Cita√ß√Ķes sobre Interroga√ß√£o

31 resultados
Frases sobre interroga√ß√£o, poemas sobre interroga√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre interroga√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Pergunta e Interrogação

Uma pergunta não interroga: uma pergunta diz a resposta. Porque uma pergunta está do lado do problema a resolver, do ainda simplesmente desconhecido; e a interrogação está do lado do insondável. A pergunta desenvolve-se na clara horizontalidade; a interrogação, na obscura verticalidade.
Como em jogo de cabra-cega, em que h√° seres √† nossa volta, a pergunta orienta-se entre os que lhe n√£o pertencem at√© achar o que procura. Mas a interroga√ß√£o n√£o encontra, porque nada h√° para achar. O limite da sua esperan√ßa est√° menos no triunfo de um encontro, do que no cansa√ßo, na resigna√ß√£o, ou na evid√™ncia natural do que nos coube, como nos √© evidente e tranquilo o termos cinco sentidos e n√£o mais. Mas at√© l√° o caminho √© longo e inimagin√°vel na imobilidade desta noite. Verdadeiramente √© √ļnica a sorte que nos visitou. Legaram-nos a tradi√ß√£o da pergunta-e-resposta como o passatempo de um jogo. Porque at√© mesmo o interrogar degenerou depressa em pergunta.

O prazer da reflex√£o deriva duma condi√ß√£o que se presume essencialmente masculina, a da interroga√ß√£o. O homem interroga, a mulher escolhe. Isto estabelece a m√ļtua depend√™ncia dos sexos.

O que é Portugal?

Que √©, ou quem √©, Portugal? Uma Cultura? Uma Hist√≥ria? Um Adormecido Inquieto? Por que √© que, quando se fala de Portugal, sempre h√£o-de ser invocadas a sua hist√≥ria e a sua cultura? Se estivermos a falar de outro pa√≠s, a hist√≥ria e a cultura dele s√≥ ser√£o chamadas √† conversa se forem esses os temas em debate. Talvez que esta necessidade de apelarmos constantemente para a hist√≥ria e para a cultura portuguesas provenha de um certo car√°cter inconclusivo (n√£o no sentido que sempre ser√° o de um qualquer processo cont√≠nuo, mas no sentido de uma permanente ¬ęsuspens√£o¬Ľ) que ambas parecem apresentar. Da hist√≥ria de Portugal sempre nos d√° vontade de perguntar: porqu√™? Da cultura portuguesa: para qu√™? De Portugal, ele pr√≥prio: para quando? Ou: at√© quando? Se estas interroga√ß√Ķes n√£o s√£o gratuitas, se, pelo contr√°rio, exprimem, como creio, um sentimento de perplexidade nacional, ent√£o os nossos problemas s√£o muito s√©rios.

As Perguntas Verdadeiramente Importantes

As perguntas verdadeiramente importantes s√£o as que uma crian√ßa pode formular – e apenas essas. S√≥ as perguntas mais ing√©nuas s√£o realmente perguntas importantes. S√£o as interroga√ß√Ķes para as quais n√£o h√° resposta. Uma pergunta para a qual n√£o h√° resposta √© um obst√°culo para l√° do qual n√£o se pode passar. Ou, por outras palavras: s√£o precisamente as perguntas para as quais n√£o h√° resposta que marcam os limites das possibilidades humanas e tra√ßam as fronteiras da nossa exist√™ncia.

O amor é uma interrogação contínua. Não conheço melhor definição de amor.

Deixa cair as tuas interroga√ß√Ķes sobre o que o amanh√£ te pode trazer, e considera como um lucro cada dia que o Destino te d√°.

Literatura Eterna ou Temporal

Penso eu que a literatura pode responder a interroga√ß√Ķes, pode tentar responder-lhes, pode simplesmente p√ī-las e pode nem sequer p√ī-las. H√° a contar com a variedade dos temperamentos liter√°rios. Coisa dif√≠cil, sei-o por experi√™ncia pr√≥pria, embora deva estar na base de qualquer atitude cr√≠tica. Aceitemos, por√©m, que toda a grande literatura p√Ķe interroga√ß√Ķes, e lhes procura resposta. Pergunto: N√£o poder√° admitir-se que seja antes √†s interroga√ß√Ķes eternas do homem eterno que a literatura procura responder? N√£o envelhecer√° uma obra de arte precisamente na medida em que s√≥ responde √†s inquieta√ß√Ķes de uma √©poca? E n√£o perdurar√° na medida em que, atrav√©s, ou n√£o, de respostas provis√≥rias a interroga√ß√Ķes provis√≥rias, sugere uma resposta eterna a interroga√ß√Ķes eternas, exprime inquieta√ß√Ķes eternas embora de forma pessoal?
Entendamo-nos: H√° quem, no homem, antes considere o homem eterno, e quem antes considere o homem temporal. O leitor compreende que chamo homem eterno ao que, no homem, permanece atrav√©s da diversidade das √©pocas, dos meios, das circunst√Ęncias hist√≥ricas, das modalidades individuais; e que chamo homem temporal ao que nele depende destas coisas. Evidentemente, o homem que atrav√©s da literatura se nos revela √©, ao mesmo tempo, um e outro: o temporal e o eterno. Mas a quest√£o √© esta: Ser√° antes pelo que nos revela do homem temporal que uma obra dura por humana –

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A arte sempre foi isto Рinterrogação pura, questão retórica sem a retórica Рembora se diga que aparece pela realidade social.

A Escrita é o Desconhecido

A escrita é o desconhecido. Antes de escrever não sabemos nada acerca do que vamos escrever. Com toda a lucidez.
√Č o desconhecido de n√≥s mesmos, da nossa cabe√ßa, do nosso corpo. N√£o √© sequer uma reflex√£o, escrever √© uma esp√©cie de faculdade que temos ao lado da nossa pessoa, paralelamente a ela, de uma outra pessoa que aparece e que avan√ßa, invis√≠vel, dotada de pensamento, de c√≥lera, e que, por vezes, pelos seus pr√≥prios factos, est√° em perigo de perder a vida.
Se soubéssemos alguma coisa do que vamos escrever, antes de o fazer, antes de escrever, nunca escreveríamos. Não valeria a pena.
Escrever é tentar saber aquilo que escreveríamos se escrevêssemos Рsó o sabemos depois Рantes, é a interrogação mais perigosa que nos podemos fazer. Mas é também a mais corrente.

Algumas Horas Outras

1

algumas horas outras invadiram as sedas, os perfumes
ácidos da louça, não serão recordadas, ou quanto mais
as recordarmos, mais a ignor√Ęncia deitar√°
os corpos no tapume de vidros, para que em torno
se conciliem as vontades singulares, as
particularidades de um impetuoso alarme.
ou seja: deixarão as esplanadas baças, os garfos
encolhidos, para que um amplo destino os atravesse.
considerem, por exemplo, o paquete que ao meio-dia
igere as minuciosas palmeiras sobre a
alta insensatez dos aquedutos. ou ainda
a ilus√£o dos alicates ao lado da √°gua, e o seu reflexo
do outro lado das vidraças: azul, não é?
assim estas algumas outras horas: como esquecê-las?

2

e ainda o sossego das interroga√ß√Ķes n√£o se deixa
facilmente esborratar, ou a qualidade
das tintas, assim no meio do lençol,
o impediu até agora. algumas
s√£o as horas do vasto almofad√£o transl√ļcido
onde as janelas germinaram, e s√£o
as solenes sardinheiras ardidas
na boca do in√≠cio. so√ßobrando a m√ļsica
produzimos os locais inamovíveis, as persianas
corridas sobre o papel meticuloso das suas
amenas enseadas.

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Balada de Sempre

Espero a tua vinda
a tua vinda,
em dia de lua cheia.

Debruço-me sobre a noite
a ver a lua a crescer, a crescer…

Espero o momento da chegada
com os cansa√ßos e os ardores de todas as chegadas…

Rasgar√°s nuvens de ruas densas,
Alagarás vielas de bêbados transformadores.
Saltar√°s ribeiros, mares, relevos…
– A tua alma n√£o morre
aos medos e às sombras!-

Mas…,
Enquanto deixo a janela aberta
para entrares,
o mar,
aí além,
sempre duvidoso,
desenha interroga√ß√Ķes na areia molhada…

Os que Morrem por Amor

Os que morrem por amor continuam a pertencer √† lenda. Os seus funerais arrastam uma multid√£o piedosa, tal como decerto aconteceu na cidade de Verona, h√° seiscentos anos. Ainda que nesse tempo os costumes fossem bastante f√°ceis, a pr√°tica er√≥tica da juventude era muito mais modesta. Reflectindo melhor, √© de crer que a pr√≥pria licen√ßa produzisse um tipo de pessoas orgulhosas da sua intimidade afectiva; o que, se n√£o √© virtude, algo se parece. Este orgulho da pr√≥pria intimidade conduz a uma atitude hostil em rela√ß√£o a tudo o que pode burocratizar os sentimentos. H√° um soci√≥logo inclinado a crer que existe muito de romantismo burocr√°tico no amor moderno. √Č poss√≠vel. E quando aparecem os contestat√°rios dessa esp√©cie de burocracia, como s√£o os Romeus e Julietas do Candal, a cidade fica-lhes agradecida. No campo dos afectos trata-se da luta obstinada que resulta do choque entre a vida privada e o regime governativo; entre um corpo animado de impulsos e uma autoridade explicada por leis. Atrav√©s de inqu√©ritos feitos nos meios juvenis para inquirir das transforma√ß√Ķes que se efectuam no √Ęmbito das rela√ß√Ķes afectivas, deparam-se declara√ß√Ķes bastante confusas. Elas pairam entre uma sinceridade elementar que descura a experi√™ncia e teorias perfeitamente viciadas nos lugares-comuns do s√©culo.

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A Import√Ęncia de Dostoievski na Literatura

Os dois grandes monumentos do romance que o século passado (XIX) nos legou, ou seja aqueles em que poderemos reconhecer-nos, foram os erguidos por Tolstoi e por Dostoievski. Mas se a lição do primeiro foi facilmente assimilada, a do segundo levou tempo Рe tanto, que só hoje acabámos de entendê-la bem. Significa isto que Tolstoi, com incidências menores de moralização, continua um Balzac, é bem do século XIX. E foi por se pretender à força ligar a esse século também um Dostoievski que ele só tarde se nos revelou, para dominar ainda hoje, diga-se o que se disser, todo o romance europeu. Para usar uma expressão que já usei, não com inteira originalidade, e a que a crítica me ligou, direi que Tolstoi continua o romance-espectáculo e que Dostoievski inaugura o romance-problema.

Dir-se-ia, e com razão, que todo o romance é problema e espectáculo, já que o espectáculo resiste num romance de Kafka ou Dostoievski, e o problema implicita-se numa qualquer narrativa, nem que seja o Amadis de Gaula. Mas é tão visível a deslocação do acento na obra de Dostoievski, que ela foi defendida, para existir, pelo que lhe é inessencial (como por um Brunetière e recentemente um Ernst Fischer,

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A vida √© a hesita√ß√£o entre uma exclama√ß√£o e uma interroga√ß√£o. Na d√ļvida, h√° um ponto final.