√£o √© preciosa necessita de ser revestida de metal; mas comummente acontece com a reputa√ß√£o o mesmo que com o lucro, se √© verdadeiro o prov√©rbio que diz: que com leves ganhos se fazem pesadas bolsas, porque estes s√£o frequentes, enquanto os grandes s√≥ chegam de vez em quando; assim, tamb√©m √© verdade que pequenas coisas ganham grande recomenda√ß√£o, porque s√£o de uso e de observa√ß√£o corrente, enquanto a ocasi√£o de manifestar grandes virtudes s√≥ √© dada nos dias-santos. Para adquirir boas maneiras basta apenas n√£o as desdenhar, porque, habituando-nos a observ√°-las nos outros, deixamos confiadamente operar em n√≥s a imita√ß√£o; pois se cuidarmos de as exprimir, perdem logo a sua gra√ßa, a qual √© serem naturais e desafectadas. O comportamento de cada homem deve ser como um verso, no qual todas as s√≠labas s√£o medidas. Como pode um homem ocupar-se de grandes assuntos, se quebra demasiado o seu esp√≠rito com mesquinhas observa√ß√Ķes? N√£o usar completamente de cerim√≥nias √© ensinar aos outros que n√£o as usem tamb√©m, e assim diminuir o respeito pr√≥prio; especialmente, n√£o devem ser omitidas perante estrangeiros e pessoas desconhecidas.

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A Vida

A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecis√£o, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o c√≠rculo das rela√ß√Ķes
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rect√Ęngulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da m√£o;

a vida que traz consigo as emo√ß√Ķes e os acasos,
a luz inexor√°vel das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas h√ļmidas
no gesso da memória;

a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.

(…) se n√£o √© vantajoso, nunca envie suas tropas; se n√£o lhe rende ganhos, nunca utilize seus homens; se n√£o √© uma situa√ß√£o perigosa, nunca lute uma batalha precipitada…

A √ļnica coisa boa em ter dinheiro √© que voc√™ n√£o precisa se preocupar com ele. Se eu gastar tudo hoje amanh√£ ganho mais. Isso n√£o importa. O que importa s√£o as pessoas que temos a nossa volta