Passagens sobre InocĂȘncia

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Passarei a minha vida a provocar as confidĂȘncias dos loucos. SĂŁo pessoas de uma honestidade escrupulosa e cuja inocĂȘncia sĂł encontra um igual em mim.

O PrestĂ­gio da Poesia

O prestĂ­gio da poesia Ă© menos ela nĂŁo acabar nunca do que propriamente começar. É um inĂ­cio perene, nunca uma chegada seja ao que for. E ficamos estendidos nas camas, enfrentando a perturbada imagem da nossa imagem, assim, olhados pelas coisas que olhamos. Aprendemos entĂŁo certas astĂșcias, por exemplo: Ă© preciso apanhar a ocasional distracção das coisas, e desaparecer; fugir para o outro lado, onde elas nem suspeitam da nossa consciĂȘncia; e apanhĂĄ-las quando fecham as pĂĄlpebras, um momento, rĂĄpidas, e rapidamente pĂŽ-las sob o nosso senhorio, apanhar as coisas durante a sua fortuita distracção, um interregno, um instante oblĂ­quo, e enriquecer e intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas. TambĂ©m roubĂĄmos a cara chamejante aos espelhos, roubĂĄmos Ă  noite e ao dia as suas inextricĂĄveis imagens, roubĂĄmos a vida prĂłpria Ă  vida geral, e fomos conduzidos por esse roubo a um equĂ­voco: a condenação ou condanação de inquilinos da irrealidade absoluta. O que excede a insolvĂȘncia biogrĂĄfica: com os nomes, as coisas, os sĂ­tios, as horas, a medida pequena de como se respira, a morte que se nĂŁo refuta com nenhum verbo, nenhum argumento, nenhum latrocĂ­nio.
Vivemos demoniacamente toda a nossa inocĂȘncia.

Corpo

corpo
que te seja leve o peso das estrelas
e de tua boca irrompa a inocĂȘncia nua
dum lĂ­rio cujo caule se estende e
ramifica para lĂĄ dos alicerces da casa

abre a janela debruça-te
deixa que o mar inunde os ĂłrgĂŁos do corpo
espalha lume na ponta dos dedos e toca
ao de leve aquilo que deve ser preservado

mas olho para as mĂŁos e leio
o que o vento norte escreveu sobre as dunas

levanto-me do fundo de ti humilde lama
e num soluço da respiração sei que estou vivo
sou o centro sĂ­smico do mundo

A Fonte da Harmonia

A boa disposição e a alegria de um cĂŁo, o seu amor incondicional pela vida e a prontidĂŁo dele para a celebrar a todo o momento contrasta muito com o estado de espĂ­rito do dono – deprimido, ansioso, sobrecarregado de problemas, perdido em pensamentos, ausente do Ășnico lugar e do Ășnico tempo que existe: o Aqui e o Agora. E uma pessoa interroga-se: vivendo com alguĂ©m assim, como consegue o cĂŁo manter-se tĂŁo equilibrado e sĂŁo, tĂŁo cheio de alegria?

Quando apreendemos a Natureza apenas atravĂ©s da mente, do pensamento, nĂŁo somos capazes de sentir a sua força de viver e de existir. Vemos somente a parte fĂ­sica, a matĂ©ria, e nĂŁo nos apercebemos da vida interior – o mistĂ©rio sagrado. O pensamento reduz a Natureza a uma mercadoria que se usa na busca de benefĂ­cios ou de conhecimento ou de qualquer outro fim utilitĂĄrio. A floresta ancestral passa a ser vista apenas como madeira, o pĂĄssaro como um objecto de investigação, a montanha como alguma coisa para se explorar ou conquistar.

Quando se apreende a Natureza, deve-se permitir que hajam momentos sem pensamento, sem a intervenção da mente. Ao aproximarmo-nos da Natureza desta maneira, ela responde-nos e,

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NĂŁo se faz arte com bons sentimentos. Mas com os maus tambĂ©m nĂŁo. Porque quando se entra em arte, a moral fica Ă  porta e sĂł entra nela a inocĂȘncia que se ignora.

NĂŁo podemos afirmar a inocĂȘncia de ninguĂ©m, ao passo que podemos afirmar com segurança a culpabilidade de todos. Cada homem Ă© testemunha do crime de todos os outros, eis a minha fĂ© e a minha esperança.

Sabedoria I, III

Que dizes, viajante, de estaçÔes, países?
Colheste ao menos tédio, jå que estå maduro,
Tu, que vejo a fumar charutos infelizes,
Projectando uma sombra absurda contra o muro?

Também o olhar estå morto desde as aventuras,
Tens sempre a mesma cara e teu luto Ă© igual:
Como através dos mastros se vislumbra a lua,
Como o antigo mar sob o mais jovem sol,

Ou como um cemitĂ©rio de tĂșmulos recentes.
Mas fala-nos, vĂĄ lĂĄ, de histĂłrias pressentidas,
Dessas desilusÔes choradas plas correntes,
Dos nojos como insípidos recém-nascidos.

Fala da luz de gĂĄs, das mulheres, do infinito
Horror do mal, do feio em todos os caminhos
E fala-nos do Amor e também da Política
Com o sangue desonrado em mĂŁos sujas de tinta.

E sobretudo não te esqueças de ti mesmo,
Arrastando a fraqueza e a simplicidade
Em lugares onde hĂĄ lutas e amores, a esmo,
De maneira tĂŁo triste e louca, na verdade!

Foi jĂĄ bem castigada essa inocĂȘncia grave?
Que achas? É duro o homem; e a mulher? E os choros,
Quem os bebeu?

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A InocĂȘncia

Caminhando no mundo vai segura
A InocĂȘncia, com grave firme passo.
Sem temor de cair no infame laço
Que arma a traidora mĂŁo, a mĂŁo perjura.

Como nĂŁo obra mal, nem mal procura
Para os seus semelhantes, corre o espaço
Sem lança, sem arnĂȘs, sem peito de aço,
Armada sĂł de consciĂȘncia pura.

Pois que ofensa nĂŁo faz, nĂŁo teme ofensa
E por isso passeia, satisfeita,
Sem as feras temer na selva densa.

TraiçÔes, ódios, vinganças não espreita.
Certa no bem que faz, sĂł nele pensa:
Quem remorsos nĂŁo tem, mal nĂŁo suspeita.

O Significado do Amor

Eu pensava que conhecia o significado do amor. O amor Ă© o sangue do sol dentro do sol. A inocĂȘncia repetida mil vezes na vontade sincera de desejar que o cĂ©u compreenda. Levantam-se tempestades frĂĄgeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. O amor Ă© a luz do sol a beber a voz doce dessa planta. Algo dentro de qualquer coisa profunda.

O amor Ă© o sentido de todas as palavras impossĂ­veis. Atravessar o interior de uma montanha. Correr pelas horas originais do mundo. O amor Ă© a paz fresca e a combustĂŁo de um incĂȘndio dentro, dentro, dentro, dentro, dentro dos dias. Em cada instante de manhĂŁ, o cĂ©u a deslizar como um rio. A tarde, o sol como uma certeza. O amor Ă© feito de claridade e da seiva das rochas. O amor Ă© feito de mar, de ondas na distĂąncia do oceano e de areia eterna. O amor Ă© feito de tantas coisas opostas e verdadeiras. Nascem lugares para o amor e, nesses jardins etĂ©reos, a salvação Ă© uma brisa que cai sobre o rosto suavemente.

Eu acreditava mesmo que o amor Ă© o sangue do sol dentro do sol.

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A Luz do Teu Amor

Oh! Sim que Ă©s linda! a inocĂȘncia
Em tua fronte serena
Com tal doçura reluz!…
Tanta e tanta… que a açucena
TĂŁo esplĂȘndida a existĂȘncia
NĂŁo lha doura assim Ă  luz!
Oh! que Ă©s linda, e mais… e mais
Quando um traço melancólico
Te diviso no semblante
Nos teus olhos virginais!
Que doçura não existe
Ai! Ăł virgem, nesse instante
Na poética beleza
Desse traço de tristeza
Que te vem tornar mais bela
Mal em teu rosto pousou!
E eu te quero assim, Ăł estrela,
Que se inspira em mim a crença
Triste… triste, que Ă©s mais linda,
Mas dessa beleza infinda
Das ficçÔes da renascença
Que a poesia perfumou!

Fita agora os olhos lĂąnguidos
Na estrela que te ilumina,
Eu nĂŁo sei que luz divina
De amor nos fala em teu rosto!
Eu nĂŁo sei, nem tu… ninguĂ©m!…
Que a vaga luz do sol posto,
Que a palidez da cecém,
Que a meiguice dos amores,
E que o perfume das flores
NĂŁo respiram a harmonia
Desse toque leve…

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A Escola Portuguesa

Eis as crianças vermelhas
Na sua hedionda prisĂŁo:
Doirado enxame de abelhas!
O mestre-escola Ă© o zangĂŁo.

Em duros bancos de pinho
Senta-se a turba sonora
Dos corpos feitos de arminho,
Das almas feitas d’aurora.

Soletram versos e prosas
HorrĂ­veis; contudo, ao lĂȘ-las
Daquelas bocas de rosas
Saem murmĂșrios de estrela.

Contemplam de quando em quando,
E com inveja, Senhor!
As andorinhas passando
Do azul no livre esplendor.

Oh, que existĂȘncia doirada
LĂĄ cima, no azul, na glĂłria,
Sem cartilhas, sem tabuada,
Sem mestre e sem palmatĂłria!

E como os dias sĂŁo longos
Nestas prisÔes sepulcrais!
Abrem a boca os ditongos,
E as cifras tristes dĂŁo ais!

Desgraçadas toutinegras,
Que insuportĂĄveis martĂ­rios!
JoĂŁo FĂ©lix co’as unhas negras,
Mostrando as vogais aos lĂ­rios!

Como querem que despontem
Os frutos na escola aldeĂŁ,
Se o nome do mestre Ă© — Ontem
E o do discĂ­p’lo — AmanhĂŁ!

Como Ă© que hĂĄ-de na campina
Surgir o trigal maduro,
Se Ă© o Passado quem ensina
O b a ba ao Futuro!

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Se o dinheiro serve para alguma coisa, Ă© sem dĂșvida para comprar inocĂȘncia aos filhos. Nada mais. A vantagem nĂŁo Ă© pequena. Tira-te do reino animal e introduz-te no reino moral.

A Mentira

Porque Ă© que, na maior parte das vezes, os homens na vida quotidiana dizem a verdade? Certamente, nĂŁo porque um deus proibiu mentir. Mas sim, em primeiro lugar, porque Ă© mais cĂłmodo, pois a mentira exige invenção, dissimulação e memĂłria. Por isso Swift diz: «Quem conta uma mentira raramente se apercebe do pesado fardo que toma sobre si; Ă© que, para manter uma mentira, tem de inventar outras vinte». Em seguida, porque, em circunstĂąncias simples, Ă© vantajoso dizer directamente: quero isto, fiz aquilo, e outras coisas parecidas; portanto, porque a via da obrigação e da autoridade Ă© mais segura que a do ardil. Se uma criança, porĂ©m, tiver sido educada em circunstĂąncias domĂ©sticas complicadas, entĂŁo maneja a mentira com a mesma naturalidade e diz, involuntariamente, sempre aquilo que corresponde ao seu interesse; um sentido da verdade, uma repugnĂąncia ante a mentira em si, sĂŁo-lhe completamente estranhos e inacessĂ­veis, e, portanto, ela mente com toda a inocĂȘncia.

A Verdadeira Liberdade

A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicçÔes.
Ser dono de si mesmo sem influĂȘncia de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!

A liberdade do vagar, do pensamento sĂŁo, do amor Ă s coisas naturais
A liberdade de amar a moral que Ă© preciso dar Ă  vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristĂŁ da minha infĂąncia que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim…
A liberdade, a lucidez, o raciocĂ­nio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referĂȘncia a coisa nenhuma
E beber ĂĄgua como se fosse todos os vinhos do mundo!

Passos todos passinhos de criança…
Sorriso da velha bondosa…
Apertar da mĂŁo do amigo [sĂ©rio?]…
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!

Ah, tenho uma sede sĂŁ.

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A ideia mais natural para o homem, a que lhe surge ingenuamente, como no fundo de sua natureza, Ă© a ideia de sua inocĂȘncia.

Ordena Amor que Morra, e Pene Juntamente

Como fizeste, Ăł Porcia, tal ferida?
Foi voluntĂĄria, ou foi por inocĂȘncia?
É que Amor fazer sĂł quis experiĂȘncia
Se podia eu sofrer, tirar-me a vida?

E com teu prĂłprio sangue te convida
A que faças Ă  morte resistĂȘncia?
É que costume faço da paciĂȘncia,
Porque o temor morrer me nĂŁo impida.

Pois porque estĂĄs comendo com fogo ardente,
Se a ferro te costumas? É que ordena
Amor que morra, e pene juntamente.

E tens a dor do ferro por pequena?
Si, que a dor costumada nĂŁo se sente,
E nĂŁo quero eu a morte sem a pena.

O Paradoxo da Leitura

O sĂĄbio lĂȘ livros, mas lĂȘ tambĂ©m a vida. O universo Ă© um grande livro e a vida Ă© uma grande escola.
(…) Quanto mais leio mais ignorante fico. A escolha que hoje se depara a qualquer homem educado Ă© entre a inocĂȘncia que nĂŁo lĂȘ e a ignorĂąncia que lĂȘ muito.
(…) É possĂ­vel sustentar com alguma aparĂȘncia de exactidĂŁo que a imprensa de hoje mata a leitura e a leitura mata o pensamento.