Passagens sobre Parto

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Frases sobre parto, poemas sobre parto e outras passagens sobre parto para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Alegria Pura só Existe sem a Vaidade

A mais pura alegria é aquela que gozamos no tempo da inocência; estado venturoso, em que nada distinguimos pela razão, mas pelo instinto; e em que nada considera a razão, mas sim a natureza. Então circula veloz o nosso sangue, e os humores que num mundo novo, e resumido, apenas têm tomado os seus primeiros movimentos. Os humores são os que produzem as nossas alegrias; e com efeito não há alegria sem grande movimento; por isso vemos, que a tristeza nos abate, e a alegria nos move; o sossego ainda que indique contentamento, contudo mais é representação da morte que da vida; e a tranquilidade pode dar descanso, porém alegria não a dá sempre.

Mas como pode deixar de ser pura a alegria dos primeiros anos, se ainda então a vaidade não domina em nós? Então só sentimos o bem, e o mal, que resulta da dor, ou do prazer; depois também sentimos o mal, e o bem da opinião, isto é, da vaidade; por isso muitas cousas nos alegram, que tomadas em si mesmas, não têm mais bem, que aquele com que a vaidade as considera; e outras também nos entristecem, que tomadas só por si, não têm outro mal,

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Se nunca nasceste de ti mesmo, dolorosamente, na concep√ß√£o de um poema… est√°s enganado: Para os poetas n√£o existe parto sem dor.

Soneto XXXXIIII

Do fundo sobe do mar Indo acima
A recolher o orvalho a concha, e nela,
Despois que pouco a pouco se congela,
A pérola nos dá de tanta estima.

Hoje, despois que o Céu choveu de cima
O rico orvalho, aquela concha, aquela
Divina humana, mais que todas bela,
O mundo pobre com seu parto anima.

Mas ai que a concha aberta o orvalho fino
Recebe, e em pedra dá; porém, Maria,
De outra invenção e modo extraordinário.

E como vem t√£o pobre este minino?
Vem tosca pedra, e seu preço e valia
Só conhece o discreto lapidário.

Criar de si pr√≥prio um ser √© muito grave. Estou me criando. E andar na escurid√£o completa √† procura de n√≥s mesmos √© o que fazemos. D√≥i. Mas √© dor de parto: nasce uma coisa que se √©. √Č-se. √Č duro como uma pedra seca. Mas o √Ęmago √© it mole e vivo, perec√≠vel, periclitante. Vida de mat√©ria elementar.

Contra o Abuso das Crianças

Estejam sempre vigilantes, pe√ßam responsabilidades aos governos, lutem pela paz e pela justi√ßa. N√£o descansem nem um momento, pois n√£o h√° circunst√Ęncia alguma em que a neglig√™ncia ou o abuso de crian√ßas possa ser tolerado. (…) Neste mundo de tamanha abund√Ęncia, podemos certamente encontrar os meios para assegurar que nenhuma crian√ßa passe fome, nenhuma gr√°vida esteja demasiado fraca para sobreviver ao parto e que cada uma dos quase seis milh√Ķes de crian√ßas que dever√£o morrer no pr√≥ximo ano por malnutri√ß√£o seja salva.

Entre os pobres mais abandonados e maltratados est√° a nossa oprimida e devastada Terra, que ¬ęgeme e sofre as dores do parto¬Ľ (Carta aos Romanos 8:22). Esquecemo-nos de que n√≥s pr√≥prios somos Terra (cf. G√©nesis 2:7). O nosso pr√≥prio corpo √© constitu√≠do pelos elementos do planeta, √© o seu ar que nos permite respirar e a sua √°gua vivifica-nos e restaura-nos.

Adeus

A ti, que em astros desenhei nos céos,
A ti, que em nuvens desenhei nos ares,
A ti, que em ondas desenhei nos mares,
A ti, bom anjo! o derradeiro adeus!

Parto! Se um dia (que √© possivel fl√īr!)
Vires ao longe negrejar um vulto,
Sou eu que aos olhos d’esta gente occulto
O nosso immenso desgraçado amor.

Talvez as féras ao ouvir meus ais,
As brutas selvas, as montanhas brutas,
Concavas rochas, solitarias grutas,
Mais se condoam, se commovam mais!

E l√° d’aquellas solid√Ķes se aqui
Chegar gemido que uma pedra estala,
Que um cedro vibra, que um carvalho abala,
Sou eu que o solto por amor de ti…

De ti! que em folha que varrer o ar,
Em rama, em sombra que bandeie a aragem,
De fito sempre n’essa cara imagem
Verei, sorrindo, sentirei passar!

De ti, que em astros desenhei nos céos!
De ti, que em nuvens desenhei nos ares!
De ti, que em ondas desenhei nos mares,
E a quem envio o derradeiro adeus!

Contentai-vos em conhecer as obras de Deus; pois,
se os homens tivessem podido conhecer todas as coisas,
teria sido in√ļtil o parto de Maria;
e os vistes desejar, sem resultado,
conhecer a causa das coisas,
tanto que a insatisfação de seu desejo constitui, eternamente, a sua pena.

Não se há-de estar tão casado com o amor-próprio, que todos os partos do entendimento, por serem filhos próprios, pareçam formosos.

Pais Aprisionados

As crian√ßas tornaram-se uma arma de arremesso √† medida de quase tudo. Justificam as discuss√Ķes entre marido e mulher, justificam a falta de generosidade para com o pr√≥ximo, justificam a indisponibilidade e a inac√ß√£o em geral – e no fim, em muitos casos (…), ainda nos absolvem pelo fracasso a que, pulverizados os sonhos da inf√Ęncia, os objectivos da juventude e as agendas da primeira idade adulta, nos vemos a certa altura obrigados a resumir o balan√ßo das nossas vidas. E talvez haja, afinal, uma certa racionalidade no cosmos. Talvez haja uma raz√£o para nunca, at√© hoje, n√≥s n√£o termos tido filhos, eu e outros como eu. Talvez nenhum de n√≥s esteja ainda pronto para resistir √† inevit√°vel tenta√ß√£o de transformar os filhos num desmentido oficial para a nossa frustra√ß√£o. Talvez, no dia em que os tivermos, estejamos j√° preparados para conter o impulso de culp√°-los por essa frustra√ß√£o. E talvez sejamos n√≥s, enfim, os primeiros a fugir √† inclina√ß√£o para considerar que a nossa vida apenas come√ßou no dia em que come√ßou a vida dos nossos filhos. At√© porque, disto tenho eu a certeza, filhos de pais cuja mem√≥ria alcan√ßa para al√©m do dia do primeiro parto resultam sempre em adultos mais saud√°veis,

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Trazer a Paix√£o de Volta

Se te encontras numa rela√ß√£o, e parto do princ√≠pio que se l√° est√°s √© porque ainda a queres, a √ļnica via para trazeres a paix√£o de volta ao seio do vosso quotidiano passa por romp√™-lo. Sim, acabar com os h√°bitos, com as rotinas doentias e enfadonhas e com tudo aquilo que est√°, deem conta ou n√£o, a acabar convosco e a consumir-vos lentamente. Daqui a pouco, se √© que j√° n√£o se encontram nesse estado, j√° nem podem olhar um para o outro, ouvir-se, cheirar-se e muito menos tocar-se e, por incr√≠vel que pare√ßa, nada disto significa que o amor tenha desaparecido. O que se escafedeu foi mesmo a paix√£o, a ponte que passa por cima de todas as diferen√ßas, conflitos e afins. Uma noite de sexo ou uma conchinha ao dormir, por exemplo, conseguem salvar a turbul√™ncia de uma semana inteira. √Č a magia dos sentidos.

Portanto, e retomando a nossa conversa, se queres despertar novamente o fogo entre ti e a pessoa com quem estás, não esperes mais pelo trágico e anunciado fim nem por uma eventual iniciativa que o outro possa tomar, agarra tu nas rédeas da tua vida e convida a pessoa para um jantar ou um outro programa qualquer num lugar diferente,

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Casou-Se Nesta Terra Esta E Aquele

Casou-se nesta terra esta e aquele.
Aquele um gozo filho de cadela,
Esta uma donzelíssima donzela,
Que muito antes do parto o sabia ele.

Casaram por unir pele com pele;
E tanto se uniram, que ele com ela
Com seu mau parecer ganha para ela,
com seu bom parecer ganha para ele.

Deram-lhe em dote muitos mil cruzados,
Excelentes alfaias, bons adornos,
De que est√£o os seus quartos bem ornados:

Por sinal que na porta e seus contornos
Um dia amanheceram, bem contados,
Três bacias de trampa e doze cornos.

Uma Vida Maior

Estou querendo viver daquilo inicial e primordial que exactamente fez com que certas coisas chegassem ao ponto de aspirar a serem humanas. Estou querendo que eu viva da parte humana mais dif√≠cil: que eu viva do germe do amor neutro, pois foi dessa fonte que come√ßou a nascer aquilo que depois foi se distorcendo em sentimenta√ß√Ķes a tal ponto que o n√ļcleo ficou esmagado em n√≥s mesmos pela pata humana. √Č um amor muito maior que estou exigindo de mim ‚Äď √© uma vida t√£o maior que n√£o tem sequer beleza. Estou tendo essa coragem dura que me d√≥i como a carne que se transforma em parto.

.H.’

Maes, Vinde Ouvir!

Longe de ti, na cella do meu quarto,
Meu copo cheio de agoirentas fezes,
Sinto que rezas do Outro-mundo, harto,
Pelo teu filho. Minha M√£e, n√£o rezes!

Para fallar, assim, ve tu! j√° farto,
Para me ouvires blasphemar, √°s vezes,
Soffres por mim as dores crueis do parto
E trazes-me no ventre nove mezes!

Nunca me houvesses dado √° luz, Senhora!
Nunca eu mamasse o leite aureolado
Que me fez homem, magica bebida!

F√īra melhor n√£o ter nascido, f√īra,
Do que andar, como eu ando, degredado
Por esta Costa d’Africa da Vida…

Idealização Da Humanidade Futura

Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
РHomens que a herança de ímpetos impuros
Tornara √©tnicamente irracionais! –

N√£o sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No h√ļmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozo√°rios
Meti todos os dedos mercen√°rios
Na consci√™ncia daquela multid√£o…

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

Homo

Nenhum de vós ao certo me conhece,
Astros do espaço, ramos do arvoredo,
Nenhum adivinhou o meu segredo,
Nenhum interpretou a minha prece…

Ningu√©m sabe quem sou… e mais, parece
Que h√° dez mil anos j√°, neste degredo,
Me vê passar o mar, vê-me o rochedo
E me contempla a aurora que alvorece…

Sou um parto da Terra monstruoso;
Do h√ļmus primitivo e tenebroso
Gera√ß√£o casual, sem pai nem m√£e…

Misto infeliz de trevas e de brilho,
Sou talvez Satan√°s; ‚ÄĒ talvez um filho
Bastardo de Jeov√°; ‚ÄĒ talvez ningu√©m!

Entendimento Influenciado pela Vontade

Na ci√™ncia de julgar, alguma vez √© desculp√°vel o erro do entendimento, o da vontade nunca; como se o entender mal n√£o fosse crime, erro sim; ou como se houvesse uma grande diferen√ßa entre o erro, e o crime: o entendimento pode errar, por√©m s√≥ a vontade pode delinquir. Assim se desculpam comummente os julgadores, mas √© porque n√£o v√™em, que o que dizem que procedeu do entendimento, se bem se ponderar, procedeu unicamente da vontade. √Č um parto suposto, cuja origem, n√£o √© aquela que se d√°. Querem os s√°bios enobrecer o erro, com o fazer vir do entendimento, e com lhe encobrir o v√≠cio que trouxe da vontade; mas quem √© que deixa de ver, que o nosso entendimento qu√°si sempre se sujeita ao que n√≥s queremos; e que o seu maior empenho, √© servir √† nossa inclina√ß√£o; por isso raras vezes se op√Ķe, e o mais em que se ocupa, √© em conformar-se de tal sorte ao nosso gosto, que ainda a n√≥s mesmos fique parecendo, que foi resolu√ß√£o do entendimento aquilo que n√£o foi sen√£o acto da vontade.
O entendimento é a parte que temos em nós mais lisonjeira; daqui vem que nem sempre segue a razão,

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Carta de Amor

Para te dizer tão-só que te queria
Como se o tempo fosse um sentimento
bastava o teu sorriso de um outro dia
nesse instante em que fomos um momento.
Dizer amor como se fosse proibido
entre os meus braços enlaçar-te mais
como um livro devorado e nunca lido.
Ser√° pecado, amor, amar-te demais?
Esperar como se fosse (des) esperar-te,
essa certeza de te ter antes de ter.
Ensaiar sozinho a nossa arte
de fazer amor antes de ser.
Adivinhar nos olhos que n√£o vejo
a sede dessa boca que n√£o canta
e deitar-me ao teu lado como o Tejo
aos pés dessa Lisboa que ele encanta.
Sentir falta de ti por tu n√£o estares
talvez por n√£o saber se tu existes
(percorrendo em silêncio esses altares
em sacrifícios pagãos de olhos tristes).
Ausência, sim. Amor visto por dentro,
certezas ao contrário, por estar só.
Pesadelo no meu sonho noite adentro
quando, ao meu lado, dorme o que n√£o sou.
E, afinal, depois o que ficou
das noites perdidas à procura
de um resto de virtude que passou
por nós em co(r)pos de loucura?

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