Cita√ß√Ķes sobre Oitenta

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Frases sobre oitenta, poemas sobre oitenta e outras cita√ß√Ķes sobre oitenta para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ter Objetivos

Qualquer dia que comece sem um objetivo, est√°, √† partida, condenado ao ¬ęera melhor n√£o ter sa√≠do da cama¬Ľ; como tal, torna–se fundamental saberes o que queres, o que tens e o que podes fazer sempre que o Sol nasce. Um simples objetivo √©, na realidade, suficiente para te motivar a viver todo o dia que tens pela frente, pois aniquila todo e qualquer sentimento de inutilidade, ansiedade e frustra√ß√£o que possas estar a viver. T√£o simples e ao mesmo tempo t√£o complicado. T√£o complicado porque sei, por experi√™ncia pr√≥pria e pelo que oi√ßo nas minhas sess√Ķes e palestras, que nem sempre √© f√°cil ter um objetivo di√°rio. Ou melhor, muitas das vezes, at√© o temos, mas como estamos desprovidos de estrat√©gia, a a√ß√£o nunca ocorre.
Mas vamos por partes, um objetivo é algo nato, pois ainda que de uma forma inconsciente o objetivo de cada bebé, por exemplo, é tornar-se autónomo, gatinhando primeiro, agarrando-se às coisas depois até, finalmente, começar a andar. Esta sensação de querermos sempre mais ou melhor é algo que nasce connosco e que apenas deixa de fazer sentido quando o estado emocional da pessoa é tão depressivo que se opta por desistir. Ter objetivos é como ter fome e comer,

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O Intelecto Como Exagero

A beleza, a verdadeira beleza, acaba onde a a express√£o intelectual come√ßa. O intelecto √© j√° uma forma de exagero e destr√≥i a harmonia de qualquer rosto. Assim que nos sentamos a pensar, ficamos s√≥ nariz, ou s√≥ testa, ou uma coisa horr√≠vel do g√©nero. Olha para os homens bem sucedidos em qualquer das profiss√Ķes eruditas. Como s√£o perfeitamente hediondos! A n√£o ser, evidentemente, na Igreja. Mas a verdade √© que na Igreja eles n√£o pensam. Um bispo continua a dizer aos oitenta anos o que lhe mandaram dizer quando era um rapaz de dezoito e, por conseguinte, parece sempre perfeitamente encantador.

Amor n√£o Tem N√ļmero

Se voc√™ n√£o tomar cuidado vira n√ļmero at√© para si mesmo. Porque a partir do instante em que voc√™ nasce classificam-no com um n√ļmero. Sua identidade no F√©lix Pacheco √© um n√ļmero. O registro civil √© um n√ļmero. Seu t√≠tulo de eleitor √© um n√ļmero. Profissionalmente falando voc√™ tamb√©m √©. Para ser motorista, tem carteira com n√ļmero, e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte √© identificado com um n√ļmero. Seu pr√©dio, seu telefone, seu n√ļmero de apartamento ‚ÄĒ tudo √© n√ļmero.
Se √© dos que abrem credi√°rio, para eles voc√™ √© um n√ļmero. Se tem propriedade, tamb√©m. Se √© s√≥cio de um clube tem um n√ļmero. Se √© imortal da Academia Brasileira de Letras tem o n√ļmero da cadeira.
√Č por isso que vou tomar aulas particulares de Matem√°tica. Preciso saber das coisas. Ou aulas de F√≠sica. N√£o estou brincando: vou mesmo tomar aulas de Matem√°tica, preciso saber alguma coisa sobre c√°lculo integral.
Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também.
Se √© contribuinte de qualquer obra de benefic√™ncia tamb√©m √© solicitado por um n√ļmero. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de neg√≥cio recebe um n√ļmero. Para tomar um avi√£o,

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Saudação aos que Vão Ficar

Como ser√° o Brasil
no ano dois mil?
As crianças de hoje,
j√° velhinhas ent√£o,
lembrar√£o com saudade
deste antigo país,
desta velha cidade?
Que emoção, que saudade,
ter√° a juventude,
acabada a gravidade?
Respeitar√£o os papais
cheios de mocidade?
Que diferença haverá
entre o av√ī e o neto?
Que novas rela√ß√Ķes e enganos
inventar√£o entre si
os seres desumanos?
Que lei impedir√°,
libertada a molécula
que o homem, cheio de ardor,
atravesse paredes,
buscando seu amor?
Que lei de tr√°fego impedir√° um inquilino
– ante o lugar que vence –
de voar para lugar distante
na casa que n√£o lhe pertence?
Haver√° mais l√°grimas
ou mais sorrisos?
Mais loucura ou mais juízo?
E o que será loucura? E o que será juízo?
A propriedade, ser√° um roubo?
O roubo, o que ser√°?
Poderemos crescer todos bonitos?
E o belo n√£o passar√° ent√£o a ser feiura?
Haverá entre os povos uma proibição
de criar pessoas com mais de um metro e oitenta?
Mas a R√ļssia (v√° l√°,

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Oitenta por cento da sua vida √© orientada pelos olhos. N√£o deveria ser assim; tem de se restabelecer um equil√≠brio. Tamb√©m deve tocar, porque o tacto permite sensa√ß√Ķes que os olhos n√£o podem veicular.

Escrever uma obra-prima aos oitenta anos é fácil; o difícil é chegar aos oitenta anos com vontade de escrever.

Em Todas as Sociedades Existe um Impulso Para a Conformidade

A imposi√ß√£o de padr√Ķes pelas sociedades aos seus extremamente diversificados indiv√≠duos tem variado muito em diferentes per√≠odos hist√≥ricos e diferentes n√≠veis de cultura. Nas culturas mais primitivas, onde as sociedades eram pequenas e ligadas a tradi√ß√Ķes muito estreitas, a press√£o para o conformismo era naturalmente muito intensa. Quem ler literatura de antropologia ficar√° espantado com a natureza fant√°stica de algumas das tradi√ß√Ķes √†s quais os homens tiveram de se adaptar. A vantagem de uma sociedade grande e complexa como a nossa √© permitir √† variedade de seres humanos expressar-se de muitas maneiras; n√£o precisa de haver uma adapta√ß√£o intensa, como a que encontramos em pequenas sociedades primitivas. Mesmo assim, em toda a sociedade h√° sempre um impulso para a conformidade, imposto de fora pela lei e pela tradi√ß√£o, e que os indiv√≠duos imp√Ķem sobre si mesmos, tentando imitar o que a sociedade considera o tipo ideal.
A esse respeito, recomendo um livro muito importante do fil√≥sofo franc√™s Jules de Gaultier, publicado h√° cerca de cinquenta anos, chamado “Bovarismo”. O nome vem da hero√≠na do romance de Gustave Flaubert, Madame Bovary, no qual essa jovem mulher infeliz sempre tentava ser o que n√£o era. Gaultier generaliza isso e diz que todos temos tend√™ncia a tentar ser o que n√£o somos,

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As pessoas simples n√£o sabem o tempo que leva e quanto custa aprender a ler. Empenhei-me nisso durante oitenta anos, e n√£o posso dizer que o tenha conseguido.

O Apogeu

Cada ser humano atinge o seu apogeu de maneira diferente, num dado momento. Uma vez alcançado esse ponto alto, é sempre a descer. Fatal como o destino. E o pior é que ninguém sabe onde é que se situa o seu próprio auge. A linha divisória pode desenhar-se de repente, quando uma pessoa pensa que ainda estava a pisar terreno seguro. Ninguém tem maneira de saber. Alguns atingem esse pico aos doze anos, e depois espera-os uma vida perfeitamente monótona e sem chama. Outros continuam sempre em ascensão até à morte; outros morrem no seu máximo esplendor. Muitos poetas e compositores vivem em estado de permanente arrebatamento e estão mortos quando chegam aos trinta anos. Depois há aqueles, como é o caso de Picasso, que aos oitenta e muitos anos ainda pintava quadros cheios de vigor e teve uma morte tranquila, sem saber o que era o declínio.

O Supremo Palhaço da Criação

A velha no√ß√£o antropom√≥rfica de que todo o universo se centraliza no homem ‚Äď de que a exist√™ncia humana √© a suprema express√£o do processo c√≥smico ‚Äď parece galopar alegremente para o ba√ļ das ilus√Ķes perdidas. O facto √© que a vida do homem, quanto mais estudada √† luz da biologia geral, parece cada vez mais vazia de significado. O que no passado deu a impress√£o de ser a principal preocupa√ß√£o e obra-prima dos deuses, a esp√©cie humana come√ßa agora a apresentar o aspecto de um sub-produto acidental das maquina√ß√Ķes vastas, inescrut√°veis e provavelmente sem sentido desses mesmos deuses.
(…) O que n√£o quer dizer, naturalmente, que um dia a tal teoria seja abandonada pela grande maioria dos homens. Pelo contr√°rio, estes a abra√ßar√£o √† medida que ela se tornar cada vez mais duvidosa. De fato, hoje, a teoria antropom√≥rfica ainda √© mais adoptada do que nas eras de obscurantismo, quando a doutrina de que um homem era um quase Deus foi no m√≠nimo aperfei√ßoada pela doutrina de que as mulheres inferiores. O que mais est√° por tr√°s da caridade, da filantropia, do pacifismo, da ‚Äúinspira√ß√£o‚ÄĚ e do resto dos atuais sentimentalismos? Uma por uma, todas estas tolices s√£o baseadas na no√ß√£o de que o homem √© um animal glorioso e indescrit√≠vel,

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Estes meus contempor√Ęneos lembram-me certos arbustos que nascem no c√īncavo de uma rocha, onde s√≥ uma rasa de terra √© o poss√≠vel pasto de qualquer avidez. Vivem de vagar, cautelosamente, n√£o v√° uma raiz mais imprudente consumir numa hora o que h√°-de ser comido em oitenta anos.

√Č verdadeiramente velho o homem que p√°ra de aprender, quer tenha vinte ou oitenta anos.

A Vida em Pleno

Diariamente criticamos o destino: “Porque foi este homem arrebatado a meio da carreira? E aquele, porque n√£o morre, em vez de prolongar uma velhice t√£o penosa para ele como para os outros?” Diz-me c√°, por favor: o que achas tu mais justo, seres tu a obedecer √† natureza ou a natureza a ti? Que diferen√ßa faz sair mais ou menos depressa de um s√≠tio de onde temos mesmo de sair? N√£o nos devemos preocupar em viver muito, mas sim em viver plenamente; viver muito depende do destino, viver plenamente, da nossa pr√≥pria alma. Uma vida plena √© longa quanto basta; e ser√° plena se a alma se apropria do bem que lhe √© pr√≥prio e se apenas a si reconhece poder sobre si mesma. Que interessa os oitenta anos daquele homem passados na inac√ß√£o? Ele n√£o viveu, demorou-se nesta vida; n√£o morreu tarde, levou foi muito tempo a morrer! “Viveu oitenta anos!”. O que importa √© ver a partir de que data ele come√ßou a morrer. “Mas aquele outro morreu na for√ßa da vida”. √Č certo, mas cumpriu os deveres de um bom cidad√£o, de um bom amigo, de um bom filho, sem descurar o m√≠nimo pormenor; embora o seu tempo de vida ficasse incompleto,

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Soneto 263 A Mama Cass

Se magra é minha Sandra carioca,
gordona foi Cassandra, outro tes√£o
das minhas fantasias, que hoje s√£o
lembranças se a vitrola, ao fundo, toca.

Mulher o meu desejo só provoca
se for ou varapau ou balof√£o:
oitenta ou oito; o meio termo n√£o.
Por isso a Mama Cass, morta, me choca.

Um simples sanduíche nos privava,
fatídico, entalado na garganta,
daquela voz famosa, que n√£o grava

mais coisas como aquilo que me encanta:
“Palavras de amor”. Cass, voc√™ foi brava!
Nenhum peso mais alto se alevanta!

√Č uma Tolice Desculpar um Falhado

√Č uma tolice desculpar um falhado com argumentos de meio, √©poca, sa√ļde, idade, etc. O verdadeiro triunfador cria as condi√ß√Ķes da sua realiza√ß√£o. Que se importa a gente com as doen√ßas de Beethoven, e que pesam elas na sua obra? A natureza, quando d√° g√©nio, d√° for√ßas, tempo e coragem para vencer todos os obst√°culos que o n√£o deixem desabrochar. N√£o h√° malogrados. O √ļnico argumento a favor da sua exist√™ncia √© a idade. Ora na idade de malogrados morreram Keats, Ces√°rio e Rafael…
Construir uma vida e uma obra parece ter sido sempre a fa√ßanha dos grandes. E se Goethe precisou de oitenta anos para se cumprir, Shelley pediu um prazo mais curto √† natureza. O que tinha a dizer, dizia-se mais depressa…

A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real… Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar.