Cita√ß√Ķes sobre Parto

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Frases sobre parto, poemas sobre parto e outras cita√ß√Ķes sobre parto para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Contentai-vos em conhecer as obras de Deus; pois,
se os homens tivessem podido conhecer todas as coisas,
teria sido in√ļtil o parto de Maria;
e os vistes desejar, sem resultado,
conhecer a causa das coisas,
tanto que a insatisfação de seu desejo constitui, eternamente, a sua pena.

Não se há-de estar tão casado com o amor-próprio, que todos os partos do entendimento, por serem filhos próprios, pareçam formosos.

Pais Aprisionados

As crian√ßas tornaram-se uma arma de arremesso √† medida de quase tudo. Justificam as discuss√Ķes entre marido e mulher, justificam a falta de generosidade para com o pr√≥ximo, justificam a indisponibilidade e a inac√ß√£o em geral – e no fim, em muitos casos (…), ainda nos absolvem pelo fracasso a que, pulverizados os sonhos da inf√Ęncia, os objectivos da juventude e as agendas da primeira idade adulta, nos vemos a certa altura obrigados a resumir o balan√ßo das nossas vidas. E talvez haja, afinal, uma certa racionalidade no cosmos. Talvez haja uma raz√£o para nunca, at√© hoje, n√≥s n√£o termos tido filhos, eu e outros como eu. Talvez nenhum de n√≥s esteja ainda pronto para resistir √† inevit√°vel tenta√ß√£o de transformar os filhos num desmentido oficial para a nossa frustra√ß√£o. Talvez, no dia em que os tivermos, estejamos j√° preparados para conter o impulso de culp√°-los por essa frustra√ß√£o. E talvez sejamos n√≥s, enfim, os primeiros a fugir √† inclina√ß√£o para considerar que a nossa vida apenas come√ßou no dia em que come√ßou a vida dos nossos filhos. At√© porque, disto tenho eu a certeza, filhos de pais cuja mem√≥ria alcan√ßa para al√©m do dia do primeiro parto resultam sempre em adultos mais saud√°veis,

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Trazer a Paix√£o de Volta

Se te encontras numa rela√ß√£o, e parto do princ√≠pio que se l√° est√°s √© porque ainda a queres, a √ļnica via para trazeres a paix√£o de volta ao seio do vosso quotidiano passa por romp√™-lo. Sim, acabar com os h√°bitos, com as rotinas doentias e enfadonhas e com tudo aquilo que est√°, deem conta ou n√£o, a acabar convosco e a consumir-vos lentamente. Daqui a pouco, se √© que j√° n√£o se encontram nesse estado, j√° nem podem olhar um para o outro, ouvir-se, cheirar-se e muito menos tocar-se e, por incr√≠vel que pare√ßa, nada disto significa que o amor tenha desaparecido. O que se escafedeu foi mesmo a paix√£o, a ponte que passa por cima de todas as diferen√ßas, conflitos e afins. Uma noite de sexo ou uma conchinha ao dormir, por exemplo, conseguem salvar a turbul√™ncia de uma semana inteira. √Č a magia dos sentidos.

Portanto, e retomando a nossa conversa, se queres despertar novamente o fogo entre ti e a pessoa com quem estás, não esperes mais pelo trágico e anunciado fim nem por uma eventual iniciativa que o outro possa tomar, agarra tu nas rédeas da tua vida e convida a pessoa para um jantar ou um outro programa qualquer num lugar diferente,

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Casou-Se Nesta Terra Esta E Aquele

Casou-se nesta terra esta e aquele.
Aquele um gozo filho de cadela,
Esta uma donzelíssima donzela,
Que muito antes do parto o sabia ele.

Casaram por unir pele com pele;
E tanto se uniram, que ele com ela
Com seu mau parecer ganha para ela,
com seu bom parecer ganha para ele.

Deram-lhe em dote muitos mil cruzados,
Excelentes alfaias, bons adornos,
De que est√£o os seus quartos bem ornados:

Por sinal que na porta e seus contornos
Um dia amanheceram, bem contados,
Três bacias de trampa e doze cornos.

Uma Vida Maior

Estou querendo viver daquilo inicial e primordial que exactamente fez com que certas coisas chegassem ao ponto de aspirar a serem humanas. Estou querendo que eu viva da parte humana mais dif√≠cil: que eu viva do germe do amor neutro, pois foi dessa fonte que come√ßou a nascer aquilo que depois foi se distorcendo em sentimenta√ß√Ķes a tal ponto que o n√ļcleo ficou esmagado em n√≥s mesmos pela pata humana. √Č um amor muito maior que estou exigindo de mim ‚Äď √© uma vida t√£o maior que n√£o tem sequer beleza. Estou tendo essa coragem dura que me d√≥i como a carne que se transforma em parto.

.H.’

Maes, Vinde Ouvir!

Longe de ti, na cella do meu quarto,
Meu copo cheio de agoirentas fezes,
Sinto que rezas do Outro-mundo, harto,
Pelo teu filho. Minha M√£e, n√£o rezes!

Para fallar, assim, ve tu! j√° farto,
Para me ouvires blasphemar, √°s vezes,
Soffres por mim as dores crueis do parto
E trazes-me no ventre nove mezes!

Nunca me houvesses dado √° luz, Senhora!
Nunca eu mamasse o leite aureolado
Que me fez homem, magica bebida!

F√īra melhor n√£o ter nascido, f√īra,
Do que andar, como eu ando, degredado
Por esta Costa d’Africa da Vida…

Idealização Da Humanidade Futura

Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
РHomens que a herança de ímpetos impuros
Tornara √©tnicamente irracionais! –

N√£o sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No h√ļmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozo√°rios
Meti todos os dedos mercen√°rios
Na consci√™ncia daquela multid√£o…

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

Homo

Nenhum de vós ao certo me conhece,
Astros do espaço, ramos do arvoredo,
Nenhum adivinhou o meu segredo,
Nenhum interpretou a minha prece…

Ningu√©m sabe quem sou… e mais, parece
Que h√° dez mil anos j√°, neste degredo,
Me vê passar o mar, vê-me o rochedo
E me contempla a aurora que alvorece…

Sou um parto da Terra monstruoso;
Do h√ļmus primitivo e tenebroso
Gera√ß√£o casual, sem pai nem m√£e…

Misto infeliz de trevas e de brilho,
Sou talvez Satan√°s; ‚ÄĒ talvez um filho
Bastardo de Jeov√°; ‚ÄĒ talvez ningu√©m!

Entendimento Influenciado pela Vontade

Na ci√™ncia de julgar, alguma vez √© desculp√°vel o erro do entendimento, o da vontade nunca; como se o entender mal n√£o fosse crime, erro sim; ou como se houvesse uma grande diferen√ßa entre o erro, e o crime: o entendimento pode errar, por√©m s√≥ a vontade pode delinquir. Assim se desculpam comummente os julgadores, mas √© porque n√£o v√™em, que o que dizem que procedeu do entendimento, se bem se ponderar, procedeu unicamente da vontade. √Č um parto suposto, cuja origem, n√£o √© aquela que se d√°. Querem os s√°bios enobrecer o erro, com o fazer vir do entendimento, e com lhe encobrir o v√≠cio que trouxe da vontade; mas quem √© que deixa de ver, que o nosso entendimento qu√°si sempre se sujeita ao que n√≥s queremos; e que o seu maior empenho, √© servir √† nossa inclina√ß√£o; por isso raras vezes se op√Ķe, e o mais em que se ocupa, √© em conformar-se de tal sorte ao nosso gosto, que ainda a n√≥s mesmos fique parecendo, que foi resolu√ß√£o do entendimento aquilo que n√£o foi sen√£o acto da vontade.
O entendimento é a parte que temos em nós mais lisonjeira; daqui vem que nem sempre segue a razão,

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Carta de Amor

Para te dizer tão-só que te queria
Como se o tempo fosse um sentimento
bastava o teu sorriso de um outro dia
nesse instante em que fomos um momento.
Dizer amor como se fosse proibido
entre os meus braços enlaçar-te mais
como um livro devorado e nunca lido.
Ser√° pecado, amor, amar-te demais?
Esperar como se fosse (des) esperar-te,
essa certeza de te ter antes de ter.
Ensaiar sozinho a nossa arte
de fazer amor antes de ser.
Adivinhar nos olhos que n√£o vejo
a sede dessa boca que n√£o canta
e deitar-me ao teu lado como o Tejo
aos pés dessa Lisboa que ele encanta.
Sentir falta de ti por tu n√£o estares
talvez por n√£o saber se tu existes
(percorrendo em silêncio esses altares
em sacrifícios pagãos de olhos tristes).
Ausência, sim. Amor visto por dentro,
certezas ao contrário, por estar só.
Pesadelo no meu sonho noite adentro
quando, ao meu lado, dorme o que n√£o sou.
E, afinal, depois o que ficou
das noites perdidas à procura
de um resto de virtude que passou
por nós em co(r)pos de loucura?

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A França!

Vou sobre o Oceano (o luar de lindo enleva!)
Por este mar de Gloria, em plena paz.
Terras da Patria somem-se na treva,
Agoas de Portugal ficam, atraz…

Onde vou eu? Meu fado onde me leva?
Antonio, onde vaes tu, doido rapaz?
N√£o sei. Mas o vapor, quando se eleva,
Lembra o meu cora√ß√£o, na ancia em que jaz…

√ď Luzitania que te vaes √° vela!
Adeus! que eu parto (rezarei por ella…)
Na minha Nau Catharineta, adeus!

Paquete, meu paquete, anda ligeiro!
Sobe depressa √° gavea, marinheiro,
E grita, Fran√ßa! pelo amor de Deus!…

Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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A Vaidade Cega a Sabedoria

Os s√°bios da terra n√£o s√£o os mais pr√≥prios para o governo dela. As Rep√ļblicas, que se fundaram, ou se quiseram governar por s√°bios, perderam-se, acabaram-se; temos not√≠cia delas pelo que foram, e n√£o pelo que s√£o. (…) As maiores crueldades, ou foram feitas, ou aconselhadas pelos S√°bios; estes quando persuadem o mal, √© com tanta veem√™ncia, e t√£o eficazmente, que as gentes na boa f√©, buscam, e particam esse mal, como por entusiasmo, e sem advertirem nele. A impiedade, √© uma das coisas que a ci√™ncia ensina; n√£o porque seja o seu objecto, ou instituto, mas porque quando a impiedade √© √ļtil, √† for√ßa de a ornar, se lhe tira o horror. A vaidade das ci√™ncias n√£o consente, que haja cousa de que ela n√£o possa, nem se saiba aproveitar.
Os erros comummente s√£o partos da sabedoria humana; o errar propriamente √© dos s√°bios, porque o erro sup√Ķe conselho, e premedita√ß√£o; os ignorantes qu√°si que obram por instinto; a ci√™ncia sabe legitimar o erro, a ignor√Ęncia n√£o; por isso nesta n√£o h√° perigo de que ningu√©m o aprove; ao passo que naquela h√° o perigo de que a multid√£o o siga. O erro na m√£o de um s√°bio √© como uma lan√ßa penetrante,

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O casamento de uma filha amada é um acontecimento que se espera e que se deseja; é, porém, como um parto Рalegria acompanhada de dores terríveis.

Soneto Da Enseada

Sou sempre o que está além de mim
como a ponte de Brooklyn ao p√īr-do-sol.
Sou o peixe buscado pelo anzol
e o caracol imóvel no jardim.

De mim mesmo me parto, qual navio,
e sou tudo o que vive além de mim:
o barulho da noite e o cheiro de jasmim
que corre entre as estrelas como um rio.

Quem atravessa a ponte logo aprende
que a vida é simplesmente a travessia
entre um aquém e um além que são dois nadas.

Na madrugada escura a luz se acende.
Que luz? De que vigília ou de que dia?
De que barco ancorado na enseada?

LI

Adeus, ídolo belo, adeus, querido,
Ingrato bem; adeus: em paz te fica;
E essa vitória mísera publica,
Que tens barbaramente conseguido.

Eu parto, eu sigo o norte aborrecido
De meu fado infeliz: agora rica
De despojos, a teu desdém aplica
O rouco acento de um mortal gemido.

E se acaso alguma hora menos dura
Lembrando-te de um triste, consultares
A série vil da sua desventura;

Na imensa confus√£o de seus pesares
Achar√°s, que ardeu simples, ardeu pura
A vítima de uma alma em teus altares.

Adeus

A ti, que em astros desenhei nos céos,
A ti, que em nuvens desenhei nos ares,
A ti, que em ondas desenhei nos mares,
A ti, bom anjo! o derradeiro adeus!

Parto! Se um dia (que √© possivel fl√īr!)
Vires ao longe negrejar um vulto,
Sou eu que aos olhos d’esta gente occulto
O nosso immenso desgraçado amor.

Talvez as féras ao ouvir meus ais,
As brutas selvas, as montanhas brutas,
Concavas rochas, solitarias grutas,
Mais se condoam, se commovam mais!

E l√° d’aquellas solid√Ķes se aqui
Chegar gemido que uma pedra estala,
Que um cedro vibra, que um carvalho abala,
Sou eu que o solto por amor de ti…

De ti! que em folha que varrer o ar,
Em rama, em sombra que bandeie a aragem,
De fito sempre n’essa cara imagem
Verei, sorrindo, sentirei passar!

De ti, que em astros desenhei nos céos!
De ti, que em nuvens desenhei nos ares!
De ti, que em ondas desenhei nos mares,
E a quem envio o derradeiro adeus!

Nasceu um Menino

Nasceu, nasceu um Menino,
Nasceu um Menino mais,
No bercinho pouco fino
Das palhas duns animais!

Que num vil curral por quarto
E entre uns pedregulhos nus,
Teve a santa dor do parto
A Mulher que o deu à luz.

Mas de cada vez, no mundo,
Que mais um ser aparece,
Quem pode descer ao fundo
Do que o Destino nos tece?

À hora em que Este chegava,
L√° para um cerro distante,
Por cada fibra chorava
Una velho cedro gigante.

Chorava porque sabia
Que em seu peito condenado
Aquele Menino, um dia,
Seria crucificado.

Ora cada vez, no mundo,
Que nasce mais um Menino,
Quem pode descer ao fundo
Do que nos tece o Destino?

Já, pelos céus fora, um astro
Descendo sobre o curral,
Abre para sempre um rastro
De alvor sobrenatural.

E o velho cedro, que chora
Porque se julga precito,
Pelos séculos em fora
Ser√° sagrado e bendito.

Que abertos pelos espaços,
No azul sereno e profundo,

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Poeira (Para José Felix)

Do pó ao pólen posta-se o poema
na penumbra do parto antecipado.
Abre-se uma janela sem algema
presa somente do seu próprio fado.

Areia e barro, sol com sua gema,
a gala clara do ovo, visgo dado
ao solo só de vértebras, seu tema
variado na avena: ch√£o arado.

O tropo, o trapo, as vestes: eis aí
a massa que caldeia essa bigorna
ensolando alim√°rias ao se de si.

Nada é constante e tudo se transforma.
Eppur si muove em √°nima no giz
escrito no vaivém se vai e torna.