Passagens sobre Ministros

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Frases sobre ministros, poemas sobre ministros e outras passagens sobre ministros para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

À Variedade do Mundo

Este nasce, outro morre, acol√° soa
Um ribeiro que corre, aqui suave,
Um rouxinol se queixa brando e grave,
Um le√£o c’o rugido o monte atroa.

Aqui corre uma fera, acol√° voa
C’o gr√£ozinho na boca ao ninho √ľa ave,
Um demba o edifício, outro ergue a trave,
Um caça, outro pesca, outro enferoa.

Um nas armas se alista, outro as pendura
An soberbo Ministro aquele adora,
Outro segue do Paço a sombra amada,

Este muda de amor, aquele atura.
Do bem, de que um se alegra, o outro chora…
Oh mundo, oh sombra, oh zombaria, oh nada!

O Amor e a Vida

O amor √© uma imagem da nossa vida. Tanto o primeiro como a segunda est√£o sujeitos √†s mesmas revolu√ß√Ķes e mudan√ßas. A sua juventude √© resplandecente, alegre e cheia de esperan√ßas porque somos felizes por ser jovens tal como somos felizes por amar. Este agradabil√≠ssimo estado leva-nos a procurar outros bens muito s√≥lidos. N√£o nos contentamos nessa fase da vida com o facto de susbsistirmos, queremos progredir, ocupamo-nos com os meios para nos aperfei√ßoarmos e para assegurar a nossa boa sorte. Procuramos a protec√ß√£o dos ministros, mostrando-nos sol√≠citos e n√£o aguentamos que outrem queira o mesmo que temos em vista. Este est√≠mulo cumula-nos de mil trabalhos e esfor√ßos que logo se apagam quando alcan√ßamos o desejado. Todas as nossas paix√Ķes ficam ent√£o satisfeitas e nem por sombras podemos imaginar que a nossa felicidade tenha fim.
No entanto, esta felicidade raramente dura muito e fatiga-se da graça da novidade. Para possuirmos o que desejámos não paramos de desejar mais e mais. Habituamo-nos ao que temos, mas os mesmos haveres não conservam o seu preço, como nem sempre nos tocam do mesmo modo. Mudamos imperceptivelmente sem disso nos apercebermos. O que já adquirimos torna-se parte de nós mesmos e sofreríamos muito com a sua perda,

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O Dinheiro

O dinheiro é tão bonito,
T√£o bonito, o magan√£o!
Tem tanta graça, o maldito,
Tem tanto chiste, o ladr√£o!
O falar, fala de um modo…
Todo ele, aquele todo…
E elas acham-no t√£o guapo!
Velhinha ou moça que veja,
Por mais esquiva que seja,
Tlim!
Papo.

E a cegueira da justiça
Como ele a tira num ai!
Sem lhe tocar com a pinça;
E s√≥ dizer-lhe: ¬ęA√≠ vai…¬Ľ
Operação melindrosa,
Que não é lá qualquer coisa;
Catarata, tome conta!
Pois n√£o faz mais do que isto,
Diz-me um juiz que o tem visto:
Tlim!
Pronta.

Nessas espécies de exames
Que a gente faz em rapaz,
S√£o milagres aos enxames
O que aquele demo faz!
Sem saber nem patavina
De gram√°tica latina,
Quer-se um rapaz dali fora?
Vai ele com tais falinhas,
Tais gaifonas, tais coisinhas…
Tlim!
Ora…

Aquela fisionomia
√Č l√°bia que o demo tem!
Mas numa secretaria
Aí é que é vê-lo bem!
Quando ele de grande gala,
Entra o ministro na sala,

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Os reis s√£o para os seus ministros como os cornudos para as esposas: nunca sabem o que se passa.

O homem n√£o nasceu para ser grande. Um m√≠nimo de grandeza j√° o desumaniza. Por exemplo: um ministro. N√£o √© nada, dir√£o. Mas o fato de ser ministro j√° o empalha. √Č como se ele tivesse algod√£o por dentro, e n√£o entranhas vivas.

Desastre

Ele ia numa maca, em √Ęnsias, contrafeito,
Soltando fundos ais e trêmulos queixumes;
Caíra dum andaime e dera com o peito,
Pesada e secamente, em cima duns tapumes.

A brisa que balouça as árvores das praças,
Como uma m√£e erguia ao leito os cortinados,
E dentro eu divisei o ungido das desgraças,
Trazendo em sangue negro os membros ensopados.

Um preto, que sustinha o peso dum varal,
Chorava ao murmurar-lhe: “Homem n√£o desfale√ßa!”
E um lenço esfarrapado em volta da cabeça,
Talvez lhe aumentasse a febre cerebral.

***
Findara honrosamente. As lutas, afinal,
Deixavam repousar essa criança escrava,
E a gente da prov√≠ncia, at√īnita, exclamava:
“Que provid√™ncias! Deus! L√° vai para o hospital!”

Por onde o morto passa h√° grupos, murmurinhos;
Mornas essências vêm duma perfumaria,
E cheira a peixe frito um armazém de vinhos,
Numa travessa escura em que n√£o entra o dia!

Um fidalgote brada e duas prostitutas:
“Que espantos! Um rapaz servente de pedreiro!”
Bisonhos, devagar, passeiam uns recrutas
E conta-se o que foi na loja dum barbeiro.

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O homem, ministro e intérprete da natureza, faz e entende tanto quanto constata, pela observação dos fatos ou pelo trabalho da mente, sobre a ordem da natureza; não sabe nem pode mais.

O Amor é de outro Reino

O amor √© de outro reino. (…) Da amizade, do amor, do encontro de duas pessoas que se sentem bem uma ao lado da outra, fazendo amor, falando de amor, trocando amor, conversando de amor, falando de nada, falando de pequenas hist√≥rias c√≥digo de ministros com aventuras de aventuras sem ministros conversa alta e baixa de livros e de quadros de compras e de ninharias conversas trocadas em mi√ļdos ouvindo m√ļsica sem escutar m√ļsica que ajuda o amor o amor precisa de ajudas de ir √†s cavalitas de andas de muita coisa simples amor √© um segredo que deve ser alimentado nas horas vagas alimentado nas horas de trabalho nas horas mais isoladas amor √© uma ocupa√ß√£o de vinte e quatro horas com dois turnos pela mesma pessoa com desconfian√ßas e descobertas com cegueiras e lumineiras amor de tocar no mais √≠ntimo na beleza de um encanto escondido rec√īndito que todos no mundo fizeram pais de padres m√£es de bispos av√≥s de cardeais amor agarrado intrometido de falus com prazer de alegria amor que n√£o se sabe o que vai dar que nunca se sabe o que vai dar amor t√£o amor.

Opini√Ķes Influenciadas pelo Interesse

A maior parte das coisas pode ser considerada sob pontos de vista muito diferentes: interesse geral ou interesse particular, principalmente. A nossa aten√ß√£o, naturalmente concentrada sob o aspecto que nos √© proveitoso, impede que vejamos os outros. O interesse possui, como a paix√£o, o poder de transformar em verdade aquilo em que lhe √© √ļtil acreditar. Ele √©, pois, freq√ľentemente, mais √ļtil do que a raz√£o, mesmo em quest√Ķes em que esta deveria ser, aparentemente, o guia √ļnico. Em economia pol√≠tica, por exemplo, as convic√ß√Ķes s√£o de tal modo inspiradas pelo interesse pessoal que se pode, em geral, saber pr√©viamente, conforme a profiss√£o de um indiv√≠duo, se ele √© partid√°rio ou n√£o do livre c√Ęmbio.
As varia√ß√Ķes de opini√£o obedecem, naturalmente, √†s varia√ß√Ķes do interesse. Em mat√©ria pol√≠tica, o interesse pessoal constitui o principal factor. Um indiv√≠duo que, em certo momento, energicamente combateu o imposto sobre a renda, com a mesma energia o defender√° mais, se conta ser ministro. Os socialistas enriquecidos acabam, em geral, conservadores, e os descontentes de um partido qualquer se transformam facilmente em socialistas.
O interesse, sob todas as suas formas, n√£o √© somente gerador de opini√Ķes. Agu√ßado por necessidades muito intensas, ele enfraquece logo a moralidade.

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Daqui fala o monopólio
Daqui fala o capital
Diga c√° senhor ministro
Quanto custa Portugal?

Sê de Pedra!

N√£o reparaste nunca? Pela aldeia,
Nos fios telegraphicos da estrada,
Cantam as aves, desde que o sol nada,
E, √° noite, se faz sol a lua cheia…

No entanto, pelo arame que as tenteia,
Quanta tortura vae, n’uma ancia alada!
O Ministro que joga uma cartada,
Alma que, √°s vezes, d’al√©m-mar anceia:

РRevolução! РInutil. РCem feridos,
Setenta mortos. – Beijo-te! – Perdidos!
– Emfim, feliz! – ?- ! – Desesperado. -Vem!

E as lindas aves, bem se importam ellas!
Continuam cantando, tagarellas:
Assim, Antonio! deves ser tambem.

A presença de espírito é mais necessária a um negociante do que a um ministro: os grandes postos dispensam, às vezes, os menores talentos.

A Tranquilidade do Assumir da Nossa Condição

Temos pelos nobres e para as pessoas de destaque um c√≠ume est√©ril, ou um √≥dio impotente que n√£o nos vinga de seu esplendor e eleva√ß√£o, e s√≥ faz acrescentar √† nossa pr√≥pria mis√©ria o peso insuport√°vel da felicidade alheia: que fazer contra uma doen√ßa de alma t√£o inveterada e contagiosa? Contentemo-nos com pouco e com menos ainda, se poss√≠vel; saibam perder na ocasi√£o; a receita √© infal√≠vel, e concordo em experiment√°-la: evito com isso ser empurrado na porta pela multid√£o de clientes ou cortes√£os que a casa de um ministro despeja diversas vezes por dia; penar na sala de audi√™ncia, pedir tremendo ou balbuciando uma coisa justa; suportar a gravidade do ministro, o seu riso amargo, e o seu laconismo. Ent√£o n√£o o odeio mais, e n√£o o invejo mais; ele n√£o me faz nenhuma s√ļplica, eu n√£o lhe fa√ßo nenhuma; somos iguais, a n√£o ser no facto dele n√£o estar tranquilo, e eu estar.
(…) Deve-se silenciar sobre os poderosos; h√° quase sempre adula√ß√£o ao dizer bem deles; h√° perigo em dizer mal enquanto vivem, e cobardia quando j√° morreram.

Quantas Loucuras h√° num Homem!

H√° tantos amores na vida de um homem! Aos quatro anos, ama-se os cavalos, o sol, as flores, as armas que brilham, os uniformes de soldado; aos dez, ama-se a menina que brinca connosco.; aos treze, ama-se uma mulher de colo t√ļrgido, porque me lembro de que o que os adolescentes amam loucamente √© um colo de mulher, branco e mate, e como diz Marot:

Tetin refaict plus blanc qu’un oeuf
Tetin de satin blanc tout neuf.

Quase me senti mal quando vi pela primeira vez os seis desnudados de uma mulher. Por fim, aos catorze ou quinze anos, ama-se uma jovem que vem a nossa casa, e que √© um pouco mais que uma irm√£, menos que uma amante; depois, aos dezasseis anos, ama-se uma outra mulher, at√© aos vinte e cinco; depois, talvez se ame a mulher com quem casamos. Cinco anos mais tarde, ama-se a dan√ßarina que faz saltar o seu vestido sobre as suas coxas carnudas; por fim, aos trinta e seis, ama-se a deputa√ß√£o, a especula√ß√£o, as honrarias; aos cinquenta, ama-se o jantar do ministro ou do presidente da c√Ęmara; aos sessenta, ama-se a prostituta que nos chama atrav√©s dos vidros e a quem se lan√ßa um olhar de impot√™ncia,

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Idiotia e Felicidade

Como pode ser-se idiota e, ao mesmo tempo, feliz, pergunta-me um leitor? Pois explico j√°. A idiotia e a felicidade s√£o ideias muito vagas, dif√≠ceis de cingir em conceitos de circula√ß√£o universal, digamos. Mas, pensando melhor, acho que certa idiotia √© suscept√≠vel de conferir ao idiota seu propriet√°rio (ou seu prisioneiro) uma esp√©cie de seguran√ßa em si pr√≥prio que o levar√°, em determinados momentos, julgo eu, a uma beatitude muito pr√≥xima do que se pode chamar estado de felicidade.Assim sendo, n√£o vejo incompatibilidade entre o ser-se idiota e o ser-se feliz. Bem sei que h√° v√°rias maneiras de se chegar a idiota. Uma delas foi experimentada comigo. Uma parente minha queria por for√ßa reconverter-me ao Catolicismo e, deste modo, passava a vida a dizer-me: ¬ęAlexandre, n√£o penses. Se come√ßas a pensar estragas tudo. A cren√ßa em Deus, se, em vez de pensares, reaprenderes a rezar, vem por si. √Č uma gra√ßa, sabias? V√°, reza comigo.¬Ľ E ensinava-me ora√ß√Ķes que eu, muitas vezes de m√£os postas, repetia aplicadamente. Acabei por n√£o me casar com ela.
Não quero dizer, com isto, que não acredite na chamada (creio eu) revelação. Se revelação não existisse, como poderia um poeta do tomo de Paul Claudel entrar um dia em Notre-Dame e sentir-se,

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Glória é Vaidade

A gl√≥ria repousa propriamente sobre aquilo que algu√©m √© em compara√ß√£o com os outros. Portanto, ela √© essencialmente relativa; por isso, s√≥ pode ter valor relativo. Desapareceria inteiramente se os outros se tornassem o que o glorioso √©. Uma coisa s√≥ pode ter valor absoluto se o mantiver sob todas as circunst√Ęncias; aqui, contudo, trata-se daquilo que algu√©m √© imediatamente e por si mesmo. Consequentemente, √© nisso que tem de residir o valor e a felicidade do grande cora√ß√£o e do grande esp√≠rito. Logo, valiosa n√£o √© a gl√≥ria, mas aquilo que faz com que algu√©m a mere√ßa, pois isso, por assim dizer, √© a subst√Ęncia, e a gl√≥ria √© apenas o acidente. Ela age sobre quem √© c√©lebre, sobretudo como um sintoma exterior pelo qual ele adquire a confirma√ß√£o da opini√£o elevada de si mesmo. Desse modo, poder-se-ia dizer que, assim como a luz n√£o √© vis√≠vel se n√£o for reflectida por um corpo, toda a excel√™ncia s√≥ adquire total consci√™ncia de si pr√≥pria pela gl√≥ria. Mas o sintoma n√£o √© sempre infal√≠vel, visto que tamb√©m h√° gl√≥ria sem m√©rito e m√©rito sem gl√≥ria. Eis a justificativa para a frase t√£o distinta de Lessing: Algumas pessoas s√£o famosas, outras merecem s√™-lo.

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O povo não aceita só a repetição de que não vai haver choques, o ministro precisa fazer como o papagaio: levantar uma perna.

Os Ministros da Pena

Eu n√£o sei como n√£o treme a m√£o a todos os ministros de pena, e muito mais √†queles que sobre um joelho aos p√©s do rei recebem os seus or√°culos, e os interpretam, e estendem. Eles s√£o os que com um adv√©rbio podem limitar ou ampliar as fortunas; eles os que com uma cifra podem adiantar direitos, e atrasar prefer√™ncias; eles os que com uma palavra podem dar ou tirar peso √† balan√ßa da justi√ßa; eles os que com uma cl√°usula equ√≠voca ou menos clara, podem deixar duvidoso, e em quest√£o, o que havia de ser certo e efectivo; eles os que com meter ou n√£o meter um papel, podem chegar a introduzir a quem quiserem, e desviar e excluir a quem n√£o quiserem; eles, finalmente, os que d√£o a √ļltima forma √†s resolu√ß√Ķes soberanas, de que depende o ser ou n√£o ser de tudo. Todas as penas, como as ervas, t√™m a sua virtude; mas as que est√£o mais chegadas √† fonte do poder s√£o as que prevalecem sempre a todas as outras. S√£o por of√≠cio, ou artif√≠cio, como as penas da √°guia, das quais dizem os naturais, que postas entre as penas das outras aves, a todas comem e desfazem.

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