Cita√ß√Ķes sobre Mil√©nio

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Frases sobre mil√©nio, poemas sobre mil√©nio e outras cita√ß√Ķes sobre mil√©nio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Alimentar-me de Ti

De alimentar-me de Ti como Jonas do ventre da baleia
De inserir-me em teus braços chicoteados de infinitos horizontes
De beijar-Te o rosto como a uma chaga de luz
De amar-Te de um amor qual nunca amado
Na humana carne em que temer√°rio confio
Por uma humanidade possível que o impossível não desmente
Aceito inscrever-me a fogo no teu Rosto
E ser vomitado ao fim do terceiro dia
Na cruz de sol de todos os milénios futuros

A Comunidade Europeia Vai Ser um Logro

As primeiras d√©cadas do pr√≥ximo mil√©nio ser√£o terr√≠veis. Mis√©ria, fome, corrup√ß√£o, desemprego, viol√™ncia, abater-se-√£o aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Servi√ßo Nacional de Sa√ļde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independ√™ncia nacional sofrer√£o grav√≠ssimas rupturas. Abandonados, os idosos v√£o definhar, morrer, por falta de assist√™ncia e de comida. Espoliada, a classe m√©dia declinar√°, s√≥ haver√° muito ricos e muito pobres. A indiferen√ßa que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o inc√™ndio das florestas √© uma antecipa√ß√£o disso, de outras derrocadas a vir.

O importante é a lembrança dos erros, que nos permite não cometer sempre os mesmos. O verdadeiro tesouro do homem é o tesouro dos seus erros, a larga experiência vital decantada por milénios, gota a gota.

Deus está morto: mas, considerando o estado em que se encontra a espécie humana, talvez ainda por um milénio existirão grutas em que se mostrará a sua sombra.

Temos de Ser Mais Humanos

Abram os olhos. Somos umas bestas. No mau sentido. Somos primitivos. Somos prim√°rios. Por nossa causa corre um oceano de sangue todos os dias. N√£o √© auscultando todos os nossos instintos ou encorajando a nossa natureza biol√≥gica a manifestar-se que conseguiremos afastar-nos da crueza da nossa condi√ß√£o. √Č lendo Plat√£o. E construindo pontes suspensas. √Č tendo ins√≥nias. √Č desenvolvendo paran√≥ias, conceitos filos√≥ficos, poemas, desequil√≠brios neuroqu√≠micos insan√°veis, frisos de portas, birras de amor, grafismos, sistemas pol√≠ticos, receitas de bacalhau, pormenores.

√Č engra√ßado como cada √©poca se foi considerando ¬ęde charneira¬Ľ ao longo da hist√≥ria. A pretens√£o de se ser definitivo, a arrog√Ęncia de ser ¬ęo √ļltimo¬Ľ, a vaidade de se ser futuro √©, h√° mil√©nios, a mesm√≠ssima cantiga.
Temos de ser mais humanos. Reconhecer que somos as bestas que somos e arrependermo-nos disso. Temos de nos reduzir à nossa miserável insensibilidade, à pobreza dos nossos meios de entendimento e explicação, à brutalidade imperdoável dos nossos actos. O nosso pé foge-nos para o chinelo porque ainda não se acostumou a prender-se aos troncos das árvores, quanto mais habituar-se a usar sapato.

A √ļnica atitude verdadeiramente civilizada √© a fraqueza, a curiosidade, o desespero, a experi√™ncia, o amor desinteressado,

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Os Velhos

Todos nasceram velhos ‚ÄĒ desconfio.
Em casas mais velhas que a velhice,
em ruas que existiram sempre ‚ÄĒ sempre
assim como est√£o hoje
e n√£o deixar√£o nunca de estar:
soturnas e paradas e indeléveis
mesmo no desmoronar do Juízo Final.
Os mais velhos têm 100, 200 anos
e l√° se perde a conta.
Os mais novos dos novos,
n√£o menos de 50 ‚ÄĒ enorm’idade.
Nenhum olha para mim.
A velhice o proíbe. Quem autorizou
existirem meninos neste largo municipal?
Quem infrigiu a lei da eternidade
que não permite recomeçar a vida?
Ignoram-me. N√£o sou. Tenho vontade
de ser também um velho desde sempre.
Assim conversar√£o
comigo sobre coisas
seladas em cofre de subentendidos
a conversa infindável de monossílabos, resmungos,
tosse conclusiva.
Nem me vêem passar. Não me dão confiança.
Confiança! Confiança!
D√°diva impens√°vel
nos semblantes fechados,
nos felpudos redingotes,
nos chapéus autoritários,
nas barbas de milénios.
Sigo, seco e só, atravessando
a floresta de velhos.

Soneto de Natal

¬ęE o terceiro Anjo derramou a sua ta√ßa nos rios
e nas fontes, ficando a √°gua da cor do sangue.¬Ľ
Apocalipse, 16:4

N√£o anuncio a paz, mas sim a guerra.
Um. Anjo vingador comigo vem.
Há dois milénios que percorro a Terra
repetindo a mensagem de Belém.

O coração humano endureceu
à força de sentir a Fé perdida.
E o espírito do Bem? Ensurdeceu
no furac√£o das ambi√ß√Ķes da vida.

Por isso trago um Anjo vingador
para ferir de morte a semelhança
do lobo disfarçado de cordeiro:

‚ÄĒ Que se cuide quem n√£o sentir Amor
pois matará em si essa criança
inocente que um dia foi primeiro.

O Poder das Palavras

A humanidade entrar√° no terceiro mil√©nio sob o imp√©rio das palavras. N√£o √© verdade que a imagem esteja a suplant√°-las nem que possa extingui-las. Pelo contr√°rio, est√° a potenci√°-las: nunca houve no mundo tantas palavras com tanto alcance, autoridade e arb√≠trio como na imensa Babel da vida atual. Palavras inventadas, maltratadas ou sacralizadas pela imprensa, pelos livros descart√°veis, pelos cartazes de publicidade; faladas e cantadas pela r√°dio, pela televis√£o, pelo cinema, pelo telefone, pelos altifalantes p√ļblicos: gritadas √† brocha nas paredes da rua ou sussurradas ao ouvido nas penumbras do amor. N√£o: o grande derrotado √© o sil√™ncio. As coisas t√™m agora tantos nomes em tantas l√≠nguas que j√° n√£o √© f√°cil saber como se chamam em nenhuma. Os idiomas dispersam-se √† r√©dea solta, misturam-se e confundem-se, desembestados rumo ao destino inelut√°vel de uma l√≠ngua global.

√Č Poss√≠vel Estarmos Todos Errados?

√Č poss√≠vel (…) que n√£o se tenha visto, conhecido e dito nada de real e importante? √Č poss√≠vel que se tenha tido mil√©nios para olhar, reflectir e anotar e que se tenha deixado passar os mil√©nios como uma pausa escolar, durante a qual se come fatias de p√£o com manteiga e uma ma√ß√£?
Sim, é possível.
√Č poss√≠vel que, apesar das investiga√ß√Ķes e dos progressos, apesar da cultura, da religi√£o e da filosofia, se tenha ficado na superf√≠cie da vida? √Č poss√≠vel que at√© se tenha coberto essa superf√≠cie – que, apesar de tudo, seria qualquer coisa – com um pano incrivelmente aborrecido, de tal modo que se assemelhe aos m√≥veis da sala durante as f√©rias de Ver√£o?
Sim, é possível.
√Č poss√≠vel que toda a Hist√≥ria Universal tenha sido mal-entendida? √Č poss√≠vel que o passado seja falso, precisamente porque sempre se falou das suas multid√Ķes, como se dissertasse sobre uma aglomera√ß√£o de pessoas, em vez de falar de uma √ļnica, em torno da qual elas estavam, porque se tratava de um desconhecido que morreu?
Sim, é possível.
√Č poss√≠vel que se tenha julgado ser preciso recuperar o que aconteceu antes de se ter nascido?

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O céu ainda não está acabado. São as mulheres que, desde há milénios, vão tecendo esse infinito véu.

Prejudicar a Estupidez

A reprova√ß√£o do ego√≠smo, que se pregou com tamanha convic√ß√£o casmurra, prejudicou certamente, no conjunto, esse sentimento (em benef√≠cio, hei-de repeti-lo milhares e milhares de vezes, dos instintos greg√°rios do homem), e prejudicou-o, nomeadamente no facto de o ter despojado da sua boa consci√™ncia e de lhe ter ordenado a procurar em si pr√≥prio a verdadeira fonte de todos os males. ¬ęO teu ego√≠smo √© a maldi√ß√£o da tua vida¬Ľ, eis o que se pregou durante mil√©nios: esta cren√ßa, como eu ia dizendo, fez mal ao ego√≠smo; tirou-lhe muito esp√≠rito, serenidade, engenhosidade e beleza; bestializou-o, tornou-o feio, envenenado.
Os fil√≥sofos antigos indicavam, ao contr√°rio, uma fonte completamente diferente para o mar; os pensadores n√£o cessaram de pregar desde S√≥crates: ¬ę√Č a vossa irreflex√£o, s√£o a vossa estupidez, o vosso h√°bito de vegetar obedecendo √† regra e de vos subordinar ao ju√≠zo do pr√≥ximo, que vos impedem t√£o amiudadamente de serdes felizes; somos n√≥s, pensadores, que o somos mais, porque pensamos¬Ľ. N√£o nos perguntemos aqui se este serm√£o contra a estupidez tem mais fundamentos do que o serm√£o contra o ego√≠smo; o que √© certo √© que despojou a estupidez da sua boa consci√™ncia: estes fil√≥sofos foram prejudiciais √† estupidez!

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Namorados do Mirante

Eles eram mais antigos que o silêncio
A perscrutar-se intimamente os sonhos
Tal como duas s√ļbitas est√°tuas
Em que apenas o olhar restasse humano.
Qualquer toque, por certo, desfaria
Os seus corpos sem tempo em pura cinza.
A Remontavam √†s origens ‚ÄĒ a realidade
Neles se fez, de subst√Ęncia, imagem.
Dela a face era fria, a que o desejo
Como um hictus, houvesse adormecido
Dele apenas restava o eterno grito
Da esp√©cie ‚ÄĒ tudo mais tinha morrido.
Caíam lentamente na voragem
Como duas estrelas que gravitam
Juntas para, depois, num grande abraço
Rolarem pelo espaço e se perderem
Transformadas na magma incandescente
Que milénios mais tarde explode em amor
E da matéria reproduz o tempo
Nas gal√°xias da vida no infinito.

Eles eram mais antigos que o sil√™ncio…

A Saturação da Servidão

Hoje est√£o em causa, n√£o as paradas, que √© tudo em que as multid√Ķes s√£o adestradas, ou a guerra, a que se convidam; est√° em causa toda uma din√Ęmica nova para criar o habitat duma humanidade que atingiu a satura√ß√£o da servid√£o, depois de h√° mil√©nios ter dado o passo da reflex√£o. As pessoas interrogam-se em tudo quanto vivem. A satura√ß√£o da servid√£o n√£o √© uma revolta; √© um sentimento de desapego imenso quanto aos princ√≠pios que amaram, os deuses a que se curvaram, os homens que exaltaram. (…) Mas foi crescendo a satura√ß√£o da servid√£o, porque a alma humana cresceu tamb√©m, tornou-se capaz de ser amada espontaneamente; tudo o que servimos era o intermedi√°rio do nosso amor pelo que em absoluto n√≥s somos. Serviram-se valores porque neles se representava a apar√™ncia duma qualidade, como a beleza, o saber, a for√ßa; esses valores est√£o agora saturados, demolidos pela revela√ß√£o da verdade de que tudo √© concedido ao corpo moral da humanidade e n√£o ao seu executor.
Um grande terror sucede à saturação da servidão. Receamos essa motivação nova que é a nossa vontade, a nossa fé sem justificação a não ser estarmos presentes num imenso espaço que não é povoado pela mitologia de coisa alguma.

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Os Livros Representam a Essência de um Espírito

As obras s√£o a quintess√™ncia de um esp√≠rito: por conseguinte, mesmo se este for o esp√≠rito mais sublime, elas sempre ser√£o, sem compara√ß√£o, mais ricas de cont√ļdo do que a sua companhia, e a substituir√£o tamb√©m na ess√™ncia – ou melhor, ultrapass√°-la-√£o em muito e a deixar√£o para tr√°s: At√© mesmo os escritos de uma cabe√ßa med√≠ocre podem ser instrutivos, dignos de leitura e divertidos, justamente porque s√£o sua quintess√™ncia, o resultado, o fruto de todo o seu pensamento e estudo; enquanto a sua companhia n√£o nos consegue satisfazer. Sendo assim, podem-se ler livros de pessoas em cujas companhias n√£o se encontraria nenhum prazer, e √© por essa raz√£o que uma cultura intelectual elevada nos induz pouco a pouco a encontrar o nosso prazer quase exclusivamente na leitura dos livros, e n√£o na conversa com as pessoas.
Não há maior refrigério para o espírito do que a leitura dos clássicos antigos: tão logo temos um deles nas mãos, e mesmo que seja por apenas meia hora, sentimo-nos imdediatamente refrescados, aliviados, purificados, elevados e fortalecidos; como se nos tivéssemos deleitado na fonte fresca de uma rocha. Tal facto depende das línguas antigas e da sua perfeição ou da grandeza dos espíritos,

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O Amor Era a Festa do Inimit√°vel

O amor, outrora, era a festa do individual, do inimit√°vel, a gl√≥ria do que √© √ļnico, do que n√£o suporta qualquer repeti√ß√£o. Mas o umbigo n√£o s√≥ n√£o se revolta contra a repeti√ß√£o, √© um apelo √†s repeti√ß√Ķes! Vamos viver, no nosso mil√©nio, sob o signo do umbigo. Sob este signo, somos todos, tanto um como outro, soldados do sexo, com o mesmo olhar fixo n√£o sobre a mulher amada mas sobre o mesmo pequeno buraco no meio da barriga que representa o √ļnico sentido, o √ļnico fim, o √ļnico futuro de todo o desejo er√≥tico.

Ode a Lídia

Esta s√ļbita chuva que desaba
pela pele morena
de teu rosto
por teu riso por teus ombros
pelos teus longos
cabelos
cai na terra
‚ÄĒ ouve bem ‚ÄĒ

com o peso, o
doce peso de milénios

Pois verdade é que outra
é a água
mas a mesma
(escorrendo pela
gloriosa nudez
de teu corpo)
mesmo o cheiro h√ļmido
da terra, mesmo
nas √°rvores
o √°spero, esperado canto
de ver√£o

Tudo, nada mudou

Pois verdade é que outra
é a água
mas a mesma
(escorrendo pela
gloriosa nudez
de teu corpo)
mesmo o cheiro h√ļmido
da terra, mesmo
nas √°rvores
o √°spero, esperado canto
de ver√£o

Tudo, nada mudou

Bebe pois desta √°gua
bebe
bebe com todo o teu corpo
até que toda te farte
bebe
até que te embriague
a milenar
experiência
do planeta

Bebe e
(s√°bia)
colhe nas m√£os o momento
que esvoaça
‚ÄĒ este breve momento em que
como duas crianças
somos
e amamos

Critique os Seus Pensamentos Negativos

O ¬ęeu¬Ľ representa a vontade consciente. Resgatar a lideran√ßa do ¬ęeu¬Ľ √© gerir a produ√ß√£o dos pensamentos. O ¬ęeu¬Ľ precisa de deixar de ser passivo, t√≠mido e submisso diante dos pensamentos. Um dos maiores erros educacionais √© transformar o homem numa pessoa fraca no seu pr√≥prio mundo.

Critique diariamente os pensamentos negativos. Confronte-se com as ideias que o paralisam e o desanimam. Não é obrigado a viver passivamente as ideias que são encenadas no palco da sua mente.

Discorde frontalmente de todos os pensamentos e fantasias que o amedrontam, entristecem, deprimem. Cada pensamento que nos incomoda deve ser questionado com ousadia e determina√ß√£o pelo ¬ęeu¬Ľ. Tentar parar de pensar ou distrair-se s√£o t√©cnicas usadas h√° mil√©nios sem resultado. A √ļnica possibilidade que temos √© de gerir os pensamentos.