Passagens sobre Historiadores

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A diferença entre um escritor e um historiador é esta: o primeiro diz mentiras de forma deliberada e pelo gozo de o fazer; o historiador diz mentiras e imagina está a dizer a verdade.

Cada um Usa a História da Forma que a Sente

A hist√≥ria pertence ao ser vivo por tr√™s raz√Ķes: porque ele √© activo e ambicioso; porque tem o gosto pela conserva√ß√£o e pela venera√ß√£o; porque sofre e tem necessidade de liberta√ß√£o. A essa rela√ß√£o tripla corresponde a forma tripla da hist√≥ria, na medida em que √© permitido distingui-las: hist√≥ria monumental, hist√≥ria tradicionalista, hist√≥ria cr√≠tica.
(…) Quando o homem que quer criar grandes coisas precisa do passado, usa a hist√≥ria monumental. Ao contr√°rio, aquele que quer perpetuar o que √© habitual e h√° muito venerado ocupa-se do passado mais como antiqu√°rio do que como historiador. Apenas aquele que a necessidade presente sufoca e quer a qualquer pre√ßo afastar o seu peso sente a necessidade de uma hist√≥ria cr√≠tica, isto √©, que julga e condena.

Renunciar à Sede de Poder

Quem n√£o conheceu a tenta√ß√£o de ser o primeiro na cidade nada compreender√° do jogo pol√≠tico, da vontade de submeter os outros para deles fazer objectos, nem adivinhar√° os elementos de que √© composta a arte do desprezo. A sede de poder, raros s√£o os que n√£o a tenham num grau ou noutro experimentado: √©-nos natural, e contudo, se a considerarmos melhor, assume todos os car√°cteres de um estado m√≥rbido do qual apenas nos curamos por acidente ou ent√£o por meio de um amadurecimento interior, aparentado com o que se operou em Carlos V quando, ao abdicar em Bruxelas, no topo da sua gl√≥ria, ensinou ao mundo que o excesso de cansa√ßo podia suscitar cenas t√£o admir√°veis como o excesso de coragem. Mas, anomalia ou maravilha, a ren√ļncia, desafio √†s nossas contantes, √† nossa identidade, sobrev√©m somente em momentos excepcionais, caso limite que satisfaz o fil√≥sofo e perturba profundamente o historiador.

O talento do historiador consiste em compor um conjunto verdadeiro com elementos que s√£o verdadeiros apenas pela metade.

O historiador e o poeta n√£o se distinguem um do outro pelo facto de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso. Diferem entre si, porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido.

O bom historiador escreve do passado, criticando o presente e projectando o futuro. Toda a história que vale é do futuro.

A Realidade Histórica é Equívoca e Inesgotável

O historiador pertence ao devir que descreve. Está situado após os acontecimentos, mas na mesma evolução. A ciência histórica é uma forma de consciência que uma comunidade toma de si mesma, um elemento da vida colectiva, como o conhecimento de si um aspecto da consciência pessoal, um dos factores do destino individual. Não é ela função simultaneamente da situação actual, que por definição muda com o tempo, e da vontade que anima o sábio, incapaz de se destacar de si mesmo e do seu objecto?
Mas, por outro lado, ao contr√°rio, o historiador busca penetrar a consci√™ncia de outrem. √Č, em rela√ß√£o ao ser hist√≥rico, o outro. Psic√≥logo, estratega ou fil√≥sofo, observa sempre do exterior. N√£o pode nem pensar o seu her√≥i, como este se pensa a si mesmo, nem ver a batalha como o general a viu ou viveu, nem compreender uma doutrina do mesmo modo que o criador.
Finalmente, quer se trate de interpretar um acto ou uma obra, devemos reconstu√≠-los conceptualmente. Ora n√≥s temos sempre de escolher entre m√ļltiplos sistemas, pois a ideia √© ao mesmo tempo imanente e transcendente √† vida: todos os monumentos existem por eles mesmos num universo espiritual, a l√≥gica jur√≠dica e econ√≥mica √© interna √† realidade social e superior √† consci√™ncia individual.

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O primeiro dever do historiador é não trair a verdade, não calar a verdade, não ser suspeito de parcialidades ou rancores.

Caminhamos Todos para a Eternidade

Influência da brevidade do tempo sobre os trabalhos dos homens: suponde que um astrónomo demonstrasse geometricamente que daqui a mil anos um planeta no seu percurso cortará a órbita terrestre precisamente no momento e no ponto em que a terra ali se encontrar e que a destruição da terra será a consequência dessa enorme colisão; o langor irá então apoderar-se de todas as actividades; não haverá mais ambição, monumentos, poetas, historiadores e talvez tampouco guerreiros ou guerras. Cada um cultivará o seu jardim e plantará as suas couves. Sem desconfiarmos, caminhamos todos para a eternidade.

Os críticos frequentemente são pessoas que teriam sido poetas, historiadores, biógrafos, etc., se tivessem podido; colocaram o seu talento à prova aqui e ali e não conseguiram. Sendo assim, tornaram-se críticos.

A Universalidade de uma Opini√£o

A universalidade de uma opinião, tomada seriamente, não constitui nem uma prova, nem um fundamento provável, da sua exactidão. Aqueles que a afirmam devem considerar que: 1) o distanciamento no tempo rouba a força comprobatória dessa universalidade; caso contrário, precisariam de evocar todos os antigos equívocos que alguma vez foram universalmente considerados verdade: por exemplo, estabelecer o sistema ptolemaico ou o catolicismo em todos os países protestantes; 2) o distanciamento no espaço tem o mesmo efeito: caso contrário, a universalidade de opinião entre os que confessam o budismo, o cristianismo e o islamismo os constrangerá.
O que então se chama de opinião geral é, a bem da verdade, a opinião de duas ou três pessoas; e disso nos convenceríamos se pudéssemos testemunhar como se forma tal opinião universalmente válida.
Achar√≠amos ent√£o que foram duas ou tr√™s pessoas a supor ou apresentar e a afirmar num primeiro momento, e que algu√©m teve a bondade de julgar que elas teriam verificado realmente a fundo tais coloca√ß√Ķes: o preconceito de que estes seriam suficientemente capazes induziu, em princ√≠pio, alguns a aceitar a mesma opini√£o: nestes, por sua vez, acreditaram muitos outros, aos quais a pr√≥pria indol√™ncia aconselhou: melhor acreditar logo do que fazer controles trabalhosos.

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A Libertação para a Individualidade

Esta liberta√ß√£o para a individualidade n√£o foi um grande sucesso. Para um historiador, tem todo o interesse. Mas para algu√©m consciente do sofrimento, √© pavoroso. Cora√ß√Ķes que n√£o encontram verdadeira gratifica√ß√£o, almas sem alimento. Falsidades, ilimitadas. Desejos, ilimitados. Possibilidades, ilimitadas. Exig√™ncias imposs√≠veis feitas a realidades complexas, ilimitadas. Regresso a formas de religiosidade grosseira e infantil, a mist√©rios, totalmente inconscientes, claro ‚ÄĒ espantoso. Orfismo, mitra√≠smo, manique√≠smo, gnosticismo.

. Sammler (discurso da personagem Sr. Sammler)’

A Maldade como Poderoso Elemento do Progresso Humano

Os sentimentos fixos e de forma constante qualificados de paix√Ķes constituem, tamb√©m, possantes factores de opini√Ķes, de cren√ßas e, por conseguinte, de conduta. Certas paix√Ķes contagiosas tornam-se, por esse motivo, facilmente colectivas. A sua ac√ß√£o √©, ent√£o, irresist√≠vel. Elas precipitaram muitos povos uns contra os outros nas diversas fases da hist√≥ria. As paix√Ķes podem excitar a nossa actividade, por√©m, alteram, as mais das vezes, a justeza das opini√Ķes, impedindo de ver as coisas como realmente s√£o e de compreender a sua g√©nese. Se nos livros de hist√≥ria s√£o abundantes os erros, √© porque, na maior parte dos casos, as paix√Ķes ditam a sua narrativa. N√£o se citaria, penso eu, um historiador que haja relatado imparcialmente a Revolu√ß√£o.
O papel das paix√Ķes √©, como vemos, muito consider√°vel nas nossas opini√Ķes e, por conseguinte, na g√©nese dos acontecimentos. N√£o s√£o, infelizmente, as mais recomend√°veis que t√™m exercido maior ac√ß√£o. Kant reconheceu a grande for√ßa social das piores paix√Ķes. A maldade √©, no seu ju√≠zo, um poderoso elemento do progresso humano. Parece, infelizmente, muito certo que, se os homens tivessem seguido o preceito do Evangelho ‚ÄúAmai-vos uns aos outros‚ÄĚ, ao inv√©s de obedecerem ao da Natureza, que os incita a se destru√≠rem mutuamente,

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Para mim, o romancista é o historiador do presente, enquanto o historiador é o romancista do passado.

Crítica Efémera

Por muito alto que nos coloquemos para julgar a nossa época, nunca será tão alto como o historiador futuro; a montanha onde pensamos fazer o nosso ninho de águia não passará para ele dum ninho de toupeira; a sentença que demos à nossa época figurará entre as peças do nosso processo. Em vão tentaremos ser o nosso próprio historiador: o próprio historiador é personagem histórica. Devemos concentrar-nos em fazer a nossa história às cegas, dia a dia, escolhendo entre todos os partidos aquele que nos parecer ser presentemente o melhor; mas nunca poderemos tomar para com ela os ares altivos que fizeram a fortuna de Taine e Michelet; nós estamos dentro dela. O mesmo acontece com o crítico: é em vão que inveja o historiador das ideias.